Filho do Pecado

1 Prólogo: O Portão


Notas iniciais
Bem, bem, bora lá então. Vou apenas dar alguns avisos simples antes de começar:
Spoilers: originalmente eu escrevi essa história quando o mangá ainda estava no capítulo 102 (acredito que seja aproximadamente o episódio 55 do Brotherhood). Agora estou arrumando e readaptando aos fatos que aconteceram após esse capítulo, mas já aviso logo: me desculpem se deixar algo passar :x
Eu não tenho o costume de escrever FANfics, apenas originais. Essa, na verdade, foi a primeira que escrevi sobre um anime. Mas acaba sendo praticamente original, já que se passa um bom tempo após o término da série original.

Bem, acho que é só isso. Espero que gostem e que eu consiga manter um ritmo de postagem razoável.

— Não! Depois de perder todo mundo, eu não vou perder você Sam! Minha mãe se foi, o Al se foi, a Winry se foi, eu perdi todos que eu amava, eu não posso perder você também...

Edward diz enquanto carrega um bebê envolto em panos pelas escadarias de sua casa. Ele agora tem trinta e dois anos, suas feições se tornaram mais adultas e mais sérias. O suor faz manchas escuras em seu pijama azul e seu cabelo loiro, agora mais desbotado e longo que em seu tempo de aventuras ao lado de seu irmão Alphonse, gruda em mechas no seu rosto. A casa era grande, dois andares, quatro torres, uma em cada canto, feita de madeira e pedras e bastante espaçosa pela pouca quantidade de móveis. A única iluminação naquele momento vinha dos relâmpagos que atravessavam as janelas constantemente, o que lhe faz tropeçar algumas vezes enquanto desce apressado as escadas.

Sam... Eu vou te trazer de volta, não importa o que custe...

Abrindo uma porta no fim da escada, ele desce ao que parece ser uma masmorra de castelo medieval, as paredes de pedra parecendo sujas pelo limo e musgo que se acumulavam. Chegando a um laboratório, Edward coloca a criança sobre uma mesa de pedra e acende algumas velas em um velho e empoeirado castiçal de prata sobre um pequeno suporte, também de pedra, ao lado da mesa

— Vejamos... — diz enquanto se dirige a uma estante com vários potes e frascos — Carbono... Amônia... Óxido de cálcio e fósforo... Droga, rápido!... Sal. Salitre, Flúor... Ferro... Ferro... Merda, cadê o ferro? Aqui! Silicone... Pronto, agora a água e a alma. — Após reunir e colocar todas as substâncias em um barril, medindo cada elemento cuidadosamente, ele adiciona água. Por alguns segundos ele hesita, segurando uma pequena faca e olhando para o bebê sobre a mesa — Vai funcionar... eu prometo... dessa vez vai funcionar... agora eu sei no que nós erramos, Al! Winry... eu prometi que cuidaria dele, independente do que custasse... não vou te decepcionar.

Com um movimento rápido ele corta o dedo indicador da mão direita, deixando uma única gota de sangue cair na mistura. O resultado da mistura é uma massa mal cheirosa que é cuidadosamente colocada sobre um plástico esterilizado em cima da mesa de pedra. As lágrimas corriam pelo seu rosto, juntando-se com o suor e caindo em direção ao chão. Após desenhar um circulo de transmutação em volta da massa e do corpo. Ele olha para o bebê imóvel na mesa mais uma vez, seu coração cara vez mais apertado e pesado — Adeus Sam, desculpe-me... Desculpem-me, Al, Winry... Mamãe... Até logo!

Com um suspiro, Ed coloca as mãos sobre a borda do círculo e fecha os olhos. Uma luz azul começa a ser emitida do círculo de transmutação, se tornando gradualmente mais e mais forte. Pequenos raios saem das bordas do círculo, atingindo as mãos do homem, o corpo e a massa. Edward abre um pouco os olhos, tentando enxergar algo através da luz ofuscante, até que esta se torna roxa e um risco surge no centro do círculo, logo se abrindo em um grande olho com íris em degradê de cinza. Pequenas mãos negras surgem do centro do olho, tocando Edward e o corpo do bebê no centro do círculo. Ao tocar-lhes, as mãos decompõe seus corpos. Com um último olhar para seu filho, Ed deixa cair uma última lágrima antes que os dois corpos desapareçam totalmente. Uma escuridão sem igual se faz e a própria consciência do homem desaparece. Ao retornar a si, os sons da chuva e da transmutação haviam sumido e o mais completo silêncio dominava o ambiente.

