Filha da guerra
57 54. Escolhas difíceis • Jacob Black
18 de Setembro de 2003
Tudo havia mudado nos últimos anos. As estruturas desta casa, o ar pesado que circulava pelos corredores e, acima de tudo, a própria rotina da mansão. O único motivo real para as minhas irmãs continuarem vivendo sob este teto por tanto tempo fora o nosso pai. Mas o tempo passa, as alianças se consolidam e a vida cobra seu curso.
Mesmo antes de Renesmee me deixar naquele período turbulento, a debandada já tinha começado. Rebecca foi a primeira a arrumar as malas e partir com Solomon, buscando erguer o próprio lar em outras bases. Pouco tempo depois, Rachel reuniu suas coisas e se mudou para a residência de Paul. Sam e Emily haviam comprado uma mansão própria, um refúgio afastado para criarem a filha longe do calor direto das nossas guerras. E agora, até mesmo Claire se preparava para cruzar os portões e morar definitivamente com Quil assim que o casamento fosse selado.
Esta propriedade, que um dia transbordou o caos e o barulho de uma família inteira, tornou-se vasta, fria e silenciosa. Era um lugar grande demais para um Black morar sozinho.
No meu escritório, o cheiro de charuto, couro e uísque barato misturava-se ao ar tenso que dominava a sala. Os homens mais perigosos e leais que Seattle já viu estavam reunidos ao redor da minha mesa de carvalho. Meus cunhados — Solomon, Sam, Paul e Quil — ao lado do meu soldado mais fiel, Embry.
Jared não estava naquela reunião por um único e crucial motivo: desde a alvorada de sangue que enfrentamos, ele havia assumido o posto de segurança pessoal absoluto dos meus gêmeos. Não era, de forma alguma, um rebaixamento de cargo. Pelo contrário. Era a posição de maior honra e responsabilidade dentro da nossa organização. Noah era o meu herdeiro direto, o meu sucessor. Jared entendia perfeitamente o peso de guardar a vida do futuro Don deste território.
Aproximei-me da grande janela de vidro do piso ao teto. Lá fora, sob a luz mansa da tarde, Noah e Sarah corriam pelo gramado do jardim. Do ponto onde estavam, pareciam completamente alheios ao fato de que, a poucos metros dali, o mármore da entrada ainda guardava as marcas invisíveis de um massacre. Eram inocentes demais para a dimensão do pesadelo que havíamos sufocado no porão.
— O que pretende fazer agora, Jacob? — a voz grave de Solomon rompeu o silêncio do cômodo. Ele estava encostado na borda da mesa, com os braços cruzados sobre o peito.
Continuei encarando a imagem dos meus filhos brincando no jardim antes de responder. A imagem de Renesmee chorando debaixo da água do chuveiro ainda estava cravada na minha memória.
— Matar todos os envolvidos — respondi, sem piscar, sem hesitar um segundo sequer. — Varrer do mapa cada desgraçado que ajudou naquela invasão e acabar com qualquer ameaça que ousar olhar na direção da minha casa.
— Sempre haverá ameaças, Black — ressaltou Paul, ajeitando a postura no sofá de couro e soltando uma fumaça densa do charuto. — Essa é a nossa vida. Não tem como os seus filhos viverem no mundo de fantasia e flores que a mãe deles quer que eles vivam. Uma hora o sangue cobra a conta.
Respirei fundo, sentindo o ar queimar no peito. Fechei os olhos por um breve instante, absorvendo o peso das palavras dele.
Eles tinham razão. Ao menos em partes.
— Não nesta cidade — declarei, virando-me finalmente de costas para a janela para encarar aqueles homens.
Avancei passos lentos e firmes até o centro da sala, passando o olhar frio sobre cada um dos meus generais.
— Como assim? — Quil franziu o cenho, inclinando-se para a frente, curioso.
— Nós fomos caçados no nosso próprio território porque deixamos raízes expostas — expliquei, a voz saindo baixa, calculada e categórica. — O plano é simples: precisamos rastrear e encontrar o Aro Volturi onde quer que aquele desgraçado esteja escondido. Vamos arrancar a cabeça do topo dessa cobra e acabar de uma vez por todas com a ameaça Volturi. Quando a poeira baixar e o nome deles for só cinza... eu vou colocar a Renesmee e os meus filhos em um avião particular e enviá-los para outro país, sob identidades completamente limpas e inalcançáveis.
