Filha de Zeus

1 Capítulo 1.


Notas iniciais
Bom, eu espero que vocês gostem!Boa leitura!

Os olhos da menina se abriram com uma certa dificuldade, por causa da claridade. Nem as cortinas conseguiam impedir o sol de iluminar todo o quarto, para o desgosto de Madeline. A garota se levantou, relutante, indo para o banheiro. Tomou um longo banho, tentando acordar totalmente. Saiu do banheiro com um ar mais gracioso, mas algumas olheiras ainda insistiam em ficar debaixo de seus olhos.

– Oh, droga. – murmurou, ao ver que estava atrasada.

Madeline pegou as primeiras peças de roupa que viu em seu guarda-roupa e se vestiu na velocidade da luz. Prendeu os cabelos em uma trança de lado e desceu as escadas correndo e entre tropeços.

– Madeline? Mas oque? – sua mãe indagou, ao ver a filha correr até a cozinha.

– Estou atrasada. – gritou, pegando uma maçã e mordendo a mesma.– Até mais tarde, te amo! – berrou e saiu correndo até a porta, batendo a mesma com força.

Todos que passavam na rua não davam a mínima importância. Já era bem normal ver Madeline correr pelas ruas atrasada para o colégio. A garota quase foi atropelada duas vezes, mas nada a fazia parar de correr. Foi quando avistou seu colégio ao longe e soltou um grande suspiro. Ainda faltavam cinco minutos para o começo das aulas, então, voltou a correr.

– Madeline? Atrasada de novo? – ouviu uma voz ao longe quando conseguiu alcançar o portão da escola.

– Ah, olá Margarida. – ela riu, nervosa.

– Olá? Já é a quinta vez só neste mês. – a mulher disse com a voz rígida. Adorava Madeline, mas devia ser mais dura com a mesma.

– Eu sinto muito, muito mesmo! – sorriu.

– É a última vez. – a mulher respondeu, após dar um grande suspiro. E viu Madeline voltar a correr pelos corredores, em busca de sua sala. – Não corra pelos corredores!

Mas a menina não pareceu prestar atenção no grito da Inspetora, apenas chegou na sala ofegante. Metade da sala parou oque estavam fazendo para observar a menina, sabiam que ela estava encrencada.

– Senhorita Smith? – indagou o Sr. Hunter, um senhor que aparentava ter trinta anos, e o professor mais chato de toda a escola. – Posso saber o motivo do atraso?

– Oh, meu despertador não tocou hoje. – sorriu, irônica.

– Essa já está velha. – Madeline torceu o nariz e viu sua melhor amiga, Anne, soltar uma risada baixa.

– Somente desta vez. – ele murmurou.

– Eu juro. – ela murmurou de volta e foi se sentar. – Muito obrigada pela ajuda, Anne. – ela sussurrou para amiga após se sentar e certificar que o professor não estaria olhando.

– Amigas são para isso.– murmurou, rindo.

Apesar de o Sr. Hunter deixar Madeline entrar, não significava que ele gostava da menina. De cinco em cinco minutos ele a perguntava algo, mesmo sabendo que ela tinha Dislexia e Déficit de Atenção, assim como Anne. Aquilo já estava irritando Madeline, e a garota estava ponto de explodir.

– Qual foi o principal fator da Segunda Guerra Mundial? – perguntou o Sr. Hunter, com um ar superior. – Madeline?

– Quer saber? Cansei. Não vou responder porcaria de pergunta alguma! – berrou.

– Madeline! – Anne murmurou para a amiga.

– Não, Anne. Eu cansei dessa porcaria de escola! Cansei de tudo! – berrou, e o professor começou a se irritar. – Ele sabe que nós temos problemas e insiste em fazer isso? Qual é o propósito?

– Diretoria. – ele disse, tentando não parecer irritado, fracassou.

Madeline apenas sorriu cínica e pegou suas coisas, indo ver a Sra. Greens, que estava substituindo o antigo diretor. A garota nunca havia sequer falado com a mulher, mas ela não lhe parecia muito agradável.

Ao chegar na diretoria, deu apenas duas batidas na porta e escutou um breve "Entre", e então, entrou. A mulher lhe dava ânsia de vômito, era ainda mais feia que sua Tia-Avó Tessie. Rugas por todo o rosto e uma ainda maior no nariz. Lábios finos e com um batom amarelado, olhos caídos e cheios de olheiras.

– Madeline Smith? – indagou. – Oque faz aqui?

