Filho do Drácula
1 Intro
Notas iniciais
- Não acredito que estamos nos mudando de novo. – Ele a encarou.
- Pare de reclamar. Já conversamos sobre isso. – Ela encarava a estrada a sua frente.
- Eu só não entendo o porquê de todos os anos nos mudarmos para uma casa nova. – Ele fez uma pausa. – Caramba mãe, logo quando eu estou começando a fazer amizades você se muda para o outro lado do país.
- Você já está bem grandinho para reclamar, não acha Nathan? – Ela não tirava os olhos da estrada. – E não exagera, que você tem muita facilidade em encontrar aliados.
- Aliados? Mãe, hoje em dia ninguém fala “aliados”. São amigos.
Nathan a encarou novamente, mas sabia que não adiantaria nada. Bufou e voltou a encarar as árvores a sua volta.
Entediado começou a contar a quantidade de carros vermelhos que passavam por eles. Nathan gostava de vermelho. Era sua cor favorita, mas não era qualquer vermelho. Ele gostava de um vermelho escuro. Vermelho sangue.
- Não entendo o porquê das pessoas gostarem tanto da cor prata, é ridículo, sem graça, apenas brilha. – Ele deu ênfase no “brilha”. – Porque eles não compram os carros nas cores vermelho?
- Chega Nathan, cada um tem o seu gosto, cada um gosta de uma cor diferente, você não pode ficar julgando o gosto das pessoas.
- Relaxa, eu so dei a minha opnião. – Ele a encarou por um minuto e voltou para a janela. – Quanto drama.
Até o final da viagem Nathan já havia esquecido a quantidade carros vermelhos que havia contado. Quando sua mãe parou o carro ao lado de sua nova casa ela respirou fundo e o observou.
- Casa nova, vida nova! – Ela respirou fundo.
- Vem cá, por acaso você é algum tipo de ladra, serial killer, psicopata? Toda vez que nos mudamos você diz a mesma frase. – Ele abriu a porta do carro e antes que pudesse descer sua mãe retrucou.
- Nathan me respeite, eu sou a sua mãe. – Ela tirou o cinto de segurança e saiu do carro.
Ela estava retirando as bagagens do porta malas quando Nathan veio ajuda-la. Uma quantidade de malas exageradas para quem reclamava o tempo todo de quase não ter roupa.
- Me desculpa mãe, é que ultimamente eu estou me sentindo diferente. – Ele continuou pegando as malas e a sua mãe ficou observando-o com um olhar triste. – Ei não fica triste, vai ser legal. Olha pelo lado bom – Ele fez uma pausa e sorriu para ela. – Pelo menos a casa é muito mais bonita.
Ele tinha razão a casa nova era bem mais bonita que a antiga, o bairro também, sua nova casa ficava dentro de um condomínio de luxo, enquanto a antiga fica em um subúrbio pacato onde até o vendo dava a volta.
Sua mãe havia feito a mudança umas duas semanas antes deles se mudarem. De pouquinho em pouquinho Kim conseguiu arrumar a casa inteira para que no final eles se mudassem. Nathan subiu e arrumou suas roupas no guarda-roupas enquanto sua mãe ficou fazendo algo na cozinha.
“Iae cara, como foi a viagem?” 17:56
“Já conhece sua nova casa?” 18:15
“Tem muita menina bonita:” 18:17
“Acabei de chegar em casa, ainda não
Dei um rolé na rua, mas daqui a pouco
te respondo sobre as meninas.” 18:44
Guardou o celular no bolso, pegou seu boné e seu skate e desceu as escadas. No primeiro andar sua mãe estava separando os ingredientes para fazer a janta quando Nathan pulou rapidamente no balcão.
- Pode guardando isso dai, nós vamos jantar fora hoje.
- Não sei com qual dinheiro. – Ela voltou para os ingredientes. – Nathan eu não estou podendo sair hoje, não estou com tanto dinheiro assim e amanhã que eu vou ver se consigo o emprego... – Ele a interrompeu.
- Mãe.. Mãe.. Eu vou pagar. – Ele se gabou. – Eu guardei um dinheiro quando trabalhei lá no Hanks. Então sobe, vai tomar m banho e se arruma que eu sou vou dar uma volta no condomínio para dar um “OI” para a vizinhança e já venho.
- Nossa. Tudo bem, “poderoso”. – Ela se virou mas rapidamente olhou para ele de novo. – Mas não voltaremos tarde porque amanhã você tem que ir pra escola.
- Há mãe. – Ele bateu as mãos contra as pernas. – Deixa eu faltar amanhã.
- Nathan é seu último ano. Você não pode ficar faltando.
- Chataaaaaaaaa. – Ele deu um sorriso. – Mas eu te amo demais. Vai logo, vai.
