Notas iniciais
Finjam que a loira da capa (que na verdade é a Bobbi) é a Vick, ok?

A música acabou, os pares se separaram e cada um foi para um lado do salão. Steve se soltou de mim e foi pegar uma bebida. Resolvi ir falar com Natasha novamente que agora conversava com Scott.

— E aí, gatona! – cumprimentei-a e ela me deu um soco de leve no braço.

— Cadê seu crush, loira? – arregalei meus olhos e fiquei estática.

— QUE CRUSH? – perguntei falando alto.

— Quem mais poderia ser... O cara fica infernizando nossas vidas para te visitar no hospital, vai lá, leva violão, canta para você e depois ainda vai te buscar para te distrair da nossa festinha... – ela me explicou sorrindo maliciosamente.

— Aprecio muito o que o Peter fez por mim, mas eu só o quero como amigo... – afirmei convicta. – Digamos que eu tenho outras preocupações! – dei uma piscadela que sorriu.

— Vocês são mesmo poderosas, hein! – afirmou Scott se manifestando pela primeira vez na conversa.

— E você Homem-Formiga, não tem uma crush? – perguntou Nat. Hoje ela estava fofoqueira!

— E-eu n-não! – ele gaguejou... Aí já sabe né...

— Huuum, gaguejou, fodeu! – brincou Natasha e rimos.

— E você Nat, tá tão interessada na vida amorosa dos outros... Mas e a sua? – questionei, deixando-a sem graça.

— Ah, digamos que estou na mesma que a sua... Tenho outras preocupações! – deu um sorriso sem graça.

— Huuum, sei! – afirmei apertando os olhos e recebi um tapa no braço como resposta.

Sem querer ela acertou uma de minhas feridas e dei um grunhido de dor.

— Ai, Vick, me perdoa!

— T-tudo bem! – gaguejei massageando o local que doía. – Vou colocar um gelo no meu braço, isso alivia o ardor! – afirmei, caminhando em direção a um isopor que tinha no outro canto do salão cheio de pedras de gelo.

— Vick, tá tudo bem com você? – ouço alguém me chamar enquanto eu pegava uma pedra de gelo e colocava no braço. Levanto o olhar, vejo Peter.

— Oi Peter! Então, a Nat sem querer bateu em uma das minhas feridas no braço... Vou colocar gelo para melhorar. – respondo forçando um sorriso para não fazer cara de dor.

— Ah, tá! Sabe, eu fiquei muito preocupado quando vi você levando os tiros do Ward, eu senti que ia te perder! Por sorte o Doutor Estranho te levou para o hospital rapidamente... – ele começou a tagarelar, mas parei de dar ouvidos quando ele falou no mago. Varri meus olhos pelo salão e não o encontrei.

— Peter, você viu o Stephen? – perguntei, fazendo com que ele parasse de falar imediatamente.

— O quê? – perguntou se fazendo de desentendido.

— O Doutor Estranho, cadê ele? – perguntei um pouco nervosa.

— A última vez que o vi, estava com o Senhor Stark, o Coronel Rhodes e o Capitão Rogers na mesa de bilhar...

Nem o deixei concluir, saí andando em direção à sala de jogos.

Cheguei lá e vi uma cena pouco agradável: Stephen atrás de Wanda, ensinando-a a jogar! Na hora, senti ciúmes e pensei em interrompê-los, porém enquanto caminhava em direção a eles, vi Daisy sentada em uma escada, chorando.

Eu já disse que tenho coração mole, não disse? Pois é, fui falar com ela:

— Daisy! – chamei e ela ergueu a cabeça que estava no meio dos joelhos, com os olhos vermelhos de chorar. – O que foi?

— Desculpe, Victória, eu deveria estar me divertindo na sua festa, mas eu estou tão triste! O único cara que encontrei que eu realmente amava era um agente infiltrado da H.Y.D.R.A. que só namorou comigo para roubar informações e conquistar a confiança da S.H.I.E.L.D. e ele ainda fez coisas horríveis com você! Para piorar, meus pais que eu não conhecia até pouco tempo, descobri que são assassinos... Minha vida é uma droga! – ela expressa jogando as mãos, como uma criança joga um brinquedo para fazer birra.

