Filha das Ondas.
5 O preço real.
Notas iniciais
Eu não acredito que estou terminando, >< mais um capítulo e acabou, o que será que vai acontecer?
Esse foi curtinho e rápido. Eu odeio fazer as pessoas esperarem, sou horrível fazendo mistério, desculpem-me.
E mais um capítulo que eu escrevo sentindo uma dor no peito, e morrendo de vontade de chorar.
Espero que gostem, e preparem os corações....
“É tão difícil falar e dizer coisas que não podem ser ditas. É tão silencioso. Como traduzir o silêncio do encontro real entre nós dois? Dificílimo contar. Olhei pra você fixamente por instantes. Tais momentos são meu segredo. Houve o que se chama de comunhão perfeita. Eu chamo isto de estado agudo de felicidade.”
– Clarice Lispector.
Faltava apenas duas semanas para o prazo de Aria terminar quando disseram que o príncipe estava noivo.
– O príncipe vai casar! – o coração da princesa bateu acelerado em resposta. – Ele vai desposar a encantadora Larin, uma princesa filha dum rei vizinho. Mandaram equipar o maior navio do reino com o pretexto de fazer uma visita simples ao soberano, mas na verdade, o rei escolheu Philip como o futuro marido de sua filha, e vão tratar do casamento.
Casar-se? Mas Philip não dissera nada a ela, era mentira? Porque ele não teria lhe contado? Aria correu pelo castelo, desceu a escadaria e encontrou o príncipe no jardim, segurando uma rosa entre os dedos. Ele ergueu o olhar ao notar a presença da jovem, e viu a confusão brilhando em seu olhar. Ela soubera, sentiu-se muito triste por não ter sido ele quem tinha contado. Mas por algum motivo, isso o deixava triste.
– O que eu posso fazer, minha pequena? Não quero me casar assim, mas meu pai me obriga. Não posso gostar dela, ela não é como tu, que pelo menos parece com a jovem do convento. Preferia casar-me contigo, que tens olhos tão expressivos, apesar do teu eterno silêncio. Que poderei eu fazer? – suspirou ele – Pelo menos venha comigo, e não me deixe só.
Aria assentiu, iria com ele até os confins da terra. Mas ao embarcar no lindo navio, ela sentiu uma dor tão grande, que o príncipe preocupou-se com ela.
– Não precisa temer o mar, minha filha.
Ele a puxou para seus braços e contou-lhe sobre as tempestades e vagalhões em fúria. Falou-lhe sobre os peixes, os tesouros e plantas escondidos no mar. Suas palavras faziam Aria sorrir, pois cada palavra que ele dizia, não era nem metade das belezas do mar que ela conhecia como ninguém. Era uma filha do oceano, princesa do reino do mar. Era a mais jovem de seis irmãs, e sua cauda, símbolo do seu povo, era admirada e sobre sua beleza entoavam canções.
Agora, não era mais do que uma dama de companhia. Não tinha seu título, sua cauda, sua família e logo perderia sua vida. Amava o príncipe, e a cada dia seu amor por ele aumentava. Mas não era correspondido, e nunca seria. Philip amava outra, e ignorava as súplicas do coração dela.
Ao luar, quando todos iam dormir, Aria gostava de debruçar-se à borda da embarcação, fixava os olhos nas águas calmas, tentando penetrar a transparência do mar. Ás vezes ela tinha a sensação de ver o castelo de seu pai, tão belo e colorido que parecia brilhar do fundo do mar. E também via os olhos de sua velha avó, tão distantes e preocupados que ela chorou ao pensar na dor que causara a todos que a amavam.
Uma noite antes da chegada ao reino vizinho, suas irmãs apareceram. Olhavam para ela com desespero, sabiam que o fim da caçula se aproximava e temiam. Aria tentou sinalizar que tudo estava bem, mas um dos marinheiros apareceu e suas irmãs fugiram para o fundo do mar. E Aria sentiu-se sozinha mais uma vez, e chorou.
