Filha da Fama
10 Fergie entrevista Cherry
Notas iniciais
Sem entender nada, fui pro palco, ao som de aplausos. Quando cheguei lá, Fergie estava sentada em uma poltrona segurando umas fichas e ao seu lado, outra poltrona, obviamente para mim. Adoravelmente, sentei-me e cruzei as pernas. Fergie me deu um microfone.
- Olá Cherry, como está? Não esperava por isso não é?
- Não mesmo! Não faço idéia do que vai acontecer!
- Queremos saber mais sobre você! Comecemos pela sua infância, vamos ver esse vídeo. – falou ela. Tudo ficou escuro e nós nos viramos para o telão atrás de nós. Minha amiga Elisa, que tinha certa vocação para editar vídeos, com certeza, editou todos os muitos vídeos meus.
O vídeo começou com uma imagem minha com três meses comendo pequenos pedaços de melancia, toda lambuzada. Não é querendo me gabar, mas eu fui um bebê muito fofinho, ainda mais com aquele vestidinho. Meu cabelo crescia (e ainda cresce) rápido, então minha mãe adotiva fez uma chuquinha na minha nuca, e eu estava descalça.
- Cherry! Olha aqui! – chamou minha mãe adotiva (Elisa fez o favor de colocar legendas em Inglês)
Eu olhei diretamente para a câmera e sorri.
- Dá um oi pra câmera Cherry!
Eu, como havia aprendido, acenei serelepemente e voltei a comer.
- Não olhe agora, mas seus pais estão tendo uma crise de choro – sussurrou Fergie.
Eu, discretamente e lentamente girei a poltrona. Meu pai chorava em silencio, com a mão na boca, enquanto minha mãe chorava com mais urgência. Embora chorassem, não desgrudavam os olhos da tela. Eu nunca tinha achado emocionantes, esses meus vídeos. Mas eu podia entender a emoção dos meus pais em ver imagens da filha que eles não puderam ver crescer.
Mudou a cena. Lá estava eu no meu 1° ano de vida. Meu pai adotivo rasgava uma folha de papel e eu gargalhava. Muda a cena e La estava eu engatinhando pela 1ª vez; depois eu andando, me apoiando nos móveis; depois meu aniversário de três anos; depois, arrumada pro meu 1° dia de aula; depois correndo na praia, tudo ao som de Oração ao Tempo como música de fundo. O vídeo acabou e todos aplaudiram muito.
- Então Cherry, onde você morava lá no Brasil?
- Morava no Rio de Janeiro.
- A capital do Samba!
- É, eu acho que sim!
- E você sabe sambar?
- Sei sim.
- Então samba aqui pra gente!
Começou a tocar Brasileirinho. Eu, sem vangloriar-me, sabia sambar muito bem. Todos os anos eu ia aos desfiles das escolas de samba. Beija-flor era a minha favorita.
Bom, sambei com toda a graça possível, e depois me sentei novamente. Aplausos, Fergie parecia fascinada.
- Você tem que me ensinar a sambar! Quando o BEP fez um show no Rio, eu tentei sambar, mas não deu muito certo. É impossível!
- Não é não, você só precisa praticar um pouco.
- Enfim, Cherry, que tipo de criança você foi?
- Ah, eu fazia tudo que uma criança fazia: brincava no quintal, na rua, falava muito, vivia correndo, subindo em árvores, comendo doces.
— Então vamos ver esse outro vídeo!
- Cherry! Cherry! Cadê essa menina?!
- Olha eu aqui em cima! – falei de cima de um pé de manga.
- Oh Meu Deus Cherry! Desce daí agora!
Como uma Pocahontas, fui me metendo no meio das árvores e pulei no chão. Nesse vídeo, eu já estava com meus sete anos. Quando eu era criança, eu era um pouco mais parecida com meu pai.
Muda a cena. Mostrava-me aos oito anos, ganhando o troféu de 1° lugar de uma competição de karatê. Depois jogando vôlei, nadando, andando de skate, jogando futebol e depois andando de bicicleta, ao som de Paradise.
- Minha Nossa, quantos esportes! Por que você praticava tantos assim?
- Porque eu era muito... Elétrica, não conseguia ficar parada, então o pediatra receitou que eu praticasse muitos esportes.
- E você é faixa preta?
- Na verdade, eu sou faixa vermelha, uma faixa acima da preta.
- Wow, com certeza, ninguém vai querer arranjar briga com você! E você fala apenas o português e o inglês?
- Não, eu falo português, inglês, espanhol, francês, indiano, japonês e italiano.
- Como você aprendeu todos esses idiomas?!
- Assim: minha avó adotiva era indiana, e meu avô adotivo era francês, então eles me ensinaram. Fiz curso de inglês, japonês e de italiano desde os quatro anos, e meu pai adotivo era espanhol, então aprendi com ele.
- Uau, que família mais miscigenada! E seu pai Bruno é filipino, sua mãe fala espanhol, vão poder falar em espanhol. Bom, vamos passar pro seu estado atual: adolescência, nesse outro vídeo.
Começou com meus pés de bebe caminhando, que se transformaram em tênis, depois em ankle boots de salto alto. A tela começou a subir e começou a tocar Diva da minha mãe. Claro que foi proposital, pois o clipe também começa assim.
Então, foi subindo da ankle boot ( peça que eu, por sinal, adoro) para meu short jeans, chegando até minha jaqueta de couro preta, que eu fiz questão de mandar costurar nas costas, em letras brancas e rodeada de tachas, “ Cherry Bomb”, nome da musica do The Runaways. Finalmente chegou ao rosto. Os cabelos compridos e meio rebeldes. Eu usava um óculos um tanto moderninho: as lentes eram como dois painéis, que brilhavam em cores diferentes, de acordo com a quantidade de luz recebida( N/A: nem sei se isso existe, mas num to nem aí!). Tocou somente a introdução de Diva. Assim que abri a porta, a música mudou para Cherry Bomb. Então, começou uma seqüência de imagens sem nexo: eu vestida de Beyoncé Run The World , eu dançando musica indiana, funk( dancei uma vez pra nunca mais) num queijo vestida de Suga Mama, com o típico chapéu do meu pai, e vários outros.
- Por que tem tantos vídeos seus cantando?
- Porque no meu colégio o sistema era assim: a cada duas semanas, tínhamos um concurso musical, em que todas as turmas tinham que cantar uma musica, e a melhor, ganhavam pontos extras.
- Quantas vezes sua turma ganhou?
- Bom... Todos que eu participei.
- É? Então vamos ver esse seu vídeo cantando Grenade!
Notas finais
-nn
E mais uma vez, obrigado a LeehCapitani que recomendou a fic!
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