Beijo Ward e o sinto passando as mãos por minha cintura, apertando-a. Dou uma olhada de leve para o contêiner e vejo os Vingadores completamente boquiabertos. Peter fazia um sinal de “não” com a cabeça. Parecia que se negava a acreditar no que via. Stephen não esboçava nenhuma reação, apenas estava ali dentro bolando um plano para sair.

Eu parei por um momento o beijo com Ward. Continuamos nos encarando e ele sorriu:

— Finalmente poderemos ter o nosso exército! Com você e eu no comando, teremos os inumanos mais poderosos para dominarem o mundo conosco!

Eu penas sorri e voltei a beijá-lo, desta vez, lentamente. Passei minhas mãos por seu peitoral e as deslizei até suas costas, onde as desci para a barra da camiseta preta que vestia.

Quando passei as mãos no final das costas de Grant, senti uma arma em sua cintura. Era hora de eu colocar o treinamento de Romanoff em prática! Peguei a arma e comecei a puxá-la cautelosamente sem que Ward percebesse enquanto nos beijávamos mais aceleradamente.

Quando finalmente a arma já estava praticamente toda solta do passante de seu cinto, arranquei-a com tudo, dei dois passos para trás separando-me ligeiramente de Grant. Apontei para sua barriga e antes que ele pudesse falar qualquer coisa, atirei nele três vezes.

Ele caiu no chão agonizante e imediatamente soltei a arma e corri para digitar a senha num painel eletrônico do contêiner.

Maria Hill falava através do comunicador a senha para mim. E ao fundo ouvia Coulson dando ordens para que os agentes da S.H.I.E.L.D. entrassem na base dos Vingadores.

Depois de digitar uma longa sequência numérica a porta se abriu, mas senti uma bala queimando minhas costelas. Ward havia atirado em mim! Não contente por eu ainda estar em pé, ele deu mais dois tiros. Um pegou no braço e outro novamente na costela.

Eu nunca gostei muito de ver sangue. Sempre que eu fazia hemograma a cada seis meses no orfanato, pois era obrigatório para reconhecer se eu tinha alguma doença, eu passava mal! Naquele momento, quando toquei nas feridas e vi minha mão sair cheia de sangue, minha visão começou a escurecer, até que senti meu corpo bambear.

P.O.V. Stephen Strange:

Victória nos tirou da cela, entretanto ela se distraiu e levou três tiros do Ward seguidos por um riso maléfico do infiltrado. Quando a vi cair no chão banhada em sangue, queria correr para ajudá-la, mas Parker correu em minha frente e a colocou em seus braços chamando desesperadamente por seu nome.

Senti meu sangue ferver e numa reação espontânea caminhei até Ward, puxei-o pelo colarinho da camisa, fazendo-o parar de rir instantaneamente. Encaramo-nos por um tempo e em seguida bati com sua cabeça na parede várias vezes. O bandido não desmaiou, então tive que lhe dar um soco no nariz que sangrou, mas ainda não o fez apagar. Eu ia lhe dar outro soco, mas Romanoff, que surgiu da porta de entrada da base, lhe deu um chute na cabeça que o desmaiou imediatamente. Ela me estendeu a mão para que eu levantasse e observei Coulson entrando acompanhado por vários agentes da S.H.I.E.L.D. que pegaram Ward e o contêiner que ele havia roubado da própria agência para levarem com eles.

Os outros Vingadores haviam formado uma rodinha em torno de Victória e Maria Hill tentava lhes orientar a estancar o sangue. Porém, eles falavam todos juntos ao mesmo tempo, parecendo um mercado de peixe! Eu empurrei Stark e Rogers para que entrasse no meio da confusão. Gritei pedindo silêncio e orientei a Parker que colocasse um pano amarrado nos ferimentos de Victória para que o sangue fosse estancado.

Todos se dispersaram em busca de panos, mas Natasha, como sempre prevenida, trouxe uma faca, cortou um pedaço da minha camisa e amarrou no braço de Victória. Em seguida, Parker tirou sua camisa e a amarrou com força em torno das costelas da garota. Ele se levantou com ela no colo e entregou para mim:

— Por favor, Doutor Estranho, se teletransporte e salve a vida dela! – pediu com uma expressão seriamente preocupada.

