Notas iniciais
Na capa, aesthetic do Peter ♥

P.O.V. Stephen Strange:

Assim que T’Challa pediu à Agente May para que nos deixasse em Wakanda ouvimos um forte estrondo e uma enorme bola de fogo consumiu toda aquela base da H.Y.D.R.A. A essa altura Ward e os outros já deviam ter dado um jeito de escapar. Por sorte, nosso quinjet já estava no ar não dando tempo para que a explosão nos atingisse.

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Dois dias depois:

Apenas T’Challa e eu trouxemos Victória para Wakanda, os médicos fizeram a cirurgia no local onde ela havia levado os tiros e esta foi bem sucedida. Colocaram medicações e curativos em suas outras feridas abertas e a sedaram para que não sentisse a forte dor. Há dois dias ela estava apagada! O rei de Wakanda aproveitou que ela estava inconsciente e colheu amostras de sangue da garota para estudar seus poderes, enquanto eu peguei uma pilha de livros mágicos para ajudá-lo na pesquisa.

Estávamos na sala do palácio de T’Challa quando recebemos uma ligação. Romanoff e Parker viriam visitá-la. Peter aparentemente está apaixonado mesmo pela minha pequena e isso me despertava certo ciúme. Aliás, Wanda não veio para cá e preciso conversar seriamente com essa garota problemática que tentou me beijar... Natasha e Victória se tornaram muito amigas desde que se conheceram e se Vick acordasse seria bom ver um rosto amigo.

Não demorou muito tempo para que eles chegassem. Peter mal nos cumprimentou e já quis arrastar Romanoff para o quarto da minha pequena. Ela até tentou hesitar, mas ele simplesmente a puxou pelo braço.

P.O.V. Victória Gelardino:

Flashback on:

Avisto uma criança pequena, com aproximadamente seus cinco anos de idade. Ela é loira, dos olhos azuis e... Espera! Sou eu! Estou em um parque com uma grama verde e cheirosa. Corro de um lado para o outro, brincando com um cachorro preto, jogando um frisbee. Logo, vejo um rosto conhecido correndo sorridente para mim vindo me abraçar. Era minha mãe! Ela usava um macacão branco com listras azuis, uma roupa casual demais para o estilo dela! Corro o mais rápido que consigo, pulo em seus braços e o cachorro me persegue com o frisbee na boca. Logo, uma moça aparece, chama o cachorro e bagunça meu cabelo.

Todas estamos com um sorriso travado no rosto! Depois, vejo Jessica, minha babá, trazendo uma toalha e uma cesta. Era dia de piquenique! Minha mãe me põe no chão, volto a brincar com o cachorro, enquanto ela, Jessica e a dona do cachorro arrumam a toalha e as comidas.

Depois, sentamo-nos para comer, enquanto Jessica faz cócegas na minha barriga e caio no chão chorando de rir. Depois, ela me entrega uma torradinha com queijo, a qual eu devoro. Estávamos bastante felizes, até que vejo um homem negro, usando um tapa-olho e um sobretudo preto aproximando-se de nós. Olho para ele com certo medo, mas depois reconheço que era Nick Fury. Ele chama minha mãe de canto e logo sua expressão muda. Depois, ela fala algo com Jessica e a outra mulher. Despede-se de mim com um beijo no rosto e sai acompanhada por Fury. Como sempre, ela me deixava para se dedicar à S.H.I.E.L.D., começo a chorar desesperadamente. As mulheres tentam me distrair e nada adianta!

De repente, o sonho começa a se distorcer e um feixe branco substitui as imagens. Abro meus olhos e quase sou cegada pela luz. Tampo meu rosto com as mãos e percebo a presença de dois vultos. Quando finalmente recupero meus sentidos, abro meus olhos novamente e Peter exclama:

— Até que enfim a Bela Adormecida acordou!

— O que aconteceu comigo? Onde estou? – questiono.

— Calma, gatinha... – fala Natasha sorridente, acariciando meu rosto. – Tudo no seu tempo!

— Ei, Vick, trouxe meu violão, posso cantar para você? – pergunta Peter.

Franzo o cenho e retruco:

— Você canta?

— Eu tento! – ele sorri sem graça e dá de ombros. – Posso?

— Claro! – sorrio.