O silêncio na sala tornou-se quase sufocante.
— A Renesmee não nasceu pra essa vida, e ela deixou bem claro que não quer esse inferno pros nossos filhos — continuei, mantendo o olhar fixo neles. — Ela lutou como uma leoa naquela madrugada, mas não vou permitir que o medo volte a habitar a cabeça da minha esposa.
— Noah é o seu sucessor, Jacob — repreendeu Sam, com a voz firme de quem entendia as leis do nosso submundo melhor do que ninguém. — Ele carrega o seu sangue e o seu nome. Você não pode simplesmente apagar a herança dele.
— Não há como os seus filhos fugirem disso — concordou Paul, balançando a cabeça em negação. — O mundo da máfia não esquece quem são os herdeiros dos Black.
Parei diante deles, apoiando as duas mãos sobre a mesa de carvalho e me inclinando levemente.
— Eles vão fugir — respondi, com uma determinação inabalável que fez o próprio Sam se calar. — Ao menos a Sarah vai. Ela vai ter a vida em paz que a mãe dela sempre sonhou, longe de armas, de sangue e de bunkers. E quanto ao Noah... bem... vou adiar a entrada dele nesse inferno o máximo que eu conseguir.
Antes que qualquer um pudesse rebater a minha ordem, a maçaneta pesada da porta de carvalho girou e a entrada do escritório foi empurrada com força, batendo contra o batente sem qualquer aviso prévio.
O reflexo dos homens na sala foi puro instinto, moldado por anos de guerras urbanas, emboscadas e pelo trauma recente daquela mesma madrugada sangrenta. Num estalo seco, metálico e em uma sincronia assustadora, Sam, Paul, Quil, Solomon e Embry sacaram suas pistolas automáticas dos coldres, apontando os canos negros diretamente para a abertura da porta antes mesmo que a pessoa cruzar o limiar.
A reação brutal seria suficiente para fazer qualquer cidadão comum desmaiar de pavor ou se jogar no chão pedindo misericórdia, mas Renesmee sequer piscou.
Ela cruzou o batente com passos calmos, decididos e elegantes, equilibrando com uma maestria incrível uma pesada bandeja de prata onde repousavam uma jarra de café recém-passado e fumegante, duas xícaras de porcelana fina e um prato com uma fatia generosa de bolo ainda quente. Ela passou bem no meio dos canos das pistolas como se fossem meros pedestres numa calçada, ignorando completamente as armas e mantendo o olhar castanho cravado diretamente nos meus olhos.
— Puta que pariu, Nessie... — resmungou Paul, passando a mão pesada pelo rosto e soltando uma risada fraca e sem jeito. — Você quase ganhou dois gramas de chumbo no meio da testa. Que mania desgraçada de entrar nos lugares sem bater na porta!
— É a casa dela, seu animal — debochou Quil, empurrando o ombro de Paul e rindo alto para dissipar a adrenaIina.
— A leoa acordou mansinha hoje, pelo visto — provocou Solomon, com um sorriso de canto provocativo, cruzando os braços e balançando a cabeça em negação. — Da última vez que eu vi essa mulher, ela tava pronta para arrancar a sua cabeça e a de todo mundo, Jacob.
Observei a cena em silêncio absoluto. Ver Renesmee ali, em pé diante da minha mesa, de banho tomado, cabelo limpo e cheiroso, usando um vestido simples de tecido leve e trazendo o aroma doce de bolo caseiro para se misturar ao cheiro pesado de tabaco e álcool do meu escritório... aquilo fez algo profundamente quebrado no meu peito finalmente se assentar no lugar.
Inclinei-me para trás na minha imponente cadeira de couro, soltando a fumaça do cigarro lentamente pelo nariz enquanto passava os olhos por cada detalhe do corpo e do rosto dela, mantendo uma postura de desdém forçado para não demonstrar o quanto aquela presença me desarmava.
— Olha só... — murmurei, com o canto da boca se elevando num tom provocativo e debochado. — Até parece a minha mulher novamente.
