Notas iniciais
No link abaixo, informações sobre os cavaleiros que formam a Cavalaria dos Reinos e o brasão da cavalaria. Tem também informações sobre a Gwyneth. https://docs.google.com/drawings/d/1Ex6a00xl3JteAmKmCf-cFn9O5N6Ptha1_ewKk_aSc0A

Durante a estadia dos Hupper no castelo Protegat, Lyra e Henry se aproximaram muito. Agiam feito dois amigos de infância. Todos perceberam sintomas de que os príncipes estavam apaixonados um pelo outro.

Viam-se os olhares amorosos e tímidos de Lyra voltados para Henry, os sorrisos ilumidados e gestos conquistadores de Henry para Lyra. Os dois eram vistos juntos em todos os cantos, no lago, no bosque, no jardim, em todos os lugares.

Depois que os Hupper foram embora, Henry estava decidido em pedir a mão da princesa de Diviti em casamento, e tinha certeza de que ela aceitaria. Porém, antes mesmo de noticiar a decisão a seu pai, uma notícia chegou ao castelo de Protegat.

A notícia dizia que Gwen Treni, atual Lua Vermelha, estava viajando apressadamente para os Morros de Gaia. Em um primeiro momento Henry ficou desesperado, achou que Gwen havia encontrado o rubi, mas não. A notícia era boa. Nos Morros estava escondido um certo pergaminho que continha uma profecia.

Os informantes de Henry descobriram que no pergaminho estava escrito como acabar, de uma vez por todas, com as Luas Vermelhas. Poderia ser uma pista falsa, entretanto era a chance que os humanos procuraram por décadas.

O príncipe não perdeu tempo, chamou os melhores guerreiros de todos os reinos, os Cavaleiros dos Reinos. Com eles, montados nos cavalos mais velozes, foram em busca da profecia. Era imprescindível que chegassem até o pergaminho antes de Gwen.

***

Todos os quatro reinos, e além deles, estavam cientes do pergaminho e da busca dos cavaleiros. Um alvoroço se espalhou por todos os cantos daquelas terras, junto com a notícia da profecia, até mesmo pelas aldeias mais remotas. A apreensão tomava conta do povo que torcia, rezava e esperava que os Cavaleiros dos Reinos fossem bem sucedidos.

***

Mesmo nestes tempos delicados e incertos e com o filho em uma busca perigosa, o rei George não abria mão das semanais sessões com seus súditos.

– Meu rapaz! Nas sessões as pessoas são, geralmente, mais velhas! Diga-me, quantos anos tem?

– Meu nome é Keegan Foyer Filho, tenho onze anos.

– E qual é o seu pedido?

– Vossa Excelência, vim clamar por justiça.

– Que justiça rapaz? Conte-me sua história.

– Alguns meses atrás uma mulher, uma Gato Negro, apareceu em nosso vilarejo. Sem nenhum motivo assassinou meu pai, Keegan Foyer, e alguns outros membros respeitáveis de nossa vila.

– Eu não acredito! Uma Gato Negro matando pessoas comuns de vilarejos? Eles normalmente matam bandidos ou grandes proprietários de terras… Tem certeza que era uma Gato?

– Viram a marca dos Gatos na mulher… E tem mais, ela disse seu nome, foi uma moradora da vila. Ela disse se chamar Gwyneth Treni.

– O que?! Treni?! Rapaz, prometo que a morte de seu pai será vingada e a justiça será feita. Você sabe quem é esta moça?

– Não, ninguém do vilarejo quis me dizer. Ninguém de lá quis ir atrás de uma punição para aquela mulher. Por isso eu fugi de casa e vim até aqui, para implorar a Vossa Excelência se fosse necessário.

– Garoto… O povo de sua vila estava com medo. Esta mulher… A mãe desta mulher se chama Gwen Treni, a mãe da Gata Negra que matou seu pai é a Lua Vermelha! E você sabia que não é incomum que a filha de uma Lua Vermelha seja a próxima Lua, não sabia?

– Sim, sabia.

– Não tema meu filho. Eu te garanto, vamos vingar seu pai.

Rei George ordenou que um retrato falado de Gwyneth fosse feito com base nas especificações do jovem Foyer. O desenho da moça seria distribuído por todo reino, por todos os reinos. Se o príncipe não tivesse sucesso em sua busca, teriam grandes chances de matar a próxima Lua e impedir o ciclo achando Gwyneth.

***

Henry e seus cavaleiros tomaram a dianteira da caçada. Estavam muito mais próximos dos Morros de Gaia do que Gwen. Os cavalos a esta altura estavam exaustos e sedentos, os Cavaleiros dos Reinos não estavam em melhores condições.

Por sorte, um acampamento cigano estava fixado no caminho para os Morros. O príncipe e seus companheiros foram bem recebidos e servidos, tudo muito rápido pois não poderiam perder tempo.

Os ciganos foram avisados que uma comitiva da Lua Vermelha estava a caminho, foram instruídos a levantar acampamento e partir dali o mais depressa possível. Descansados e regenerados voltaram para a busca.

Nos pés dos Morros avistaram uma gruta.

