Filha de um Estranho - Duas Temporadas
35 Con Te Partirò
Notas iniciais

Finalmente chegou o dia do baile! Se estou nervosa? Demais! Peter deixa minhas pernas bambas, seu jeito fofo tem me conquistado a cada dia... Aff, acho que estou apaixonada! Será que não vou descobrir que ele é meu irmão também ou algo do tipo?
Meu vestido acabara de chegar ao salão que Tony reservou para que eu fizesse as unhas, os cabelos, maquiagem. Optei por um tomara que caia na cor nude e sapatilhas confortáveis nos pés.
— Victória, é melhor se apressar! – Tony gritou para mim na porta do meu quarto. Sim, ainda estou aqui deitada, olhando para o nada. – Vai se atrasar, gatinha! – alerta novamente.
— Já vou, Tony! – rebato.
Logo, vou fazer minha higiene pessoal, tomo café e ele me deixa na porta do salão de belezas.
— Peter virá te buscar às 15 horas, não se atrase e fique linda! – beija minha testa e o abraço apertadamente.
— Obrigada por tudo que tem feito por mim, Tony! – sorrio largo.
— Imagina... Você merece! – sorri sem graça com o rosto levemente avermelhado. – Agora, vá rápido antes que perca a hora! – orienta e saio do carro, dando um último aceno antes de adentrar ao local chiquérrimo!
P.O.V. Stephen Strange:
Acordo com os olhos levemente embaçados. Recupero a visão, viro para o lado na cama e vejo Wanda.
“O que estou fazendo?” – pergunto em pensamento para mim mesmo. Ela dormia com uma expressão angelical em seu rosto, contudo aquela garota estava transformando minha vida em um verdadeiro inferno!
Anteontem, após alguns goles de bebida, convencido pela Feiticeira de que se eu passasse uma noite de amor com ela continuaria recebendo notícias de minha filha, carente da falta de Paola e da própria Vick, acabei cedendo. Mas como previsto, Wanda não se contentou com apenas uma noite, tive que transar com ela ontem mais uma vez.
— Wanda! – cutuco-a. Ela permanece imóvel. – Wanda! – chamo novamente e ela geme, sem abrir os olhos. – WANDA! – grito, fazendo-a sentar apressadamente na cama.
— O que foi meu amor? – pergunta com uma expressão assustada.
— Vá para casa e só volte quando tiver notícias de Victória... – ordeno sério.
Ela que estava nua, levanta-se deixando seu belo corpo à mostra em minha frente. Depois, se joga em cima de mim de forma provocante.
— Se fizer uma rapidinha comigo, terei o enorme prazer em obedecê-lo! – sorri maliciosa.
— WANDA, JÁ CHEGA! NÃO QUERO NADA COM VOCÊ, ENTENDEU? – grito, empurrando-a para longe de mim.
— Por que evitar, Doutor? Você me deseja! – continuava com um sorriso sarcástico.
— Se eu te desejasse não te mandaria embora, não concorda? – rebato sendo sarcástico também. – Vista-se e vá! – entrego-lhe as roupas jogadas no chão na noite anterior.
Ela bufa, caminha até o banheiro e antes de entrar me dá um recado:
— Vai ficar um bom tempo sem notícias da sua filha, Stephen!
— Eu vou visitá-la quando quiser saber dela! – respondo em tom provocativo, fazendo-a rolar os olhos e finalmente trancar a porta para se vestir.
Vou à sala, sento no chão com as pernas cruzadas e começo a meditar um pouco.
P.O.V. Victória Gelardino:
Após um bom tempo no salão de beleza cuidando da minha vaidade que nunca tive, recebo uma mensagem de Peet avisando que está vindo me buscar. Meu coração pula mais forte dentro do peito.
“Calma, Vick! Fique calma!” – penso comigo mesma.
Termino de me vestir e sento num sofá próximo à recepção a fim de esperá-lo.
Não demora muito para chegar uma nova mensagem sua: “Estou na porta!”. Novamente meu coração acelera. Caminho lentamente de encontro a ele, que ao me ver, abre um enorme sorriso. Ele está maravilhoso vestindo um terno azul escuro, os cabelos penteados com gel para trás.