Renesmee colocou a bandeja de prata sobre a madeira da mesa com cuidado extremo, posicionando-a exatamente ao lado do meu copo de uísque e do cinzeiro de cristal transbordando cinzas. Ela não se afastou. Em vez disso, virou-se para mim, apoiou as duas mãos na borda da mesa e se inclinou levemente na minha direção, diminuindo a distância entre nós.
Os olhos castanhos dela, agora completamente limpos do pavor da madrugada e transbordando daquela determinação teimosa e apaixonante que sempre me enlouqueceu, encararam os meus sem desviar nem por um milésimo de segundo.
— Você me trouxe de volta, não trouxe? — respondeu ela, num tom baixo, aveludado e profundo o suficiente para ressoar na minha alma, mas claro o bastante para que todos os homens no cômodo ouvissem cada sílaba.
Assim que as últimas palavras dela se dissiparam no ar, passei o olhar pelos meus homens. A mensagem não precisava ser dita em tom alto; o silêncio e o peso do meu olhar já eram suficientes.
— Fora — ordenei, a voz grave e sem dar margem para contestação. — Todo mundo. E ninguém pisa neste andar pelas próximas horas.
Paul soltou uma risada baixa, balançando a cabeça enquanto ajeitava o casaco, e Quil deu um tapa leve no ombro de Embry ao se dirigirem à saída. Solomon e Sam apenas assentiram em silêncio, compreendendo o recado de que o assunto sobre os Volturi estava pausado por agora. Em questão de segundos, a porta de carvalho pesado se fechou atrás deles, deixando apenas o estalo abafado da tranca ressoando no cômodo.
O silêncio do escritório mudou de figura. O ar, antes denso e carregado pela fumaça de charuto e táticas de guerra, tornou-se surpreendentemente calmo, preenchido apenas pelo aroma do café fumegante e do bolo na bandeja.
Renesmee deu a volta na mesa devagar. Ela me encarou por cima da pilha de documentos, ajustando a xícara na bandeja.
— Você vai comer? — perguntou ela, a voz num tom suave, mas com os olhos castanhos atentos ao meu rosto. — Eu mesma fiz o café. Sei que você não coloca nada no estômago desde ontem à noite. Está com fome?
Apaguei a ponta do cigarro no cinzeiro de cristal e apoiei os cotovelos nos braços da cadeira de couro, sem tirar os olhos dela por um único segundo. Uma faísca do antigo Jacob, aquele que se alimentava da teimosia e da presença dela, voltou a acender no meu peito.
— Tô — respondi, a voz saindo num tom baixo e rouco. — Mas não é de bolo.
Apanhei a mão dela com delicadeza, puxando-a levemente em minha direção. Renesmee vacilou por meio segundo, surpresa, mas não resistiu.
— Jake... — murmurou ela, tentando manter uma postura séria, embora o rubor leve nas bochechas entregasse o efeito do meu toque.
— Vem aqui — chamei, dando um leve tapa na minha coxa. — Senta no meu colo. De frente pra mim.
Ela olhou para a porta fechada, depois para a bandeja e, por fim, para o meu rosto. Sem dizer mais nenhuma palavra, Renesmee passou uma das pernas por cima das minhas coxas e se acomodou sobre mim, ficando de frente, com os joelhos dobrados de cada lado do meu corpo.
O calor dela me atingiu instantaneamente, dissipando o último resquício de frio que a carnificina daquela madrugada tinha deixado nas minhas veias. Envolvi a cintura dela com as minhas mãos grandes, puxando o corpo leve contra o meu peito até que não houvesse mais distância entre nós.
Renesmee descansou as mãos nos meus ombros, olhando no fundo dos meus olhos. O medo que antes a paralisava no banheiro não estava mais ali; em seu lugar, havia apenas a entregada silenciosa de quem sabia que, no meio de todo aquele caos, aquele colo ainda era o único lugar seguro no mundo.
— Você devia comer o bolo — sussurrou ela, embora não fizesse nenhum menção de se afastar, os dedos deslizando devagar pela nuca do meu pescoço.
— Eu tô olhando exatamente pro que eu quero comer — murmurei contra os lábios dela, sentindo a respiração morna da minha mulher desacelerar conforme ela finalmente relaxava nos meus braços.
Passei as mãos com força pelas coxas de Renesmee, trazendo-a ainda mais para cima, até que a curva do seu quadril se encaixasse com precisão sobre o meu membro ereto sob o pano grosso da calça. Ela soltou um arquejo baixo quando o contato direto a fez sentir a rigidez absoluta que me dominava.
