— Filha??? O senhor tem filha??? – um repórter perguntou a Tony enquanto eu tentava pegar minha cara que caiu no chão. “COMO ASSIM FILHA?” – pensei.

— Foi um relacionamento meu há muitos anos atrás, infelizmente a mãe dela veio a falecer e minha filha me procurou! – Stark afirmou enquanto eu cruzei os braços fuzilando-o com os olhos. – Agora, acostumem-se, ela sempre aparecerá comigo! – deu uma piscadela para mim e continuei encarando-o feio.

— Mas, senhor Stark...

— Sem mais perguntas! – Tony interrompeu o repórter e me puxou pelo braço para nos desviarmos dos flashes que só aumentaram depois dessa revelação bombástica dele.

Chegamos a um canto isolado do salão, onde ele e eu nos escondemos atrás de uma pilastra:

— Como assim filha, Tony? Me explica isso, agora! – ordenei irritada.

— Quero que você se comporte bem, me ouviu? – ele desconversou e saiu andando.

— TONYYYY, TONYYYY – chamei-o gritando e ele fez que não ouviu. Acelerou mais o passo apartando-se por completo de mim.

Tentei segui-lo mas fui interrompida por um homem velho que parou diante mim e veio me cumprimentar:

— Olá, senhorita Stark, é um prazer imenso conhecê-la... – Nem dei bola para o que ele falava, simplesmente o ignorei e saí andando atrás de Tony.

Só que um novo obstáculo apareceu, dessa vez era um obstáculo grande e charmoso, o agente Ward:

— Ei, fica em paz! Vamos curtir a festa! Depois você tira satisfações como Stark... – ele me puxou pelo braço arrastando-me para dentro do salão.

— Ward, — soltei meu braço do dele com força. – preciso saber se isso é verdade!

— Stark está ocupado agora, — ele apontou para Tony que dava em cima de algumas mulheres enquanto bebia um drink. – deixa para outra hora... Quer dançar? – estendeu sua mão para mim.

Encarei sua mão estendida e depois seu corpo. Estava trajado com um smoking cinza e uma camisa branca por baixo sem gravata. Ward é um pedaço para o mau caminho, acho que não faria mal se eu dançasse com ele. Estendi minha mão retribuindo seu gesto e começamos a dançar a música lenta que tocava ao fundo do Roxette – Listen To Your Heart.

Ward colou nossos rostos e dançamos agarrados até o fim da música.

— Eu amo essa música! – expressei próxima ao ouvido dele.

— Eu também! – ele olhou em meus olhos e sorriu. – Mas... Vamos beber? – ele informou apontando para o vinho presente ali próximo.

— Claro! Quero um bom vinho! – sorri e nos aproximamos do bar, onde pedimos um copo para cada.

— Sabe... Eu tive pai e mãe... Mas eles me maltratavam! Eles e meu irmão mais velho batiam em mim e no meu irmão... uma vez meu irmão mais velho me obrigou a jogar meu irmão mais novo no fundo de um poço que tínhamos no meu quintal. – ele suspirou e fez uma pausa grande. – Meu irmão mais novo nunca me perdoou por isso, ele acha que fui quem fez aquilo! Mas a culpa toda é do meu irmão mais velho, aquele desgraçado, filho de uma puta! – socou a mesa, fazendo com que todos ali próximos nos encarassem e eu arregalei os olhos.

— Tá tudo bem, Ward... – tentei confortá-lo colocando minha mão em seu peito. – A parte boa que mesmo você tendo passado por tudo isso, você se tornou um homem digno!

— Talvez não tão digno quanto você pense... – falou baixo mas eu consegui ouvir. – Nosso emprego nos obriga a fazer muitas coisas que são contra nossa ética!

— Independentemente como for, você é um homem maduro, formado e trabalha num lugar que gosta!

— Que bom que pensa assim! – ele me olhou no fundo dos olhos e sorriu. – Vai mais uma? – referiu-se à bebida. Já havíamos terminado nossas doses e já estava na hora de outra.

— Eu sempre bebia com a Jessica, minha babá quando tinha uns 12 anos... – novamente me bateu uma bad por lembrar-me dela.

— Eu comecei a beber quando tinha 11 anos que meu irmão me obrigou a beber a garrafa de whisky caríssima do papai!

— E você bebeu tudo? – perguntei assustada.

— Claro, ou eu bebia ou levava ferro quente do meu irmão nas costas! – minha boca virou um perfeito “O” nesse momento. – Mas aí não adiantou muito, pois apanhei com um chicote do meu pai...

— Como disse o Tony... vamos esquecer isso! Hoje é dia de ser feliz! – falei colocando meu copo na mesa e pedindo ao garçom mais duas doses.

A conversa fluiu por um bom tempo, onde começamos a contar boas lembranças de nossa infância. A maioria das de Ward envolvia seu irmão mais novo. E as minhas envolvia minha mãe e Jessica. Rimos por um bom tempo, ali, juntos, como se não houvesse mais ninguém naquela festa. Só Ward e eu.

P.O.V. Autora:

Depois de Ward e Victória rirem muito juntos, começaram a se encarar. O azul dos olhos de Vick estavam mais brilhantes que o normal, bem como o castanho dos olhos de Grant. Ela já falava alto e ria espalhafatosamente, o que demonstrava seu estado de bêbada. Bem como Ward que estava com um olho quase fechado e outro aberto e quase caia da cadeira ao fazer qualquer movimento.

— Eu perdi o BV com sete anos, na escola, foi com uma garota horrível! – falou Ward seguido por uma risada de Victória.

— Eu perdi com meu primeiro e único namorado, aos 12 anos! Nosso namoro não durou nem dois meses porque descobri que ele havia me traído... – ela abaixou o olhar. – Desde então eu nunca beijei mais ninguém!

Ward a segurou pelo queixo e levantou seu rosto:

— Que tal treinarmos um pouquinho? – perguntou encarando seus lábios.

Ela riu e depois ficou extremamente séria encarando os lábios dele também:

— É uma excelente ideia!

Ward a arrastou para um canto escuro da festa, onde só os casais ficavam se pegando. Prensou-a na parede e começou a provocá-la mordendo seu pescoço, fazendo-a arrepiar.

Ela tirou a cabeça dele de seu pescoço e aproximou as bocas para que se beijassem logo, mas ele continuou se fazendo de difícil e beijou-a no pescoço.

Subiu até sua orelha esquerda e segurou-a pelos cabelos, fazendo-a dar um leve gemido. Depois, percorreu sua bochecha com os lábios, até que chegasse a sua boca. Grant a beijou devagar, queria sentir seus lábios de veludo, revestidos por um batom rosa pink com calma. O batom sujou todo o rosto de Ward, entretanto, isso não importava. Tudo que ele mais queria era estar ali, beijando Victória da forma mais lenta possível.

As mãos de Ward prenderam a cintura de Vick e ele colocou sua perna no meio das pernas dela. Suas mãos percorreram seu corpo sem curvas e sem nada que chamasse a atenção de qualquer homem, porém, para ele, naquele momento, era a definição de perfeição e pararam em sua bunda, que ele começou a apertar com força, fazendo-a dar um pequeno pulo e gemer abafado pelo beijo.

As coisas começaram a esquentar entre o casal, logo Victória colocou as mãos por dentro da camisa de Grant e acariciou seu peitoral com as pontas das unhas roídas e malfeitas. O que eles não contavam, é que alguém iria interrompê-los, assustando-os:

— Dá pra vocês pararem de se pegar aí, por favor?