Filho Da Caçada

3 Capítulo 3 - O acampamento para filhos de Deuses.


Eu acordei com cascos chutando a lateral de meu corpo.

- Vamos cara, acorda, precisamos ir. – disse Luke.

- Você não podia ser menos delicado? Acho que você abriu um buraco em mim.

- Pare de ser exagerado – ele disse. – Temos que ir logo, antes que seu pai volte e todos acordem.

Eu esfreguei os olhos, me sentando, minhas costas doíam e minhas pernas estavam dormentes.

- Eu preciso pegar algumas coisas la dentro. Te encontro daqui a dez minutos.

Ele me olhou preocupado, pronto para me impedir de entrar, mas ele desistiu, e apenas assentiu e saiu andando, ou trotando, não sei ao certo.

Eu caminhei pelo gramado que separava o armazém da casa principal. O sol estava começando a surguir no céu. A caminhonete do meu pai não estava estacionada no lugar de costume, o que significava que ele havia passado a noite na cidade, devido a tempestade. O gramado tinha cheiro de orvalho, e o céu estava cor de rosa. Eu tentei memorizar todas as cores e cheiros, eu sentia que não voltaria para aquela casa tão cedo.

Os degraus da varanda rangeram quando eu subi. Eles sempre rangeram. Acho que essa é a única lembrança que eu tenho de minha mãe. Uma mulher alta, com longos cabelos ondulados castanho-arruivados ,como os meus, subindo e descendo aquelas escadas comigo, enquanto elas rangiam sob os meus pés de garotinho de um ano.

A casa ainda estava escura, salva pela luz alaranjada que entrava pelas janelas. Eu caminhei até meu quarto. Minha irmãzinha dormia profundamente na cama do outro lado do cômodo. Eu peguei uma mochila, coloquei uma troca de roupa, um agasalho, escova de dentes, uma foto minha, com dez anos, sentado no colo de meu pai, e Willow estava sentada em meu colo, com três anos. Por fim, peguei a única coisa minha que era de algum valor. Um cordão negro, com pingente de um arco e uma flecha atravessados. Meu pai disse que foi a única coisa que minha mãe deixou para trás antes de partir.

Coloquei a mochila nas costas, fui até Willow, ela dormia abraçada ao travesseiro. Eu tirei o cabelo de seu rosto de beijei sua testa, ela se mexeu em seu sono, eu sorri, de depois caminhei em direção a porta.

Eu encontrei Luke sentado no gramado, mastigando algumas folhas.

- Ta pronto? – ele me perguntou.

- Eu assenti.

- Ah, e eu peguei isso para nossa viajem, espero que não se importe, são muito valiosas para ficar em um armazém. – ele disse jogando o arco e a flecha que eu havia usado contra a manticora.

- Ah, esqueci de perguntar, porque essas flechas feriram a Manticora, já que as outras nem sequer arranharam?- eu disse.

- Bem, parece que essas flechas são de bronze celestial. Não tenho certeza, teremos que perguntar a Quirion.

Teriamos que andar cinco quilômetros até o ponto de ônibus mas próximo, eu tinha muito tempo para fazer perguntas.

- O que é bronze celestial? – eu disse.

- É o metal usado por semi-deuses. Eles podem ferir mostros, já o metal normal nem os arranha.

- E o que algo como isso estava fazendo no meu armazém?

- Outra coisa que precisaremos perguntar a Quirion. – ele deu de ombros.

- Quem é Quirion afinal? – eu perguntei.

- Nossa, você é uma maquina de fazer perguntas! – ele exclamou. – Quirion é um centauro, ele é diretor do nosso acampamento, junto com o senhor D. O senhor D é um pouco rabugento, mas Quirion é uma ótima pessoa!

- Esse tal senhor D também é um centauro? –eu disse.

- Não, Senhor D é o Deus do vinho, Dionisio. – ele disse como se fosse a coisa mais normal do mundo. “ Ei, você é filho de uma deusa, eu sou meio bode, temos que fugir de um leão gigante, você vai ter que abandonar sua família e tudo o que você conhece para vir comigo para um acampamento cheio de crianças esquisitas como você, que a propósito, é coordenado por um meio cavalo e um deus rabugento. “

- aaah – eu balbuciei, tentando absorver a ideia.

Andamos por um tempo em silêncio, enquanto eu finalmente aceitava tudo o que estava acontecendo.

- Então, me conte um pouco mais sobre esse tal Acampamento Meio- Sangue. – eu disse.

- Ah, cara, aquele é o melhor lugar do mundo – ele disse sorrindo para mim. – Mas eu não vou conseguir te contar tudo, você terá que ver com seus próprios olhos. Espero não encontrar nenhum mostro no caminho até lá.

