Notas iniciais
Olá pessoal, como estão? 8 anos se passaram desde que publiquei o 3° capitulo e depois a história foi arquivada. Jamais pensei que ia voltar a escrever (falta de tempo, bloqueio criativo, vida adulta, problemas e preocupações) tão enferrujada que quase não sai nada. Estou aceitando todas as criticas. Afinal, vasculhando meus e-mails foi que vi que essa história tinha criticas construtivas, ou seja, esperança que pode sair um bom romance (ou talvez o gênero possa mudar, haha). Obrigada a quem ler.

CAPITULO 4 – QUANDO ALGO SE QUEBRA...

AS VEZES ESTAMOS TÃO CERTOS DE ALGO QUE É ERRADO, QUE O ERRADO PARECE SE TORNAR O CERTO, QUEBRAMOS NOSSAS PROMESSAS E DEIXAMOS O QUE É DE ESPECIAL EM NÓS SE TORNAR ALGO FRIO, SEM SENTIDO.

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Por um bom tempo, fiquei apenas observando os dois se divertindo, mergulhando, submergindo e jogando água um no outro. A expressão do Juh não denunciava em nada a declaração que havia me feito, era como se aquela conversa nunca tivesse existido, como se o mar houvesse lavado e tornado apenas nada as frases que agora ecoavam na minha mente. E apesar das frases estarem revirando na minha cabeça, não consigo sentir nada, além de remorso por o ter recusado sem pestanejar, mas nada mudaria o fato que eu não sentia nenhuma atração por ele, nem por nenhum garoto ou garota, desde sempre. Só achava as pessoas bonitas e as vezes eu as admirava, e nada mais.

O sentimento de remorso também passou rapidamente, e pude prestar atenção em outros pensamentos.

Estranho pensar que muita coisa mudou em 4 anos, Yudi não estava mais com a Amanda, pois depois de terminar a escola, ele se mudou para longe e está com outra garota, muito raramente ele aparece aqui no litoral, para visitar a família. Mudou muito a personalidade, amadureceu muito e os assuntos são outros. Quando as vezes conversamos, ainda tenho o mesmo carinho, mas não tenho mais a intimidade que tínhamos pra falar de tudo e sobre o nada ao mesmo tempo.

Por falar em personalidade, Bi também mudou muito, mas ainda carrega o mesmo jeitinho, nós ficamos mais próximos depois da escola, porque estamos fazendo a mesma faculdade, então nós vamos e voltamos todos os dias juntos, me faz companhia até tarde da noite, quando preciso estudar e quando perco o sono também, principalmente com a história do Juh com a Suzy, que apesar de eu sempre implicar com ela, é uma pessoa decente e divertida. Então a minha implicância, realmente não passa disso.

Tantas coisas a pensar que eu nem me dou conta que meu celular estava tocando sem parar, quando percebo, já parou e caiu como ligação perdida. Olho e o numero vem do lugar onde tinha uma entrevista marcada, logo após uma mensagem de texto “sinto muito Aline, sua vaga já foi preenchida, sendo assim estamos desmarcando a entrevista de amanhã”. Hum, ok.

Fico observando o televisor por algum tempo, sem focar em algo.

- Hei pessoal, preciso ir pra casa, vocês precisam de carona ou depois vocês pegam um taxi pra ir embora? – grito olhando para Amanda, não consigo olhar nos olhos do Juh – Tenho um trabalho importante para terminar.

- Tranquilo, pode ir – Juh me responde sem me olhar nos olhos também e com indiferença na voz, em seguida abraçando a Amanda e a derrubando com tudo na água, por um instante sinto inveja por essa intimidade que eles têm com o mar. Os dois riem e rapidamente a minha presença é ignorada.

Entro no carro e começo a dirigir pelas ruas, enquanto ligo o rádio em uma musica mais suave. Quando paro no semáforo, escuto uma voz me chamando, uma voz estranha. Olho dos lados e pelo retrovisor e não vejo ninguém.

Quando o sinal abre, sigo pelas ruas até chegar na minha casa. Estaciono na garagem e abro a porta com a minha chave reserva, encontrando logo na entrada um bilhete da minha mãe “fomos fazer compras, até mais tarde” e sim, eles nunca me mandam mensagens pelo celular, sempre bilhetes.

Vou tomar um banho rápido, colocar roupas frescas. Quando ajeito o meu notebook em minha mesa e dou uma olhada rápida no celular, vejo que tem uma mensagem do Juh “não se pode quebrar aquilo que já estava quebrado, eu sempre soube que você não sentia nada, mesmo assim eu quis tentar, me desculpe”.

Não tive o que responder ou o que pensar, desliguei o telefone e coloquei minha cabeça para pensar no trabalho da faculdade. Quando terminei já estava noite e meus pais ainda não tinham chego.

Raramente eu assisto à TV, mas acabei ligando e colocando em um canal qualquer para passar o tempo. Tão logo escuto a porta se abrindo e meus pais chegando.

- Querida, você já jantou? Compramos pizza, vamos comer? – meu pai cerra os olhos enquanto suspira, o cansaço por conta do calor.

Comemos em silêncio, com exceção do meu irmãozinho bagunceiro. Quatro anos e consegue ser um furacão em qualquer lugar.

- Mãe, pai, acho que vou sair pra caminhar na orla da praia das pedras – falo e me levanto.

- O Bi vai com você? – minha mãe pergunta enquanto coloca os pratos na pia e corre para lavar as mãos do meu irmão.

- Aham, claro... – minto, porém, fazendo a voz mais verdadeira que eu consigo.

Saio fechando a porta atrás de mim. É fresco a brisa da noite na orla, queria um tempo sozinha, aproveitar que consegui deixar o trabalho da faculdade em ordem, aproveitar também para colocar meus pensamentos em ordem. O que se passa comigo? Por quê não consigo sentir nada por ninguém? Porque o tempo todo me sinto confusa, cansada?

Sento no murinho de pedras, olhando a noite estrelada e ouço novamente a voz que escutei mais cedo:

“Aline... seu lugar é ao meu lado, você deve me encontrar e a sua verdadeira casa retornar, você nunca será feliz em terra”

As últimas palavras saíram em um sussurro e quase inaudível, um calafrio percorreu meu corpo inteiro.

“Se você não vier por bem, deverei te trazer a força...”

Notas finais
Obrigada a todos! Prometo tentar continuar a escrita, se não por vocês, mas sim por todas as memórias afetivas desbloqueadas com essa história.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.