Notas iniciais
Dedico a todos como eu, filhos da juventude.
a cidade citada no texto é fictícia, então não há possibilidade de você encontrar esses personagens.

O rim


Dália- RJ Brasil, 28 de fevereiro de 2006.


Havia uma aglomeração ao redor do corpo juvenil e imutável, que foi encontrado naquela manhã de terça feira perto da lagoa no centro da cidade. O rapaz que estava sendo retirado pela uma maca, se chamava Elvis, filho mais velho de Eduardo Luz produtor musical da gravadora ALL. Após analise dos socorristas que retiraram o corpo com vida, dava para se ter uma noção do que se tratava aquilo.

Para ser mais direto Elvis foi vitima de um assalto. Não desses frequentes em todo o mundo, o caso era mais macabro. Tratava-se de um roubo renal.

O garoto estava consciente e podia até ter milhares de duvidas, mais ele não conseguia se quer mexer os lábios, que estavam roxo e debilitado de qualquer pronúncia. Os olhos assustado de Elvis era o mesmo que o fazia querer enxergar além do permitido, aqueles olhos sentiam e queriam ver o que tinha no seu abdome que latejava fortemente. Com um pouco de desconfiança e curiosidade ele ergueu o lençol fino que lhe encobria na maca, o susto foi imenso, o grito foi vibrante, capaz ate mesmo de quebrar os vidros das janelas da ambulância. Uma paramédica que estava ao seu lado não hesitou em lhe injetar um calmante que o manteria desacordado até à tarde do mesmo dia.

***

Embora amasse condicionalmente a sua família, Nara estava pronta para umas férias. Ela precisava deste tempo para por as coisas no lugar. Além de se casar na “flor da idade” como a sua própria mãe dizia, ela também teve filhos muito nova, e naquele instante a sua planejada viagem para Dubai na sexta feira se comprometeu apenas por um telefonema.

Eduardo Luz já havia sido comunicado sobre a condição de seu filho Elvis, e decidiu assim que soube da noticia ligar para Nara, sua companheira de mais de 20 anos.

Eduardo e Nara se conheceram em um bar carioca, ela com sua doce voz que conduzia o bom som que espalhava pelo o ar lhe encantou, a partir daquele encontro ocasional Eduardo a propôs um teste na gravadora ALL. Ela não recusou o convite.

Embora o tempo tenha esfriado o relacionamento de Nara e Eduardo ainda existiam as três razões por eles ainda se tolerarem, os seus três filhos, Elvis, John e Elis.

Ao ouvi a chamada de seu celular Nara teve uma sensação fria, como se ela mesmo pudesse imaginar o que podia ter acontecido.

_ Alô, Du? _ a voz levemente rouca de Nara se exalava.

Mesmo sabendo que Nara lhe culparia pela fuga de Elvis na noite anterior ao acidente, Eduardo decidiu contar tudo o que ele sabia.

_ Nara, você está me escutando?

_ sim Du, o que foi?

_ Nara eu preciso que você seja forte. Meu amor eu acabei de receber uma ligação do hospital São Luiz. O Elvis está lá, ele foi atacado por um maníaco...

A palavra, “maníaco”, soou muito forte naquele instante deixando Nara completamente muda, embora ela estivesse com varias perguntas a serem feitas não conseguiu executaras, apenas deixou Eduardo falando sozinho.

O estúdio onde Nara gravava uma propaganda lhe causava náusea e forte dor de cabeça, ela pensava em encontrar com seu filho e deixou toda a equipe em pane com sua saída repentina. Seus passos eram ligeiros em rumo ao estacionamento da agência Betty até encontrar o seu carro e acelerar em direção ao hospital onde Elvis estava.

Pelo caminho do hospital passou uma vaga lembrança na mente de Nara. Ela se via no seu primeiro encontro com Eduardo, uma semana após se esbarrarem em um bar no Rio de janeiro. Ela mentia para sua mãe quando dizia que tolerava o Eduardo apenas pelas crianças. A verdadeira razão de eles estarem casados até os dias atuais é sim pela gratidão que Nara tinha pelo o Eduardo por lhe transformar em uma grande cantora nos anos 80, e também por ter aprendido a amá-lo. Quando ela recordava das palavras dele quando ela estava grávida de Elvis, “a minha vida agora está completa com você e o pequeno Elvis”, ela se emocionava a ponto de carpir-se diante o volante do carro.


