Filha da guerra
69 65. Sarah Black • Renesmee Black
Junho de 2019
A luz suave da manhã atravessava as grandes janelas de vidro do gabinete de Rachel na Câmara Municipal de Seattle, projetando sombras elegantes sobre o piso de madeira clara. A atmosfera ali era o oposto do ambiente sufocante da emergência do hospital ou da mansão cercada por segredos: cheirava a café fresco, papel impresso e orquídeas recém-regadas.
Rachel estava disposta atrás de sua mesa organizando uma pilha de projetos de lei comunitárias. Ela vestia um terno de alfaiataria impecável, a postura firme de uma vereadora respeitada que construíra uma carreira política sólida, longe dos holofotes da máfia, mas usando o peso e o prestígio social da família para causas legítimas.
— Café? — perguntou Rachel, erguendo os olhos e sorrindo com genuíno afeto ao me ver cruzar a porta.
— Aceito, por favor — respondi, deixando minha bolsa sobre a poltrona de couro e me sentando diante dela.
Aquele espaço era um dos meus raros refúgios. Ali, o nome "Black" não evocava medo, armas ou acordos no submundo, mas sim iniciativas de saúde pública, centros comunitários e projetos de apoio a famílias de baixa renda. Era o lado da família que tentava retribuir à cidade e manter viva uma fachada — ou uma busca sincera — de dignidade.
Rachel me entregou uma xícara de porcelana com café fumegante e se encostou na borda da mesa, me observando com atenção maternal.
— Você está com olheiras profundas, Nessie. O plantão de ontem no hospital foi tão pesado assim?
Pressionei os lábios contra a borda da xícara, sentindo o calor do líquido tentar dissipar a frieza que ainda habitava o meu peito desde o incidente com o Noah.
— Teve um atendimento difícil no trauma — murmurei, escolhendo as palavras com cuidado diplomático. — Nada com que eu não deva me acostumar, mas... dias assim pesam.
Rachel assentiu em silêncio, a compressão sutil em seu olhar mostrando que, mesmo sem detalhes, ela entendia perfeitamente o tipo de sombra contra a qual eu lutava diária e silenciosamente.
— Bom, então vamos focar nas coisas que nós conseguimos controlar — disse ela, mudando o tom com uma energia renovada e pegando uma pasta azul sobre a mesa. — A comissão de saúde aprovou a verba para a expansão da ala pediátrica da clínica comunitária que nós inauguramos no mês passado. O projeto que você ajudou a desenhar para o atendimento pré-natal gratuito passou sem uma única objeção.
Olhei para os gráficos e planilhas que ela abriu na minha frente. Ver o meu trabalho como enfermeira se traduzir em políticas públicas reais para a comunidade trazia uma sensação quase esquecida de utilidade e paz.
— Isso é incrível, Rachel... — comentei, um sorriso tímido finalmente surgindo no meu rosto. — A comunidade do lado leste precisava desesperadamente desse suporte.
— E eles só vão ter isso por causa da sua insistência e do seu olhar técnico — elogiou Rachel, apontando para a minha assinatura no documento. — Sexta-feira temos um evento beneficente na Câmara para arrecadar fundos para a nova ala. A imprensa de Seattle vai cobrir o evento, e eu quero você do meu lado no palanque, Enfermeira Black.
Fiquei encarando o documento aprovado. Estar ali, trabalhando pelo lado social da cidade ao lado de Rachel, era o meu lembrete de que nem tudo em nossa vida era moldado pelo sangue e pela violência do império de Jacob. Existia um lado luminoso, uma tentativa constante de fazer o bem e eu me apegaria a ele com todas as minhas forças.
O som ritmado de passos ecoando pelo piso de mármore do corredor interrompeu a nossa conversa. A porta do gabinete se abriu com um estalo seco, e Sarah cruzou a soleira, seguida de perto por dois dos seus seguranças habituais, homens altos, de postura rígida e terno escuro, que se posicionaram estrategicamente do lado de fora da sala, mantendo a porta entreaberta.
