Filha de um Estranho - Duas Temporadas
53 Consegue fingir?
Notas iniciais

P.O.V. Sophie Triz:
Após Kaecilius dar a injeção tranquilizante em Thor, resolvo chamá-lo para perguntar quem era ele.
— Eu sou dor e morte... Eu sou Kaecilius! – foi tudo o que o filho da puta respondeu.
— Que fofo! – brinco e começo a aplaudi-lo. — Kaecilius para presidente! – debocho e vejo-o se irritar. Então, ele aperta um controle remoto em sua mão, que me faz levar um choque muito forte e caio de joelhos.
— Você fala demais... Está na hora de se curvar perante a mim! – diz, sorrindo de forma psicopata. Depois, solta o botão de choque, vendo Robbie se aproximar.
— O que está acontecendo aqui? – ele pergunta.
— Estava dando uma lição na Agente Gravidade... – o louco responde.
— Escuta aqui, se machucar a Sophie, eu vou machucar você! – o Fantasma ameaça. – Estamos entendidos? – Kaecilius apenas assente com a cabeça e sai dali com o rabo entre as pernas.
Reyes abre a cela, entra e me ajuda a levantar, colocando-me sentada na cama.
— Você está bem? – pergunta com um olhar fraternal. Quem vê, nem imagina que é o mesmo maluco que me perseguiu durante esse tempo todo.
— Robbie, eu nunca vou te perdoar por ter me traído. Se me queria aqui para isso, desista! – falo entre dentes, me segurando para não partir pra cima dele.
— Sophie, você precisa saber que depois que me largou, virei esse monstro... Uma noite, bêbado, resolvi sair pra disputar racha com uns caras lá do bairro onde morávamos. – suspirou. – Só que eu sofri um acidente e morri. Esse espírito que me transforma no Motorista Fantasma, é o espírito de vingança. Não consigo me livrar dele, nem sei como isso aconteceu. A culpa é sua, Sophie! – diz entre lágrimas e antes que eu o xingasse, continua. – Se não tivesse me abandonado, isso nunca teria acontecido...
— Eu peguei você na cama com uma vadia... Se me ama tanto, por que me traiu? – me levanto, nervosa.
— Foi por influência dos amigos. Você precisa me perdoar, estou arrependido! – diz enquanto segura meus ombros. – Se eu puder tê-la comigo, farei qualquer coisa que quiser...
— Qualquer coisa? – pergunto e começo a pensar. – Você vai me prometer que não irá mais torturar Thor, Victória e eu. Também deve prometer que não irá atacar os Vingadores! – digo enquanto encaro seus olhos, que estavam em suas cores naturais, castanhos escuros, porém, era possível ver que havia certo ódio misturado.
— Eu prometo! – diz. – Mas só não atacarei os Vingadores se não entrarem em nosso caminho, do contrário, iremos nos defender. E eu só cumprirei tudo isso com uma condição... – ele dá uma pausa e cruzo os braços esperando que fale. – Você deve voltar a ser minha namorada!
— Feito! – digo, deixando-o sem reação. Então o agarro e beijo.
[x]
Pelo menos dois dias já devem ter se passado. Essa base não tem relógios, calendários, nem nada do tipo, então fica difícil saber a quanto tempo estou aqui.
Depois de aceitar Reyes de volta, pude perambular livremente por aqui e ficar a par de tudo que a H.Y.D.R.A. fazia.
Descobri que eles resgataram a inumana Jessica Drew, que aqui passou a ser chamada Mulher-Aranha. Ela tem poderes de energia bioelétrica, como uma espécie de veneno, super-força, voo, feromônios e consegue aderir em qualquer superfície, por isso o nome “Aranha”. Lembro-me de Stephen ter dito que ela estava enlouquecendo graças ao controle mental da H.Y.D.R.A., mas pelo jeito já voltaram a controlá-la, afinal, tem sido bastante obediente às ordens de Reyes.
Eles também resgataram Zemo e Malick, os quais eu já havia conhecido enquanto fiquei na S.H.I.E.L.D. O último, inclusive, teve um braço de metal implantado, para lhe dar super-força.
Hoje mais cedo, passei pela cela de Victória e percebi que a garota estava bastante confusa. Provavelmente, como parou de ter a mente controlada, passou a sofrer os mesmos colapsos de Jessica. Por sorte, Thor está preso com ela e está apaixonado. Então, ele lhe dá carinho, conforto e cuidados.
Roberto me leva para todos os lados com ele e isso está me impedindo de colocar o plano de fuga em ação. Até que eu tive um insight.
— Ei, Johann (N/A: nome do Caveira Vermelha), o que está levando para a Guerreira Macabra? – questiono.
— Almoço. – responde secamente.
