Filha de um Estranho - Duas Temporadas
33 Minha pequena

— Não se faça de surda, Victória! – Fury me respondeu irado. – Vamos logo falar com os Vingadores! – chamou Stephen, tirando-o da conversa.
Despedimo-nos da minha equipe, depois Coulson nos guia até um local onde ordena ao mago que abra um portal para nos teletransportar à base. Feito isto, chegamos à porta. Stephen dá um longo suspiro, como se preparasse para ser apedrejado.
Entramos de cabeça baixa. Todos os heróis estão reunidos na sala.
— Onde vocês estavam? – pergunta Rogers. – A agente Hill ligou, pediu para que fizéssemos uma reunião! Descobrimos que a H.Y.D.R.A. está fazendo experimentos em várias pessoas com cristais terrígenos! A guerra está se aproximando cada vez mais...
— Eu tenho uma má notícia para vocês! – Coulson se manifesta, interrompendo o Capitão. – Quer dizer, o Doutor Estranho tem...
— Puta merda! – expressa Peter. – O que foi que aconteceu com a Vick dessa vez? – pergunta.
— Ué, o que eu tenho a ver? – pergunto confusa. — Estou logo aqui!
— É que pela cara do Senhor Strange... Já achei que tivesse acontecido algo com você, porque parece que você tem um ímã para coisas ruins! – Peter brinca, me mantenho séria. Afinal, ele tem toda razão!
— E envolve-a mesmo! – Stephen se manifesta pela primeira vez, puxando uma cadeira para sentar diante de todos. Coulson me puxa pelo braço para que fiquemos atrás de sua cadeira. – Desculpem minha ausência na reunião! Mas é que a partir de hoje, não faço mais parte dos Vingadores! – assim que fala isso um mercado de peixe começa.
— SILÊNCIO! – grita Coulson tirando uma espécie de holograma em forma de megafone de seu relógio. – Eu adoro isso! – ele pisca para mim. – Prossiga, Doutor!
— Bem... – dá um suspiro e uma pequena pausa. — Hoje eu estive em reunião com Coulson, Fury e Gelardino. Descobrimos que ela é minha filha!
Nem preciso dizer que a sala pareceu uma feira livre novamente.
— Caralho, mas essas crianças não se comportam! – exclama Coulson que já ia tirando o megafone de seu relógio, mas eu paro sua mão.
— Deixa comigo! – pisco para ele.
Fecho meus olhos, deixei que todo aquele sentimento de raiva por tudo que eu havia passado nos últimos dias tomasse conta de mim. Senti uma forte dor de cabeça, gritei com a voz grossa um sonoro: “CALEM A BOCA!” e aquela mesma árvore amedrontadora dos meus sonhos de todas as noites, apareceu.
A árvore caminhou e parou diante de todos os presentes. Depois, minha voz começou a sair por intermédio dela:
— Por favor, Doutor Estranho, continue!
Todos estavam acuados com a presença daquele ser com aparência maligna de quase dois metros de altura. Mesmo porque, era uma árvore falante! Tem como não sentir medo? Pois é, não sei por que, mas desde criança, quando sonhava com ela, nunca me amedrontei...
— Vick, por favor, dá pra tirar essa coisa daí? – Nat apontou para a criatura. – E se puder, faz seus olhos voltarem ao normal, porque estão amarelos!
Fui me acalmando e aos poucos, a árvore foi encolhendo até que sumiu. Aparentemente meus olhos também voltaram a cor normal, pois todos pararam de me encarar assustados.
— Posso prosseguir? – Stephen perguntou com irritação na voz. Todos consentiram. Então, ele contou o que vocês já sabem: que descobrimos ser pai e filha, só que nós havíamos transado.
Após fazer essa revelação, o Capitão América ficou sem ar. Natasha teve que fazer uma respiração boca a boca nele, pois o coitado estava roxo.
Peter estava com o queixo quase no chão de tão pasmo. Ficou estático.
Wanda deu um sorrisinho vitorioso. “É, né, vadia, vai ter meu pai todo para você!” – pensei. Espera... Eu disse: MEU PAI? Ai, Deus, já estou me conformando...
Stark, Rhodes e Sam começaram com piadinhas:
— O cara é vidente, mas não conseguiu prever que ela é filha dele! – Sam comentou, riu e os outros fizeram o mesmo.
— Parece que ao invés do mágico tirar o coelho da cartola, ele enfiou o coelho! – agora foi a vez de Rhodes fazer o comentário seguido por risos.
— Nossa, vocês são tão maus... – Tony comenta. – Talvez ele só estivesse tentando se teletransportar e sem querer foi parar em cima da própria filha. – eles continuavam a debochar da situação. Aquilo começou a me dar nos nervos!