Natasha pega o violão em um canto da sala e o entrega, eles se sentam. Peter começa a cantar:

Te esperei até hoje de manhã

Você disse pra eu não ficar com medo

Da chuva lá fora

Mas a chuva passou e eu não te vi

Reconheço como a música do Gloria, uma banda brasileira que gosto muito. Começo a acompanhá-lo cantando:

Deixa eu te dizer

O quanto te esperei

Talvez eu já nem lembre mais

Se não vem me buscar eu vou fugir sem você

Natasha só ouve e nos olha com um largo sorriso no rosto, balançando o corpo ao ritmo em que cantávamos.

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Uma semana depois:

Os médicos de Wakanda me deram alta, finalmente! Peter viria acompanhado de May para me buscarem de quinjet, mas a verdade é que ao longo dessa uma semana, uma dúvida ficou perseguindo minha mente: Quem é meu pai? A H.Y.D.R.A. sabia, vou ter que pressionar o Coulson para procurar as respostas o mais breve possível!

Os meus ferimentos ainda doíam, mas as marcas da bala já estavam quase invisíveis. Caminho até a sala de T’Challa, encontro com ele e Stephen:

— Disseram-me que queriam falar comigo! – afirmo sentando de frente com eles, cautelosamente para sentir o mínimo de dor.

— Não vamos fazer rodeios... – começa o rei de Wakanda. — Temos boas noticias, nesse tempo em que você ficou aqui se tratando, descobrimos como seus poderes funcionam e Doutor Estranho poderá voltar a treiná-la!

Fico boquiaberta, mas não consigo expressar nada.

— Seus poderes são baseados na magia da natureza... Por isso quando você pensou naquele nosso treinamento em hambúrguer ou cadeira não deu certo! – Stephen fez uma careta engraçada. Não tive como não rir e até ele riu. – E aquela árvore medonha que sempre aparece quando você está assustada, é uma espécie de amuleto protetor para você... Diga-me, você já havia visto essa árvore antes?

— Sim, as vejo desde criança, quase todas as noites nos meus sonhos! – afirmo.

— Ótimo! – o mago exclama. – Isso só comprova nossa teoria, — ele aponta para T’Challa que assente com a cabeça. – você foi abençoada pela natureza. Só que esse dom da magia não veio de graça... – ele fica sério. – Provavelmente, você os herdou de seu pai! Ou até mesmo de sua mãe... Vai que ela tinha poderes que nem a S.H.I.E.L.D. sabia? Possivelmente eles nem se manifestaram e...

— Resumindo, meus poderes são realmente mágicos! – afirmo e eles confirmam. – Já sabem ou pelo menos suspeitam quem pode ser meu pai?

— Ainda não sabemos... – suspira T’Challa desanimado. — Coulson está analisando cuidadosamente o HD roubado pela H.Y.D.R.A., que continha as informações sobre sua mãe. Afinal, eles afirmaram que sabiam quem era seu pai. Então, só pode estar lá... Só que o HD dela tem 300 terabytes... Então vai demorar um pouco! – ele faz uma expressão de desânimo.

— Vossa majestade! – uma mulher negra, alta e sem cabelos adentra a sala em busca do rei. – O quinjet chegou, está esperando por vocês lá fora.

T’Challa agradece e pede para que o sigamos em direção à nave.

Meus questionamentos continuam:

— Stephen, você tem pelo menos alguma suspeita de quem é meu pai? Não é possível que não tenham pensado em nenhuma hipótese! – insisto com o mago que me lança um olhar mortal.

— Minha pequena, suspeitas nós temos... Você pode ser uma asgardiana, uma skrull, fruto de uma entidade cósmica... Existem tantas possibilidades! Acalme-se e acharemos a verdade! – ele informa, acariciando meus cabelos de leve. – Nem imagina o quanto me preocupei quando foi sequestrada! – ele para por alguns instantes em frente a mim, aproxima nossos rostos. Já fecho os olhos esperando um beijo de cinema, mas não... Ele só me dá um beijo no topo da cabeça, seguido de um abraço apertado. Bufo, frustrada e continuamos a andar.

Vejo Peter e um sorriso se forma em seu rosto. Ele corre em minha direção e me envolve com seus braços fortes. Eu o retribuo. Ele tem sido tão carinhoso comigo... Seria um namorado perfeito, sonho de qualquer garota!

Adentramos no quinjet, sento ao lado de Peter, de frente com Stephen e T’Challa. May decola, sinto um frio na barriga. Parker pega minha mão e divide seu fone de ouvido comigo, para me acalmar. Ele estava ouvindo Gloria novamente:

Já cansei de esperar

Eu nada tenho a perder,

Você sabe que eu não mentia

Quando eu dizia em seu ouvido

"Me tira daqui"