— Deixa que eu levo... – digo prestativa, tomando a bandeja de sua mão. – Se Robbie não se importar, claro! – pisco para meu ex-atual-namorado.
— Pode ir amor, mas vou ficar com saudade... – diz enquanto beija meu pescoço e aperta minha bunda. Minha vontade era de fazê-lo voar longe. Por sorte, Doutor Esquisito me ensinou a ter controle sobre meus poderes...
Ao chegar à cela, vejo Thor, acariciando os cabelos de Victória que estava deitada em seu colo. A meu ver, a garota, se senta num salto.
— Quem é você? Por que disse que sou filha do Doutor Estranho? – questiona com os olhos arregalados.
Suspiro pesadamente, enquanto lhe sirvo a comida.
— Thor, pode dar um jeito? – questiono fazendo sinal com a cabeça apontando para a câmera. O loiro finge ter um surto e arranca as câmeras da parede.
— Vou ser breve... – digo enquanto coloco a bandeja no colo da loira. – Sou Sophie, a Agente Gravidade. Seu pai me treinou para controlar minhas habilidades e me disse que sente muito sua falta, até fez vários feitiços para tentar te trazer de volta à vida. Não sei como sobreviveu, mas ele não sabe que está viva. Quer dizer, a essa altura já deve saber, afinal você atacou a S.H.I.E.L.D. e...
— Estão vindo atrás de nós! – alerta o asgardiano me interrompendo.
— Basicamente, a H.Y.D.R.A. precisa de nós e nós precisamos fugir daqui. Finja obedecê-los, pois sei que em breve os Vingadores virão nos buscar e será nossa chance de fugir. Então, consegue fingir estar sob controle? – questiono e a garota faz uma careta.
— Não sei como, nem me lembro direito dessas pessoas, mas eu acredito em você! Sei que está falando a verdade... – ela percebe Thor ficando aflito. – Pode deixar que darei meu melhor.
Sorrio para ela e levanto, jogando o loiro contra a parede. Nesse mesmo momento, Kaecilius surge.
— O que aconteceu com a câmera? – pergunta.
— Não sei, ele surtou, queria me bater... – respondo fingindo estar apoquentada.
— Ora, seu... – Kaecilius preparava um feitiço, mas o interrompo, segurando sua mão.
— A promessa! – aviso e ele revira os olhos, me puxando pelo braço e trancando a cela atrás de nós. A última coisa que vejo, é Victória esmagando a comida com o garfo.
— O que aconteceu? – pergunta Robbie receoso. – Ele te machucou?
— Não... Eu dei uma lição nele! – finjo e sorrio. – Posso te fazer uma pergunta? – ele acena positivamente com a cabeça. – Como chegou aqui?
— Minha família já havia servido à H.Y.D.R.A. há muito tempo. Quando me tornei essa aberração, precisei de ajuda para me controlar. Por sorte, conheci Kaecilius, que é mestre das artes místicas. Uma noite, fomos ao bar, onde você foi com o Doutor Estranho nos investigar. Então, Johann nos achou e perguntou o que mais queríamos. Eu disse que queria me vingar de você, — sorri. – e ele me prometeu que ajudaria com isso. Enquanto Kaecilius, disse que queria se vingar do Doutor Estranho, afinal, ele tomou o posto que era para ser dele, de Mago Supremo da Terra.
— Mas as vinganças de vocês não foram cumpridas, não é mesmo? – retribuo sorrindo da mesma forma que ele.
— A minha foi... Johann prometeu que te transformaria numa aberração como eu e que te traria para mim. Uma pena os agentes terem falhado em não trazê-la naquela noite. Mas finalmente você está aqui! – me dá um selinho. – E o Kaecilius está bem próximo da vingança dele... Doutor Estranho vai aparecer aqui, então, ele poderá matá-lo! – olho para o mago que sorri abertamente olhando para uma espada que tinha nas mãos.
— Mas você prometeu... – sinto meu coração apertar dentro do peito e sou interrompida pela sirene tocando alto.
— Finalmente chegou a hora da vingança! – Kaecilius dá um sorriso maléfico.
— Atenção todos vocês, em posição! – grita Roberto. – Terá que lutar contra seus amigos, seja por bem, ou seja, por mal! – avisa.
— Eu não posso... – murmuro.
— Pode sim... – Caveira Vermelha fala chegando por trás de mim acompanhado de Victória. – Guerreira Macabra, mostre a ela como é bom servir a H.Y.D.R.A.!
Victória se aproxima colocando as mãos sobre minha testa.
“Finja estar sendo controlada e poderemos sair daqui!”— fala em minha mente. Dou um sorriso imperceptível e finjo apagar por alguns segundos. Quando levanto, falo o famoso bordão da agência:
— Hail H.Y.D.R.A.!
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