***


Na Betty, Dione e Laura, donos da agência estavam inconformados com a saída de Nara sem nenhuma explicação.

_ Mas o que foi aquilo menina, que “surto” deu na Nara dessa vez? _ perguntou Dione para sua assistente.

_ Eu não sei, ela recebeu uma ligação que a deixou pálida, então saiu quase correndo pelo estúdio. _ disse Jacque atropelando as palavras.

Dioni era um grande amigo de Nara, foi um dos primeiros a ajudará a mudar de visual quando ela chegou ao Rio de Janeiro para gravar seu primeiro CD. Muitas das vezes Dione era egoísta assim como sua irmã Laura. A sua agência estava entre as melhores de publicidade do Brasil e tinha um elenco de modelos mais cobiçados também.

_ Minha nossa, o que será que aconteceu com nossa diva em Laura? _ agora dessa vez Dione interrogava Laura.

Laura tinha uma maneira totalmente diferente de ver a vida, seu visual era exageradamente berrante em tons de rosa choque, e ela não podia negar que sentia um pouco de inveja de Nara.

_ A sua diva meu irmão, acho que ela deu um ataque de estrelismo, como varias dessas cantoras que se acha o ultimo biscoito do pacote.

_ oh meu Deus, não fala assim da Nara, tá bom? _ Dione advertiu Laura _ a inveja é um porre mesmo.

_ Pode deixar, eu não toco no nome da Nara mais. Jacque como está o processo da campanha de prevenção ao câncer de mama?

_ Está um sucesso Laura.

Jaqueline saiu da sala de Dione, deixando ele e Laura destilando seus venenos.

_ você me chamou de invejosa Dione? Eu que sempre apoiei a sua opção sexual. Realmente você é muito ingrato, e eu não tenho inveja da Nara, ok?

_ ok Laura, mas eu nunca te pedi apoio. Não se esqueça disso.

Laura saiu furiosa da sala de seu irmão.


***



Após alguns quilômetros percorridos da agência Betty ao hospital São Luís, Nara com seus passos largos chegou dando alarmantes.

_ Oi, eu gostaria de saber em qual quarto o meu filho Elvis está?

A senhora de meia idade mascando chicletes e lendo revista com óculos entre o nariz respondeu:

_ Qual o nome completo do paciente?

Nara estava inquieta. Ela tinha a pele bastante clara, os cabelos levemente mognos e os olhos verdes esmeraldas. Uma mulher muito bonita.

Então ela respondeu:

_ O nome é Elvis Eduardo Luz.

_ Ah sim! O rapaz está na sala de cirurgia, após a cirurgia ele ficará um tempo internado no quarto 22. Infelizmente não posso liberar visitas.

Algumas lágrimas saíram dos olhos de Nara, “como assim cirurgia?”, ela pensava, e pior de tudo era que Elvis continuaria ali sem previsão para receber alta. O que tinha acontecido com Elvis ainda era um enigma para Nara.

_ Você sabe me informar quanto tempo levará esta cirurgia? _ Nara perguntou a recepcionista.

_ Não senhora, estas cirurgias não tem previsão para finalizar.

_ Mas de fato o que aconteceu com o Elvis? _ Agora o choro de Nara era mais nítido, era como se todas as palavras que ela dizia ficassem trémula.

_ Eu sei por alto, os detalhes você ficará sabendo só com o DR Gilbert, parece que o seu filho foi vitima de um ladrão de órgãos, essas pessoas que atrai jovens para as suas residências, embriaga eles e por fim lhe rouba o rim, o fígado ou até mesmo o coração, para depois venderem para mercado negro a preço de ouro. No caso do seu filho eles roubaram um dos rins. _ a recepcionista não poupou os detalhes.

“Um ladrão de órgãos” esta era definição para o sujeito que havia deixado marcas em Elvis. Sem fazer nenhuma outra pergunta que estava entalada em sua garganta, Nara saiu da recepção para a porta de entrada do hospital.

O que passava na cabeça de Nara era só, “como Eduardo deixou Elvis sair de casa, dessa vez eu não perdoarei ele, e se acontecer alguma coisa com Elvis, eu...”, antes dela conclui o que estava pensando o celular tocou. Era Eduardo.

_ Que bom que você me ligou, eu estava pensando o que eu vou fazer com você se acontecer alguma coisa com Elvis. _ Nara estava furiosa.