Ajustei a postura na cadeira no mesmo instante, o estômago dando um nó. O relógio na parede de Rachel marcava dez e meia da manhã.
— Sarah...? — murmurei, o alarme disparando no meu peito. — O que você tá fazendo aqui? Você devia estar na aula de direito agora.
Antes que minha filha pudesse responder, a porta se abriu completamente e mais duas figuras conhecidas entraram no gabinete: Maya, a filha de Sam e Emily, vestida com seu habitual estilo prático e olhar atento, seguida pela própria Emily, que trazia uma expressão séria, quase desculposa no rosto.
Rachel se levantou devagar de trás de sua mesa, cruzando os braços e franzindo a testa enquanto olhava de uma para a outra.
— Alguém me explica o que significa essa reunião de família não solicitada no meio do meu expediente na Câmara? — perguntou Rachel, a voz impondo a autoridade de quem não gostava de surpresas em seu ambiente de trabalho.
Meu olhar se cravou no rosto de Sarah. Minha filha de dezoito anos tinha as bochechas coradas e o queixo erguido, mas havia uma tensão palpável na forma como ela segurava a alça da bolsa de couro. A postura de defesa era idêntica à do pai quando prestes a entrar em um confronto.
— Mãe... por favor, não surta — começou Sarah, dando um passo na minha direção e erguendo as duas mãos em um gesto apaziguador.
— Não surta?! — me levantei num pulo, a cadeira arrastando ruidosamente no piso. O pavor do dia anterior no hospital voltou com força total, fazendo minha respiração acelerar. — Você largou a faculdade no meio da manhã, trouxe a sua escolta completa pra Câmara Municipal e veio acompanhada da Emily e da Maya! Do que você tá falando, Sarah?! O que aconteceu?! O Jacob fez alguma coisa? O seu irmão...?
— Mãe, escuta! — pediu Sarah, num tom mais alto, aproximando-se de mim enquanto Emily colocava uma mão suave sobre o meu ombro para tentar me acalmar. — Eu preciso da sua ajuda agora
— Renesmee, respira. Deixa a garota falar — pediu Emily com a voz serena, embora a preocupação estivesse estampada em seus olhos.
— Eu não vou respirar até saber o que tá acontecendo! — disse eu, sentindo minhas mãos começarem a tremer. Encarei minha filha, o coração martelando contra as costelas. — Fala de uma vez, Sarah!
Sarah soltou o ar ruidosamente, encarando-me nos olhos com uma determinação furiosa que queimava em seu olhar.
— Eu ouvi o pai conversando com o Sam e os advogados mais cedo no escritório de casa — disparou Sarah, a voz vibrando de indignação. — Ele tá querendo fechar um acordo de casamento pra mim, mãe! Ele quer me usar como moeda de troca diplomática com outra família!
O ar sumiu dos meus pulmões por completo. O gabinete de Rachel pareceu encolher.
— O quê...? — sussurrei, horrorizada.
— Mas eu não vou aceitar isso de jeito nenhum! — continuou Sarah, o tom subindo carregado de uma revolta inabalável. — Eu não sou um contrato de negócios dele, não sou a porra de um peão de tabuleiro! Eu não vou me casar por causa da porcaria de um acordo da máfia!
A reação no meu peito foi visceral, uma onda de calor sufocante e fúria cega que dissipou qualquer traço da dor e da exaustão do dia anterior.
Aproximei-me de Sarah com passos rápidos, segurando o rosto da minha filha entre as minhas mãos trêmulas. Olhei bem no fundo dos olhos dela, vendo a mistura de pânico, revolta e medo que ela tentava esconder sob aquela postura altiva.
— Olhe para mim, Sarah — ordenei, a voz firme e embargada, ressoando com uma determinação que fez até mesmo Rachel e Emily se calarem na sala. — Escute bem o que eu vou te dizer.
Sarah piscou, as lágrimas finalmente transbordando pelos seus cílios.
