Filhos da Lua e a Ascensão dos Corajosos.
33 Descontroles- Um treino de Luta.
Notas iniciais

–Flecher!- Kan abriu a porta do quarto com um estrondo acordando o menino que tirava um cochilo na cama larga. -Eu resolvi ser legal com você e te convidar para a minha festa! Toma.
Jogou uma máscara em Flecher, que continuava deitado de bruços e se moveu para ver o que era. Ao perceber que era uma simples máscara recoberta por cetim escuro com um detalhe azul brilhante do lado esquerdo voltou a afundar a cabeça no travesseiro resmungando:
–Eu não vou.Tenho coisas para terminar e pensar. Sabe que o Estado esta em movimento? Alguma coisa ruim pode acontecer. -ele bateu no travesseiro para ajeitar e se afundou novamente. –Mas, apesar disso, seja feliz... E me deixe em paz Kan.
–Você vai sim, Flecher.
A voz do avô do menino o fez se virar para ver o senhor ao lado de Kan recebendo uma máscara dourada com uma expressão feliz e sorridente que cobriria grande parte do rosto.
–Você também esta nisto?-ele se sentou na cama depois de perder completamente o sono. -Sabe o que esta acontecendo e apoia essa distração?
–Sim, sim, todos nós sabemos disso. E você parece um velho reclamando. Vamos! Os jovens tem que se divertir um pouco! E esse garoto aqui, -deu uns tapas no ombro de Kan- merece uma boa festa de dezoito anos.
Como passar dos dias os integrantes do grupo se dividiram em áreas e o treinamento acontecia na parte da manhã, onde Yan já não dava mais aula, pois ensinou tudo que sabia rapidamente.
Taz escolheu ficar na mesma sala que Flecher, para ajuda-lo com seus projetos e para mexer com as espadas e facas que eram afiadas e concertadas ali. Brian a seguiu quando não tinha o que fazer e também trabalhava ajudando Flecher quando Taz negava alguma coisa mais interessada em mexer com seus projetos.
Marlene e Philipe resolveram ajudar Yan no laboratório, onde ele fazia algumas pesquisas biológicas para entender as armas que o Estado usava e também estudava medicina para pode ajudar mais precisamente quando alguém se ferisse.
Flecher sugeriu que Aaron cuidasse dos automotores e equipamentos do galpão e como era algo que o garoto gostava aceitou. Alec se juntou a ele e mais tarde pediu ajuda de Kate, que era uma pessoa menor, para mexer com peças pequenas dos motores.
Beatrice estava na área de treinamento e desenvolvimentos de habilidades, convocada por Dukan, pois tinha recebeu um treinamento do pai que era militar. Brian também estava com eles nas vezes que não estava na sala de armas.
Leno notou essa divisão de tarefas e que alguns se encaixaram naturalmente. Observou os outros que não estavam em nenhuma função: Cadius que ficava sempre deitado em algum lugar sem fazer nada, Diana que estava sempre fazendo coisas com a irmã para passar o tempo, Lucas que estava até o momento sempre apenas observando e Destiny que se ocupava com coisas na cozinha para distrair as irmãs que gostavam muito de coisas comestíveis. O velho os juntou e recomendou uma tarefa para eles: ficar no laboratório de vigilância de informações, onde eles iriam mexer com computadores organizando e estudando os dados e era lá que estava o equipamento que vigiava as movimentações de Totens e comunicações do Estado com a Terra. Era bem simples o que fariam, mas de grande importância. E desde que começaram Cadius, que não era o tipo animado, se apropriou de um sofá que tinha na sala. Diana era mais empenhada em querer saber o que tudo fazia, mas depois ficar olhando aquelas telas e papeis ficou entediada e sempre era ela que agitava as coisas na grande sala com suas conversas e historias. Lucas e Destiny ficavam de olho nas informações, e ele parecia conseguir interpretar algo de tudo que aparecia nos monitores, mantendo um interesse constante, e algumas vezes quando a maquina apresentava problemas de códigos,Lucas rapidamente o resolvia.