_ Nara acalma-se! _ sussurrou Eduardo

_ Como eu vou me acalmar, eu estava crédula que o castigo o livraria do perigo da rua, e você estraga tudo _ dava pra se notar o acumulo de saliva que a repressão de suas palavras causava.

_ Eu não tirei o Elvis do castigo, ele fugiu tá! _ agora era Eduardo que gritava.

Neste instante a súbita raiva que Nara estava de Eduardo se transformou em lágrimas.

_ Eu o amo viu, eu sei que isso não transparece todas as horas, mas eu o amo. A noite passada eu subi mais cedo para o quarto, ele estava vendo tevê com o John, eu confiei nele._ agora era Eduardo que estava com a voz embaraçada.

Nara não diz nada.

_ Eu já perdi você, não adianta você dizer que quer só um tempo porque eu sei que você não me ama mais, eu não suportaria também perder o Elvis, não dessa forma cruel. _ Eduardo não conseguia evitar as lágrimas.

_ Eu vou desligar. A gente não vai perder o Elvis, tá bom.

_ Como ele está?

_ Não tenho noticias. E como estão às crianças, elas já sabem?

_ Sim, daqui um pouco estaremos aí.

_ Não demora tá?

_ Pode deixar.



***

No hospital o celular de John toca.

_ Alô?

_ Alô John, aqui é a Amanda, como está o Elvis?

_ Eu não sei Amanda, eu acabei de chegar aqui no hospital.

_ Você estava com ele na noite anterior, não estava?

_ Não. _ John negou.

_ Você sabe o que aconteceu com ele?

Amanda tinha a terrível mania de bancar o Sherlock Homes, cada pergunta era mais prazerosa, mas desconfiar da palavra de John era incoerência de mais, até para ela que nunca confiava em ninguém, quer dizer exceto em Elvis.

_ Não Amanda, eu não sei tá bom? _ John estava segurando fortemente o celular.

_ Nem onde ele foi John? _ Amanda continuava as perguntas.

_ Não.

_ Você não está me escondendo nada, está?

_Que motivo eu teria, ele é meu irmão, e eu tento ser forte, mas aí eu penso, “se o Elvis não conseguir escapar da morte, o que vai ser de mim?”, me responda Amanda como é perder um irmão?

Amanda era diferente das outras garotas, ela sempre estava presente na vida de Elvis e John, embora seu pai tivesse um elevado cargo na gravadora ALL e também fosse grande amigo de Eduardo Luz, a amizade que ela tinha com os filhos de Eduardo era intensa.

A pergunta de John fez com que Amanda se lembrasse de Lion, seu irmão de quatro anos que faleceu afogado naquela piscina_ naquela mesma piscina do Clube TNT que era obrigada a fazer aulas de natação._ já fazia um ano que Lion se foi. Ela mudou o tom de sua voz, agora mais suave.

_ Não vai acontecer nada como o Elvis. Não seria justo acontecer alguma coisa com ele, você não acha?

_ Sim. Amanda você virá aqui no hospital?

_ sim.

John se despediu de Amanda e desligou o celular.


Quem olhasse para o John tentando achar alguma semelhança com o Elvis na certa não encontrariam, eles eram muito diferentes um do outro. Embora fosse apenas um ano mais novo que Elvis, John era mais responsável, mais carinhoso e muitas vezes mais maduro. Ainda existiam muitas diferenças físicas, Elvis era alto e John baixo, Elvis tinha os olhos castanho escuro os de John eram verde esmerada como o de sua mãe, só a pele deles que realmente eram do mesmo tom, eles eram quase transparente e de vez em quando aparecia aquele bronzeado carioca.

_ você estava falando com a Amanda? _ perguntou Nara.

_ Sim. Mãe eu sinto muito pelo o que aconteceu, por favor, não briga com o pai não, a culpa foi minha, não do papai.

A forma em que John assumia a culpa pela fuga de Elvis revoltava Nara.

_ Você não deve se lamentar com o que aconteceu, escuta John você não é o adulto daquela casa, ok?

_ Não jogue a culpa deste acidente em cima do papai. _ John aumentou o tom de sua voz, causando espanto e até mesmo atraindo o olhar de reprovação da recepcionista.

_ Eu não estou jogando a culpa em seu pai, mas ele deveria reforçar a segurança em casa, o Elvis é um viciado é lógico que ele tentaria fugir.

