Filha da Fama
19 A noite das traições(parte final)
Notas iniciais
Se não fosse pelas pessoas envolvidas na situação, eu teria caído na gargalhada. Mas eu só conseguia ocilar meu olhar para a cena e para Justin.
Percebi algumas coisas cruciais: Selena e Leighton, num raro momento em que abriram os olhos, estavam com as pupilas altamente dilatadas, mal conseguiam mexer-se. Estavam... Drogadas! Mas eu corri os olhos pelo quarto e não vi nenhum cigarro, pacote, remédio, nada. Só havia dois copos em cima do criado-mudo.
Justin respirou fundo, foi até lá e pegou um dos copos. Aproximou-o do nariz e retirou rapidamente, com repulsa.
- Vodka. – sentenciou. Fui até ele e peguei o copo. Cheirei e observei-o.
- Não tem só vodka também tem droga, êxtase para ser exata. Está vendo isso aqui no fundo? Foi dissolvido aqui, e – peguei o outro copo. – aqui também.
- Como você sabe? — perguntou
- Até o 5° ano (4ª série) eu estudei num colégio com influencias militares, eles ensinaram isso. – respondi.
- Selena nunca usou drogas, ela realmente odeia isso. Já Leighton, eu não tenho certeza. – falou Justin. Até que ele estava bem calmo para alguém que achou sua namorada nua e drogada com outra mulher na cama. – e se fosse usar, por que dissolveria em vodka ao invés de usar normalmente?
- Ela pode ter usado sem saber. – falei. Esse era o CSI Los Angeles. – Leighton pode ter colocado nos copos sem que Selena tenha visto e quando bebeu, ela fez a cabeça dela e a levou para a cama.
- Não acredito que essa vadia fez isso! – falou Justin irritado.
- Espere, pode ser também que Selena fez isso, assim iriam pensar que ela foi a vitima e que Leighton a drogou, assim acabaria com a fama dela. – falei. Isso Cherry, bote mais lenha na fogueira, vamos ver o circo pegar fogo.
- Mas elas... São amigas! – falou Justin.
- Quando se trata de fama, todos são inimigos. – ponderei.
Justin pensou um pouco e foi até a cozinha, trazendo um copo d’água, jogando o mesmo na cara de Leighton.
- Ei garota, foi você que drogou Selena? – perguntou, sério, irritado, e firme. Ele estava tão sexy assim! Leighton riu, uma risada mole e pastosa.
- A vadia... Não quis... Mas eu queria... Transar com ela... Então... Eu fiz. Fim! – falou lentamente e riu. Justin soltou Leighton brutalmente e ficou em pé, olhando-a com despreso.
- Garota, eu devia te dar uma surra, mas eu não posso fazer isso. Cherry, ajude ela que eu vou cuidar de Selena, está bem? – pediu Justin.
- Não, não está bem, isso está muito mal explicado. – discordei.
- Não está mais do que claro que ela drogou Selena? – perguntou, tentando convencer-me.
- Não, não está mais do que claro. Acha que Selena não ia fazer isso se já não quisesse? Ela apenas usou drogas, não estava dopada! – exclamei. Ele riu incrédulo.
- Está dizendo que ela me traiu por livre e espontânea vontade, com uma mulher?! – perguntou desaforado, aproximando-se.
- Não diria por livre e espontânea vontade, as drogas podem ter influenciado. Dado coragem para ela fazer o que ela já queria. Ei Leighton, quantos êxtases você deu para Selena? – perguntei.
- Três. – respondeu, apenas movendo a boca.
- Convencida agora? – perguntou Justin um ar sarcástico e superior.
- Não. Três não são suficientes para a fazerela perder a consciência de seus atos. O êxtase trás fadiga e não inconsciência.
- Mas isso é apenas para quem já usa há tempos, e Selena nunca usou!
- Quem garante que não?
- Eu garanto! – afirmou ele.
- Quer saber, Bieber? É inútil discutir com você! – exasperei, pegando Leighton pelo braço. Seleseca se encontrava dormindo. Dirigi-me até onde julguei ser o banheiro, tirei os sapatos e coloquei minha bolsa na pia. Fui até as torneiras da banheira e as abri, procurando qual era de água fria. Leighton mal conseguia manter-se, parecia que estava dormindo em pé.
Isso me fez lembrar Cadilac Records, quando o Otis cuida da Etta, que estava drogada.
- Entre. – ordenei à Leighton. Ela fechou a cara,ou ao menos tentou.
