Filho do Drácula
2 A Garota dos Meus Sonhos.
Notas iniciais
Nathan continuou tocando o dedo na janela, o morcego continuava ali o encarando e logo ele adormeceu. As seis da manhã seu despertador começou a soar e sem pensar ele o arremessou em direção a porta e voltou a dormir. Trinta minutos depois sua mãe começou a bater desesperadamente na porta do quarto.
– Nathan você está atrasado. – Ela gritou. – Levanta dessa cama e vai se arrumar para ir para a escola.
– Não. – Ele grunhiu e cobriu a cabeça com o travesseiro.
– Nathan...
Dois minutos depois ela volta com um copo d’água, contou até três e virou devagar em cima da cabeça dele. Ele deu um pulo da cama e se sentou, olhou para ela com olhar furioso e gritou.
– Que saco. – Ele continuava olhando para ela, seu cabelo grudado na testa chegando até o meio do nariz. – Você está louca? Pra que fazer isso?
Ela não respondeu apenas passou pela porta, do corredor ela gritou. – Coloca esse colchão no sol antes de ir.
Ele se levantou e caminhou em direção ao banheiro, se trancou e ficou por lá cerca de 30 minutos, ao sair pegou a mochila e partiu em direção a escola.
Nathan andou pelos corredores da escola e suas roupas chamou a atenção dos alunos, já que sua pele era bem clara e suas roupas eram todas com tons escuros, mas ele estava adorando, com seus óculos de sol e a atenção toda em cima dele continuou caminhando em direção a sala de aula sem olhar ao menos para os lados.
Entrou na sala e se sentou na última cadeira do lado direito da sala, era o lugar mais distante do sol, retirou os óculos, colocou os fones e ficou ali esperando a primeira aula começar. Enquanto olhava para o nada uma garota de cabelos negros que estava na primeira cadeira ficou o olhando disfarçadamente, os seus olhos se encontraram, mas Nathan fingiu que nada aconteceu, apenas continuou olhando para o nada.
Um professor alto e magrelo, que aparentava ter uns 30 anos parou em frente ao quadro negro, pegou uma lista que estava dentro de um dos livros que ele segurava e começou a chamar pelos nomes.
– Carmem. — Uma garota de óculos respondeu. – Carol. – Uma outra levantou a mão, e assim o professor seguiu. – Nathan.
– Ele levantou a mão. – E a turma olhou para ele.
– Você é novo na escola rapaz? – Nathan concordou com a cabeça. – Apresente-se para a turma. – Nathan ficou parado o encarando. – Que foi você é mudo? Era só o que me faltava. – Ele se virou para escrever algo na lousa.
– Não sou mudo, apenas não vejo necessidade de me apresentar. – O professor se voltou para ele novamente. – E o que você disse suou para mim como discriminação. Você tem algo contra deficientes auditivos Sr.. – Ele fez uma pausa.
– Sr. Knight, garoto. – Ele olhou para a folha e percebeu que devia continuar a chamada. – Samantha... Sophia. – A garota de cabelos negros respondeu presença. – Zac...
Ele colocou a folha e os livros na mesa, encarou Nathan e se virou para escrever algo na lousa. Sophia o olhou mais uma vez por cima dos ombros e Nathan tentou desviar o olhar.
– Bom turma, eu vou dividir vocês em dupla para que vocês possam ler e interpretar uma cena do livro que darei para vocês. – Nathan levantou a mão. – Diga.
– Nós podemos escolher a dupla? Sophia logo olhou para ele, mas ele continuou desviando o olhar e o Sr. Knight percebeu.
– Porque Sr. – Ele olhou na lista de alunos. – Sr. Tepes. Tem algum problema com algum aluno desta sala? – Ele apoiou as mão na mesa de Sophia. Nathan balançou a cabeça em negação. – Tudo bem, então você vai fazer dupla com a Sophia.
A turma se levantou e todos começaram a se agira, nem Nathan quanto Sophia tomaram iniciativa para se moverem. Finalmente ela se virou e ele balançou a cabeça para que ela se sentasse ao seu lado.
Assim que ela se sentou os dois ficaram com expressão de poucos amigos e olhando para o quadro negro, como se fosse algo interessante, ela olhava para ele pelo canto dos olhos e Nathan percebeu mas continuou olhando para o quadro.
– Prazer sou Nathan. – Ele esticou a mão.
– Sophia. – Ela correspondeu ao aperto de mãos, mas logo o silêncio tomou conta da conversa.
O Sr.Knight passou de mesa em mesa distribuindo os livros e voltou para sua mesa. Começou a explicar aos alunos que cada dupla deveria escolher uma cena e interpretá-la.
– Romeu e Julieta? – Ele fez cara de surpresa.
– Nathan você tem algum problema comigo? Ou com a escola? – Ela se virou para ele. – Porque qualquer coisa eu peço para o Sr.knight trocar de dupla não sei.
– Não tudo bem, eu sou meio fechado só isso. – Ele ficou encarando a mesa. – Eu não tenho nada contra você... Vamos. – Ele pegou o livro.
– Tudo bem. – Ela abriu o livro e começou a folhear as páginas. – Que tal fazer este aqui. – Ela colocou o dedo sobre o livro. – Ato II cena II.
