Notas iniciais
Só pra avisar que a personagem que vai entrar é a mesma Sophie da minha fanfics A Agente Gravidade, também postada aqui, mas você não precisa lê-la, pois a personagem, origem e suas características serão alteradas!

P.O.V. Sophie Triz:

Eu acabei de terminar mais uma apresentação minha num bar aqui em Nova York. São 01h47min da manhã, ainda bem que hoje é sexta-feira e amanhã não trabalho.

Despeço-me do violonista, que por sinal, não é meu amigo nem nada, é apenas mais um músico buscando viver dos seus sonhos como eu.

Madalena, minha patroa (sim, patroa... Sou cantora nas noites e empregada doméstica durante o dia), sempre me tratou bem, não tenho do que reclamar. Só que não sou formada, pós-graduada e ganhei bolsa de intercâmbio aqui para isso... Eu quero mudar minha vida, eu quero mudar o mundo, mas não consigo sequer mudar minha rotina!

Saio do bar bocejando de sono. Caminho pelas ruas da cidade, observando várias luzes acesas. Estar fora do Brasil é um sonho realizado! Meu país passa por uma turbulência e minha família também... Eu não via a hora de ficar longe de tudo isso!

Enquanto estou perdida nos meus devaneios, percebo a presença de uma sombra que começa a me seguir em um beco escuro. O que dá na minha cabeça de passar por um beco de madrugada? Acelero meus passos a fim de dispersar o delinquente, entretanto logo dou de frente com outro homem, que para em minha frente, empurra-me contra a parede e começa a falar várias coisas que não entendo.

Em desespero grito por socorro, mas o assaltante tampa minha boca, enquanto seu companheiro que estava atrás de mim, se aproxima e abre minha bolsa. Tudo o que eu havia ganhado nesta noite iria por água abaixo, porém, eu não permitiria. Então comecei a lutar puxando minha bolsa. O outro homem saca uma faca e faz um corte profundo em meu braço. Percebo sangue se espalhando por todos os lados, todavia não cedo aos bandidos.

Logo, uma figura de roupa vermelha surge com um bastão nas mãos. Luta com os assaltantes e os derruba no chão em instantes. Depois, aproxima-se de mim e reconheço pelas fotos que vi no jornal:

— Demolidor! – murmuro.

— Eu prefiro como Demônio de Hell’s Kitchen! – ele ri. – Você está bem? – pergunta apontando para meu corte que sangrava muito.

— Acho que não, sinceramente! – respondo gemendo de dor.

— Vou te levar a um amigo que poderá nos ajudar! – exclama, pegando em meu braço, arrastando-me pelo beco escuro.

— Espera... Como posso confiar em alguém que carrega “Diabo” no nome? – questiono, cutucando-o.

— Fique quieta se não quiser sofrer outra tentativa de assalto! – ordena sem me olhar. – Se não sabe esse é o beco com o maior número de usuários de drogas que assaltam e matam suas vitimas, o que te deu de passar por aqui? – questiona.

— Perguntei para mim mesma isso! – exclamo rindo fraco. – Mas é que no Brasil todo lugar é perigoso... Achei que aqui fosse só mais uma biqueira... Além do mais, é a primeira vez que passo aqui, pois foi minha primeira apresentação naquele bar... – ele me interrompe fazendo “Shhh...”

Para por alguns instantes, como se tentasse concentrar-se em alguma coisa. Continua andando, me arrastando. A cada passo que dou, vejo mais sangue no chão. Como se não bastasse, a manga da minha blusa preferida ainda foi rasgada...

De repente, Demolidor para em frente a uma espécie de casarão escuro-mal-assombrado-estilo-filme-de-terror.

— É aqui! – exclama, subindo as escadas, ainda me puxando.

Admito que aquilo me deu medo, todavia, continuei seguindo-o.

— Vem cá, você leva mesmo a sério esse negócio de demônio, né? – pergunto. Ele faz uma cara de poucos amigos. Levanto as mãos em sinal de rendição.

Antes que ele bata na porta, um homem usando uma espécie de vestido azul e um cinto (que brega!), sai por ela e cumprimenta:

— Eu sabia que viria! Sorte sua que ainda estava acordado! – sorri olhando apenas para o herói.

— Quem é esse aí? Satanás? – cochicho ao Demolidor.

— Perdoe-me, senhorita Triz! Sou Doutor Estranho, um neurocirurgião, mas também cuido de outros tipos de pacientes! – exclama sem me olhar, dando as costas para entrar no casarão.

— Como sabe meu nome? – arregalo os olhos e corro atrás do tal Doutor Estranho.

— Há muitas coisas que ele sabe... – Demolidor sussurra e fico mais confusa ainda. – Vai querer fechar esse corte no seu braço ou prefere fazer perguntas? – o Demônio pergunta.

— Você pode fechar esse corte? – pergunto ao homem de roupa brega.

— Qual a parte de “sou médico” você não entendeu? – questiona, olhando-me pela primeira vez nos olhos.

Encaro suas íris, pareciam azuis misturadas a um pouco de verde. Um misto de tristeza e arrogância incrível! Seu rosto parecia ter sido esculpido pelas mãos dos melhores desenhistas. Até que o homem brega é um bom partido!