— Day... Posso te chamar assim? – perguntou e ela acena positivamente com a cabeça. – Você não é culpada por nada disso! – seguro seu queixo para que olhe em meus olhos. – O Ward se aproveitou do seu bom coração para fazer isso, você não tem culpa pelo que seus pais biológicos são e principalmente, siga sua vida! Se quiser disputar sobre desgraças, então podemos entrar numa competição – rio de leve e ela também. – mas se quer seguir em frente, pode contar comigo!

Assim que termino de falar sou surpreendida por um abraço dela.

— Você é a melhor amiga que alguém pode ter! Como eu pude te odiar? – rimos.

— Agora, seque suas lágrimas e vamos curtir, a noite é uma criança para nós! – falo secando uma lágrima que descia por sua bochecha.

— Vou ao banheiro lavar o rosto, retocar a maquiagem e quando voltar te chamo! – ela sorri e eu assinto, levantando-me logo em seguida dela.

Vou até a mesa de bilhar, onde Murdock, Stark, Rhodes, Rogers e Strange riam alto e bebiam, enquanto Wanda estava encostada no ombro do mago.

— E AÍ GALERA, TAMBÉM POSSO JOGAR? – falo alto fazendo com que todos me olhem desacreditados.

— Você joga? – Rhodes pergunta?

— Ué, se você que está em uma cadeira de rodas pode jogar, por que eu não? – debocho e todos riem, ainda que essa piada não seja politicamente correta.

— Quero ver então! – Tony me entrega o taco.

Pego o taco, miro na bola branca e na minha primeira tacada consigo encaçapar duas bolas. Todos batem na mesa e gritam comemorando. Menos Wanda que fica me fulminando com os olhos.

— Eu tenho uma boa mira! – falo me gabando.

— Aposto que não tão boa quanto a minha! – exclama Clint aproximando-se, acompanhado de Natasha e Bobbi.

— Huuuuum, vai lá Legolas! – agita Stark batendo no ombro do arqueiro e eu o entrego o taco de bilhar.

Enquanto o vemos acertar quatro bolas no buraco, fico conversando com Natasha. Quando finalmente Daisy volta do banheiro.

— Nossa, arrasou na maquiagem, hein! – Nat brinca, deixando-a sem graça.

Steve passa do nosso lado e nos cumprimenta. Depois fala diretamente com a ruiva:

— Nat, precisamos conversar! Sei que você não gosta de falar sobre trabalho em uma ocasião de dessas, mas Fury nos passou uma missão para amanhã de manhã!

— Tudo bem Steve! Já estou acostumada a não me divertir totalmente... – ela dá um sorriso cínico e sai andando com ele.

— Que desculpinha esfarrapada, hein! – cochicho para Day.

— Por quê? – ela questiona sem entender muito.

— Acha mesmo que eles vão falar sobre alguma missão? Eles vão é dar uns pegas em algum cantinho! – exclamo e a inumana ri.

— Acha mesmo que rola alguma coisa entre eles?

— Se eu acho? Tenho certeza! – rimos escandalosamente. – Vem cá, vamos dançar, não to a fim de cuidar da vida do Romanogers! – afirmo arrastando-a para fora da sala de jogos.

— Romanogers? – ela questiona. – Adorei! – ri.

Chegamos ao centro do salão, onde alguns agentes e Vingadores dançavam, enquanto outros estavam espalhados pelos cantos, bebendo e comendo.

Tocava uma música muito chata, que estava mais desanimando do que agitando. Então, arrasto Day para irmos falar com o DJ e pedimos que ele toque uma música agitada.

Então, ele resolve tocar um funk. Mesmo que eu não goste muito, começo a dançar rebolando até o chão acompanhada de Daisy. Nosso sex appeal chama a atenção daqueles que dançavam a música animada anteriormente, logo, nos acompanham na dança. E até alguns dos que estavam conversando, comendo, bebendo, resolveram se juntar a nós.

— Miga, sua louca, você é foda! – fala Daisy enquanto dançávamos. Apenas rio em gratidão e começo a rebolar de costas para ela, enquanto a música ainda rolava de fundo:

Mas dessa vez não vai tá sozinha
Porque toda loira tem sua morena
E fazer elas de namoradas
Isso todo mundo quer
Manda passar outro dia
Que a frase do dia é

Amiga, parceira
Só se for amiga solteira...