Filhas das Trevas

5 05 - Profecia do eclipse rubro


Notas iniciais
Espero que goste!

O um apito fora ouvido no templo abandonado. Era o sinal de que um dos Cavaleiros encontrou algo valioso. O som que ecoava era característico de Teles Kam.

– Vamos voltar para a entrada, Dan. O Teles encontrou o pergaminho!

– Ou foi pego pela Gwen com seu exército de armaduras vivas, areias estranguladoras assassinas e criaturas deturpadas.

– Cale esta maldita boca! Eu espero que você esteja errado.

***

– O apito do Kam! Vamos retornar. — Disse Dahlia.

– Quer que eu te leve no colo? Já que sou um cavaleiro lindo, igual aos das canções de romance!

– Eu é que precisarei te levar no colo, depois que você cair desacordado quando eu te socar direto no queixo!

– E você teria coragem de estragar a perfeição e lindeza que é meu rosto?

– Ora! E eu, Dahlia Mozart, tenho medo de algo? Acabaria com seu lindo rosto sem remorsos! — Diz Dahlia sorrindo.

“Que sorriso lindo, e é todo para mim! Eu já posso morrer em paz!” — Pensa Umbo. — “Esta foi minha missão preferida! Espero fazer dupla com a Dahlia mais vezes!”

***

– Ao menos encontraram alguma coisa! E eu aqui pensando que iria salvar os reinos. Imaginando ter recuperado o Rubi das Trevas, encontrei apenas um colar comum. Vou continuar de sentinela até todos voltarem para a entrada, é o mais seguro, principalmente se o Kam estiver com o pergaminho.

André retira a magnífica, porém sem poderes, joia do bolso. Um colar de brilhantes graúdos e safiras enormes.

– Não posso negar que se trata de uma peça estonteante. Mulheres matariam por este colar! Mas esta é uma joia para uma mulher forte e de personalidade.

***

Todos já estão presentes no ponto de encontro, inclusive André já descera da torre. Henry fica uns instantes calado para ponderar os próximos passos.

– Não vamos perder mais tempo aqui, Gwen já deve estar muito perto. É muito perigoso. Iremos embora e, assim que conseguirmos uma distância segura, abriremos e leremos a profecia, todos juntos.

– Sim Vossa Alteza. — Dizem os Cavaleiros em uníssono.

– Dan, você fica responsável pelo pergaminho e por esta razão viajará no centro, no meio de nós, protegeremos este pedaço de papel ao máximo. André Quoa, você vai na frente para vistoriar o caminho, nestas horas precisávamos de outro arqueiro para proteger nossa retaguarda.

– Concordo. Mas onde encontraremos outro incrível e perfeito Quoa? — Comenta André zombeteiro, sobre si mesmo.

– Isso é verdade! — Henry responde bem humorado. — Agora vamos e a toda velocidade, Cavaleiros!

***

Durante o retorno, puderam ver ao longe a comitiva de Gwen adentrar o templo. Ficaram desesperados e galoparam muito mais rápido, mais do que imaginavam possível.

Agora, seguros, desmontam de seus cavalos, sabem que chegou a hora de ler o que estava escrito. Saber qual era a profecia. A missão fora completada com louvor, só restava saber se todo o esforço valera a pena.

Daniel Hupper parecia estar incomodado com a responsabilidade de carregar a esperança da humanidade. Não escondeu seu alívio quando entregou o pergaminho nas mãos de Henry.

Todos estavam apreensivos e temerosos com o que poderia, ou não, estar escrito ali. O silêncio entre eles, algo muito raro, parecia durar eras. Apenas o barulho do manuseio do pergaminho poderia ser escutado, barulho que parecia ser de um desabamento de terras, intenso e aterrorizante.

Enquanto Henry toma folêgo e tenta se manter mais calmo, Daniel sem perceber ou pensar diz:

– Já imaginaram que aí pode estar escrito apenas a receita de um bolo de frutas vermelhas?

Os Cavaleiros não conseguem se conter e caem, todos, na gargalhada. Toda a tensão fora extirpada pelo comentário infantil e sem noção de Dan. Henry recuperado olha para o conteúdo, percebe se tratar de poucas palavras e começa a leitura.

“A filha das trevas não é imortal. A Lua Vermelha, que fora tingida de sangue, com sangue pode ser derrubada.

O nome dos Cavaleiros de Gaia perdurarão através dos tempos. A filha virgem herdeira do Ar, que leva em seu nome o nome de um dos Cavaleiros, possui o sangue do eclipse.

Ela deve penetrar no santuário de Filontes, derramar algumas gotas de seu puro sangue de donzela no cálice e dizer as palavras escritas no santuário.

O sangue da Lua será purificado com o sangue da donzela, suas maldades serão arrastadas pelos ventos vindos do Ar e seus poderes a deixarão. Sem seu receptáculo, as trevas não terão mais forças de erguer uma nova seguidora.”

***

– Lyra! — Todos dizem.

– Lyra Hupper, descendente de Hupper, cavaleiro do Ar, princesa do reino do Ar. Herdeira do Ar. — Calcula Henry atônito.

– Henry, será?! Você tem certeza? O caminho para Filontes é perigoso e mortal. Minha prima é uma princesa e delicada como uma flor, tem apenas dezoito anos, não sei se ela resistiria a viagem. — Diz Daniel.

– Eu não tenho certeza. E não quero que ela vá, contudo, como você mesmo disse, ela é uma princesa. E a obrigação da realeza é viver, ou morrer, para seus súditos. O dever dela, se realmente for ela a escolhida pela profecia, é ir nesta viagem.

– O que faremos agora? — Pergunta Peter.

– Por agora vamos nos separar. Vamos dar o aviso a todos os reinos. Dahlia e Teles vão para Vis; Peter noticiará para Puriton; André, quero que você vá para a aldeia Dwin e prepare acomodações dignas para nós lá, inclusive para a princesa; Umbo, você contará tudo a meu pai.

– Por que não você mesmo, Henry?

– Eu irei junto com Daniel para falar com Leon. Explicar a situação, as dificuldades e possibilidades desta nova missão. Faremos um pedido muito complicado para o rei de Diviti, por em risco a vida da princesa herdeira requer minha presença, palavra de honra e confiança na missão.

– Está certo. Se trata de uma visita diplomática. — Concorda André.

– Vamos, meus amigos. Tomem cuidado e boa sorte! Nos encontraremos em Dwin!

***

– Aconteceu alguma coisa, princesa? Está a horas nesta janela.

– Eu estou bem, Nana. Apenas uma sensação estranha no peito, como se algo de muito emocionante estivesse para acontecer. Estou eufórica e nem sei a razão.

– Talvez esteja assim devido a imensa possibilidade de um certo príncipe pedir sua mão em casamento. E, se me permite dizer, que príncipe mais perfeito… Lindo, inteligente, gentil, querido por todos e, ainda por cima, um Cavaleiro dos Reinos corajoso e feroz. Alguém que te defenderá de qualquer perigo!

– Você esqueceu o mais importante Nana.

– O quê?

– Nós nos amamos! Eu não poderia estar mais feliz, todos os meus sonhos serão realizados!

– É verdade, parece até os contos que ouvi de minha avó!

Notas finais
Obrigada e até!