— Preciso do meu Olho de Agamotto para isso!

— Não seja por isso! – ouvi a voz de Scott do topo das escadas que davam acesso aos quartos. Ele balançou meu artefato e jogou-o para mim. Peter o pegou no ar de forma eficiente, graças ao seu sentido aranha.

Sorri em agradecimento ao Homem-Formiga, coloquei o colar no meu pescoço, pronunciei algumas palavras e surgimos no hospital dentro da base da S.H.I.E.L.D.

Corri pelos corredores e dei de cara com Daisy Johnson, que não havia ido a esta missão, mas sabia do seu risco. Quando ela viu Victória em meus braços começou a fazer um monte de interrogatórios e por mais que eu tentasse ignorá-la, apenas procurando um leito para Vick, ela continuava falando. Até que senti um forte tremor, que quase me derrubou no chão.

Imediatamente olhei para a inumana que me encarou séria:

— Eu estou tentando falar com você, mas como não me deu atenção fui obrigada a te fazer tremer um pouquinho!

— Você odeia a Victória, por que está tão preocupada com ela?

— Eu não a odeio agora que sei a verdade sobre o Ward! Sem contar que pelo jeito, a missão não deu muito certo... – ela abaixou a cabeça e suspirou.

— Preciso levá-la para um leito! – exclamei e Daisy apenas apontou para um quarto, saiu andando e eu a segui.

Chegando lá, Fitz e Simmons estavam dentro do quarto e começaram com várias perguntas também. Apenas coloquei Vick deitada no leito e pedi que chamassem por uma equipe médica. Daisy os acompanhou e chamaram os especialistas que vieram ligeiramente para socorrê-la. Eles ordenaram que nos retirássemos do local para fazerem a cirurgia, então Tremor, Fitz, Simmons e eu sentamos numas cadeiras de frente ao quarto.

Eu abaixei a cabeça esfregando as mãos no rosto, enquanto eles voltaram a me questionar o que havia acontecido e eu comecei a explicá-los calmamente:

— Ward roubou aquela cela que prende inumanos daqui da S.H.I.E.L.D. e como ela encolhe, a guardou no bolso. Ele deu uma desculpa que Coulson o pediu para nos mostrar a estrutura da cela por dentro, fez uma reunião, convocou a todos os Vingadores presentes e adentrou à cela conosco. Matthew, o Demolidor, estava desconfiado dele por causa dos batimentos cardíacos descompassados e eu também não conseguia ler sua mente, o que me intrigava e me deixava com um pé atrás com ele. Mas até então, depois da implantação da Lei de Registro, — dei uma pausa. — devemos seguir as ordens da .S.H.I.E.L.D. e do governo, portanto, entramos na cela, só que Demolidor fez Ward entrar conosco. Claro que a principio ele tentou achar uma maneira de não entrar, mas o Homem-Aranha o empurrou lá para dentro. Só que o desgraçado conseguiu ficar perto da porta da cela, então, após entrarmos e fingirmos que estávamos interessados em analisar as estruturas da parede da cela e tudo mais, Ward escapou e nos trancafiou. – Suspirei com raiva por ter sido feito de besta. – Depois ele começou a contar sobre o plano dele com a H.Y.D.R.A., o que foi bom, pois agora sabemos o que realmente está em jogo... – Todos me ouviam com olhos fixos, atentos.

— E o que está em jogo? – Simmons questionou curiosa.

— A vida e os poderes de Victória! Bem como toda a raça humana... A H.Y.D.R.A. quer aproveitar o poder que Victória tem de entrar na mente das pessoas e fazê-las sentir o que ela está sentindo. Eles vão controlá-la e sentir prazer com isso! Depois, ela transmitirá este prazer para todos que ela ver por perto e quem não se juntar à seita da H.Y.D.R.A. será torturado por seus poderes e pelo exército de inumanos que os malditos querem montar! – Eu falava ininterruptamente. – Eles vão transformar as pessoas em soldados da H.Y.D.R.A., só que não soldados comuns como James Barnes, mas sim em inumanos!