Senti minhas bochechas queimarem e caminhei até os três patetas:
— CALEM A BOCA, SEUS IDIOTAS! – comecei a gritar. – ESTAMOS FALANDO DE UMA SITUAÇÃO SÉRIA E VOCÊS FAZENDO PIADINHAS? VOCÊS SÃO APRENDIZES OU JÁ SÃO FORMADOS NA IDIOTICE? – e a dor de cabeça voltou.
A árvore surgiu novamente, pude ver que estavam com medo.
— Agora estão com medo?! – minha voz saía grossa novamente por intermédio da criatura horripilante. – Quando é para brincar numa situação séria, estão de boa, mas para serem machos de assumirem o que fazem estão com medo? – a árvore esticou seus galhos em forma de braços, levantou os três no ar.
— O-olha, d-dona árvore, — Rhodes gaguejava e suava frio. – eu sou deficiente, me coloque na cadeira de rodas, por favor! – ele pedia, mas nem eu, nem a árvore lhe demos ouvido.
— Victória, pare com isso! Por favor... – senti a mão de T’Challa em meu ombro. – Eu sei que eles são babacas, mas é melhor poupar o seu tempo! – brincou.
Logo, me acalmei, fui voltando a mim, até que a árvore os deixou onde estavam e encolheu até sumir novamente.
— Bem, enquanto vocês estavam aí perdendo o tempo de vocês, — Stephen caminhou até nós vagarosamente. – Expliquei sobre minha decisão e já pedi ao Homem-Formiga que me ajudasse com minhas roupas. – olhou para Scott que trazia uma mala mediana nas mãos. – Por sorte não tenho muitas coisas... – suspirou pesadamente. – Então... Adeus Vingadores! – disse e ia saindo porta afora, sem sequer me olhar nos olhos.
Não pensei duas vezes, corri atrás dele, chamando-o:
— PAAAAI! PAAAAI! – já estávamos do lado de fora. Olhou para mim e involuntariamente corri para abraçá-lo. – Pai! – murmurei com os olhos já cheio de lágrimas. – Eu sei que está tudo confuso, mas por que me abandonar? – questionei, olhando em seus olhos.
— Sinto muito. Eu não sei conviver com isso... – desviou o olhar do meu.
— Onde ficará enquanto isso? – perguntei preocupada.
— De onde eu nunca deveria ter saído! – passou as mãos em meus cabelos. – Victória, eu sempre chamei sua mãe de “minha pequena”. Lembra que na primeira vez eu te chamei assim e você não gostou? – assenti em meio ao choro. – Agora tudo faz mais sentido... realmente, você é a minha pequena! – exclamou beijando minha testa. – Sabe, aquela árvore, é como um alter-ego seu... Crie um nome para ela! Controle quando ela deve ou não aparecer... Você consegue! Porque você é filha do mago supremo! – ele finalmente me retribui o abraço. – Antes de eu partir, pegue isto – me deu um colar com uma espécie de apito como pingente. – sempre que estiver em perigo, assopre-o! E sempre que quiser que a árvore apareça e desapareça, faça o mesmo! Isso ajudará para que controle melhor os seus poderes...
— Obrigada pai! – pego o colar e me viro para que ele o coloque em meu pescoço. Sinto suas mãos geladas me tocarem. Após o colar ser colocado, uma luz amarela brilha no pingente.
— Finalmente esse colar encontrou a dona... – sorri. – O Ancião me deu para que controlasse meus poderes, contudo, nunca precisei. Agora ele é seu! Adeus, minha pequena! – viro-me para trás. A última coisa que vejo é um portal se abrindo e Stephen o atravessa, dando um último aceno para mim antes de sumir.
P.O.V. Grant Ward:
Sinto meu celular vibrar. Olho no visor, é um número desconhecido. Atendo-o e logo reconheço a voz:
— Espero que tenha boas notícias para nós, Malick... Não te entregamos de bandeja para a S.H.I.E.L.D.! – comento sarcástico.
— Tenho ótimas notícias!!! A pirralha descobriu que é filha do Estranho! – comemoro. – Isso o deixou tão abalado que ele decidiu sair dos Vingadores...
— Que ótima notícia! Agora não temos mais o papaizinho para nos preocuparmos! – debocho. – Ótimo trabalho, Malick. Espero que você continue conseguindo pegar as conversas com o nosso mini-robô!
— No começo foi meio difícil para aprender a usá-lo. Mas agora que sei conduzi-lo, coloquei-o para seguir cada passo da garota e do caolho... – ele ri.
— Muito bem! Logo se juntará ao meu exército, fique tranquilo! Hail H.Y.D.R.A.!
— Hail H.Y.D.R.A.! – ele saúda e desligamos.
Vou atrás do Caveira e Zemo:
— Ótimas notícias! – comento assim que os vejo trancafiando mais pessoas onde soltariam névoa terrigênica para transformá-los em inumanos. Seus olhares me veneram. — A pirralha não tem mais o paizinho protetor por perto!
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