Filhos da Lua e a Ascensão dos Corajosos.
4 Flash Back -parte1-: A primeira não rendição.
Notas iniciais
A cidade se chama Runa. Considera uma das maiores e nascida sobre as cinzas de uma grande cidade da antiga modernidade. E que agora todos esqueceram o nome.
Mais um dia nublado, comum da região, havia começado. E neste presente as escolas funcionam nas mínimas condições, a fim de manter a cultura ainda em funcionamento. Mesmo assim as opções são bem estreitas e as salas vivem lotadas. Mesmo os filhos de família consideráveis ricas, para o atual estado mundial, não tem qualquer privilegio de escolher condições melhores.
A escola Extrah é a escola mais bem estruturada das redondezas de Runa. Era nesta escola, com dois prédios quadrados de três andares paralelos e com a pintura branca manchada de bolor, que Yan, Dukan e Flecher estudavam antes de sofrerem a interferência dO Estado.
No dia anterior Yan teve que esperar Flecher no estacionamento da escola ao lado dos prédios, para eles fazerem um trabalho de biologia. Kan e os amigos se reuniam lá frequentemente para se divertirem e conversarem depois das aulas. Então dois rapazes do grupo de amigos haviam implicado com a presença do menino, que evitava olha-los sabendo como eles eram malandros. Mas antes que alguma coisa acontecesse Flecher, o novato do final do ano de 2060, apareceu com seu veiculo vinho e de lataria impecável. Impressionando o grupo, já que eles antes só conheciam Dukan com um carro admirável. Após recolher o amigo Flecher apenas sorriu cinicamente para o grupo os provocando. Depois saiu fazendo sua BMW rosnar e queimar pneu. Fora a gota dagua para deixar o grupo ansiando por uma vingança sobre o exibido. Que mesmo sem se exibir como Kan se destacava.
O Dukan, com seus 1,88, era o super-popular da escola, tinha estilo, era endinheirado e se destacava nos esportes com um belo físico. E desde que o outro, também endinheirado, havia se mudado para cidade e entrado na escola sua posição estava claramente ameaçada. E assim eles não se davam bem.
A aula tinha começado com a sala lotada, como sempre, e o ocorrido do dia anterior refletia no hoje com encaradas e empurrões nada amigáveis contra Yan e o moreno que poupava a raiva. Infelizmente eles estudavam na mesma sala. O primeiro período havia passado junto com a manhã. Os dois alvos conseguiram facilmente sumir no meio da multidão que saia para o intervalo, mas não deixaram de ser procurados.
Kan e três de seus amigos estavam no pátio entre os dois prédios procurando-os. O sinal tocou e os outros alunos começaram a ir para as salas para o próximo período de aulas. Logo o lugar ficou totalmente vazio e os quatro não se importavam de entrar atrasados. Até o momento eles tinham certeza de que os alvos ainda não haviam aparecido, além disso, havia dentro da sala mais dois do bando prontos para arrastar quem aparecesse para fora.
De repente um estrondo rompeu sobre tudo. Como um trovão vindo das nuvens escuras exatamente sobre eles. E foi seguido de perto por alguns gritos de susto de alunos surpreendidos. O som foi tão alto que deixou um zumbido nos ouvidos dos garotos ao ar livre, que passaram a observar o céu por um tempo e nenhum outro trovão ou relâmpago surgiu.
O vento leve que passava pelo pátio desapareceu completamente e o ar pareceu se aquecer. Alguma coisa fez o coração do loiro bem vestido disparar. Mas ele não era do tipo de ter medo tão fácil, e estranhava o fato. Seus amigos estavam prestes a sugerir que entrassem quando os outros dois, que estavam na sala, surgiram arrastando Yan pela gola de camisa xadrez azul clara e o largaram entre eles. O menino não tentou falar nada para fugir ou se defender, mesmo sabendo que foi culpa de Flecher, ele que havia provocado os rapazes. Seus olhos castanhos não demoraram mundo encarando o líder que não demonstrava tanto envolvimento ou naquele que falava insultos para atiça-lo, eles se elevaram pressentindo a presença estranha sobre os telhados dos prédios. Dukan o seguiu, para ver o que Yan olhava tão sobressaltado e logo os outros também perceberam.
