Filhos De Hefesto
2 O tal Leo Valdez
Eu estava realmente ficando maluco. Como é que um navio ia voar? Como é que meu pai ia mandar uma outra pessoa, sendo que ele estava MORTO? Quem no final de contas era esse Leo Valdez?
- Cara, eu sei que parece confuso, mas você tem que ir comigo até o acampamento, lá vão te explicar tudo — o tal de Valdez tinha pousado o barco no lado do que sobrará da minha casa. Ele não parava de insistir em me convencer de ir para esse acampamento, seja lá onde fosse, eu não ia nem morto.
Tinha mil perguntas em mente, antes de confiar nele.
- Primeiro, como assim que meu pai, que está morto, manda você me procurar dizendo que eu estou em perigo?
- Já falei, aquele não era seu pai — ele começou, e eu sabia o que ele ia falar, já tinha perguntado isso, mas ainda não aceitava a resposta — Era apenas uma das formas dele. Seu pai é Hefesto, um dos deuses gregos. Sei que é difícil aceitar, mas lá no acampamento eles vão...
- Eu não quero saber dessa porra de acampamento!
- Pera ai, pera ai. Porra de acampamento não — ele parecia estar pegando fogo — Lá é onde eu moro, onde meus amigos moram, e lá é o lugar mais seguro para nós. Ou você nunca reparou que coisas estranhas acontecem com você?
Finalmente parei pra pensar sobre isso. Minha mãe nunca me mandou para a escola porque disse que eu já arranjava problemas de mais estando em casa. Vivíamos mudando pra lá e pra cá, sempre depois que alguma coisa, um tanto, paranormal acontecia. Lembro-me da vez em que a sala de cinema pegou fogo quando minha mãe me levou para assistir um filme e um menino não parava de tacar pipoca em mim. Não me perguntem de onde surgiu o fogo, simplesmente apareceu no meio da sala.
Pensando bem, minha mãe estava certa em me manter longe das escolas. Já era estressado o suficiente.
Era um milagre se a gente ficasse mais de uma ano em uma cidade. Achada incrível já estar morando a 1 ano e meio na mesma cidade. Acho que esse foi o primeiro lugar onde consegui ter um amigo.
- O que aconteceu com Kayke? Ele não parecia ele...
- Eu não sei onde seu verdadeiro amigo está, mas aquilo não era um mortal, era um monstro e eu não sei de que tipo. Eu sei que você nem me conhece, mas espero que saiba que eu sei como te ajudar, como deixar sua mãe a salvo, afinal, foi ela quem pediu a seu pai para arranjar um jeito de te proteger.
- Como? Minha mãe fez o que? Ela ta tentando se livrar de mim é isso? Me explica isso direitinho.
- Vou contar o que eu sei. Papai veio me visitar ontem, enquanto eu estava reparando o Argo II depois de nossa visita a Roma, longa história. Ele disse que alguém estava querendo ferir um dos filmes de maior prodígio dele, um que ele não tinha assumido pois a mãe do menino garantiu que o manteria seguro. Então perguntei por que que agora ele estaria em perigo, e por que não mandava um sátiro para vim busca-ló. Ele respondeu que seria mais fácil de você acreditar em mim, um irmão, do que num sátiro e que tinha de te encontrar logo, que sua mãe tinha dito para ele que a coisa tava feia, que "ninguém mais parecia o que era".
- Ela devia estar se referindo a Kayke, mas então ela sabia... bem, de tudo isso sobre o que você está me falando?
- Não sei e acho que não devia ser eu quem deveria lhe explicar tudo. Só acredite em mim, você é filho de um deus grego, Hefesto. Você é um semideus, como eu. E se não fosse importante para papai, não me mandaria aqui para leva-ló em segurança para o acampamento.
- Mas onde está minha mãe? Eu tenho que avisar ela.
- Ela sabe que você vai estar seguro, não precisa se preocupar — ele falou com toda a certeza do mundo — E outra coisa, vi que você é aparentemente imune ao fogo, o que é dificílimo de se ser...
- ENTÃO VOCÊ EXPLODE MINHA CASA E DEPOIS DISSO SÓ PENSA SE EU SOU IMUNE AO FOGO OU NÃO?
- Desculpe, mas é que eu só queria afastar aquele monstro que estava com você e...
- E pensou que não seria nada mal destruir minha casa e possivelmente me matar não é?
- Já pedi desculpas — ele estava começando a queimar de novo — Mas então, vamos ou não vamos?
- No final das contas você ia me levar de qualquer jeito não é?
- Sinceramente? — ele parecia estar pensando — Acho que sim, mas gostei que foi dessa maneira. Ah, e Simon..
- O que foi agora?
- Queria que você conhece-se Festus, a nossa... como posso dizer? Figura de proa.
O dragão de bronze emitiu um som, o qual eu entendi perfeitamente. "Seja bem vindo Capitão Burns"
- Então seu sobrenome é Burns? Como será que o Sr. D. vai chama-ló? — Leo parecia estar mais falando sozinho do que comigo.
Ele me mostrou minha acomodação dentro do Argo II, que era enorme. Enquanto andávamos pelo navio, Leo me contava a história de sua aventura para Roma com seus amigos.
- Você vai adorar eles, Percy é um figurão — falou entusiasmado.
- Se você não se importa, vou dormir um pouco. Os últimos dias tem sido bem pesados.
- Tudo bem. Sabes como chegar até o quarto?
- Consigo me achar — e na verdade me achei. Festus parecia me guiar pelo navio de dentro da minha cabeça. Cheguei na minha cabine, troquei a roupa que estava usando por uma que estava lá: uma camiseta laranja com a inscrição "Acampamento Meio- Sangue". Me senti a vontade com aquele nome, parecia tão acolhedor.
Dormi pensando em como seria esse Acampamento Meio-Sangue.
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