Filha da Fama
26 Jantar Catastrófico
Notas iniciais
No dia seguinte, a família do meu pai iria jantar conosco, conhecer Jessica e a casa, já havia conhecido-os em varias outras ocasiões. Jessica se ofereceu para fazer o jantar.
- Hoje aquele bando de sem-classe vão vir conhecer a casa e a mim. Me ofereci para fazer o jantar, com certeza vou ganhar a confiança daquele gueto. Ai, vai ser tão difícil fingir que amo ele! – ouvi ela conversar no telefone.
Uma ótima chance para começar a operação “Fora Jéssica”, mas eu ainda não sabia o que fazer para estragar esse jantar.
Ela disse que iria começar a fazê-lo ás 18h30min. Disse que achou uma receita maravilhosa na internet. Estava no escritório quando seu celular tocou, foi para o quarto do meu pai conversar. Fui sorrateiramente até a porta, para ouvir.
- Ah, achei uma receita na internet. Pernil ao molho de alguma coisa, não lembro, não prestei atenção, qualquer droga está bom para eles. – falou.
Uma idéia completamente maligna passou pela minha cabeça. Iria afetar até a mim, mas alguns sacrifícios são necessários para um bem maior.
Fui ainda mais sorrateiramente ao escritório. O computador estava ligado, uma pagina no World aberta, com a receita. Era pernil ao molho de maracujá.
Troquei a palavra “maracujá” pela palavra “damasco”.
Deixei o mouse na mesma posição, o editor na ultima palavra e saí do escritório, deixando a porta do mesmo jeito.
Agora era só esperar a hora em que todos fossem provar do molho de damasco...
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Nunca ri tanto em uma reunião familiar. Todos ali eram comediantes natos, inclusive eu. Uns zoavam os outros, nem eu escapei. Era zoada e zoava também. Faziam piada de tudo, tiravam sarro com todos. Era um ambiente acolhedor, alegre e amoroso. Fiquei impressionada com a semelhança entre meu pai e meu avô. Tiramos muitas fotos, em uma delas, meu pai arranjou um bigode falso e ficou na mesma pose que meu avô. Idênticos!
Estávamos jogando Midnight Speed, esperando o jantar ficar pronto. O que eu fiz era totalmente acima de suspeitas, nunca descobririam, jogariam a culpa toda em Jessica.
- Credo Cherry, você joga bem. – elogiou tio Eric
- Claro, puxou o pai. – falou meu pai, dando um beijo em minha testa.
- Deixa de ser besta Bruno, você é horrível! – corrigiu meu avô
- Quem foi que levou um grande sete à zero nas costas mesmo? – falou sarcástico, pondo a mão na orelha, como que para ouvir melhor.
- Me respeite moleque, ou eu vou te chutar de hoje até amanha. – ameaçou meu avô, como a Rochelle. Meu pai se levantou, meu avô também, ficaram cara-à-cara, encarando-se, podia até se pensar que estavam falando sério.
- Vai encarar, retirante? – provocou meu pai.
- Engraçado, não foi disso que sua mãe me chamou quando pisei na cama dela hoje mais cedo. – meu avô falou, o que tornou tudo ainda mais engraçado.
- Você devia ter ficado calado velho, agora tenho que te bater. – falou meu pai, estralando os dedos.
- Caí pra mão tampinha, vamos resolver isso logo. – falou meu avô. Encararam-se por alguns segundos e de repente, começaram a se estapear como dois gays. Todos caímos na risada, Jessica apareceu na sala.
- Pessoal, o jantar está pronto! – anunciou ela. Hora do espetáculo.
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Todos já estávamos sentados à mesa, os pratos já estavam postos.
- Vamos lá, provem! – falou Jessica com um pouco de falsa ansiedade. Todos nós cortamos um pedaço da carne e passamos no molho em nossos pratos.
- Unh, nada mal! – elogiou vó Bernadette. Limpamos o prato.
Segundos depois, começou.
Senti o ar faltando, um calor começou a subir, a cabeça tontear, a garganta fechar, os lábios incharem. Acho que todos sentiam isto.
- Deus, Jessica, o que era isso?! – tia Tahiti perguntou, coçando o pescoço.
- É pernil ao molho de... – pôs o dedo na boca, tentando lembrar. Lembrou – ...damasco!
Todos largamos os talheres e cuspimos a carne no prato.
- DAMASCO?! MINHA FAMÍLIA INTEIRA É ALTAMENTE ALERGICA Á DAMASCO, EU TE DISSE ISSO! – meu pai brandou, levantando-se.
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Sim, nós passamos muito mal. Chamamos a ambulância, fomos levados ao hospital. A única que não passou mal foi minha avó, afinal ela não tinha o “gen” da alergia á damasco.
Bom, passamos ao menos a noite toda no hospital, o medico fez alguns procedimentos e melhoramos um pouco. Deu a receita de alguns (muitos) remédios para alergia, compramos e fomos para casa.
- Eu não acredito que você fez isso Jessica, onde estava com o pensamento quando lhe disse que éramos altamente alérgicos á damasco?! Por Deus, eu pensei que ia morrer! – brigou meu pai.
- Vem pai, vamos dormir, já está extremamente tarde. Amanha discutimos isto. – falei tentando parecer bondosa, quando na verdade eu gargalhava por dentro ao ver como ela estava envergonhada. Todos foram para os quartos, mas não antes deles mandarem um olhar mortal à Jessica.
Fui dormir com um pequeno e inchado sorriso de vitoria, mesmo que eu tenha batido ás portas da morte, eu tinha vencido.
Notas finais
Assinem essa petição para anular essa regra, juntas venceremos!: http://euconcordo.com/peticao/269/anulacaoregra/
So, enjoy!
Bjoo rarah
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