Filhas do condado – diário de um espartilho
2 Pequenas longas conversas
Notas iniciais

“Ao que me parece, querido leitor quem quer que seja, na Inglaterra a definição de ‘visita de boas vindas’ parece ser diferente a da America, deixe- me contar-lhe um pouco sobre meu dia um tanto quanto peculiar, que eu ainda estou tendo.”
“Eu desci as escadas nervosa mesmo que não demonstrasse, apesar de que nunca me sai bem mascarando o que sinto, quando me deparo com seis moças de aparência recatada e angelical até ouso dizer.”
“-A senhorita Dragomir, senhorita Dragomir, senhorita Ozera, senhorita Rinaldi, senhorita Dashkov e senhorita Belikov- a cada nome a moça o qual imaginei que pertencesse fazia uma breve reverencia e por questão de etiqueta eu também, uma moça loura de olhos verdes logo se pós a sorrir e disparou a falar o quão bom era ter mais alguém para poder lhe fazer companhia.”
“Ó querido leitor vou lhe poupar das tortuosas primeiras conversas, onde temos que nos manter distante mas perceptivos, entusiasmado por uma nova pseudoamizade mas indiferentes quanto a isso. Admito que nunca fui dotada quando se tratava de assuntos femininos, geralmente eu prefiro ficar sentada enquanto elas falam pensando em varias maneiras diferentes de ir embora sem chamar a atenção pois tamanha era a futilidade de cada palavra que saia pela boca de cada uma delas.”
–Rosemarie-
“Ó essa não, elas me descobriram” eu paro de escrever e escondo o papel e a pena com qual escrevo sordidamente, mesmo tendo acabado de ser descoberta, eu sorrio.
–Sim- eu tento me lembrar seu nome, esta era loura de olhos azuis – senhorita Mia?
–Oh me chame apenas de Mia estamos entre amigas-ela olhou para as outras que sorriram assentindo, estávamos tomando um chá, algo comum aqui na Inglaterra eu descobrira, ao meu lado estava Vasilissa Dragomir e ao seu lado estava sua irmã Jillian Dragomir, esta falava demais também, a senhorita Natalie Dashkov era quem me perguntara sobre meus irmãos quando disse que estavam caçando seu rosto murchou de forma lamentável, senhoria Natasha Ozera e senhorita Viktoria Belikov eram as mais caladas e Mia Rinaldi a mais insuportável, quando falam que os homens são os fortes, é porque eles nunca tiveram que sentar para um chá da tarde com outras damas.
–Eu estava dizendo que estamos todos muito felizes aqui no condado por sua vinda- imagino que seus pais devem ser os mais contentes tendo em vista meus irmãos solteiros e sua mão sem aliança, no segundo que me imaginei dizendo essas palavras eu sorri abertamente.
–É muito bom saber que todos estão sendo bem amistosos, creio que meus irmãos ficaram felizes também- eu não perderia a oportunidade não importa o quão impróprio fosse.
–É mesmo, possui dois irmãos mais velhos não é? Eu havia me esquecido- disse Natalie tentando soar casual, Natalie realmente havia motivos para ficar preocupada, sendo criada em um condado com mais mulheres do que homens e sendo o que se pode chamar de... Não de feia, mas sem graça, era compreensível que ficasse preocupada.
–Eu duvido muito- disse indiferente, e de fato não me importava, era algo com o qual me acostumara de que as moças da minha idade tinham o interesse em falar comigo devido aos seus interesses em meus irmãos.
–Por falar em irmãos- disse Natasha – Como vai seu irmão Vik?- o uso do diminutivo afetuoso me fez pensar que eram amigas intimas porem o olhar frio de Viktoria tirou todas as minhas duvidas e me fez concluir que não. – Ele está passando por uma fase difícil, como ele está?- e de repente ninguém parecia mais se importar com absolutamente nada estavam todas a espera de sua resposta, elas se inclinavam e ouviam atentamente a tudo o que ela dizia.
–Ele já está melhor, meu irmão é um homem forte- enquanto ela falava reparei em seu sotaque forte, diferente do sotaque inglês calmo e harmônico.- E além do mais já se passaram dois anos ele já superou- eu iria perguntar a respeito, não por que me importasse mas porque nasci com um conjunto de curiosidade e inconveniência.