– O professor Hunter. Sabe que eu tenho Dislexia e Déficit de Atenção, mas ainda assim insiste em me atormentar. – a menina ignorou o fato da mulher saber seu nome, mas continuou. – Então, ele me mandou vir para cá só por que me recusei a responder. – ela disse, sem encarar a diretora. A mulher deu uma risada fraca, e Madeline se perguntou se ela não estava rindo dela.

– Meio-Sangue tola. – a diretora murmurou, com uma voz sombria.

– Como? – indagou a menina, e logo ouviu baques e barulhos de algo caindo no chão. Quando encarou a diretora novamente, se surpreendeu. A pele estava ficando cinza, orelhas grandes começaram a crescer e dentes afiados apareciam de sua boca como um passe de mágica. – Oque está acontecendo?

– Nos revoltamos! A espada é nossa! – o monstro berrava, enquanto Madeline gritava e colocava a mão sobre a boca, com horror. – Vou matar você, Semideusa, e logo depois, matarei o seu pai.

– Mas oque? – era a única coisa que ela conseguia dizer. Foi então que o monstro se transformou completamente. A menina tentava abrir a porta, em vão. – Socorro! Socorro! – gritou, vendo o monstro ir em sua direção.

Madeline sentiu o baque e se jogou contra a parede. Logo depois um barulho de vidro quebrando e quando abriu os olhos novamente, viu o monstro se transformando em pó. Olhou para o lado e viu um garoto e uma garota. Ele tinha a pele clara, os cabelos negros e os olhos verdes. Ela tinha os olhos cinzentos e cabelos loiros, e carregava uma expressão de fúria.

– Quem são vocês? Oque querem de mim? Oque era aquilo? – berrou.

– Uma coisa de cada vez. Primeiro, onde está a sua amiga? – indagou a loira, provavelmente se referindo à Anne.

Então, num segundo, Madeline estava correndo de volta à sala de aula a procura de sua amiga. Chegou bem a tempo de vê-la ser erguida ao alto por outro monstro, bem parecido com o qual acabara de enfrentar. O garoto tomou impulso em uma mesa e com um golpe, cravou uma espada nas costas do monstro. Anne caiu em cima de Madeline, que havia se jogado em baixo dela propositalmente.

– Oque. Foi. Que. Aconteceu. Aqui? – ela perguntou, pausadamente.

– Explicamos no caminho, mas agora nós realmente precisamos ir. – a garota loira disse, tomando frente e saindo da sala.

– Temos que ir. – disse o garoto, seguindo-a.

Anne e Madeline não exitaram em segui-los. Oras, elas haviam acabado de ser atacadas por dois monstros que sequer sabiam que existiam e aqueles dois garotos tinham as salvado. Quer motivo maior para confiar? Após um bom tempo andando para um ponto de ônibus, a loira disse para as duas garotas não encararem ninguém, e sequer olhar para os lados.

– Tá tudo muito bem, já estamos no ônibus e está quase vazio. Podem nos explicar oque aconteceu lá? – indagou Anne.

– Meu nome é Percy, ela é Annabeth. – disse o garoto, e Madeline teve um pequeno surto ao ver os dois olhos verdes a encararem. – Os dois monstros que atacaram vocês são chamados de Fúria.

– Por que nos atacaram? – indagou Madeline.

– Isso eu acho que somente sua mãe pode explicar. É um assunto complicado, mas oque importa é que vocês terão que ir para um lugar especial. – Annabeth disse, abaixando o tom de voz.

– Vocês não entendem. Eu não faço a mínima ideia do que está acontecendo aqui, e muito menos por que vocês estão aqui. Eu sou uma pessoa normal, não sou atacada por monstros todos os dias. Vocês não me conhecem. – disse Madeline, fazendo Percy soltar um riso. Ela o encarou e ele sorriu ainda mais.

– Seus nomes são Madeline Smith e Anne Claire. As duas tem quinze anos e tem Déficit de Atenção e Dislexia. Ou vocês só conhecem a mãe, ou só conhecem o pai. Provavelmente tem habilidades para lutas e quando leem, as letras embaralham. Acham que isso é coisa da "doença" de vocês, mas, na verdade, vocês leem em grego. – disse Percy, fazendo uma pequena pausa para respirar.

– Okay. Agora eu posso ficar preocupada. – murmurou Anne.

– Não precisam. – disse a garota. – O lugar para qual vocês vão é o nosso lar, é a nossa casa. É seguro para todos nós, nenhum monstro vai atacar vocês.

– Tudo bem, mas e as nossas mães? – indagou Madeline.

– Suas mães sabiam que a hora iria chegar. Provavelmente elas ficam preocupadas todas as vezes em que vocês vão para o colégio, o único lugar seguro no mundo é o Acampamento Meio-Sangue. – disse Percy.