— Você está linda! – elogia e sinto minhas bochechas queimarem.
— Obrigada, você também está! – retribuo o elogio.
— Por favor, entre no táxi! – pede abrindo a porta para que eu me acomode.
Durante toda a viagem ficamos conversando e rindo de várias bobagens.
Chegamos ao salão da escola onde ocorreria a festa. Já rolava música e muitas pessoas já estavam lá.
Resolvemos ir comer e beber um pouco, logo um casal se aproxima de nós:
— Olá Peter! – fala a garota de cabelos curtos. Ela também me cumprimenta encarando-me de cima abaixo.
O rapaz também nos cumprimenta e Peter resolve me apresentar:
— Victória, essa é Betty Brant, — Ah, é a garota que ele me falou por quem é apaixonado. Achei que fosse mais bonita! – e esse é Harry Osborn!
— É um prazer! – forço um sorriso falso para ambos que me retribuem de forma sincera.
— Pessoal, esta é a Victória. Minha...
— Namorada! – completo.
— O quê? – Harry questiona. – Foi isso que esteve fazendo esse tempo todo na Fundação Setembro? – brinca batendo no ombro de Peet que fica vermelho como um pimentão.
— Bem... É que... – ele coça a cabeça.
— Coincidentemente nos conhecemos lá. Foi amor à primeira vista! – explico. – Peter além de lindo, é super inteligente, engraçado... Isso me conquistou! – deposito um beijo em sua bochecha.
— Meus parabéns, Peter! Você merece, amigo! – Betty o abraça feliz. Pelo jeito Peet ia ficar na friendzone.
— Obrigado! – agradece sem graça e me lança um olhar sério.
O casal se afasta. O Aranha começa a me questionar do porquê ter feito aquilo. Ele fala, fala, fala sem parar. Só para quando o surpreendo, puxando sua gravata, selando nossos lábios. A tal Betty vê e cutuca Harry para olhar. Ambos nos observam orgulhosos, era como se Peet tivesse ganhado um prêmio Nobel.
Afastamo-nos e ele me fita assustado, enquanto sorrio.
— P-Por que fez isso? – pergunta com dificuldade.
— Você tem sido a pessoa mais especial nesses últimos meses, Peet!
— C-Como posso confiar que você não está me zoando? – questiona apertando os olhos para me encarar.
— Olhe em meus olhos! – toco seu rosto com minhas mãos. Transmito a ele tudo o que sinto. Posso sentir nele que me deseja também. – Eu sei que você também quer! – exprimo.
— Quero muito... Desde que te conheci! – confessa, deixando-me sem graça. – Vick, você não sai da minha cabeça. Mesmo quando namorou Ward... Mesmo quando ficou babando pelo Stephen! Quer dizer, antes de descobrir que... – coloco o dedo indicador em seus lábios para não concluir.
— Não vamos pensar em coisas ruins, nem relembrar o passado. Eu quero viver o momento! – afirmo.
Exprime com um jeito bobo, aproxima-se de mim e nos beijamos. Nossas línguas se movimentam lentamente, enquanto nossos corpos dançam em sincronia com a música romântica que deixou o momento mais especial e por coincidência era italiana.
Peter a conhecia, então começou a sussurrá-la em meu ouvido, com sua voz doce e afinada, fazendo-me arrepiar:
Quando estou sozinho
E sonho no horizonte
Faltam as palavras
Sim, eu sei que não há luz
Em um quarto quando falta o sol
Se você não está comigo, comigo
(Andrea Bocelli – Con Te Partirò)
Entretanto, como tudo que é bom dura pouco, a música é interrompida, uma microfonia se alastra pelo salão, fazendo com que todos tampem os ouvidos.
Olhamos para o palco, onde Zemo levantava o técnico da mesa de som pelo pescoço, acompanhado por Grant Ward que pronuncia seu bordão:
— Hail H.Y.D.R.A.! – ri em seguida, maleficamente.
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