Filho do Sol
7 Capítulo 7
Era uma manhã agradável, havia uma reunião em torno de Laura que lia em voz alta uma historia, seu corpo magro dava destaque a enorme bola que carregava a tão aguardada criança. Não havia outro som senão o de sua voz, porém não demorou muito tempo até que fosse quebrado.
—Isso! Seja livre! Corra! Corra!
Bento foi o primeiro a chegar à janela e ver Sebastian com mais duas crianças pequenas festejando enquanto uma vaca corria para longe.
Alzira tentou manter a calma e esperou pacientemente Sebastian entrar no antigo escritório. Contrariando antigos receios, sentou no trono e esperou.
—É uma bela visão. — Disse Sebastian sorrindo.
—Quer nos matar de fome? – Alzira levanta e o empurra contra a estante, o que provoca o tremor de alguns crânios. — Soltou uma vaca? Faz ideia de quanto leite consumimos todos os dias?
—Não pode me tratar assim!
—Por que Majestade? Não pode ser contrariado? Não pode assumir seu erro de que nos condenou a morrer mais cedo?
—Morrer? – Ele riu. – Não seja tola, ninguém vai morrer.
—Comida, estamos quase sem comida!
—O Sol não vai deixar seu filho com fom...
—O Sol não faz nada...
—Eu digo que faz! Eu mando e você obedece! É assim que funciona com o rei!
—Você não é rei!
Sebastian foi brutalmente puxado para a realidade.
—Não sou rei... — Era um sussurro tão baixo que talvez ele mesmo não tenha escutado.
—Mas todos te obedecem, faça alguma coisa... – Ela implorava.
Ele não parecia mais escutá-la.
—Case comigo.
—O que?!
—Por favor, seja minha rainha.
—Não quero ser sua esposa.
—Mas eu vou ser seu marido. — E foi se aproximando.
—Nunca vou ficar com você!- Alzira tentava a todo custo empurra-lo, mas ele era mais forte e a derrubou no chão.
—Por que? – Beijou-a a força.
—Porque eu não te amo! — Disse ao conseguir se soltar de seus lábios.
—E ama a quem?
Uma pausa profunda. Sebastian em cima de Alzira pronto para arriar as calças. As respirações pesadas muito próximas.
—Laura. – Foi baixo, mas ele estava perto o suficiente para ouvir. Saiu de cima dela correndo enfurecido. Seu coração e seu orgulho feridos.
—LAURA! LAURA!
—O que foi? — Laura pergunta.
—Ouçam todos... — Ele subiu os degraus da escada. — Eu Sebastian I, declaro que minha irmã, a esposa do Sol e seu filho estão oficialmente expulsos do reino!
—O que? – Ela levantou assustada.
—Não pode expulsa-la!- Contestaram alguns.
—Posso! Eu sou o REI! – Berrou com todas as suas forças. – E você é uma traidora! Jurou ser fiel ao seu marido mas o traiu!
—Perdeu o juízo? – Laura subia as escadas com dificuldade, para falar cara a cara com o irmão. Seus olhos estavam arregalados e ameaçadores dissipavam uma raiva tão forte que a fez lembrar o rosto daqueles homens. Viu as mãos dele se aproximarem, mas não conseguiu reagir e foi empurrada com toda a força rolando os degraus, direto para o chão.
Um breve momento de choque generalizado.
—Laura! – Alzira foi ao seu encontro. – O que foi que você fez? – Ela chorava tentando sem sucesso despertar a garota.
Sebastian olhava para a cena e para plateia que a assistia, ainda ofegante sem conseguir mover os pés.
—AHHH! – Laura finalmente acorda.
Uma poça forma-se em baixo dela.
—Vai nascer! Vamos leva-la para o quarto dos pais.
~~*~~
Gritos enchiam a casa de angústia. Sentados em uma roda, a frente do quarto principal estavam à corte aguardando, ninguém entendia exatamente o que, mas esperavam pacientes e em silêncio. No primeiro andar, em um canto em baixo das escadas, o rei chorava sozinho e desconsolado. Afogando-se em sentimentos confusos e culpa.
Lá fora o Sol enfureceu-se. De maneira lenta e gradual o céu foi escurecendo. Os olhos jovens até mesmo dos mais experientes que já haviam presenciado quase tudo, não acreditavam no que viam.
—O Sol está saindo. – Apontou um deles em direção ao céu.
—É mesmo, está ficando um buraco escuro no lugar dele.
Desesperados, os gêmeos descem as escadas correndo.
—Sebastian, corra! O Sol está vindo pegar você! – Um de seus irmãos o avisou.
Ele apenas os fitou confuso com o rosto inchado.
—Veja! — Apontaram.
Sebastian inclinou-se e viu o Sol desaparecendo a pleno meio-dia. Encolheu-se em si mesmo e soluçava.
—Quer que a gente te esconda?
Ele balançava a cabeça.
—Então o que?
Os gritos de Laura e o choro de Sebastian preencheram os curtos minutos que passaram, mas o sentimento geral era de uma eternidade. Quando conseguiu se acalmar, estufou o peito e levantou. Olhou brevemente para os irmãos, tinha um olhar determinado no rosto e foi em direção à saída.
Lá fora, curvou-se me reverência e começou a falar, olhava diretamente para o Sol. Ambos os gêmeos, tentaram, entretanto não entendiam uma única palavra do que Sebastian dizia, e não tinham coragem de se aproximarem. Era um momento solene.
O Sol já estava parcialmente fora de seu lugar quando finalmente parou. Sebastian então se curvou demoradamente, o suor refletia a luz, que por sua vez davam a ele a impressão de estar brilhando. Ouviram então o choro agudo.
—Nasceu! O filho do Sol nasceu! — Festejou Bento. -Vida longa a seu filho!
—Viva! Viva! Viva!
No primeiro andar, os irmãos não sabiam se olhavam para dentro ou para fora. O rei estava voltando. Marchava lentamente com o rosto erguido.
Passou por todos sem ser impedido e sem dirigir o olhar a ninguém. Adentrou o quarto. Laura desmaiara exausta e Alzira era quem segurava com muito cuidado o bebê nos braços.
—Qual o nome?
Ela lança lhe um olhar de profundo desprezo e responde entre os dentes:
—Lúcio.
Ele então deu um passo adiante. Alzira recuou.
—Oh Lúcio, filho do Sol, não sou mais digno desse reino. Que o príncipe se faça rei e reine com justiça e lealdade, com as luzes da sabedoria de seu pai.
E retirou a coroa de si, pondo-a delicadamente em cima do corpo frágil da criança. A luz já havia voltado completamente e entrava no quarto agraciando os presentes.
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