— Já faz algum tempo, Edward Elric! — em frente ao homem, uma figura da mesma estatura de Edward está sentada. Seu corpo totalmente branco é envolvido por uma aura negra e sua voz metálica parece vir de todos os lugares ao mesmo tempo.

— Sim... Faz algum tempo... O Portão da Verdade... Eu não achei que fosse ver esse lugar novamente... — Edward vira-se, olhando para o grande portão com o desenho da Árvore da Vida entalhado — E você é.. O “Mundo”, o “Universo”, “Deus”, a “Verdade”, “Tudo” ou o “Único”, certo?! — vira-se novamente para o homem, que agora está em pé.

— Faltou “Você”... Mas fico feliz que ainda lembre-se de mim...

— Como eu esqueceria...

— Bem, talvez nenhum esqueça, mas nenhum repete a burrice, então não tenho como saber se eles lembram ou não... Também não são muitos que aparecem para conversar comigo... Desde que você e seu irmão apareceram, eu fiquei bastante solitário. Na verdade, apenas mais uma pessoa apareceu por aqui...

Edward para por alguns segundos ao ouvir isso, parecendo interessado naquele assunto. Mas logo lembra-se que não há muito tempo e decide ignorar o assunto.

— Bem, não sei se se pode dizer que eu “repeti o erro” — continua, aproximando-se da Verdade e olhando-lhe onde seriam os olhos de um humano comum — Eu vim por vontade própria dessa vez. Eu quero fazer um contrato...

— Mas o que nós fizemos antes foi um contrato!

— Eu não sabia dos termos, não fiz nenhuma proposta e nem concordei com o que me foi oferecido em troca daquilo que te dei. Agora eu quero fazer uma proposta.

A verdade faz uma expressão de surpresa, mas logo depois solta uma risada alta e abre um sorriso largo.

— Pois bem, Edward Elric! Faça sua proposta!

— Eu dou o corpo do meu filho como passagem para entrar aqui. E troco meu corpo e minha alma... Pela alma do meu filho. Ele morreu há pouco tempo e sua alma ainda deve estar no portão... Há um corpo novo esperando por sua alma. Entregar minha alma e corpo por inteiro deve ser o suficiente para pagar o preço. Troca equivalente, uma vida pela outra. Você pode fazer isso, não pode?

Mais uma vez a Verdade olha surpreso antes de soltar uma risada alta e abrir um sorriso ainda mais largo que antes.

— Troca equivalente? Você ainda acredita nisso, Edward Elric?! Esperava mais de você. A troca equivalente é uma regra criada por mim. É claro que posso atender seu pedido... Eu posso fazer tudo, inclusive ignorar a troca equivalente. Eu comando esse mundo e as coisas acontecem segundo a minha vontade! Seu pedido não é nem um pouco comum. Você é um grande pecador, quebrando minhas regras duas vezes e ainda tendo a audácia de fazer propostas. Mas eu gosto de você, Edward! Eu normalmente eu não aceitaria, isso poderia acabar com o equilíbrio das coisas... Mas você já é um cliente antigo, me deu uma perna e um braço... Fora o corpo do seu irmão. Apesar de ter pegado boa parte disso de volta, não é mesmo? Mas eu também lhe devo uma, é claro... Um vivo por um morto... Acho que não tem problema...

O portão começa a se abrir atrás de Edward, revelando uma abertura completamente escura onde o olho cinzento e as mãos negras aparecem novamente. Agarrando-se ao corpo do homem, as mãos o puxam para dentro do portão. Edward se deixa levar, olhando com um sorriso para a Verdade até o portão fechar-se completamente. Apenas a Verdade continua na imensidão branca, ainda com seu enorme sorriso. Na casa o bebê começa a chorar sobre a mesa de pedra.

Notas finais
E é só isso por enquanto. Comentem, critiquem e sintam-se a vontade para me xingar pelo que fiz com grande parte dos personagens da série original xD
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.