As meninas levaram alguns dias para escolherem suas roupas fazendo de Beatrice a motorista para levarem á cidade. Os meninos não precisaram de tanto tempo, e logo todos já tinham suas roupas para festa de Kan. Que seria em breve e a mansão era preenchida por uma equipe contratada que trabalhava na decoração e arrumação das coisas.
–Brian, seu irmão esta chegando. -disse Will, o governante, para o garoto estudando sobre o Estado com alguns outros na biblioteca. O menino concordou e abandonou tudo para encontrar o irmão, que chegou a tempo para participar da festa.
Na porta da mansão, Jalaska encarou o irmão dois anos mais novo fazendo exatamente a mesma cara que ele quando chegou. John tinha as mesmas características físicas de Brian, porem usava seus cabelos espetados para todos os lados e seus olhos eram castanhos. Foi rápido John perceber que não era uma escola e ele até ficou feliz de saber que não teria que estudar feito louco, mas saber a verdade: que lutavam contra o Estado, o deixou um pouco preocupado com o irmão.
Philipe ia à cozinha desviando e se escondendo das pessoas estranhas e uniformizadas que andavam pela mansão. Ele tinha uma teoria de que aquelas pessoas estavam os vigiando e coletando informações. E Philipe os vigiava de volta enquanto se escondia. Mas depois de um tempo aquelas pessoas ficaram sem graça e ele estava com fome. Abriu a geladeira grande e logo viu um pudim, não perdeu tempo e pegou um pedaço. Sentou-se no balcão e começou a degustá-lo pensando em como era feliz ali, onde todo dia ao abrir a geladeira encontrava um pudim diferente, as pessoas eram felizes sem perturbá-lo e tinha aqueles que falavam com ele de vez em quando.
Subitamente alguém chega entrando pela porta da cozinha o tirando de seus pensamentos. Era Yan, que olhou o garoto no balcão e deu um sorriso leve indo em direção à geladeira e pegando gelo. Philipe tinha estacionado uma colherada de pudim no meio do caminho até sua boca ao ver alguns cortes sangrando e futuros roxos no rosto do garoto.
–Você esta bem Yan?-Perguntou preocupado enquanto o outro pressionava o gelo contra o rosto.
–Agora estou Philipe. -Yan deu um sorriso gentil e forçado e continuou pressionando o gelo no rosto pensativo. -Não se preocupe comigo.
–Eu vou cuidar de você!- falou Philipe dando um pulo do banco e saiu antes do outro dizer qualquer coisa.
Voltou com uma caixa de primeiro socorros, mandou Yan se sentar no outro banco do balcão e começou a limpar os cortes, mesmo Yan dizendo que não precisava e tentando segurar a mãos dele que desviavam rapidamente até que ele desistiu de impedi-lo.
–E o seu pudim?-perguntou Yan mais tarde sem jeito da atenção do garoto nele.
–Ah, é mesmo. -Philipe se lembra, puxa o prato para perto e põe uma colher de pudim na boca continuando com seu trabalho.
–Yan o que aconteceu com você? -Flecher estava lá pegando uma lata de refrigerante e viu o estado dele. Ficando sério quando o menino desviou o olhar para outro lado e ele teve ideia do que aconteceu.
–... Ele não estava com boa mira hoje. Jogou dois copos, o primeiro acertou a parede... — o menino gesticulou ao lado da cabeça. — e se estilhaçou. O segundo acertou meu ombro. –Como Yan mostrou os estilhaços lhe acertaram no rosto e pescoço.
–Você não devia voltar pra lá, eu já falei isso. –Flecher olhou rapidamente Philipe cuidando de Yan estranhando e saiu.
***
–Você! -disse Taz entrando na frente de Marlene, que parou e estranhou. -Você vai me ajudar a treinar Luta. – disse a pequena pegando a mão de Lene e a arrastando pra os elevadores para irem para o lugar apropriado no subsolo. — A Kate é meio que... chata demais. Mas você, talvez me ajude a descarregar um pouco do que me fez naquele dia na catedral, e a treinar.
