Filhas das Trevas
1 Prólogo
– Não mamãe! Não vai embola, pu favô!
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– Não se aproxime dela, ela é filha da Lua Vermelha. Talvez seja a próxima escolhida.
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– Por que não posso estudar aqui professora? O que fiz de errado?
– Você sabe muito bem! As crianças, os pais das crianças e até nós, professores, não nos sentimos bem com você por perto. A Lua Vermelha é sua mãe e você vai precisar sair daqui.
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– Sinto muito Gwyneth. Estou aqui apenas como representante do vilarejo… Eu sei que hoje é seu aniversário e que sua avó faleceu há poucos meses, mas… Todos decidiram que você deve partir.
– Eu sei que você não sente nada Keegan! E sei que foi você que começou tudo isso! Eu vou, já deveria ter ido embora há muito tempo!
– Não é por maldade… É apenas porque você é a filha…
– Filha da Lua Vermelha, eu já sei! Cale a maldita e desprezível boca! Diga aos seus companheiros, respeitáveis líderes deste vilarejo, que amanhã mesmo não estarei mais aqui!
– Direi.
– Ah! Diga outra coisa… Peça para que eles rezem a todos os deuses deles, que rezem para que eu não seja a próxima Lua Vermelha. Caso contrário, eu voltarei para me vingar de vocês, de seus filhos e dos filhos de seus filhos! Avise-os!
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– Madame! Tem uma coisinha caída aqui fora. Se ainda não morreu, vai morrer porque está nevando muito.
– Eu já disse muitas vezes que não quero cachorros ou gatos aqui no bordel! Quando vocês irão parar de pedir e arranjar desculpas para trazer estes animais horrendos?
– Madame! Eu não tenho certeza, mas me parece uma garotinha! Deixamos ela morrer lá fora?
– Uma criança?! Claro que não Amélia! Como você pode ser tão burra?!
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– Lorde Dalkon, — diz Madame toda manhosa para seu querido amante. — Faça isso por mim. Nunca pedi nada ao senhor em troca de meu amor.
– Ora Madame! E mulheres como você amam?
– Claro que sim! Eu te amo! Eu já não estou mais naquela vida, hoje sou proprietária do bordel e não atendo mais nenhum homem em minha cama. Nesta cama, apenas você!
– Eu não sei, é muito perigoso. Como vou explicar para as pessoas como e onde encontrei esta criança? O que direi para minha esposa? E se pensarem que a menina é minha filha bastarda?
– Dê um jeito! Você é o homem mais inteligente que conheço! Tem algo de diferente nesta pequena, algo grande espera por ela. Eu não posso oferecer nada de bom para a garotinha! Por favor lorde!
– Pensando bem… Claro! Eu sei de um lugar… Não prometo que ela será amada, mas será muito bem tratada e terá uma ótima educação.
– E onde é este lugar?
– É melhor você não saber Madame. Acredite em mim, é um lugar muito bom e nada de ruim acontecerá com ela. Porém é preciso que você não saiba onde, que ninguém saiba que ela já morou em um bordel e, infelizmente, é preciso que você se esqueça dela para sempre. Nunca mais saberá desta menina.
– Oh! Dalkon, eu te amo! Muito obrigada! Farei de tudo para o bem desta pequena, não a conheço, não sei de seu passado, contudo faria de tudo por ela!
– Você tem o coração mais puro que já conheci Madame! É uma lástima que não tenha suas próprias filhas de sangue, seria uma mãe formidável! É uma mãe maravilhosa para suas garotas, para esta garota e seria ainda mais para seus filhos!
– Oh! Obrigada meu lorde! A vida quis assim…
– Eu lamento tanto não poder me casar com você devido a posição de minha família na sociedade… Eu te amo Madame!
– Eu também te amo!
***
– Madame, consegui. Aquele assunto da garota foi resolvido. Um cocheiro virá buscá-la amanhã à meia-noite.
***
Em um tempo desconhecido, em uma região não encontrada de reinos nunca vistos…
As forças malignas (que dependendo do tempo, lugar e nação são conhecidas por outros nomes), através de seus inúmeros e poderosos seguidores, dominavam aquela terra. Humanos e outros seres eram oprimidos, escravizados e abusados.
Durante muito tempo as forças da Natureza tentou sozinha, sem sucesso, combatê-los até que resolveu usar das mesmas táticas e se juntaram aos humanos. Assim, a Cavalaria de Gaia foi formada.
A Cavalaria era composta por quatro dos guerreiros mais fortes e inteligentes conhecidos, cada um oriundo de uma região daquele mundo. Estes cavaleiros receberam poderes da Natureza, combateram e venceram os súditos das trevas. Contudo, o mal não pôde ser extinto, era poderoso demais.
A Natureza neutralizou grande parte do poder maligno transformando-o em um rubi e acoplando-o a um cordão de ouro sagrado. Esta joia, o Rubi das Trevas, foi escondida e nunca mais vista desde então.
Atualmente, as forças malignas deve, a cada geração, escolher uma mulher para lhes servir de receptáculo, esta mulher é chamada de Lua Vermelha.
As forças escolhem a mulher ideal dentre aquelas que, em seus íntimos e almas, já possuem a essência do mal. Dentre aquelas que aceitaram servir de instrumento das trevas antes mesmo de existirem. Nunca foi ou será uma escolha unilateral e forçada.
A Lua Vermelha, que enquanto detém o poder das trevas é imortal, é responsável por procurar e recuperar o colar a fim de restabelecer a glória das trevas. Os verdadeiros Cavaleiros não existem mais, apenas seus descendentes, e cabe a humanidade impedir que o Rubi seja reencontrado.
Existem apenas duas maneiras de evitar que a Lua Vermelha encontre a joia. A primeira, mais vulnerável e contínua, é rastrear os passos de cada nova Lua, lutar e boicotar seus planos. E a segunda, mais efetiva e complexa, seria quebrar o ciclo de transição das Luas Vermelhas e, deste modo, impossibilitar para sempre que outra Lua Vermelha seja eleita.
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