Um Totem.
A nave de busca e recolha de cobaias dO Estado estava lá. Flutuando sobre os telhados com sua couraça cinza alaranjada ainda cintilando entre levemente invisível á visível, até que se tornasse completamente solida e assustadora. A nave tinha metade do comprimento de um dos prédios, levemente semelhante a um pássaro com asas triangulares nas laterais, que se moviam levemente para manter-se nivelado, e não havia nenhum propulsor ou turbina aparente e nem ruído. Na barriga do Totem havia dois canhões externos, possivelmente do tamanho de motos, e mais atrás largas portas-escotilha ainda fechadas.
Os garotos esqueceram-se facilmente do que estavam fazendo. Sabiam pelas noticias e historias que ouviam que aquilo não era nada bom. Em breve a melhor escola estaria em ruinas.
Boom!
Parte do telhado do prédio da esquerda desaparece em estilhaços de cimento e bloco que chovem sobre o chão. Parte do ultimo andar foi destruído deixando um grande buraco. Então os gritos de todos começaram a ocupar o silencio que havia no lugar.
Os rapazes ficaram estáticos com o que assistiam. Não demorou e a escotilha sob a nave se abriu jogando dois Difusores, literalmente. A primeira criatura tinha três metros de altura e a segunda por volta de dois metros. As duas eram amarela esverdeada, tinham uma cabeça redonda de testa encouraçada com espinhos, sem olho ou narinas, uma boca larga completa de dentes pontudos e negros, uma língua de ponta dupla que chicoteava o ar, o pescoço era grosso sustentando o peso da cabeça, o corpo era largo e com algumas dobrinhas, as patas dianteiras tinham três garras esbranquiçadas com as pontas laranja, que se apoiavam no chão como a de um tamanduá, as traseiras eram grossas e musculosas e o difusor tinha uma calda comprida que se afinava até um gancho prata na ponta. Da coluna da criatura saiam tentáculos curtos, mas que podiam triplicar de tamanho, cada um com um crava de espinhos na ponta.
As criaturas gorgolejaram e ergueram a cabeça sentindo o cheiro do ambiente. Depois de vê-los e ouvi-los muitos alunos e funcionários correram em fuga por onde tivessem passagem. O Totem se afastou e fez o mesmo com o segundo prédio liberando outros dois difusores menores que o primeiro.
Dukan olhou em volta, o pátio ficava cada vez mais cheio e ás vezes tinha que empurrar alguém que forçava passagem por ele parado no mesmo lugar. Seus amigos haviam sumido, seguindo ou levados para a portaria. O loiro achou apenas Yan as suas costas, parado, assustado e sem saber o que fazer, o usando como escudo enquanto a volta deles as pessoas corria como um mar de gente para a mesma direção. Porém antes que chegassem ao portão de saída encontraram uma parede invisível e foram pressionadas contra ela pelos que vinham atrás. O Totem apenas observava parado sobre o pátio, deixando uma sombra fria sobre todos, e então uma luz azulada pulsou na lataria enviando um sinal para o que veio a seguir.
Um zunido elétrico veio da portaria. Dukan e Yan olharam espantados para aquela direção. Em milésimos de segundo uma eletricidade revelou o escudo que o Totem criou deixando-o esbranquiçado com veias de luz, e um choque atingiu todos que estavam encostados nele. Como uma onda a eletricidade percorria de corpo á corpo. As pessoas tremiam e gritavam antes de cair desmaiadas ou mortas quebrando parte da corrente. O choque chegou aos dois, mas eles estavam afastados o suficiente e sentiram o golpe um pouco mais fraco, mas mesmo assim caíram.
Yan sentia a dor por todo o corpo, os músculos tensionados e incontroláveis, a respiração apertada e difícil, o coração estava forte e extremamente agitado. Ele se apoiou ainda tentando recuperar o controle de sua vida vendo na sua frente Dukan, ajoelhado e atordoado cuspindo um pouco de sangue de um corte na boca. Yan viu atrás do loiro outras pessoas cujo coração não havia parado mortalmente pelo choque, eles se levantavam e fugiam. Os olhos dos dois rapazes se encontraram espantados com a mudança repentina do dia.
