Filha da Tormenta.
10 Convidados do Norte.
Quando todos estavam reunidos no Grande Salão, Dany não hesitou em dizer o porquê de estarem ali. Ela estava cautelosa, olhando para o rosto de cada um, avaliando cada rosto ali, ela sabia que esse era sempre seu erro, não perceber algumas reações, alguns olhares.
— Minha Rainha, eu não entendo...- Tyrion disse a ela, a confusão palpável em suas palavras.- Pensei que estávamos todos de acordo com o plano.
— Bem, na verdade só você estava — Ellaria se dirigiu a ele venenosa em suas palavras.- Ainda acho que devemos chegar atacando tudo.
— E ferir inocentes? Matar crianças, homens e mulheres que nem sabem se defender? — bradou Tyrion, furioso.- Não somos covardes que nem você, sua serpente maldita, não matamos criancinhas inocentes pelos erros dos pais.
E antes que aquilo ganhasse proporções maiores, Dany interviu mandando-os calar a boca.
— Pessoas certamente irão se machucar, Tyrion, isso é inevitável mesmo que façamos o possível para evitar, e o faremos.- Ela disse, acalmando-o.- No entanto, não sei sei se devemos iniciar os ataques agora. Eu creio que devemos primeiramente avaliar o território. Varys — ela chamou.
E o eunuco, que estava encostado na parede, apenas observando tudo, deu um passo à frente, onde pudesse ser visto com mais clareza.
— Pois não, minha Rainha — ele disse durante uma pequena reverência.
— Você é famoso por seus passarinhos, por ser Mestre dos Sussurros. Quero que você envie seus passarinhos para todos os cantos, para que observem e escutem tudo e todos. Quero saber de tudo o que ocorre nos Sete Reinos. E isso não é um pedido, é uma ordem.
— É claro, minha Rainha. — ele disse, com sua voz calma e musical. Ela não confiava muito naquele homem, mas precisava dele e estava na hora de torná-lo útil para seus planos.
— Certo. Yara, você ainda precisa tomar as terras de sua família, e isso eu não posso impedir. Leve consigo 300 imaculados para ajudá-la na sua conquista e quantos navios julgar necessário, os mais rápidos se assim desejar. Vocês duas logo voltarão para casa para preparar seus homens — ela disse apontando para Ellaria, suas filhas e Lady Olenna.- Mas por enquanto quero mantê-las por perto por mais uns dias, se me permitem.
A velha Olenna a olhava com curiosidade, um sorriso de leve brincando em seus lábios era perceptível, um sorriso orgulhoso. "Uma garotinha, sim", ela pensou, "mas uma garota forte e que sabe o que quer."
Dany dispensou a todos, exceto Varys e Tyrion, queria tratar com eles sobre alguns assuntos que apenas eles poderiam dar respostas a ela.
— Tyrion, quando Melisandre estava aqui, você disse a ela e a mim que conhecia esse tal Rei do Norte, como se chama...?
— Jon Snow -ele respondeu.- Sim, minha rainha. Quando Robert Baratheon cavalgou com a Corte até Winterfell para fazer de Ned Stark a sua Mão, eu fui junto. Sempre fui alguém curioso, e uma de minhas maiores curiosidades era a de conhecer a Muralha. Por isso me juntei a eles nessa viagem, para ir ao Norte e assim conseguir chegar até lá. Em uma das noites de banquetes, conheci o jovem Jon Snow. Garoto carrancudo, sim, selvagem como todo nortenho. Um bom garoto. Fui com ele até a Muralha, onde ele iria passar a fazer parte da Patrulha da noite.
— E o que seria essa tal Patrulha da Noite? — ela perguntou, curiosa. E ouviu atentamente seus homens contarem sobre como a grande muralha ao norte fora construída, e sobre toda a história acerca dela e da patrulha da noite, que fora designada para proteger os reinos dos perigos além da Muralha.
— Por isso fiquei tão surpreso quando a feiticeira disse que Jon havia se tornado Rei do Norte. Um grande feito para um jovem bastardo. — Tyrion falou.
— De fato — ela falou pensativa.- E você, Varys? O que tem para me dizer do povo do Norte?
— O povo nortenho é um povo desconfiado, minha Rainha. Difícil de lidar por conta de seu conservadorismo, e certamente não gostam de estranhos. São selvagens, eu diria, e muito religiosos. Ainda seguem as antigas tradições e acredita nos Deuses Antigos, e rezam para eles em seus bosques sagrados.
— Qual a possibilidade de conseguirmos a lealdade deles? Uma aliança?
— O povo nortenho passou por muita coisa nesses últimos anos, Khaleesi. Principalmente depois da morte de Ned Stark. Os Starks pereceram, foram traídos, mortos aos montes, e aqueles que os seguiam seguiram pelo mesmo caminho, ou então os traíram também. Freys, Boltons, Karstarks... Os Starks já são difíceis de natureza, e agora que conseguiram voltar para casa e começaram a se restabelecer... Vai ser difícil eles aceitarem dobrar os joelhos para você, ou seguirem a senhora para uma guerra ao sul de sua casa — Tyrion disse com sinceridade, e Varys concordou.
Daenerys dispensou os dois e suspirou pesadamente quando se encontrou sozinha naquela sala. Quando veio para Westeros, ela sabia que seria tudo diferente e mais complicado, conseguir as alianças que tinha havia sido pura sorte. Mas ela precisava de mais alianças, precisava mostrar ao povo que ela não era uma pessoa ruim, que seus propósito ali, além de recuperar o Trono que é seu por direito, é o de libertar aquelas pessoas da miséria, da fome, de tiranos.
Mas ela não sabia por onde começar, e por isso resolveu pedir a ajuda de uma certa senhora.
***
Durante quase uma quinzena, Dany e Olenna segredavam algumas coisas, que só quem tinha conhecimento era Missandei. Ora ou outra conversava com Tyrion e Varys sobre o que acontecia pelos arredores de Dragonstone e da Fortaleza Vermelha. Foi assim que descobriram os planos de Lorde Randyll Tarly de trair a Casa a qual jurara seguir e proteger. E por isso bolaram um plano para parar os atos daquele homem.
Quando estavam finalizando os últimos detalhes para o ataque, um de seus soldados Dothraki bateu a porta para avisá-los sobre a chegada do Rei do Norte e um que o acompanhava.
"Corajoso esse Rei do Norte em vir sozinho, apenas com um soldado a seu lado", Dany pensou. Dispensou a todos e pediu para que Missandei e Tyrion fossem receber os mais novos convidados da Rainha.
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