E por um milagre divino, as preces de Luke foram atendidas, e nenhum mostro atrapalhou nossa viajem. Pegamos o ônibus até o centro da cidade, a essa hora, não pude deixar de pensar que Willow estaria acordando, meu pai estaria chegando em casa, e eles não iriam me encontrar, Mas Luke havia me prometido que eu poderia falar com eles assim que fosse seguro. Na estação de ônibus, Luke arrumou para nós duas passagens em direção do tal acampamento, e subornou o motorista a parar no meio da estrada, um lugar próximo do acampamento.

Pegamos o ônibus duas horas depois, estava meio vazio, e eu adormeci vinte minutos depois de sairmos. Só acordei com o ônibus parando e Luke me cutucando.

- Acorda cara – ele disse – chegamos.

Pegamos nossa mochila e descemos do ônibus. Era inicio da tarde, e o sol estava quente. Subimos uma colina, eu ainda me beliscava, para ter certeza se estava acordado ou se não estava preso em um sonho com um menino bode. Eu estava bem acordado, muito mais do que eu desejava.

Quando chegamos ao topo da colina, eu pude ver la embaixo, uma espécie de vale. O que estava mais perto de mim era uma enorme casa branca, ao seu lado havia um rio, e depois dele se estendiam intermináveis campos de morango, perto da casa havia também uma quadra de vôlei. Ao longe, eu via um lado, e mais longe ainda, algumas casinhas. O mar estava ao fundo, e perto dele, havia uma pequena cidade, cheia de habitações. Pessoas corriam por todos os lados

- Uau! – eu exclamei – Como algo como isso pode ficar escondido?

- A nevoa cara, quem passar por aqui so vai ver um monte de arvores sem graça.

- Agora admito que fiquei ansioso para conhecer mais dessa sua historia louca sobre Deuses antigos. – eu disse enquanto começávamos nossa descida pela colina.

Chegamos a base, onde devia começar o terreno do acampamento, uma enorme pedra, ao lado de um pinheiro gigante, bloqueava nossa passagem.

- Cara, a gente vai ter que escalar esse pedregulho? – eu disse, já sentindo minhas pernas doerem.

- Não seja bobo Drake, isso não é uma pedra – ele disse revirando os olhos.

- Ei! Peleu! Seu grande preguiçoso! Precisamos de passagem, acabei de chegar com um novo meio sangue.

A “ pedra” abriu os olhos, grande olhos amarelados, e ficou de pé em suas quatro patas, o dragão abriu as asas, se espreguiçando, e depois cospiu um pouco de fogo.

- Exibido – disse Luke, me guiando para dentro dos limites do acampamento.

O clima mudou instantaneamente quando passamos pelo dragão. De repente, não estava mais tão quente, o clima estava ameno, perfeito, como uma doce tarde de outono, o céu não tinha mais nenhuma nuvem.

- Bem vindo Drake – disse Luke sorrindo, com as mãos em meu ombro – Ao acampamento meio sangue.

Ele caminhou até a casa grande, e depois disse.

- Drake, tenho alguns assuntos para tratar com Quirion e senhor D, porque você não vai dar uma volta? Fazer alguns amigos? Nos encontramos a noite na fogueira.

Eu assenti. Ele entrou na casa e eu sai andando, com as mãos no bolso.

Eu passei por um grupo de campistas treinando esgrimas, e outros cavalgando. Uma garota de longos cabelos ruivos cacheados estava sentada na sombra de uma arvore, ela tinha aparecia de alguém com vinte anos, mas algo que dizia que ele tinha bem mais.

Eu caminhei por entre os chalés, tinham Vinte ao todo, variando de cores e formatos.

Decidi me sentar de frente para a arena de luta, duas pessoas estavam travando uma batalha, um era um cara grande e forte, dentro da armadura, o outro era magrela, seu rosto estava escondido pelo elmo. Eu apostei comigo mesmo de que o cara grande ia esmagar o rapazinho, mas eu estava muito errado.

O mais magrelo era ágil e rápido, enquanto o grandalhão era lento e desajeitado. Com um golpe rápido, O mais magro derrubou o outro no chão, e apontando a lança na garganta do oponente, declarando a derrota do adversário e o final da luta.

Quando ele tirou o elmo, eu fiquei sem reação. Não era um menino dentro daquele capacete, mas uma garota, com cabelos cacheados loiros, caindo-lhe abaixo dos ombros, e grandes olhos verdes, que se encontraram com os meus.

Notas finais
espero que tenham gostado, comentem o que acharam *-*