Apertei os dedos no tecido do vestido dela, sentindo o calor ardente que emanava debaixo daquela saia. Haveria fogo, pólvora e sangue até o fim e a certeza brutal de que aquela poderia ser a última vez que eu sentiria a pele da minha mulher sob o meu corpo me atingiu no peito como um tiro.
Se esta fosse a minha última memória na terra, eu a gravaria na carne.
— Se eu for para essa guerra, Nessie... eu não sei como ou quando eu volto — rosnava contra a boca dela, a voz num tom grave, arrastado e faminto. — Então não me pede para ter calma.
— Não tenha... — sussurrou ela contra meus lábios, o hálito quente acelerado, as mãos cravando-se nos meus ombros com uma urgência desesperada. — Não tenha calma comigo, amor.
Não esperei. Enfiei a mão por baixo do vestido dela, subindo pelas coxas macias até alcançar a calcinha de renda. Puxei o tecido para o lado sem paciência, sentindo a umidade quente e pronta que ela já guardava para mim. Renesmee inclinou a cabeça para trás e soltou um gemido agudo quando toquei a sua intimidade com dois dedos, pressionando exatamente onde o prazer a fazia tremer por inteiro.
— Meu Deus, Jake... — ela arfou, o corpo curvando-se sobre o meu enquanto os joelhos se apertavam ao redor da minha cintura.
Abri o cinto com uma única mão, destravando o fecho da calça e libertando o meu membro já pulsante. Segurei o quadril dela com as duas mãos, erguendo-a levemente apenas para alinhá-la sobre o meu pau.
— Olha pra mim — ordenei, o olhar sombrio e fixo nos olhos castanhos transbordantes de desejo. — Olha bem nos meus olhos, morena.
Ela abriu os olhos, encarando-me através da névoa de tesão e entrega. Desci o quadril dela de uma vez, afundando-me completamente no calor apertado do seu corpo.
Um grito abafado escapou da garganta dela, um som delicioso que misturava dor leve e um prazer devassador ao sentir a minha extensão preenchê-la até o limite. Renesmee jogou os braços ao redor do meu pescoço, cravando as unhas nas minhas costas enquanto eu começava a me mover por baixo dela, num ritmo fundo, pesado e cadenciado.
— Jake... ah, meu ...Ah... — ela soluçava entre gemidos, rebolando o quadril no mesmo ritmo, buscando cada centímetro do meu pau.
Cada investida de baixo para cima fazia a mesa de carvalho ranger suavemente. Minhas mãos apertavam a bunda dela, moldando a carne, impulsionando-a contra mim a cada investida profunda que arrancava gemidos descontrolados da sua boca. O cheiro do sexo começou a dominar o ar do escritório, sobrepondo-se ao café e ao tabaco, transformando aquele cômodo solene em um verdadeiro santuário da nossa carnificina e do nosso amor.
Puxei o decote do vestido dela para baixo, expondo os seios fartos e quentes. Abocanhei o bico rijo de um deles, sugando com força enquanto mantinha as estocadas fundas, fazendo-a contorcer-se no meu colo.
— Você é minha... — rosnava entre uma morderia e outra na pele macia do peito dela, sentindo o pulso acelerado de Renesmee. — Não importa onde eu vá, não importa quantos homens eu precise matar... essa porra do seu corpo é minha.
— Sua... eu sou toda sua, Jacob! — ela exclamou, a voz falhando enquanto as paredes internas dela começavam a se contrair ritmadamente ao redor do meu membro, um sinal claro de que o orgasmo dela estava prestes a explodir. — Mais forte... por favor, mais fundo!
Apertei o quadril dela contra o meu com força total, aumentando a velocidade e a profundidade dos golpes, sentindo o aperto esmagador do corpo dela me puxando para o limite. O pensamento de que aquela sensação de plenitude podia ser a última coisa que eu sentiria na vida me fez acelerar até o ponto de não retorno.
Renesmee se curvou, soltando um grito alto e abafado contra o meu pescoço quando o orgasmo a atingiu em cheio, ondas de espasmos violentos ordenhando o meu membro com uma força deliciosa. Ao sentir a onda de prazer dela me engolir, dei mais três estocadas brutais, afundando até o fim antes de gozar copiosamente dentro dela, preenchendo-a com todo o meus jatos em impulsos longos e pesados.