–Se me permite perguntar o que aconteceu com seu irmão?- o fato de todas estarem cheias de empatia pelo rapaz ou pelo homem pode significar que ou era um homem muito bom e muito amável ou que ele era solteiro, algo me dizia que era a segunda opção.
–A esposa de meu irmão faleceu há alguns anos atrás de tuberculose, ele não é mais o mesmo desde então, mas está melhorando, ele tem estado de luto por todo esse tempo mas creio que já está melhor- ela disse, ah, agora havia entendido, dado as vestes de Viktoria ela deveria vir de uma família muito boa e dado ao seu sotaque presumo que distante também, seu irmão um viúvo rico e solteiro agora pode-se compreender o interesse.
–Eu sinto muito, eu não sabia- disse verdadeiramente pela primeira vez no dia.
“E no fim, ainda não consegui ter uma opinião formada sobre a maioria das moças ali presentes, acredito que posso tentar.”
“Vasilissa Dragomir parecia ser a síntese de todas as jovens tolas e inocentes, de aparência perfeita e com tudo ao seu favor, a juventude, beleza e boa família, pelo pouco que conversou comigo notei um acolhimento verdadeiro e uma doçura impecável como toda boa e clássica moça perfeita do tipo que esta disposta a fazer qualquer coisa para agradar seus pais, sempre achei que moças como Lissa não existissem, que eram mentiras que os pais contavam as suas filhas para que fossem melhores e mais obediente, pelo visto estava errada.”
Olho para elas para me certificar de que ninguém esta prestando atenção enquanto escrevo, mas elas estavam bastante entretidas e também não faziam questão de que eu participasse da conversa, volto a escrever.
“Pouco tenho a comentar sobre sua irmã Jillian que parece sempre estar à sombra de sua irmã mais velha, eu sonheço bem a sensação mesmo que com os problemas que eu estava acostumada a causar, eu nunca, jamais era esquecida, devo admitir eu gostava disso.”
“Mia e Natalie são duas controvérsias, enquanto uma deseja chamar atenção a todo custo a outra parecia somente querer isolamento, também haviam outras coisas e outras moças, outras histórias, mas nada que ao meu ver merecesse ser escrito ou muito menos lido por você, querido leitor.”
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“Aprendi mais algumas coisas sobre as moças que vieram aqui e até mesmo as outras pessoas do condado, como por exemplo, Viktoria veio da Rússia com sua família devido aos negócios do pai, possui muitas irmãs, mas apenas um irmão e herdeiro, Dimitri Belikov, só faltavam os suspiros toda vez que pronunciavam seu nome elas se derretiam. Quase todas as moças que vieram aqui eram filhas de homens que faziam negócios com meu pai e”
–Rosemarie, será que não pode parar de escrever nem na hora do jantar?- disse minha mãe, todos que estavam à mesa me observavam, Mason ao meu lado suplicava com os olhos para que eu não arranjasse briga, revirei os olhos.
–Como disse antes, estou sem fome, na verdade fui coagida a vir até aqui-
–Deixe de drama Rosemarie se não quer comer vá para o quarto- olhei para todos na mesa ninguém se pronunciou.
–Esta bem, com licença- eu disse subindo as escadas.
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“Não há nada melhor do que quando o espartilho é retirado, os nós são desfeitos e você sente tamanho alivio sem aquela falta de ar que só se da conta que ela estava ali quando ela vai embora.”
“Meus cabelos foram escovados e eu usava a mais confortável das camisolas, o sono já estava vindo, eu podia senti-lo pesando em minhas pálpebras e tirando minha vontade de escrev...”
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–Kirova terá um troço se descobrir que estão no meu quarto- disse sem olhar para eles, ainda com sono.
–Achei que gostasse de vê-la enlouquecer- disse Mason.
–Só quando o mérito pertence a mim e já que são vocês que entraram aqui na surdina eu imagino que a culpa irá cair em vocês e somente eu posso ter o prazer de incomoda-la- disse sentando-me na cama, o sol já entrava sem consentimento pela cortina e clareava todo o quarto.
–Adorei o cabelo- disse Eddie de forma debochada.
–Melhor que a sua vida- eu disparei –O que estão fazendo aqui?- eu pergunto coçando os olhos.- Não deveriam estar tirando a virtude de alguma moça, cega,surda e burra?- eu me espreguiçara, o bom de estar sozinha com os meus irmãos era que não precisava medir minhas palavras, em todo caso eu quase nunca media.