Outros poucos que saiam do prédio atrasados passavam pelos obstáculos de corpos e tentavam fugir pela portaria atingindo o escuro, recebendo o choque e caindo. Estavam tão assustados que não observaram o ambiente. Yan notou um garoto bem mais novo que ele se levantar atrás de Kan, olhar para trás deles, para a portaria, e se levantar assustado saindo correndo aos tropeções para outra direção. Tudo acontecia tão rapidamente que ele mal entendia os fatos. A adrenalina que corria em seu corpo apenas o deixava em alerta, mas não lhe dava as instruções do que fazer. Quando ia se virar para ver do que o garoto fugia Kan o puxou pra cima e o arrastou junto com ele. Correram até o meio do pátio e se esconderam atrás de uma pilastra larga apoiando as costas no prédio da direita recuperando o folego. Era mais ou menos ali que ficava uma segunda entrada. Depois que Dukan o soltou Yan ousou observar rapidamente do que eles fugiam.
Um Difusor havia chegado ao pátio, depois de destruir parte do batente da porta da portaria para passar. A atenção da criatura estava para os corpos caídos. Mesmo sem olhos ele parecia observar atentamente e às vezes experimentava com a língua áspera as pessoas. Por um momento o monstro virou sua cabeça na direção deles, mas ignorou. Logo seus tentáculos, cauda e língua começaram a atingir e arranhar os corpos dos ferindo-os. E os mortos eram ignorados e até pisoteados.
De repente na frente deles outro Difusor saiu do prédio da esquerda passando pela passagem oposta á que estavam. Estava desesperado para se unir ao irmão. Kan, no susto, voltou a arrastar o outro adentrando pela porta de duas folhas chegando ao corredor. Ele se localizou e começou a ir para um dos lados do corredor, o mais distantes das duas criaturas lá fora, e cada vez mais o lugar parecia destruído com os sucos das garras do Difusor marcando as paredes, tetos e piso. Alguns colegas de outras salas que sofreram o ataque estavam picados em vários cantos do lugar, colorindo o piso verde claro, as paredes brancas e os armários verde oliva de vermelho.
Onde está indo?! — Gritou o mais baixo vendo alguns alunos feridos seguir cambaleado para a direção contraria. Kan não respondeu, mas sua expressão era apavorada. -Vamos achar Flecher!- e puxou o pulso da mão do loiro.
Dukan queria mantê-lo perto, mal reconhecia os que passavam por ele e Yan era o único que ele conhecia. Isso lhe impedia de cair da histeria e desespero como os outros. O fato de não estar sozinho em busca de uma saída. Kan piscou sem pensar e seguiu o garoto que ia para as escadas e eles subiram. Os andares do prédio estavam em silencio, mas eles ouviam os gritos e o gorgolejar das criaturas em outros lugares.
Onde ele esta... — sussurrava Yan, tenso e ansioso ao observar atentamente os andares e corredores em que passava. Em busca do amigo ou das criaturas. Era seguido por Kan que arrumara um pé-de-cabra em um armário de limpeza no primeiro andar como arma.
No terceiro andar, assim que saiu da escada, Yan virou para a esquerda após olhar a direita rapidamente e não encontrando nada. Parou tão bruscamente que Kan colidiu nas suas costas, mas isso não o fez mover um passo. Eles encontraram um difusor, que investiu contra a porta de uma sala e se entalou ficando com a traseira no corredor. A criatura rugia irritada, sua calda girava sem controle e às vezes o gancho fincava em alguma parte da parede do corredor.
Alguém saiu de repente pela porta dos fundos da sala, bem na frente de Yan quase o derrubando. Era Flecher, pálido com um pedaço de porta de armário afiada nas mãos e a respiração alterada. Parte de seus cabelos pretos estava umedecidos de vermelho e o liquido escorria por cima da orelha e pescoço do lado direito.
YAN?!- disse ele com um sorriso. Pareceu aliviado com a presença do amigo, mas logo se lembrou da criatura ficando sério. -Me ajude!
O difusor fincou uma das garras por dentro da sala que atravessou a parede e um armário aparecendo no corredor. E o animal se forçou para dentro da sala.
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