Não o respondo, passo a sua frente, adentrando ao casarão, que não era tão mal-assombrado assim, porém tinha objetos estranhos espalhados por todas as partes. Senti-me na casa daquelas cartomantes que veem o futuro...

— Sente-se aqui, por favor! – aponta-me o sofá, no qual me jogo vencida pelo cansaço. – Demolidor, sei que está com fome... Acho melhor ir à cozinha pegar alguma coisa enquanto pego meu kit de primeiros socorros. — O homem de vermelho assente e adentra por uma porta, enquanto o Doutor entra por outra.

Fico ali, sozinha, observando o quão aquele lugar é incrivelmente peculiar. Até mesmo suas janelas possuíam um formato redondo com grades desenhadas na diagonal.

Não passa muito tempo até que o médico volte com uma mala, uma toalha e um balde de água com sabão.

— Gostou do Sanctum Sanctorum, senhorita? – pergunta com um sorriso lindo.

— É bem exótico! – exclamo retribuindo com um sorriso. – Adoro lugares assim!

Ele molha a toalha na água e sabão:

— Isso pode doer um pouco, mas vai limpar o sangue! – informa. Aperto meus olhos pressentindo a dor. – Se ficar adiantando, a dor irá piorar...

— E o que eu faço? – questiono, enquanto o vejo abrir o rasgo da minha blusa para observar melhor a ferida.

— Conte-me, o que uma brasileira faz perdida aqui nos Estados Unidos? – questiona curioso. Parece que ele não é tão vidente assim...

— Ah, o Brasil está na crise econômica e meus pais quase se divorciando, então eu queria fugir um pouco dos meus problemas. Além do mais, você não acredita... Meu ex-namorado é louco! Terminei com ele há três meses e ele ficou me perseguindo, me ameaçou de morte, ameaçou cometer suicídio. Aí há dois meses ganhei bolsa para fazer intercâmbio aqui, e foi a oportunidade de ficar longe de tudo isso. Mesmo porque, minha área, de Marketing, está em queda no Brasil. O mercado aqui é melhor, mas infelizmente ainda não consegui nada, sabe, as pessoas têm preconceito com estrangeiros... Sendo assim, aceitei trabalhar para a dona Madalena Hudson, uma senhora viúva, cheia da grana. Por sorte, ela aceitou uma estrangeira como empregada doméstica dela. Enquanto ela vai bater perna, eu lavo, passo, cozinho... E olha que sempre detestei cuidar de casa! – rio. – Pelo menos, me deu o quarto do filho único que se casou há um tempo para eu morar durante a semana. Eu a ajudei a sair da solidão. Ela me deu um lar e um emprego. Só que eu gosto mesmo é de música... Tanto que hoje fui assaltada, porque estava voltando de um bar há uma quadra daqui, pelo menos acho que foi isso que andamos... – franzo o cenho. Quando paro de falar, percebo que o homem me encarava com o queixo apoiado em uma das mãos. – O que foi? – pergunto a ele.

— Já acabamos! – ri fraco.

— Mas eu nem senti nada! – arregalo os olhos.

— Por isso deixei que ficasse falando... – dá de ombros.

— UAU! – creio que minha boca fez um perfeito “O”. – VOCÊ É DEMAIS, MUITO OBRIGADA! – abraço-o e percebo que se assusta com o gesto. Ele apenas toca em minhas costas.

Somos interrompidos por um pigarreio e a figura do Demolidor reaparece.

— Já acabaram? – questiona.

— Sim... Basta que você lave os cortes por sete dias com água e sabão. Os pontos cairão sozinhos. – o Doutor orienta. – Caso necessário, busque ajuda de um médico!

— Em qual hospital você trabalha para eu poder passar com você? – questiono.

— Em nenhum... – seu olhar fica vazio por alguns instantes.

Resolvo mudar de assunto:

— Bem, então, obrigada mais uma vez, Doutor Esquisito! – estendo minha mão a ele, enquanto os dois homens riem. Ele retribui o aperto de mão. – Ah, se conhecer alguém que precisar de uma cantora, pegue meu cartão com meu contato! – entrego o cartão ao homem.

— Vou guardá-lo, pois acho que alguém irá gostar da senhorita. – sorri. – Adeus, Queen of Night! – ele lê meu nome de guerra no cartão.

— Adeus, Doutor Esquisito!

Demolidor me encara e sussurra:

— É Doutor Estranho! – dou de ombros. – Onde você mora?

Falo a ele o endereço do hotel que eu costumava ficar quando não estava trabalhando. Afinal, se eu ficasse na casa da senhora Hudson nos finais de semana, teria que trabalhar também. Demolidor dá sinal a um táxi que passava no instante em que pisávamos fora do tal Sanctum Sanctorum. Antes de o carro encostar, abraço e dou um beijo na bochecha do chifrudo, agradecendo várias vezes.

Durante o caminho, a felicidade era estampada no meu rosto. Super-heróis existem!

Notas finais
Eae galera, gostaram da doidinha da Sophie? Ela é extremamente comunicativa e alto astral, então acostumem-se com os apelidinhos dela rs