Filhas das Trevas
10 10 - Bem-vinda ao clube
Notas iniciais
Bem vindo ao clube!
Celebrar o fim
Seja feliz!
Dead Fish, Bem-vindo ao clube
“- Acredito ser o suficiente. Tive minhas respostas e já tomei minha decisão.”
– Sei que não sou ninguém para julgar seus atos. Minha maior responsabilidade na vida é destruir a Lua Vermelha, sendo ela sua mãe ou não. Farei o que for necessário para cumprir esta incumbência e, de acordo com o regimento unificado dos reinos, minhas ordens, como comandante da Cavalaria dos Reinos, são supremas, se sobrepõem aos decretos reais.
Henry se agacha ficando frente-a-frente com Gwyneth, que ainda estava sentada na cadeira.
– Minha decisão pode ser considerada imprudente e perigosa, por isso, farei uma votação entre meus irmãos de luta. Por mim, você fica livre até o fim desta jornada e se junta a nossa missão. Nossa trajetória será perigosa e, por conta de seus treinamentos nos Gatos, você deve ser uma das melhores guerreiras que poderíamos ter em nosso auxílio.
Henry se levanta e sem olhar para qualquer um dos amigos, pergunta para os três:
– Qual é o voto de vocês? Puderam ouvir as razões dela, ouviram as minhas razões por querer deixá-la ir conosco, agora preciso do parecer de vocês.
– Eu mesmo passei por algo muito parecido. Durante muito tempo da minha vida fui um fora da lei, minha salvação foi você, Henry, ter entrado em meu caminho com sua compaixão. Eu, dentre os Cavaleiros dos Reinos, sou o único que poderia entendê-la, e que ser humano seria negasse o mesmo tipo de ajuda que a mim foi agraciado? — Declara Teles Kam com uma expressão de tristeza e remorso pelo passado que teve.
– Eu também não posso julgar, tenho minha cota de péssimos e cruéis atos. Não me orgulho e não tenho razões tão nobres por ter feito o que fiz. Além disso, acho que você — André aponta para o príncipe — sempre tomou decisões incontestáveis. Eu aceito compartilhar a jornada com ela.
Quoa não quis verbalizar que, além dos motivos ditos, havia outra razão para que aceitasse Gwyneth no grupo, a forte atração que sentia por aquela mulher. André sempre teve uma queda pelo errado, pelos bandidos e malvados.
Nunca disse a ninguém, há alguns anos, antes de ter entrado na Cavalaria dos Reinos, ele tentou entrar para o clã dos Gatos Negros. Infelizmente, ou felizmente, ele ainda não decidiu, seu ingresso foi negado. Como aquela garota, linda, sedutora e de aparência tão frágil pôde entrar, quando ainda era uma adolescente, e ele não?
– E você Umbo?
– Eu não sei, Henry. Concordo com você no que se refere a precisarmos de ajuda, mais ainda com a princesa sobre nossa guarda. E é por conta dela que fico reticente ao aceitar esta fora-da-lei em nossa missão. Nós podemos nos defender caso esta mulher esteja com más intenções. Porém, e a Lyra? Você pensou nisso, na Lyra?
Umbo Sois preferiu não expor Henry na frente dos demais, e de Gwyneth. Ele estava preocupado, não com um provável ataque a Lyra, tinha certeza que os Cavaleiros poderiam, facilmente, dar conta de protegê-la. Na realidade, estava preocupado com o quanto Henry ficou suscetível àquela mulher, desobedeceu a ordem do próprio pai e, Umbo sabia, estava cego pelos encantos da filha da feiticeira das trevas.
– Eu não acredito nesta mulher. Por mim, ela seria enviada imediatamente para Protegat! — Finaliza Umbo.
– Está bem. André, vá chamar os outros e fique cuidando da princesa no lugar deles.
– Sim Vossa Alteza.
***
Dahlia, Daniel e Peter chegaram ao aposento e Henry contou tudo o que tinha acontecido durante o interrogatório, depois pediu para que eles também opinassem. Dahlia, sem pestanejar e sem dar maiores explicações, disse uma única palavra, sim, aceitando a participação de Gwyneth. Como a maioria dos Cavaleiros já tinha votado a favor da presença de Gwy, contando com a opinião de Henry, Dan e Zaige não precisaram se posicionar.