–Fomos convidados para um almoço, queríamos saber se não deseja nos acompanhar-
–Mal chegamos à cidade, como já foram convidados para um evento?
–Não é um evento é somente um almoço – contestou Mason, ele provavelmente não estava querendo ir sozinho, nem ele nem Eddie.
–Claro, pelo pouco que conheço de Berkshire duvido que isso tenha alguma diferença- soltei um suspiro pesado – A onde é?-
–Na casa dos Dragomir’s, o papai faz negócios com o patriarca deles-
–Nossa, não acredito que ainda o chame de “papai”, são inimigos ou falsos amigos?
–Falsos amigos- respondeu.
–Droga, eu vou ter que me comportar, mas não me resta escolha afinal o que fariam sem mim?-
–Pare de reclamar- disse Eddie- Eu estou muito esperançoso em relação a hoje- troquei olhares com Mason que nada disse sobre a declaração do irmão.
–O quê, espera encontrar o amor da sua vida?- eu perguntei ceticamente.
–Talvez por que não?- ele disse confiante, arregalei os olhos com sua resposta.
–Aceitando a possibilidade de que de fato pode encontra-lo o que te faz garantir que iria ficar com ele?-acho que se assustaram com minha resposta pois estavam sem reação, aproveito para sair da cama e tentar expulsá-los de meu quarto, já era hora de eu me arrumar, Kirova podia entrar a qualquer instante.
–Que coisa horrível de se dizer Rose- observou Mason ,eu estranhei ele geralmente não se importava com o que eu dissesse.
–É verdade como uma dama pode ser tão amargurada em relação ao amor sem sequer ter tido um coração partido? Se pensar bem é no mínimo injusto se pensar que ninfas doces e puras precisam ser corrompidas para ter o conhecimento e o ceticismo que a senhorita já possui sem um pingo de experiência verdadeiramente vivida- disse Eddie cabisbaixo e até mesmo parando de andar enquanto eu os levava até a saída, tentei puxa-lo novamente porem obviamente eu era mais fraca.
–Não sou amargurada, sou realista, mas compreendo sua linha de raciocínio tendo em vista de que a maioria das moças desconhecem o sentido de realidade.
–Não faça assim, compartilhe seu segredo, tenha um mínimo de benevolência sabendo que seu pobre irmão corre o risco de ter o coração quebrado por uma dama- eu quase rio de seu falso desespero.
–Tudo o que fiz foi tentar aprender com os erros dos outros assim não precisaria cometer os meus, se chama inteligência-
–Se chama genialidade- disse Mason- Mas, terá que se casar algum dia não é verdade Rose?-ele havia entrado em território proibido, conhecendo esse tom era obra de nossa mãe e suas inúmeras tentativas de mudar minha cabeça quando se trata sobre o casamento, pelo qual eu não havia absolutamente nada contra o ato em si, mas questionava a sanidade das pessoas que o praticavam, logo em breve a minha sanidade, eu vou me casar algum dia e tenho consciência disso, vou me casar algum dia com um homem de provável escolha de meu pai que posso ou não gostar, um homem que pode ou não ser bom eu aceito isso, literalmente eu aceito, mas minha querida mãe parecia não saber disso tendo em vista meu comportamento respeito suas duvidas a respeito.
–Engraçado achei que estivéssemos falando sobre amor, e não de casamento, no que me parece eles não tem andado muito juntos nas ultimas décadas ou mesmo nos últimos séculos- eu parei para respirar e os empurrei porta a fora, antes que pudesse fechar ele voltou a falar mas não permiti que continuasse.
–Eu diria a Janine para não se preocupar, quando chegar a hora vou estar casada,com quem acharem melhor, não me entenda mal Mason, acredito no amor que tanto falam e leem e escrevem tanto quanto você, só tenho duvidas de que posso conquista-lo ou mesmo merecê-lo por isso não crio expectativas a respeito, pois sei que tenho grandes chances de me decepcionar e isso seria pior que um coração partido- eu terminei de falar visivelmente abalada enquanto ambos me fitavam estáticos, acho que nunca deixei transparecer tamanho sentimentalismo na frente deles ou de qualquer pessoa, nunca em toda minha vida me senti tão exposta.
–Não se preocupe- eu tentei disfarçar- se o amor bater a minha porta eu irei o acolher bem a principio, mas até prefiro que meu único e verdadeiro amor permaneça sendo eu mesma.
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