- Eu não quero. – falou. Respirei fundo.
- Não importa se você quer ou não, entre logo nesta maldita banheira antes que eu te enfie ai. – falei em tom firme e amargo. Ela, a contra gosto, cambaleou até a banheira, entrou e ficou em pé dentro.
- Está fria! – reclamou.
- Água fria, santo remédio para curar drogadas, ressacas e muitas outras coisas. – falei sarcasticamente. Ela se abaixou, ficando sentada. A sua nudez não me incomodava, afinal, ela era uma mulher igual a mim (bem menos curvilínea que eu, mas mesmo assim, uma mulher). Escorou a cabeça na borda e fechou os olhos. Ela não ia conseguir fazer nada, então resolvi ir ver como Justin estava se saindo com Seleseca.
E lá estava ele, com ela no colo, fazendo carinho no rosto dela. Ele levantou a cabeça, olhando diretamente para mim. Fiquei esperando seu pronunciamento, olhando-o com um olhar matador, que apenas eu sabia fazer.
- Não me olhe assim. – pediu ele, meio envergonhado, cabisbaixando-se.
- Não tenho outro jeito de olhar. – falei, seca. Ele colocou Selena na cama e levantou-se. Não mudei o meu olhar.
- Ela não tem culpa! Está drogada e não sabia o que estava fazendo. – tentou justificar, mas eu não queria ouvir. Fui em uma das gavetas de Selena e peguei uma roupa qualquer para Leighton, não estava com a menor vontade de procurar as suas próprias roupas, e voltei ao banheiro. Tirei-a de lá, dei uma toalha para ela se enxugar, parece que a água realmente seu uma melhora de 47%. Dei a ela a roupa e a levei a um outro quarto, onde desabou na cama, já desacordada. Acho que todo esse processo gastou todas as suas energias restantes. Um dos efeitos do êxtase( e de qualquer outra droga), para quem não é usuário freqüente, é a perda de memória, então nem ela nem Selena iam se lembrar, e se fossem usuárias freqüentes, iriam lembrar-se apenas vagamente, iriam pensar que era apenas um sonho.
Mas eu ia lembrar. Justin ia lembrar. Não acredito nessa historia que não sabia o que eu estava fazendo, de inocente, aquela garota não tem nada. Se já não quisesse colar velcro com a outra drogada lá, não o teria feito. Lésbica vadia!
Peguei minha bolsa no banheiro e calcei os sapatos. Saí de lá e deparei-me com Justin, escorado na parede direita do corredor, de braços cruzados e com uma expressão sexy de desaforado.
- Droga Cherry, eu odeio brigar com você. – confessou. Eu soltei uma risada sarcástica.
- Nós nunca brigamos antes. – falei.
- Pois eu não gostei nem um pouco. – falou ele, desescorando-se da parede, ainda de braços cruzados.
- Azar o seu. – falei desgostosa, andando. Ia passar por ele quando o mesmo se pôs em minha frente, bloqueando a passagem.
- O que deu em você? Era eu que devia estar zangado! – exasperou ele.
- Exatamente por isso Justin, você não está zangado. – falei, calma e séria.
- O que você quer que eu faça?! Que eu vá lá, bata em Selena, chingá-la de todos os palavrões imagináveis e termine tudo?! – questionou ele, começando a alterar-se, enquanto eu continuava calma, séria, fria. Eu gostava dessa minha qualidade, dava-me controle da situação e por isso, eu quase sempre “ganhava” a discussão.
- Não Justin, não queria que você fizesse isto, mas queria que você tivesse o mínimo de bom senso e não corresse de volta para ela como um cachorrinho, passando por cima de tudo que acabou de ver. – falei. Ele ficou na minha frente, quase prensando-me contra a parede.
- Um relacionamento passa por momentos assim às vezes!
- Às vezes? – repeti, dando ênfase. – quer dizer que ela já te traiu antes? – e lá vou eu, colocando mais lenha na fogueira.
- Claro que não! – gritou ele, já tinha perdido o controle.
- Sabe o que é? Você nunca vai aceitar o fato que ela é a maior vadia e que provavelmente te trai com todo cara famoso que ela encontra pela frente! – cuspi as palavras na cara de Justin.
Silencio. Encaramo-nos por alguns segundos, ele com pura raiva e eu com pura frieza.
Seus lábios tomaram os meus com violência, seus braços me envolveram. Rebati-me, tentando me soltar, mas ele segurou meus pulsos e prensou-me contra a parede.