Gwyneth estava aliviada. O príncipe garantiu que ela não seria levada para Protegat apenas até o fim da missão. Até lá, ela encontraria um meio de escapar, aqueles nobres não eram páreo para ela. Nem mesmo o tal de André, um arqueiro formidável de olhos sagazes, não era páreo para ela. Depois que prestou atenção, se lembrou de quando ele tentou ingressar no clã, mal sabia o homem o porquê de ter sido descartado pelos Gatos Negros.
***
Lyra pareceu espantada ao receber a notícia sobre quem era Gwyneth, e de quem era filha, evidente que a paixão e noite avassaladoras entre Gwy e Henry foram ocultadas. Mas não contestou ou repeliu a decisão dos Cavaleiros, na verdade, aceitou muito bem para surpresa de todos.
Henry se encantou ainda mais com a mulher que seria sua futura esposa. Aquela atitude era digna da futura rainha de Protegat, ele passou anos procurando por uma alma tão pura e bondosa como a de Lyra Hupper. Já estava completamente envergonhado e arrependido pelo que fez com Gwyneth, por ter esquecido completamente da existência de Lyra durante a noite passada. Agora, com a demonstração de caráter da princesa Diviti estava indescritivelmente péssimo. Não iria, nunca mais, cair nos encantos da garota Treni.
Gwyneth, antes de sair, precisou pegar o arco e flechas que tinha escondido antes de entrar efetivamente na cidade. Os Cavaleiros ficaram temerosos em deixar a moça com a posse de sua arma e a confiscaram. Não sabiam, contudo, que ela possuía suas wakizashis bem escondidas e sempre à mão.
***
Estavam há algumas horas viajando, o ritmo era bem mais lento que o usual para a Cavalaria principalmente por conta de Lyra, que não era acostumada com aquele tipo de situação, mas também por causa do cavalo que Gwy estava montando.
Henry fez questão de comprar um cavalo forte, resistente, porém que não fosse muito veloz, para desencorajar uma possível fuga de Treni.
De repente Gwyneth para, o animal relincha e todos os demais se voltam para ela.
– O que foi? Nem pense em fugir. — Diz Henry ríspido.
– Estão nos perseguindo!
– Não ouço, nem vejo nada. E você, Quoa?! — O príncipe sempre contou com André para detectar viajantes indesejáveis, já que este era o Cavaleiro com os sentidos da visão e audição mais aguçados.
– Também não percebi ninguém, entretanto, ela é uma Gato Negro e filha da bruxa. É possível que tenha mesmo captado algo. — Responde Quoa.
– Não é algo! Acho melhor vocês irem na frente e apertarem o passo. Garanto que não é uma tentativa de fuga. Se ficaram, morrerão! Vocês não estão preparados para o que está se aproximando. Eu preciso do meu arco, agora!
Henry fica admirado com a capacidade de comando de Gwyneth. O jeito que ela falou fez com que ele, e os Cavaleiros, ficassem compelidos a acatar as ordens da moça. Talvez esta habilidade viesse das trevas.
Todos, mesmo com o impulso de seguirem os comandos de Gwy, obviamente não acreditaram em nada do que a moça alarmou até porque não viram, ou ouviram, nada de suspeito.
Tinham certeza que estavam sozinhos… Até que uma flecha, vinda de sabe-se lá onde, atingiu Henry no ombro direito. Acertou justamente o braço que o príncipe usava para manejar a espada, o ferimento iria impedí-lo de lutar por algum tempo.
Em um piscar de olhos, a Cavalaria se transformou. Os Cavaleiros estavam em guarda, formando um círculo com Henry e Lyra no centro, sendo protegidos.
Gwyneth nem pôde ver quando Umbo entregou-lhe o arco e flechas, que pertenciam a ela, e ficou pasma quando Peter Zaige a puxou para fazer parte do círculo de proteção dos príncipes.
Então um som, agudo e ensurdecedor, ecoou por aquele deserto.
– Gwyneth! Que porra está acontendo aqui?! — Urra Henry se esvaindo em sangue e com os ouvidos latejantes.
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