Marlene se soltou com um tranco e recebeu um olhar ameaçador, mas continuou andando e Taz não a atacou ali mesmo no corredor.Ela pensava que seria bom treinar um pouco de luta e Taz não seria um oponente tão difícil.
Elas entraram na sala de treinamento, uma sala bem ampla com duas áreas acolchoadas para as lutas e, em um dos cantos, duas portas para os vestiários que continham armários com roupas justas e de tecido difícil de rasgar que podiam ser usados para luta. Foi para lá que Taz arrastou a Marlene ignorando que interrompeu a concentração de Alec e Aaron que duelavam há algumas horas.
Marlene observou Aaron, que parou um pouco sem jeito com a invasão das meninas, então Alec aproveitou a distração para jogá-lo no chão e Aaron passou a lutar para se levantar. Parecia um luta bruta entre eles e espantava um pouco Marlene deles não terem um terceiro para remediar a disputa, que tinha tudo para se tornar algo sério.
Taz trocou apenas as calças largas e cheias de bolsos pelo short que tinha no armário continuando com sua blusa regata branca. Marlene a achou mais magra sem as calças largas, mas não comentou. Ela fez a mesma coisa que Taz, colocando o short que ajudava a dar mais movimento, mas permaneceu com a blusa, pois lá só tinha tops e ela não iria vestir só aquilo com dois garotos no mesmo lugar.Seguiu Taz para a arena livre.
Alec estava cansado, assim como Aaron, e estavam em uma pausa. Os dois tinham portes físicos bem parecidos, e estavam lá para ganhar mais resistência com um desafio entre eles que não limitava o tempo que ficariam ali.
–Cuidado com a Taz. — disse Alec sorrindo olhando a morena passar sentado em um banco próximo da parede. -A ultima que ela trouxe quase quebrou o braço.
Taz gritou de volta para ele fechar a boca e em seguida sorriu dissimulada para Marlene.
As duas estavam no ringue. Taz continuava com seu sorriso sinistro encarando Marlene pronta para atacar. A menor avançou dando um soco no rosto de Marlene, que se defendeu com o braço esquerdo e com a mão direita deu um soco na barriga desprotegida de Taz, mas a pequena girou e se afastou dando em seguida um chute nas costas das pernas de Marlene, porém Lene era mais encorpada e não fez grande efeito. Em resposta ela deu um soco em Taz ao girar na direção dela e a menor se abaixou a tempo de evitá-lo. Um movimento errado, pois logo a seguir Lene a chutou e ela caiu no chão. Marlene se espantou um pouco com o que fez por reflexo e esperou Taz,que resmungava irritada, se levantar e retirar as mãos do rosto.
–Ih, a coisa agora vai ficar séria. -comentou Alec se divertindo assistindo a luta. Aaron se levantou sério de onde estava e se aproximou da arena delas.
Logo depois Marlene foi derrubada quando Taz a empurrou com o ombro e um golpe raivoso na barriga. A luta já estava séria antes para apenas derrubar a outra, mas agora estava sério e até violento. Taz estava furiosa pelo pequeno corte na maça do rosto. Lene segurou os braços da pequena quando ela ia agarrar seu pescoço, mas o movimento não impediu Taz de usar a cabeça para acertá-la. Lene desviou varias vezes e notou que não poderia conte-la por muito tempo se não saísse do chão. Quando Taz percebeu que ficaria com dor de cabeça começou a tentar morde-la, queria apenas causar alguns estragos na oponente que a feriu.
Marlene estava lutando para continuar se esquivando das mordidas quando Aaron levantou Taz de cima dela. A pequena estava completamente descontrolada, esperneado e gritando para o garoto solta-la se não ia arrumar uma faca e passar no pescoço dele quando ele menos esperasse e depois iria atrás de Marlene com a faca ainda pingando o sangue dele. Alec não havia se movido e apenas ria assistindo.
–Vai embora!- disse Aaron quando a pequena começou a escorregar de seus braços com socos e ponta pés.
–Não!- disse a pequena ao ouvi-lo e encarando Marlene. -Você não vai fugir!Pode ficar! Eu não vou te matar!Fica!- mas Marlene a achou descontrolada demais e fez o que Aaron disse.
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