Filho Da Caçada

1 Capítulo 1 - Um gatinho nada amigavel.


Notas iniciais
essa fanfic se passa cerca de vinte a trinta anos depois da serie do percy.

Acordei com uma bola de pelos negra caminhando em mim. O primeiro movimento que eu fiz foi arremessar aquele gato fedorento longe e logo depois cobrir meu rosto com a coberta, tentando voltar para o meu sono.

Mas aquele animal insistente não me deixava em paz, ele voltou a subir na minha cama e miava sem parar. Olhei ao redor do quarto, eu estava sozinho. Enfim decidi me levantar, joguei a coberta de lado e calcei meus chinelos, o gato negro chamado Meia Noite me seguiu.

- Eu ainda te cozinho com batatas – resmunguei para o gato de minha irmã.

Eu coloquei comida no potinho do gato e fui até a varanda. Minha irmãzinha, Willow, corria pelo gramado, meu pai brincava com ela. Moravamos em uma casinha de madeira afastada da cidade, com um grande gramado cercada por mata. Assim que ela me viu, Willow saiu correndo em minha direção, a garotinha de seis anos se jogou nos meus braços, suas tranças loiras cheiravam a morango.

- Drake! – ela disse sorrindo seu sorriso banguela, seus olhos azuis brilhavam. Sua pele branca e cheia de sardinhas estava corada de tanto correr. Ela usava uma camisa xadrez, calça jeans e bota. – Vamos brincar comigo e com o papai.

- Talvez mais tarde princesa- eu disse afagando seus cabelos.

Willow era minha meia irmã. Meu pai me teve com a mulher desconhecida que era minha mãe, eu nunca a conheci, e meu pai evita falar dela. Depois de alguns anos, eu tinha seis anos, meu pai começou a namorar Charlotte. No começo, ela era doce comigo, me trazia presentes e me tratava como seu filho. Um ano depois, eles se casaram e Charlotte engravidou. Ela nunca mais foi a mesma.

Eu sempre guardei isso pra mim, mas Charlotte costumava me bater e me punir severamente por coisas que eu nem tinha feito quando meu pai saia. Sempre que ela me pegava brincando com Willow, ela tirava sua filha de perto de mim e depois me batia, dizendo para que eu nunca encostasse minhas mãos sujas em sua preciosa filha.

Mas é claro que eu não a obedecia.

Talvez esse seja o motivo de eu e Willow sermos tão apegados.

Por mais que Charlotte odiasse nosso contato, meu nome foi a primeira palavra que Willow falou. O que me rendeu mais uma surra quando meu pai não estava olhando. Willow era a única razão para eu continuar naquela casa, dia após dia, aturando meu pai se fingir de sonso em relação a Charlotte, e aturar a própria víbora.

Eu havia jurado a mim mesmo ficar perto dela todos os dias da minha vida e protegê-la.

É claro, que mais uma vez, eu estava enganado. Mas eu não sabia disso naquela época.

Willow lembrava muito a meu pai. Ambos tinham os cabelos loiros, os olhos claros e a pele branca e sardenta. A única diferença era que meu pai lembrava um javali, e Willow, um coelhinho felpudo. Eu era parecido com a minha mãe, era a única alternativa, pois eu não era nada parecido com meu pai. Eu tinha cabelos castanhos um pouco arruivados, meus olhos eram castanho claro, quase amarelos, mesclados com verde musgo. Eu particularmente me orgulhava deles, uma vez que varias meninas da minha escola haviam elogiado-os. Eu tinha a pele um tom mais morena que a de meu pai, e era magrela, e nem de longe muito alto para os meus treze anos.

Eu estava observando meu pai e a minha irmã brincarem no gramado. Quando uma sombra me cobriu. A simples visão de Charlotte já me fazia ter vontade de vomitar, e o pior, é que ela era bonita.Tinha longos cabelos ondulados caindo pelas costas, era alta, esguia e magra, e seus olhos eram negros como a noite. Mas alguma coisa não se encaixava, talvez fosse o fato dela parecer demais com uma patricinha da cidade grande para casar-se com um homem que a vida girava em torno da caçada.

- Bom dia Drake – ela disse com um tom de desprezo.

- Estava ótimo até você aparecer – eu disse me levantando.

- Pai! – eu gritei – Vou dar uma volta, talvez matar alguns coelhos.

- Eu quero ir! – gritou Willow – Eu quero ir, eu quero ir!

- De maneira alguma – disse Charlotte. – Garotinhas não vão caçar! Isso não é feminino!

- Pare de besteira Charlotte – argumentou meu pai – Já está na hora da menina aprender um pouco da vida, e sair desse castelo imaginário que você insiste em tranca-la. Willow, vá calçar suas botas.

- Eba! – ela disse correndo para dentro de casa.

Eu lancei um olhar triunfante para Charlotte antes de ir até o armazém a fim de esperar minha irmã. E pegar meu arco. Mesmo com todas as vezes que meu pai havia dito quanto uma arma era melhor que um arco e uma flecha, eu me sentia muito mais seguro e confiante caçando com eles.

Eu estava pegando minha pistola e algumas munições quando Luke apareceu. Ele usava calças jeans e botas enormes, uma camiseta de heróis dos quadrinhos e um boné desbotado do capitão America.

- Eai Drake! – ele disse.

Luke era o meu melhor, e único, amigo. Ele havia entrado na minha escola no começo do ano, e parecia não ter muita facilidade para se entrosar, assim como eu, então decidimos unir forças e nos tornamos amigos. Ele era do tipo desajeitado e medroso, mas era boa pessoa.

- Como vai Luke – eu disse enquanto carregava as flechas. – Estou saindo para uma caçada, está a fim de me acompanhar?

- Ah, não sei não – ele disse – Não sou muito fã de matar animais.

- Ah cara, para de ser medroso, até a Willow vai dessa vez.

- Ta bom – ele bufou.

- Amigo bode! – Willow exclamou quando viu Luke, ele parecia desesperado, eu nunca havia entendido de onde ela havia tirado esse apelido ridículo e porque Luke se incomodava tanto com ele.

Já havíamos entrado na mata a cerca de duas horas quando Willow avistou um coelho.

- Ali – ela disse apontando para um vulto branco atrás da moita.

- Façam silêncio – eu sussurrei, e eles assentiram.

Eu me aproximei do coelho, estava perto o suficiente para acertar um tiro certeiro quando um alce macho, enorme, apareceu a alguns metros de mim, eu fiz sinal de silencio para minha irmã e Luke, e segui o que seria a caça do ano se eu conseguisse pega-lo. Quando estava perto o suficiente, quase uma hora depois, eu estava pronto para atirar, Willow e Luke estavam atrás de mim em total silêncio, meu dedo estava na flecha, quando o alce olhou para os lados e correu, sumindo por entre as arvores.

- Ah droga! – eu gritei aborrecido. – Tão perto! O que será que assustou ele?

- Gatinho mau – disse Willow, ela olhava para trás de mim. Eu me virei, e o que eu vi, não se parecia nem de longe com um gatinho.

Na verdade, o animal bizarro tinha a cara e o corpo de um leão, mas tinha enormes asas de morcego, e uma cauda que se assemelhava a uma cauda de escorpião.

- Droga, uma manticora! – Luke exclamou. – Não podia ser um mostro mais fácil? Tipo uma nereide, ou uma ninfa?

- Luke, que diabos você está falando? – eu perguntei.

Mas ele não teve tempo de me responder.

Porque a Manticora tinha nos visto.

E corria em nossa direção.

Notas finais
espero que tenham gostado!