– Tudo bem. Vamos tentar.
Ficaram praticando a cena por um período de trinta minutos até que o Sr.Knight começou a chamar as duplas, uma por uma. Nathan e Sophia foram a terceira dupla a se apresentar, ela subiu o único degrau que se encontrava na frente da primeira fila de cadeira e se posicionou atrás da mesa do professor, enquanto Nathan fico parado do lado da primeira fileira.
– Podem começa. – Disse o professor. Sophia subiu o livro e começou a ler.
– Romeu, Romeu! Ah! por que és tu Romeu? Renega o pai, despoja-te do nome; ou então, se não quiseres, jura ao menos que amor me tens, porque uma Capuleto deixarei de ser logo.
– Continuo ouvindo-a mais um pouco, ou lhe respondo?
– Meu inimigo é apenas o teu nome. Continuarias sendo o que és, se acaso Montecchio tu não fosses. Que é Montecchio? Não será mão, nem pé, nem braço ou rosto, nem parte alguma que pertença ao corpo. Sê outro nome. Que há num simples nome? O que chamamos rosa, sob uma outra designação teria igual perfume. Assim Romeu, se não tivesse o nome de Romeu, conservara a tão preciosa perfeição que dele é sem esse título. Romeu, risca teu nome, e, em troca dele, que não é parte alguma de ti mesmo, fica comigo inteira.
– Sim, aceito tua palavra. Dá-me o nome apenas de amor, que ficarei rebatizado. De agora em diante não serei Romeu. – Nathan encarou o Sr. Knight. – Fim. – A turma aplaudiu.
– Muito bem, vocês dois foram excelentes, foi profundo, pareceu ser sincero. – Nathan olhou para Sophia e foi se sentar.
Ao se sentar Nathan ficou observando Sophia parada la em cima, ela não acreditava que poderia ser verdade. Quando ele completou 15 anos Nathan começou a sonhar com uma garota e ele se apaixonou pelo seu sonho, mas nunca pensou que tal garota poderia existir e lá estava ela parada na sua frente.
– Nathan. – Ela estava parada na sua frente. – Porque você saiu de lá desse jeito? – Ela sussurrou e depois se sentou. – Esta acontecendo alguma coisa? Você se saiu tão bem,
– Não é nada. – O sinal bateu e a turma se levantou para sair. Ao chegar na porta o Sr.Knight pediu para que Nathan e Sophia ficassem.
– Bom, todas as sextas tem uma oficina de teatro na sala 107 e queria muito que vocês dois participassem, a apresentação de vocês foi muito boa. – Ele olhou para os dois. – Você aceitam?
– Por mim tudo bem. – Ela concluiu e olhou para ele.
– Pode ser.
– Tudo bem, então você fiquem se falando até sexta e comecem a ler o livro O Grande Gatsby. – Ele saiu de sala.
O silêncio tomou conta do local e por alguns segundos um ficou olhando para o outro sem saber o que fazer.
– Salva o seu número aqui no celular. – Ele entregou o celular nas mãos dela. – Qualquer coisa eu te mando mensagem. – Ela anoto e devolveu o celular.
– Prontinho. – Ela ficou o observando e ele ficou sem reação.
– É, — Agora com as mãos nos bolsos ele balançou a cabeça. – Tchau.
...
No final das aulas Nathan caminhou sozinho para casa, durante o caminho ele observava o novo bairro onde moraria por um tempo, olhou para o céu e percebeu como o dia estava triste, o sol não havia aparecido para se quer dar um “Oi”.
Ele chegou em casa jogou a mochila no canto do quarto e passou o resto da tarde jogado no sofá em um casulo feito com seu edredom e um balde de pipoca na mão.
– Fala sério, esse efeito especial de sangue está uma merda. – Ele disse para a televisão e trocou de filme.
Nathan prestava total atenção ao filme, ele amava ver filmes de terror quando estava sozinho, seus favoritos era os que apresentava muita quantidade de sangue, mas ele era o típico de pessoa que interagia com os personagens na esperança de que eles poderiam ouvi-lo.
Por volta das seis e meia da tarde o tempo lá fora já estava escurecendo, Nathan se levantou para fazer outra pipoca e encher seu copo XG de refrigerante. Enquanto esperava a pipoca ele lembrou do olhar de Sophia e no quanto ele tinha sido mal educado com ela.
“Me desculpe por hoje mais cedo, eu não devia ter sido mal educado com você. Nathan.” 18:38
Retirou a pipoca do micro-ondas jogou no balde e voltou para o sofá. Continuou vendo o filme enrolado nos lençóis quando lembrou que o copo de refrigerante tinha ficado na cozinha. Ele bufou e se levantou.
– Porque as pessoas não inventam um pote que já tenha a divisória para o refrigerante? – Seu celular vibrou.
“Tudo bem, eu percebi que não estava confortável do meu lado, eu também não devia ter olhado tanto para você, mas é que você é misterioso. Bom se quiser falar estou aqui.” 18:50
– É claro que eu quero falar com você. – Ele guardou o celular.
Um barulho soava de algum lugar da cozinha. Intrigado com aquilo Nathan tentou procurar de onde vinha e ao chegar na janela percebeu que o morcego estava novamente o observando.
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