Notas iniciais
Olá meus amores, espero que gostem dessa história.

—Vossa alteza, a senhorita já fez isso tantas vezes, mas o que está acontecendo hoje?

Nosso diretor, senhor Jonas, praticamente implora atrás das câmeras para que eu consiga me consentrar e terminar de gravar minha parte do convite extra oficial.

Mas hoje acordei dando risada pro vento, já tentei gravar umas cinco vezes, porém todas tiveram o mesmo final, eu rindo de alguma coisa no meio da frase. Teve uma que foi na última palavra, mas infelizmente me embolei, arrancando uma gargalhada de mim mesma.

—Tudo bem senhor Jonas, dessa vez eu consigo- afirmo, mesmo não tendo muita convicção do que acabo de dizer.

O diretor, um homem de meia idade, cabelos grisalhos que sempre carregam uma boina vermelha, dá os comandos pra sua equipe. Por um momento, todo o estúdio fica em silêncio e em escuridão total. Na mesma velocidade que se foi a luz, ela retornou como um relâmpago e inundou a sala por completo.

Ao ouvir a palavra "ação", sei que é minha deixa e preparo meu melhor sorriso para as câmeras.

Fico parada em meu lugar, que é ao lado de uma imitação do trono real, com a mão direita sobre o encosto e a outra sobre meu vestido que graças a minha melhor amiga, não é nem um pouco parecido com o de minha cunhada. Ele é simplesmente lindo, uma cor neutra puxada pro cinza, ombro a ombro enfeitado com umas aplicações de flores rosas e cinzas, que se distribuem até chegar a saia que se abre graciosamente até meus pés. Simplesmente a minha cara.

Percebi que fiquei alguns segundos parada, apenas olhando pra câmera, logo de imediato começo a ler minha fala.

—Prezado povo brasileiro, venho por meio deste anúncio convidá-los para a 154° edição do Baile da Primavera, que estará acontecendo no dia 28 de setembro aqui no palácio do Planalto em Brasília. De antemão já peço o perdão de todos vocês, pois infelizmente não temos estrutura para comportar todos nossos cidadões. Então peço encarecidamente para que possam estar participando do evento cediado no mesmo dia em sua cidade, com transmissão ao vivo diretamente da Capital -sinto orgulho de mim, por ter chegado até aqui sem gaguejar uma única vez- Tenham um ótimo evento e anunciem para todos.

Agora a única coisa que falta é a frase tema do governo de meu pai. Olho diretamente para a câmera número dois, que está bem próxima do meu rosto ao meu lado esquerdo e digo:

—Brasil, o país que caminha de mãos dadas com a ordem e o progresso.

Ao final da minha frase, vejo de relance toda minha família orgulhosa de mim, mas sinto um alívio muito grande vindo dos mesmos.

Uma vez com a certeza que a gravação deu certo, saio do meu posto e sou recebida com um abraço de meu irmão. Ele é mais alto que eu, então enquanto ele faz uma de suas brincadeiras hábituais, tenho que olhar diretamente pra cima.

—Poxa Liz, até Manuzinha conseguiu gravar sem errar uma vez.

—E isso por eu tenho apenas cinco anos- escuto uma voz gostosa de criança perto da gente.

Me solto do abraço e olho diretamente para minha querida irmãzinha. Na qual a mesma me fita com aqueles olhos verdes, mãozinhas na cintura e com um semblante debochado.

—Pode rir o quanto quiser, mas quem continua sendo a queridinha do país ainda sou eu- agora foi minha vez de ser debochada.

—Do que adiante ser a queridinha se não consegue dizer uma frase completa?

Ao dizer isso ela sai correndo pelo estúdio comigo em seu encalço para fazer cócegas naquela magrela de vestido rosa.

Notas finais
Me digam o que acharam ♥