— Ninguém vai te usar como moeda de troca — declarei, cada palavra pausada, cravada no ar como um juramento sagrado. — Você não é um peão de guerra, não é um contrato e não vai se casar com ninguém contra a sua vontade. Eu não passei a minha vida inteira lutando contra esse império para ver a minha filha ser vendida em um acordo diplomático.
— Mãe... o pai é implacável, o Sam estava apoiando a ideia... — disse Sarah, a voz falhando por um segundo.
— Eu não me importo com o Sam, com os advogados ou com o conselho inteiro do Jacob — fechei o punho ao lado do corpo, a respiração acelerada, encarando minha filha com uma ferocidade que há muito tempo eu não deixava transparecer. — O Jacob vai ter que passar por cima do meu cadáver. Ele vai ter que me matar, Sarah! Ele vai ter que me tirar daquela casa num caixão antes de encostar um dedo no seu futuro e te obrigar a casar por causa da porcaria de uma aliança!
Um silêncio absoluto caiu sobre o gabinete de Rachel.
Emily deu um passo à frente, cobrindo a boca com a mão, chocada com a violência da minha promessa. Rachel se encostou na mesa, o rosto pálido ao perceber que a linha que mantinha a nossa família de pé acabara de romper de vez.
Sarah me abraçou com força, escondendo o rosto no meu pescoço, o corpo estremecendo com um alívio choroso. Eu a apertei contra o meu peito, acariciando os cabelos da minha menina, enquanto meu olhar se fixava na janela do gabinete.
•••
O tilintar dos talheres contra a porcelana fina era o único som que cortava o silêncio pesado da sala de jantar. A mesa imensa de madeira maciça parecia ainda mais fria e vasta naquela noite, com apenas três lugares ocupados.
Mantive a postura ereta na cabeceira, a taça de água intocada ao meu lado. Eu mal conseguia engolir uma única garfada. No centro da mesa, Noah tentava conversar em tom baixo com Sarah, que mantinha uma expressão emburrada enquanto cutucava os legumes no prato.
A tensão no meu peito era sufocante, acumulada ao longo de todo o dia desde a conversa estarrecedora no gabinete de Rachel. Eu esperei por aquele momento durante horas, contando cada minuto.
O som característico dos passos firmes de Jacob ressoou pelo hall de entrada, acompanhado pelo murmúrio distante dos seguranças no corredor antes de as portas duplas de cedro se abrirem.
Jacob entrou na sala tirando o paletó escuro. A presença dele, densa e incontornável, pareceu preencher e congelar instantaneamente o ambiente. Ele passou a mão pelo rosto exausto, mas o olhar que lançou sobre mim revelou que ele já sabia exatamente a tempestade que o aguardava.
— Boa noite — disse Jacob, a voz grave ecoando pelo espaço enquanto ele caminhava para se sentar na outra extremidade da mesa.
Não respondi ao cumprimento. Ergui os olhos, frios e afiados, cravando meu olhar no dele.
— Noah, Sarah... subam para os quartos de vocês — ordenei, a voz saindo num tom baixo, mas carregado de uma autoridade inflexível. — Agora.
Os dois irmãos se olharam de relance. Noah franziu a testa, deixando o garfo sobre o prato com um estalo incômodo.
— Mãe, a gente nem terminou de jantar — protestou Noah, encarando-me com o semblante sério. — E o pai acabou de chegar, a gente queria...
— Eu disse para subirem, Noah — interrompi, sem tirar os olhos de Jacob por um único segundo. — A conversa agora é entre o seu pai e eu.
— Mas mãe... — Sarah começou a retrucar, cruzando os braços e fincando o corpo na cadeira com a habitual rebeldia. — Você prometeu que a gente ia falar sobre...
— Sarah. Noah. — A voz de Jacob cortou o ar como um chicote.
Ele não precisou alterar o tom. Bastou o alcance grave de seu chamado e a rigidez de seu olhar para que a resistência dos nossos filhos evaporasse no mesmo instante.
Noah fechou a boca imediatamente, engolindo qualquer outro argumento. Sarah olhou de Jacob para mim, percebendo que a atmosfera ali não dava margem para desobediência.
