Eu estava em uma floresta, correndo de algo gigantesco, só ouvia as arvores que vinham caindo atrás de mim. Não havia saída. Corria em linha resta, pulando sobre troncos caídos e me desviando de galhos baixos. De repente, o silencio toma conta da área. Só parei de correr quando cheguei a uma clareira.
Era uma área circular com uma rocha no centro. Aproximei-me daquela rocha, que na verdade parecia um altar, vi um objeto em cima. Era uma ampulheta dourada, em sua base havia inscrições esculpidas em grego antigo. Aproximei-me mais para ler o que estava esculpido, mas só consegui ler duas palavras, filho e tempo, antes de ser surpreendido por não um, mas 3 seres encapuzados, que caminhavam em minha direção. Automaticamente, eu fui para trás daquele altar.

As criaturas foram diminuindo até chegar à altura de um ser humano. O do lado esquerdo estava segurando um elmo de guerreiro grego embaixo do braço esquerdo e uma espécie de garfo de duas pontas na mão direita. O do lado direito carregava um tridente prateado e o do centro, em sua mão direita havia uma espécie de cilindro azulado, que faiscava constantemente, e em seu braço esquerdo era tampado por um escudo dourado, de aprox. 1,30m, com o rosto de uma mulher com cobras no lugar de cabelos. Vou admitir, o rosto da mulher parecia que estava vivo, portanto, tratei de não encarar o escudo, focando minha atenção nos rostos cobertos das criaturas.
Eles pararam a distancia de quase 2m do altar, e, naquele momento, eu consegui ver os olhos do ser do meio, um azul marinho que faiscava no mesmo ritmo do cilindro em suas mão. Ao ver que ele me encarava, senti um medo que nunca havia sentido antes. Sabia que ali eu encontraria a minha morte.

Os homens das extremidades fincaram suas armas no chão e retiraram os capuzes e eu pude ver seus rostos. O homem do “garfo” era pálido, com a pele quase branca, como se nunca tivesse sido atingido por um raio de sol em toda sua existência. Seus cabelos negros como a noite mais escura, eram penteados para trás e seu rosto tinha uma expressão de cansaço e raiva ao mesmo tempo. Seus olhos negros, que pareciam com um abismo sem fundo, me encaravam como se pudessem me matar a qualquer hora.

O homem do tridente era o contrario do primeiro. Sua pele bronzeada mostrava que ele devia viver na praia. Seus olhos, verdes como esmeraldas, mas que oscilavam para um cinza tempestade, era cercado de linhas de expressão, mostrando que ele devia estar sempre sorrindo. Enfim, o 3º retira o seu capuz. Seus olhos azuis eram de puro ódio e nojo do garoto que encarava, seus cabelos eram cortados num estilo social e tinha uma barba que lhe dava um ar de antigo e durão. Ele me lembrava bastante um general de algum exercito.

– Quem são vocês? O que querem comigo? – Eu gritei para eles, mas logo vi que não deveria ter feito.

–Quanta insolência! Como ousa se dirigir dessa maneira aos soberanos do mundo? – Urrou o homem do meio, apontando para mim com seu cilindro.

– Cria do tempo... – murmurou o homem do tridente – Você não deveria existir.

– Você não pode existir – gritou o da esquerda, colocando o elmo em sua cabeça.

Os três armaram-se novamente e começavam a caminhar novamente em minha direção. “Toque na ampulheta” – falou em minha cabeça uma voz gutural e rouca.

“Não tenho nada a perder mesmo” – pensei. Levei a minha mão direita e toquei a parte superior do objeto dourado, que liberou uma lua luz dourado tão forte que pensei que ficaria cego. Quando minha visão se reajustou, eu percebi que os três haviam parado de andar e suas armas apontavam para mim, prontas para atacar.

– O que você fez? – O da direita se expressou

– E — eu não sei, eu só... – Tentei justificar, mas o medo já me dominava. Sentir minha mão arder e quando olhei, parecia que alguém havia marcado, com ferro incandescente, a pele das costas da minha mão, deixando ali, a marca de um ampulheta. A mesma que estava sobre o altar.