No dia seguinte, o navio entrou no porto da cidade principal, onde morava o rei vizinho. Sinos bimbalhavam como loucos no topo das enormes igrejas. Música festiva alegrava a cidade, e pessoas vestidas com lindas roupas coloridas se amontoavam o mais perto possível dos recém-chegados. Os soldados fizeram um desfile em honra aos visitantes, e uma grande festa foi celebrada.
Eles cantaram, dançaram e comeram. Mas não se via nem sinal da princesa, noiva de Philip. Aria borbulhava de curiosidade. Queria muito saber se como ela era, mas também sentia um medo profundo. Sabia que aquela comitiva nem se comparava a que teria recebido em seu reino, se voltasse para casa. Nem a música, nem o tilintar dos sinos poderiam ser mais belos do que a voz das filhas do mar, ou tão brilhantes quanto o sorriso de suas irmãs.
Aria lembrou-se de seu pai, usando sua grande coroa de corais e pedras que cresciam nas cavernas subterrâneas. Lembrou-se das pérolas depositadas nas lindas conchas do castelo, da areia branca e do azul intenso que brilhava durante o dia. Porque nunca notou como era bonito olhar para o castelo em dias de sol? Como não notou a serenidade do movimento das plantas, das cores vivas das flores e árvores que cresciam no fundo do mar? Sentia falta de casa, sentia tanta falta de casa que começou a chorar e soluçar. O príncipe correu ao encontro dela, estava muito preocupado, pois nunca a tinha visto chorar.
Ele a abraçou, mas ela não parava. As mãos pequenininhas empurram-no para longe dela, e ela encostou-se a uma parede e envolveu os braços ao redor de si mesma. Que faria ela agora, com o príncipe se casando e faltando algumas semanas para seu fim? Porque ele não via que ela o amava? Porque não notava o quanto era bonita? Porque ele não conseguia amá-la, depois de tudo?
Então um som de trombeta soou forte, e a mulher mais linda que Aria já vira na vida, apareceu no topo das escadas. Usava um lindo vestido verde, era da mesma cor que sua cauda. Os cabelos eram castanho-avermelhados e a pele era muito branca, porém não tão alva quanto à de Aria. E suas bochechas eram rosadas e os lábios eram vermelho-sangue, com grandes olhos amendoados cor-do-céu olhando fixamente para o príncipe.
Os olhos do príncipe se arregalaram e ele se afastou de Aria. Seu rosto brilhava como o sol, e um grande sorriso formou-se em seus lábios. Philip ficou quase louco de contentamento.
– Foi ela! – exclamou – Foi ela que me salvou a vida, quem me encontrou na praia quando meu navio naufragou, a mulher que eu amo!
E correu em direção a ela, abraçando a jovem noiva. Girava-a no ar enquanto a princesa corava, beijava-lhe a face com uma ternura que Aria nunca recebera, olhava-a com uma intensidade que nunca foi direcionada a ela, nem por ele, nem por ninguém.
– Meu desejo mais ardente realizou-se! Olhe pequena, olhe e contemple minha felicidade, pois tu gostas de mim mais que qualquer outra pessoa.
Aria olhou, sentindo o coração quebrar-se em mil pedacinhos, tão pequenininhos que ela soube que nunca mais os juntaria. Sentia sua alma romper-se ao meio, como se chorasse, como se gritasse. Mas ela sorriu. Sorriu da melhor forma que podia e beijou a mão do príncipe, depois virou as costas e correu tão rápido que não enxergava para onde. A dor que sentia em seus pés não poderia nem ao menos se comparar a dor dilacerante que sentia em seu coração.
Notas finais
Dedico esse a minhas duas fãs lindas *-*
E. e D. Obrigado por comentarem e lerem, vocês não sabem o quanto foram importantes para essa fic e para mim >///
Aos demais, obrigada.
- Cora.
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