– Homens desçam de seus cavalos! Vamos entrar na gruta e pegar água, não encontraremos outra vila cigana em nossa viajem de volta, não somos tão sortudos assim!

– Henry… Esta é a Gruta dos Ecos!

– São apenas vozes Daniel. Elas não matam. — Responde Henry para Dan.

– Mas dizem coisas, coisas que talvez não queiramos ouvir.

– Ignore-o Henry. O Dan só está preocupado em ouvir que a amada dele, a Windye, está dormindo com o padeiro neste exato momento!

Todos riem.

– Cale esta maldita boca Dahlia! Você que deveria se preocupar, não venha reclamar se a gruta dizer o quanto você é horrenda!

Ninguém tem coragem de rir. Dahlia pode ser a única mulher da Cavalaria do Reino, porém é a mais mortal de todos. Apenas Daniel nunca teve medo dela.

– Eu já mandei que desmontassem! — Ordena Henry. — Eu sei sobre esta Gruta, Daniel Hupper, e ela nem sempre conversa com os visitantes. Às vezes ela fica em silencio como qualquer outra rocha. Apenas, lembrem-se, só falem com ela se forem questionados pela mesma!

Os seis cavaleiros desmontam, amarram seus cavalos e seguem em direção à gruta junto com o príncipe, que já estava de pé.

Em um momento de descuido, já dentro da gruta, Dahlia desfere um soco no nariz de Daniel que, imediatamente, começa a sangrar. Todos riem novamente enquanto Daniel resmunga de dor e vergonha.

– Vai logo lavar esta cara ensanguentada, Hupper! — Diz Henry enquanto, tenta, parar de rir.

– Hupper?! – Perguntam as vozes da Gruta.– Conhecemos o Cavaleiro de Gaia Hupper. Ele era o líder dos cavaleiros, sabiam? Não, vocês são novos demais para saberem. Nós conhecemos todos os Cavaleiros de Gaia. Hupper, o Cavaleiro do Ar, tão rápido que era quase invisível. Seu arco e flecha eram temidos por todos os cantos, sua visão alcançava quilômetros. Nada passava despercebido.

Alguns segundos de silêncio.

– Garrow era nosso preferido, o Cavaleiro do Fogo. Feroz, sim, ele era feroz! Intenso e forte, ninguém ganhava dele em uma luta corpo-a-corpo. Cuspia, brigava e xingava qualquer um, apenas a mãe dele escapava dos desaforos. Como é seu nome mulher?

– Dahlia Mozart! — Responde Dahlia sem exitação ou medo.

– Vemos Garrow em você, Dahlia Mozart! Vemos fogo em seus olhos, o mesmo fogo que Garrow tinha nos dele! Será nossa preferida também Dahlia Mozart e será lembrada por nós para sempre!

– Eu fico honrada e agradeço!

– Ahh! Além de bonita, educada… Você é melhor que Garrow, Dahlia Mozart! Ele não era nada educado, nada educado, ele cuspiria no chão em agradecimento. E, por falar em bonita, Minerti, encantadora Minerti, a Cavaleira da Água. Linda como nenhuma outra mulher. Era tão fatal quanto linda. Manejava sua lança com fluidez e habilidade. Eficiência era seu lema, nenhum movimento era desperdiçado, tudo era calculado. Mas era temperamental e dona de um emocional muito frágil. Totalmente diferente de Cayla…

Novamente as vozes da gruta se calam.

– O povo adorava Cayla, Cavaleira da Terra, era a mais amada dos quatro. Cayla era firme, gentil, segura, inteligente, protetora e tratava a todos com muita delicadeza e atenção. Era considerada a mãe dos Cavaleiros. Bisneta de um ciclope e esposa de um semi-gigante, era uma mulher enorme e, com sua espada e escudo, equivalia a um pequeno exército na guerra. Sabem sobre a lenda de Minerti? Não, não sabem! Nós contaremos... Depois que lutassem contra os seguidores das trevas, os Cavaleiros que sobrevivessem deveriam se separar, formar descendentes pelas terras e disseminar suas qualidades e poderes. Contudo, Minerti não ficou feliz com a ordem. Ela amava Hupper, o amava intensamente e não suportava a ideia de separar-se dele.

O tom das vozes muda, fica mais baixo, mais triste.

– Quando a luta acabou, apenas três Cavaleiros voltaram das Terras Desérticas. Eles disseram que Minerti sofrera um golpe mortal e que resolveram não enterrá-la. Deixaram seu corpo navegar pelo Rio Dourado, ela adorava aquele rio. Mas boatos… Boatos surgiram, pessoas diziam ter visto Minerti viva, diziam que a moça enlouquecera, diziam que findada a luta ela fugira dos Cavaleiros, louca. Pessoas diziam que Minerti nunca quis ter o peso de ser uma Cavaleira sobre si, e ter de abrir mão de seu maior amor, Hupper, foi demais para a delicada jovem. Dizem que, para não manchar o nome de Minerti, seus companheiros mentiram dizendo que ela morrera na luta.

Outra pausa dramática.

– Morta ou louca? Não sabemos, não sabemos, não sabemos. Nós, só sabemos de uma coisa… Sabemos que é difícil saber a verdade, verdade, verdade.