Ficamos abraçados no silêncio que se seguiu, os corpos ensopados de suor, arfando fortemente enquanto a respiração de ambos aos poucos voltava ao normal. Segurei a nuca dela, mantendo-a colada ao meu peito enquanto o meu membro ainda descansava no fundo da sua boceta, gravando para sempre o calor da minha mulher na minha alma antes da tempestade de sangue que viria a seguir.
Permaneci com ela em meu colo por longos minutos, sentindo os espasmos suaves do seu corpo diminuírem gradativamente enquanto nossas respirações aos poucos voltavam ao ritmo normal. Meus dedos continuavam desenhando círculos calmos nas costas dela, aproveitando o calor e o perfume que só ela tinha, mesmo com a sombra do que viria a seguir pesando sobre a minha cabeça.
Apertei o quadril de Renesmee contra o meu, trazendo o rosto dela para perto até que nossos olhares se cruzassem novamente.
— Quando essa guerra com o Aro acabar... quando o último rastro dos Volturi for apagado da terra, você vai juntar as suas coisas — comecei, a voz saindo num tom baixo, grave e absolutamente inegociável. — Quero que você pesquise um país. Qualquer lugar do mundo. Uma ilha, uma cidade pequena na Europa, no interior do Canadá... escolha o lugar onde você sempre sonhou em criar o Noah e a Sarah em paz. E eu vou garantir isso pra você.
Renesmee parou no mesmo instante. Os olhos castanhos, ainda brilhantes pelo ápice do prazer de minutos atrás, encheram-se de lágrimas renovadas. A respiração dela voltou a engatar num tremor doloroso.
— Jacob, não... — sussurrou ela, a voz falhando enquanto balançava a cabeça em negação.
— Não tem discussão, Nessie — interrompi com firmeza, mas deslizando o polegar com carinho pela bochecha dela para enxugar a primeira lágrima que escorreu. — Eu vou mover céus e terra, vou gastar cada centavo do meu império e mobilizar cada homem que eu tenho para criar uma fortaleza limpa para vocês. Vocês vão ter identidades novas, vidas normais. O Noah não vai precisar carregar o peso de uma arma antes da hora, e a Sarah vai crescer sem saber o som de um tiro na porta de casa.
— E você?! — a pergunta dela saiu num grito abafado, rasgando o silêncio do escritório. As lágrimas agora desciam sem controle, e ela cravou as mãos no meu peito, me sacudindo com um desespero cru. — Onde você vai estar nessa equação, Jacob? O que acontece com você?!
Fiquei em silêncio por um segundo, mantendo o olhar fixo no dela, sem mentir, mas sem dar a resposta que destruiria o resto da sua estrutura.
— Eu sou o Don deste território, Renesmee. Meu nome tá manchado no sangue dessa cidade. Eu tenho uma guerra pra terminar e um império pra sustentar para que ninguém nunca vá atrás do paradeiro de vocês — murmurei, a voz carregada de um peso secular. — Eu vou ficar até garantir que o chão esteja seguro.
— Eu não quero um país distante! Eu não quero uma vida perfeita e sem você! — chorou ela, desmoronando contra o meu pescoço, soluçando tão forte que o corpo inteiro tremia sobre o meu. Os braços dela se fecharam como correntes em volta da minha nuca. — Eu passei a madrugada achando que ia perder a minha família, e agora você tá me dizendo que a recompensa por sobreviver é ser mandada embora do homem que eu amo? Por favor, não faz isso comigo!
Apertei os braços ao redor da cintura dela com tanta força que quase podia sentir a batida acelerada do seu coração contra o meu peito. Afundei o rosto nos cabelos dela, inalando aquele aroma que era a minha única âncora no meio da podridão do meu mundo.
— Você não vai estar sozinha, Nessie. Vai ter os nossos filhos... — murmurei contra a pele quente do pescoço dela, sentindo as lágrimas dela molharem o meu ombro. — E tudo o que eu fizer... cada vida que eu tirar a partir de hoje... vai ser pra garantir que você e eles tenham o futuro que eu nunca pude ter. Mas agora, escolhe o lugar. Por favor. Faz isso por mim.
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