– Eu preciso digerir tudo isso. – murmurou Madeline, sentindo o braço de Anne passar pelo seu pescoço. – Descemos aqui. – disse, após olhar para a janela e ver sua casa.

Os quatro desceram em silêncio. Madeline e Anne iam na frente, adquirindo toda a informação, Percy e Annabeth iam mais atrás, quietos. Quando chegaram na casa de Madeline, entraram em silêncio. As garotas tinham medo de que mais um monstro saltasse da cozinha para matá-las, mas a única pessoa que apareceu ali fora sua mãe.

– Madeline, estava ficando preocupada. – disse ela, mas parou ao ver Percy e Annabeth. Logo seu olhar se voltou para as camisas que usavam por dentro do casaco, "Acampamento Meio-Sangue". – Não é a hora.

– É a hora. Elas quase foram mortas. – disse Percy. – A menos que queira ver sua filha ser perseguida por trilhões de monstros, acho melhor deixá-la vir conosco.

– Não tenho escolha. – ela murmurou. – Vou ligar para a sua mãe, Anne.

***

– Conte-nos. – murmurou Madeline, quebrando o silêncio que estava no carro.

– Sobre? – sua mãe indagou, desviando o olhar do trânsito.

– Sobre tudo. – respondeu. Percy, que estava no banco de trás, decidiu não se manifestar e pegou uma revista que achou por ali.

– Os monstros te atacaram por que é especial, filha. – murmurou.

– Por favor, mãe. Vá direto ao ponto. – sussurrou.

– Tudo bem. – ela suspirou, derrotada. – Suponho que já tenha ouvido falar sobre os Deuses do Olimpo. – Madeline assentiu. – E quando eles vinham à Terra e ficavam com os humanos, e dali, nasciam os Semideuses, ou Meio-Sangues.

– Continue.

– Cada um deles vinha com um poder especial, de cada pai. – murmurou. – Mas, como nada é perfeito, existem monstros que querem domar o mundo, e começam matando os Semideuses.

– Como aquela tal de Fúria, no colégio? – indagou e sua mãe assentiu.

– Você é a filha de um Deus. Dislexia e Déficit de Atenção são na verdade, os seus poderes. Você lê em grego sem nem perceber. – sorriu.

– Isso é tão difícil de aceitar. – murmurou Madeline.

– Mas aceite. – sorriu. – Você é especial, Madeline.

– Quem é o meu pai? – indagou ela, vendo sua mãe parar de falar e perder a cor. – Mãe? Quem é o meu pai? – perguntou novamente.

– E-Eu não sei. S-Suponho que ele te declare em alguns dias. – sorriu, falsamente. Madeline sabia que sua mãe estava mentindo, era tão fácil de perceber.

– Hum. – a garota fingiu aceitar tudo aquilo e encostou sua cabeça no banco de couro do carro. Sentiu seus olhos ficarem pesados e tudo ficou escuro.

***

– Madeline, filha, acorde. – sentiu seu braço ser puxado e abriu os olhos.

– Hum? – indagou, sonolenta.

– Nós chegamos. – disse Percy, animado.

– Onde está Anne? – indagou Madeline. Só agora ela se preocupara com sua amiga, que estava em outro carro, com sua mãe e Annabeth. – Ela chegou?

– Sim, está te esperando. Se despeça de sua mãe. – disse ele, dando as costas e começando a caminhar com algumas malas de Madeline.

– Você tem que ir. Eu vou ficar bem, não se preocupe. E qualquer coisa, se lembre: eu estarei sempre aqui, pra você.

– Eu te amo, mamãe. Cuide-se. – murmurou.

– Te amo mais. – viu a mãe se afastar e ir embora, e secou algumas lágrimas que começavam a cair.

Madeline se virou e se deparou com uma grande placa. Logo as letras que estavam nela iam se distorcendo, formando uma nítida frase. "Acampamento Meio-Sangue". Olhou um pouco mais à sua frente e viu Anne, Annabeth e Percy esperando-a. Ela bufou, antes de começar a caminhar em direção aos três. Um misto de emoções tomava conta da garota. Nervosismo, ansiedade, angústia, aflição, mas um se destacava ainda mais. Medo.

– Estão prontas? – Percy indagou, vendo as duas fazerem um "Não" com a cabeça. – Vamos mesmo assim. – Annabeth bufou, adentrando no acampamento antes de todos. Madeline se perguntou se ela era tão nervosa assim todos os dias, e a resposta era sim.

– Vamos lá. – murmurou, antes de passar pela Barreira Mágica e conhecer um novo mundo, um novo mundo que seria a sua casa dali em diante.

Notas finais
Gostaram?