Ao abrir a porta, uma mulher de idade um pouco avançada estava entrando no meu jardim com uma bandeja na mão. Com um sorriso simpático ela o encarou e perguntou por sua mãe. Nathan percebeu que não havia quase ninguém andando pelas ruas do condomínio e logo decidiu voltar. Bateu a porta se jogou no sofá e gritou.
- Mãe, cheguei. – O silêncio tomou conta do local e logo em seguida ela desceu as escadas.
- Vamos? – Ela parou em frente a porta. – Lembra que temos que estar em casa as onze, você tem escola amanhã mocinho.
- Nossa. Estou tão empolgado. – Ele fez uma cara de deboche e abriu a porta. – Primeiro as damas.
Nathan levou sua mãe em um restaurante formal que ele havia visto na cidade enquanto estava no carro. O local era bem iluminado, as mesas decoradas e um grande lustre no teto.
- Filho você tem certeza que tem dinheiro para pagar a comida deste restaurante? Parece ser bem caro.
- Claro que eu tenho.
Já sentados na mesa, enquanto olhavam o cardápio sua mãe voltou ao assunto do dinheiro. Ela não queria que ele gastasse tanto dinheiro assim com ela. Queria que ele continuasse guardando para que no futuro pudesse comprar seu carro. Nathan sempre foi muito independente e não gostava de pedir objetos caros para sua mãe.
- Filho, você não precisa... – Ele a interrompeu.
- Mãe, casa nova vida nova. Esqueceu? – Ele levantou sua taça que havia água e ela a sua contendo champanhe. – Um brinde a você. A melhor mãe do mundo.
Em sua direção vinha um garçom empurrando um carrinho que continha uma bandeja de carne, legumes e os acompanhamentos. Sua mãe observou aquela carne mal passada, com uma pequena possa de sangue no fundo da bandeja e seu estomago embrulhou.
- Por favor. – Ela o chamou educadamente. – Você poderia pedir para que os cozinheiro deixassem essa carne um pouco mais assada?
- Não. – Nathan retrucou. – Mãe a carne está boa, você sabe que eu gosto de sangue. Apenas leve metade e deixe do modo que você goste. – Ela o encarou, mas como ele estava pagando decidiu ir contra seus extintos dessa vez.
- Tudo bem.
Nathan devorou todas as peças de carne que havia em seu prato rapidamente, o arroz que estava em seu prato estava com um aspecto avermelhado. Sua mãe fazia careta enquanto ele se deliciava com a comida do local. A noite foi passando e com ela muito dinheiro foi embora da carteira de Nathan, mas ele não se importou. Era para sua mãe.
Quando estavam voltando para casa Nathan tocou no assunto que sua mãe mais detestava, o pai de Nathan.
- Quando o papai morava com a senhora ele te levava para jantar?
- Seu pai era um homem muito educado. – Ela finalizou desse modo
- Tudo bem, mas você não me respondeu. – Ele começou a prestar atenção em todos os movimentos que sua mãe fazia com os lábios.
- Ele gostava de sair comigo, me levava em lugares inacreditáveis. – Ela o olhou por um estante. – Respondi sua pergunta, pronto.
- Porque a senhora não gosta de falar dele? Ele te fez algo? – O silêncio tomou conta do carro. – Mãe eu quero conhecer meu pai, acho que já estou grandinho demais.
- Nathan seu pai é um homem muito ocupado. – Ela encarava a rodovia pensando que desse jeito fugiria das perguntas de Nathan.
Ao chegar em casa Nathan correu para o banho e logo em seguida foi para seu quarto, plugou seu celular na tomada e começou a conversar com os amigos de sua antiga cidade até que ele observa um morcego na sua janela. Ele fica o encarando e o morcego o encara de volta. Logo em seguida sua mãe entra no quarto.
- Eai filho está curtindo seu quarto novo?
- Curtindo? Está começando a aprender. – Ele deu uma risada. – Estou sim, mas mãe olha aqui. Tem um morcego aqui na janela.
- Morcego? – Ela caminhou até a janela e bateu no vidro para espantá-lo. – Xô bicho. – E ele fez um barulho agudo.
- Não mãe deixa ele ai, eu nunca vi um morcego quero vê-lo de perto. – Ele encostou o dedo na janela e o morcego abriu as assas. – Mas, voltando o assunto. O papai mora aonde? Quero vê-lo pelo menos uma vez mãe eu tenho o direito de saber quem é meu pai.
- Chega Nathan o seu pai nos abandonou quando você era pequeno. – Ela caminhou em direção a porta. – Foi a escolha dele nos deixar. – Ao abrir a porta ela parou.
- Eu só queria saber aonde ele mora. – Ele voltou a colocar o dedo na janela e encarar o morcego.
- Ele está o mais perto do que você imagina. – Ela o encarou mais uma vez, olhou para o morcego e fechou a porta.
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