Agora mais uma palavra de difícil digestão estava em jogo, “viciado”. As pessoas que estavam ali laçaram aqueles olhares de piedade para Nara. Ela podia até imaginar o que aqueles olhares significavam, “sinto muito pelo seu filho viciado.”, “que tipo de vicio o seu filho tem?”. Mas nada disso faria ela se reconfortar diante daquela situação.

_ E onde a senhora estava? Hein, porque sempre sobra para o pai servir de babá, porque não a senhora? _ John se revoltou.

Eduardo de longe ouvia o bate boca entre mãe e filho, então decidiu pegar um pouco de água para acalmar a sua esposa. Ele pediu para pequena Elis entregar o copo com água e papel com uma pequena anotação que estava em seu bolso.

Elis era a filha mais nova de Nara e Eduardo, era uma garota linda, tinha 11 anos e um par de olhos verdes e cabelos dourados. Era uma garota muito meiga, até mesmo na escola, onde nem todos os colegas aceitavam a sua timidez, á chamava de esquisita. Mas para os seus pais era a pequena princesa da família.

_ mãe o pai mandou eu te trazer este copo d´água e este bilhetinho._ Elis disse.

_ Fala para o seu pai que se eu quisesse água eu mesmo pegaria tá bom.

_ Ok. acho que a senhora está pegando pesado, mas tudo bem. _ Elis protestou sua mãe.

Neste exato momento John saiu de perto de sua mãe juntamente com sua irmã mais nova. John pensava “é melhor eu me afastar do que falar alguma coisa”.

Nara pegou o bilhete que Eduardo havia escrito e começou a ler.

Eu gostaria de me aproximar de você, mas acho que errei feio dessa vez.

Se acontecer alguma coisa com o Elvis eu não vou me perdoar nunca.

Amo você mesmo não te merecendo,

Vem aqui e me dá um abraço, por favor.

Mas uma vez era se lembrou de seu marido anos atrás, quando decidiram homenagear os nomes de seus ídolos em seus filhos. O primeiro foi em setembro de 1988, o homenageado era Elvis Presley, um ícone do Rock. O segundo foi John Lenno líder da maior banda de rock de todos os tempos, em outubro de 1989. E a terceira foi no inverno de 1995, Elis Regina, tida como a melhor cantora do Brasil.

Ela olhou para o lado onde sua família estava. Aquele sofá de couro preto onde claramente ainda sobrava um espaço para ela, bem ao lado da pequena Elis e decidiu não forçar mais a barra com aqueles que também estavam sentindo o mesmo que ela, e por fim ela seguiu em direção a sua família.

Ela estendeu os braços bem em frente ao Eduardo e convidou a um confortável abraço. Por fim eles se abraçaram e as lágrimas de ambos escorriam.

_ Me perdoa meu amor?_ Eduardo perguntou

_ Não se trata apenas de perdão, eu não consigo ficar com raiva de você Eduardo.

O sorriso da pequena Elis estava fluorescente, e John que estava emburrado no canto deu um leve sorriso.

Mais ao fundo daquele hospital com paredes de cor verde água se avistava, Amanda com o seus pais, Léa e Alberto, e também Isabela a “ex ficante” de Elvis, antes de ele surtar. Eduardo acenou com a mão para a família de Alberto.

Era estranho ver a família de Alberto reunida ali naquele mesmo hospital que lhe trouxeram a terrível noticia, aquela noticia pela qual Nara e Eduardo temiam. “o seu filho está morto”, foi exatamente esta frase que o médico um ano atrás disse para Alberto.

Léa era do tipo de mulher apaixonada pela família, aquela mesma mulher que cozinha diariamente, mesmo tendo condições de contratar o melhor chef de cozinha do mundo. Ela amava academia, muito vaidosa adorava joias e sapatos, eram centenas de modelos, seus cabelos eram tingidos de um louro claro que realçava com sua pele branca e os seus olhos azuis.

Léa e Alberto realmente ficaram muito abalados com a notícia de Elvis.

Amanda estava quase ficando louca tentando achar pistas sobre o que tinha acontecido na noite anterior ao ataque. Ela tinha 17 anos e estudava com Elvis na escola Brandão.

_ Coitado do John! _ sussurrou Isabela no ouvido de Amanda. _ ele está tão abatido.