— Sim, pai — murmurou Noah, levantando-se e empurrando a cadeira para trás.
— Boa noite, pai... boa noite, mãe — disse Sarah, num fio de voz, levantando-se logo em seguida.
Assisti em silêncio aos dois caminharem até as portas da sala de jantar. Quando a madeira pesada se fechou atrás dos meus filhos, restou apenas o espaço sufocante entre mim e Jacob, pronto para que a guerra declarada mais cedo finalmente explodisse.
— Você ficou louco, Jacob? — descarreguei, a voz trêmula de fúria enquanto contornava a mesa. — Um acordo de casamento para a Sarah?! Eu sei que ela acabou de fazer dezoito anos, mas ela não é a porra de uma propriedade sua para ser negociada no seu conselho!
Jacob nem sequer piscou. Ele largou o paletó sobre o encosto da cadeira, os olhos escuros estreitando-se na minha direção com uma perigosa rapidez.
— Como você soube disso, Renesmee? — perguntou ele, a voz baixa, mas afiada como um bisturi. — Quem do meu escritório andou abrindo a boca pra você?
— Você acha mesmo que eu dou a mínima para como eu descobri?! — avancei dois passos, ignorando o tom de ameaça na pergunta dele. A raiva que acumulei o dia inteiro no hospital e no gabinete de Rachel transbordava agora sem nenhum filtro. — O que importa é que é verdade! Você estava numa sala com o Sam e os seus advogados desenhando o futuro da minha filha como se ela fosse um contrato de expansão territorial!
— Abaixa o tom de voz — alertou Jacob, a postura rígida, a mandíbula travada enquanto ele dava um passo na minha direção.
— Eu não vou abaixar a voz! — gritei, dando mais um passo à frente, encarando-o cara a cara. A dor de ver Noah no hospital e a perspectiva de ver Sarah acorrentada à mesma engrenagem me deixavam cega. — Eu passei a minha vida inteira aceitando as suas guerras, engolindo os seus segredos! Mas se você acha que vai transformar a minha filha numa moeda de troca da máfia, você tá muito enganado! Você é um monstro se acha que...
— CALA A BOCA, RENESMEE! — o urro de Jacob explodiu pela sala de jantar.
O som do grito dele foi tão violento, tão gutural e ensurdecedor, que pareceu fazer as estruturas de vidro do lustre tremerem.
Recuei um passo no mesmo instante. Um susto involuntário travou a minha garganta, o ar sumindo dos meus pulmões enquanto meu corpo reagia ao impacto puro da voz do Don de Seattle descontrolado. O silêncio que se seguiu foi sepulcral, pesado e gélido.
Jacob fechou os olhos por um segundo. Ele respirou fundo, puxando o ar pelas narinas e soltando-o devagar, num esforço visível e quase doloroso para recuperar o domínio sobre si mesmo. Quando abriu os olhos novamente, o brilho de fúria desmedida dera lugar a uma intensidade sombria, mas muito mais baixa e contida.
— Cala a boca e me escuta — disse ele, a voz agora num sussurro áspero, mas perfeitamente audível.
Ele deu dois passos lentos até ficar a poucos centímetros de mim. Senti o calor do corpo dele e o peso esmagador da sua presença.
— Houve uma proposta — admitiu Jacob, olhando no fundo dos meus olhos, cada palavra pronunciada de forma pausada. — Um dos clãs do sul trouxe a ideia para a mesa do conselho durante a reunião da manhã. O Sam ouviu. Os advogados anotaram. É o trabalho deles ouvir ofertas e avaliar cenários.
Sua mão subiu devagar, os dedos roçando suavemente o meu rosto, numa transição de toque que misturava a firmeza do homem que dominava a cidade com o carinho do marido que me conhecia por inteiro.