– Já chega! Você já viveu tempo demais – vociferou o da esquerda.

Antes que eu movesse, vi o do centro levantar o cilindro em minha direção. Ele pareceu carregar uma luz percorrer o objeto e parou na ponta.

– Adeus, cria do tempo – Falou disparando a descarga elétrica.

Fechei meus olhos e coloquei os braços em frente ao rosto automaticamente, mesmo sabendo que aquilo não me protegeria. Mas abri os olhos quando ouvi a mesma voz que soou na minha mente.

– Basta, Zeus – falou um homem, aparentava ter 40 anos. Ele trajava um terno preto com uma gravata prata. Parecia um executivo, dono de uma empresa importante. O que chamava atenção era seu cabelo cor de areia e seus olhos, que eram um amarelo quase dourado.

Quando eu me endireitei, vi o raio que o homem havia lançado parado no ar, bem próximo a mim. Quando olhei os três, eles estavam perplexos com o homem à sua frente.

– Você! – gritou o do meio – Mas você esta preso! – O horror estampava seu rosto. Parecia que encarava seu pior pesadelo frente-a-frente.

– Preso não significa incapacitado, meu caro... — O homem virou-se para mim, puxou um cordão de ouro fosco, com uma ampulheta como pingente do bolso do paletó e colocou em minha mão.

–É melhor não perder, será sua única defesa, além de seus poderes, é claro. – falou, me encarando e me ajudando a colocar o cordão no pescoço.

Quando eu olhei no fundo daqueles olhos dourados, senti que era melhor não contrariá-lo. Vi que o homem do meio preparava outra descarga elétrica. Apenas levantei o dedo e apontei. O homem virou-se e, rapidamente, puxou um relógio de bolso cuja corrente tocava o chão.

– Eu disse que já basta, Zeus! – gritou o homem. Um brilho dourado correu pela corrente do relógio rapidamente, transformando-a em uma haste firme. Do relógio, uma lamina projetou-se para fora, formando a lamina de uma foice. O homem em minha frente bateu com o cabo da mesma no chão. Uma onda de força se espalhou pelo local, percorrendo toda a área da clareira. Por pouco não fui empurrado por aquela onda. Quando me endireitei, vi o raio lançado pelo cilindro elétrico do homem parado a uma distancia pequena de nós. – Não permitirei que interfira no destino dessa vez. – Ele falou para o homem. Depois se virou para me encarar novamente.

– Não me decepcione, criança. Investi o que me restava em você e não aceito erros. Quando for usar o cordão, é só puxar ele do pescoço, sem medo, a corrente não arrebentará, sem segredos. – Ele olhou os três parados lá atrás com o canto dos olhos e voltou a me encarar – Não confie nos Olimpianos e nem em sua prole. Traíram seu próprio pai, que dirá de um estranho. Em breve eles virão te buscar, espere o sinal do Tempo aparecer. Quando aparecer, siga seus instintos. – Me olhava com um carinho, um tanto estranho, paternal em seu rosto e, ao mesmo tempo, com uma expressão dura de um homem furioso. Eu apenas assenti, mesmo sem entender o que ele quis dizer com aquilo tudo.

Ele colocou a mão em minha cabeça e seus olhos reluziram. Um clarão forte tomou conta da clareira. Eu acordei suado em minha cama, Olhei para o relógio no criado mudo e fui em direção ao banheiro. Tive que toma um banho por conta do suor, quando terminei, parei em frente ao espelho embaçado pelo calor da água quente e passei a mão. Quase caí no banheiro quando vi a marca da ampulheta em minha mão. Coloquei minha mão no pescoço e senti a corrente do cordão presa.

“Se o cordão do sonho esta aqui, o que teria acontecido se eu fosse atingindo lá?”. Pensei enquanto encarava meu reflexo no espelho. Os mesmos olhos dourados do homem da foice.

Meu nome é Benjamim Campbell e essa é a minha historia.

Notas finais
Espero que tenham gostado. Deixem reviews, quero saber a opinião de vocês.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.