_ Acho que ele está escondendo alguma coisa._ Amanda correspondeu o sussurro de Isabela.

Ao se aproximar de Eduardo e Nara, o casal Alberto e Léa consolaram os amigos.

_ Poxa eu sinto muito. Espero que o Elvis saia logo deste hospital. _ disse Alberto.

_ Nossa assim que eu soube do acidente eu fiquei tremula. Aí eu disse para o Alberto, precisamos estar lá com a Nara e o Eduardo, sabe essas coisas sempre são terríveis, então quando mais gente para confortar diante disso é melhor.

Nara tinha um segredo, ela odiava Léa. Sempre dava um jeito para fugir dos papos furados dela. Mas dessa vez não tinha o direito de ter raiva ou ódio de alguém. Ela deu um abraço na loura sexy. Como diria Elvis, “pô mãe a dona Léa é mó gostosa, ô coroa bonita.”. Ela tinha que concordar Léa era realmente perfeita.


Em outro canto estava John e Elis. Ele com a aparência bastante abatida deu um leve sorriso quando Amanda e Isabela se aproximaram.

_ Alguma novidade sobre o Elvis? _ perguntou Amanda.

_ Ele está na sala de cirurgia. _ John respondeu.

Amanda podia golpear John com varias outras perguntas, mas decidiu que era melhor deixar John falar por conta própria. Ela era totalmente diferente de sua mãe. Não era nem um pouco sexy, mas era linda sem ser muito chamativa. Seus cabelos eram da cor de cobre e seus olhos eram castanhos.

_ John e Elis, eu sinto muito pelo Elvis. Se eu puder ajudar em alguma coisa é só me avisar, Tá bom? _ disse Isabela.

_ você o amava, Isabela?_ Perguntou John, percebendo certa inquietação nos olhos de Isabela.

_ Sim, eu acho que continuo amando. _ respondeu Isabela.

***

Fazia tempo que Lara estava naquele hospital. Desde que Eriberto o seu irmão descobriu estar com câncer ela não saia de lá. Visitava-o sempre no mesmo horário, por volta das 15h00, sem falhar um único dia. Ela sempre estava acompanhada de Magô, a sua mãe.

Magô era dona da pensão localizada no bairro beco da lagartixa, no subúrbio da cidade. Além de Lara e Eriberto, ela também era mãe de Marináh que era cozinheira na casa do Eduardo Luz.

A ironia de tudo era que agora famílias totalmente diferentes socialmente estava no mesmo hospital.

O caso de Eriberto era bastante grave, não podia simplesmente ir para a fila do SUS, ele necessitava de tratamento ágil e particular. Magô não teve dúvida quando escolheu o hospital São Luiz, era o melhor. Ela estava confiante na força daquele hospital, mesmo que para pagar o tratamento de Eriberto ela tivesse que vender a sua pensão, o prazer de ver o seu filho curado não tinha preço.

_ Nossa mãe que tumulto é aquele lá fora?_ perguntou Lara. Ela estava sentada em um sofá do lado paralelo ao que estava a família Luz.

Sua mãe que estava no mesmo sofá disse:

_ Parece que tem alguém famoso aqui.

_ Espere um momento mãe._ Lara agora estava reconhecendo aquela mulher que brigava com o garoto de olhos verdes na sua frente. _ aquela mulher na nossa frente é a Nara, o que será que aconteceu?

_ Vichi, acho que é coisa de família, e pelo visto a imprensa descobriu. _ Magô disse olhando fixamente para a porta de saída do hospital, onde havia uma multidão de curiosos e repórteres.

_ A Marináh deve saber o que está acontecendo, afinal ela é a chef daquela casa.

_ Chef de cozinha, Lara. _ corrigiu Magô.



***

Olivia estava com os olhos vidrado na TV. Parecia brincadeira, mas não era. Elvis estava no hospital, e seu estado ainda não havia sido informado.

Olivia sem hesitar decidiu ligar para seu pai, Viriato.

Viriato era um homem bastante poderoso, ele era o presidente da gravadora ALL e irmão de Eduardo Luz.

_ Alô, pai?

_ Alô, quem está falando?

_É a Olivia, eu gostaria de falar com meu pai. Quem é?

_ Aqui é a Val, Olivia, seu pai está em uma reunião. Assim que ele desocupar eu peço para ele te ligar.