— Mas você realmente acha que eu deixaria qualquer um tocar na nossa filha? — continuou ele, o tom de voz suavizando ainda mais, carregado de uma convicção inabalável. — Você me conhece, Nessie. Eu morro e mato por essa família. A Sarah pode ter dezoito anos, já ser uma mulher, mas ainda é a minha princesinha. Eu nunca... escuta bem o que eu tô te dizendo... eu nunca faria nada que a Sarah não quisesse fazer. Ela nunca vai ser usada como moeda de troca. Ninguém vai encostar um dedo nela enquanto eu respirar.
Fiquei estática sob o toque da mão dele, o peito ainda subindo e descendo descontroladamente. A fúria inicial começava a dar lugar a um nó doloroso na garganta, dividida entre a promessa categórica que ele acabara de me fazer e o terror de saber que, naquele mundo, até mesmo as promessas de um pai podiam ser cobradas em sangue.
O eco das palavras dele ainda vibrava nas paredes da sala de jantar, mas a rigidez do meu corpo começou a ceder sob a pressão do calor que irradiava de seu contato. Meus punhos, que ainda estavam fechados contra o peito dele, perderam a força.
Jacob percebeu a brecha na mesma hora.
Um rosnado baixo, quase imperceptível, escapou de sua garganta. Ele não esperou que eu me rendesse por vontade própria; envolveu minha cintura com uma força possessiva e esmagadora, puxando meu corpo de encontro ao seu com tanta violência controlada que todo o ar remanescente deixou os meus pulmões num suspiro trêmulo.
A distância entre nós desapareceu. Senti o tecido do terno dele contra o meu corpo, a dureza do peito de um homem que governava pela força bruta, e a intensidade febril que sempre me arrastava para o abismo, não importava o quanto eu tentasse lutar.
— Você acha mesmo que eu arriscaria perder você ou qualquer pedaço do meu mundo por causa de uma aliança de merda, Nessie? — murmurou ele contra a minha boca, a voz um sussurro áspero, denso de uma possessividade visceral.
Antes que eu pudesse formular qualquer resposta ou erguer outra defesa, a boca dele despencou sobre a minha.
Não foi um beijo de trégua; foi um ataque. Jacob tomou meus lábios com uma urgência faminta, a mão grande subindo pela minha nuca para travar meu rosto no ângulo perfeito, impedindo que eu fugisse de sua dominação. Os dentes dele morderam o meu lábio inferior com força suficiente para extrair um gemido abafado, que ele engoliu de imediato, profundo e possessivo.
Minhas mãos, antes erguidas para empurrá-lo, deslizaram involuntariamente para os ombros largos dele, agarrando o tecido da camisa com desespero enquanto o beijo se aprofundava, tirando-me o raciocínio. A raiva e o pavor que me consumiam minutos antes começaram a se liquefazer, transformando-se em uma vertigem febril que só ele conseguia provocar.
Jacob deslizou a outra mão pelas minhas costas, descendo com firmeza até a curva da minha coxa, levantando-me do chão sem o menor esforço. Enrosquei minhas pernas ao redor da cintura dele por puro instinto, sentindo o impacto das minhas costas colidirem contra a madeira escura da mesa de jantar, empurrando os pratos e talheres para longe com um som abafado.
— Jacob... os... os meninos... — tentei balbuciar contra a boca dele, o fôlego completamente tomado, a razão implorando por um fio de sanidade.
— Eles estão lá em cima, trancados nos quartos, exatamente onde mandei — cortou ele, a voz rouca e gutural contra a minha pele, enquanto os lábios dele traçavam um caminho febril pelo meu maxilar, descendo pelo pescoço exposto.
O calor da boca dele na curva do meu pescoço arrancou um arquejo agudo do meu peito. A mão pesada de Jacob subiu por dentro do meu tecido, queimando a pele com um toque possessivo, marcando-me como dele, lembrando a quem eu pertencia de verdade quando o mundo desabava.
Naquele território sombrio e implacável, ele não era apenas o Don que ameaçava o futuro dos meus filhos; ele era a força avassaladora que me consumia por inteiro, e eu, mesmo odiando o sangue nas mãos dele, caía de joelhos na mesma fogueira todas as vezes.
Fale com o autor