_ Fala para ele não demorar, é urgente.

Val era a secretaria mais velha da ALL, tinha mais de 50 anos. Muitas às vezes os grandes chefões da empresa esquecia sua presença e dizia coisas quem nem um padre poderiam saber.

Deitada em sua cama, Olivia pensava no que de tão terrível poderia ter acontecido com o Elvis.

Ela pegou o seu celular e digitou uma mensagem.

O Elvis se ferrou, preciso falar com você.

Ela digitou um número que não estava salvo em sua agenda e enviou a mensagem.

***



Já fazia algumas horas de espera, Nara estava ansiosa.

Alberto, Léa, Amanda e Isabela continuavam ali com a família de Elvis.

Aquele movimento do lado de fora do hospital chocava Nara, ela não entedia como era ágil o meio de comunicação. Bastava um clique no celular para três minutos seguintes a imprensa toda estar em sua volta.

_ como será que eles conseguem tanta informação, assim tão rápido? _ Nara disse apontando para os paparazzi que se esforçavam para conseguir um melhor ângulo dela por trás da porta de vidro de saída do hospital.

Quando Nara viu um homem grisalho com a barba de três dias, com jaleco branco e de óculos, o coração dela começou a pulsar mais forte. Ela o reconhecia, alias todos que aguardava noticias sobre o Elvis o conhecia. Ele era o mesmo médico que tentou salvar o pequeno Lion há quatro anos, mas não conseguiu. Ele era o DR Gilbet.

Por fim o que restava ao ver aquele homem? Aquele homem era o que decidia o destino daquela família. Um médico pode salvar uma vida ou destruí várias.


***



_ Cadê o Eduardo Val? _ Viriato interrogou a sua secretaria.

_Bom... Senhor Viriato, eu tenho informações não muito agradáveis a respeito. _ disse Val, esperando a permissão de Viriato para prosseguir o aviso.

_ o que aconteceu, Val? Desembucha.

_ Bom, creio que o senhor não assistiu televisão hoje, aliás, é só isso que passa nos programas jornalísticos. O filho do senhor Eduardo está no hospital, à imprensa não sabe o que aconteceu, só informaram que o senhor Eduardo e a dona Nara estão lá no hospital. _ Val deu uma pequena pausa e disse: _ E mais cedo a Olivia ligou aqui e pediu para o senhor retornar a ligação o mais rápido possível.

_ Está ok Val. _ embora Viriato fosse forte ele não conseguiu esconder o impacto que a noticia lhe causou._ Qual dos dois meninos que está internado?

_ O Elvis, senhor. _Val olhou nos olhos de Viriato.

_ Pode se retirar Val, obrigado.


Viriato era competente, sincero e autoconfiante. Por isso antes de seu pai morrer ele passou a presidência da ALL para seu nome. Havia dois outros nomes, Eduardo e Alberto. Eduardo na certa não seria um bom presidente, ele era muito romântico, muito bonzinho, é o tipo de cara clichê em comédias românticas. Já Alberto é ambicioso e às vezes cruel, uma qualidade para empresa como a ALL, o único defeito dele é não ter o sangue da família Luz.

Nessa competição pela presidência da gravadora, Eduardo se sentia aliviado pela a sua exclusão do cargo, tornando assim um vice. Alberto nunca concordou com o nome de Viriato a frente da ALL, ele odiava o nepotismo, mas a pior decepção era ver Eduardo como vice-presidente e ele continuavam sendo apenas um diretor de confiança.

A gravadora ALL foi fundada em 1926, pelo avô de Eduardo e Viriato. A sigla era, Armando Luiz Luz, ou _mudado para o presente por alguns executivos_ Áudio de letras livres. A gravadora foi um presente de um homem para seu único filho, o pai de Viriato e Eduardo.

Era incomum para um homem naquela época ter apenas um filho. A explicação era só uma. Depois da triste perda da sua mulher no parto, Antônio Luz não se interessou por mais ninguém. Viveu o resto de sua vida amando uma única Mulher, que foi embora ainda em sua Juventude.

O lado apaixonado de Eduardo foi herdado de seu avô. Viriato ficou com a persistência outro bem nobre hereditário.

Viriato pegou o telefone sem fio que estava na mesa de mogno do seu escritório e discou o número de sua casa.


***

Notas finais
Postarei o segundo capitulo assim que me for solicitado, ok?
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.