Ora, há quem eu quero enganar? Se eu quisesse mesmo sair, teria o feito facilmente. Mas eu não queria. Eu desejava aquele beijo tanto quanto ele, nós dois sabíamos que isso ia acontecer, cedo ou tarde. Não tinha sentido nenhum resistir, então comecei a retribuir.
Justin soltou meus pulsos. Uma de suas mãos foi para o meu rosto, a outra para a curva das minhas costas, impelindo-me para ele ao mesmo tempo em que me comprensava na parede, era tão excitante! Entrelacei meus dedos em seu cabelo, na nuca, tão macios, a outra foi para seu ombro, apertando levemente. Beijávamos com sofreguidão, explorava cada milímetro da minha boca, chupava minha língua ferozmente. Sua boca tinha um sabor doce, único e viciante. Fomos obrigados a partir o beijo quando o ar se fez extremamente necessário.
- Justin... – gemi baixo. Ele me interrompeu, dando-me um selo. Um, dois, três! Olhou-me, sem uma expressão definida.
Dessa vez, não pude saber quem deu inicio ao segundo beijo.
O ar se fez necessário novamente.
- Vou terminar com ela... Quando estiver sóbria. – falou Justin, sem afastar-se. Eu sorri.
- Quem te disse que eu te quero? – brinquei, mas era verdade. Eu não queria Justin como namorado, ainda.
- Não é por sua causa, eu já suportei Selena demais. Eu estava mudando muito, e eu vou mudar, só que para melhor. – falou, afastando-se. – obrigado por me ajudar.
- Te ajudar? Como eu te ajudei?- fiz de desentendida, sabia muito bem do que se tratava, mas queria ouvir vindo dele.
- Ah, você não sabe? Então eu vou te dizer: porque você foi a luz no meu caminho, tirou o vírus Selena de mim. – falou, sorrindo em gratidão – mais uma vez, obrigado.
- De nada. – respondi, sorrindo. Sorri mais ainda ao ver que toda a região a boca dele estava borrada pelo meu batom, então pensei que a minha também devia estar.
Depois de ter me recomposto, saí do banheiro e fui para a sala, onde Justin estava me aguardando, com as culpadas chaves do seu apartamento e do carro na mão. Aproximei-me dele, que sorriu e passou o braço sobre meus ombros. Encostou seu nariz em meu cabelo e aspirou, provocando-me arrepios.
- Unh, seu cabelo tem um cheiro tão bom... – sussurrou em meu ouvido. E eu achava que na podia ficar mais arrepiada. Desvencilhei de seu braço, ficando de frente para ele, olhando-o. Seus olhos, febris, me observavam. Ele levou uma mão até meus cabelos, acariciando-os, deliciando-me. Eu simplesmente adorava quando acariciavam meus cabelos!
- Quer ir pro meu apartamento? – convidou, com uma voz sedutora e cheia de segundas intenções, sem interromper as caricias.
- Não posso, ainda não sou de maior, moro com meus pais e devo satisfações á eles. – respondi sorrindo.
- Pirralha. – brincou ele. Soltou meus cabelos e voltou seu braço ao meu ombro. – você mora com seu pai ou com sua mãe?
- Com os dois, de segunda à quinta á tarde com minha mãe e de quinta á noite até domingo com meu pai. – respondi.
- Nossa, que família equilibrada! – exclamou ele e nós rimos. Abriu a porta. – as damas primeiro. – falou, gesticulando para a porta.
- Isso é só um jeito educado de dizer “ande na frente enquanto eu olho sua bunda” – falei, passando pela porta.
- Exatamente. – admitiu dando um tapa na minha bunda. Dei vários tapas no braço dele.
E saímos rindo do prédio, que milagrosamente, não havia nenhum paparazzo. Ah cara, 00:30, eu vou me ferrar!
~//~
- Então, falo com você amanha? – perguntou Justin quando chegamos à porta do apartamento do meu pai.
- Claro. – respondi sorrindo.
- Não pense que eu esqueci de arranjar sua amiga pro Cody.
- Bem lembrado. Então tchau, tenho que entrar.
- Ok, tchau. – falou. Ficou parado, me olhando e de repente, segurou meu rosto com as duas mãos e deu um longo selo. Saiu com meus tapas e nossas risadas.
Respirei fundo e peguei as chaves na minha bolsa, pensando em que desculpa daria para o meu pai. Transito? Paparazzi? A verdade?
- Pai, cheguei! – falei em tom alto. Silencio. – pai? – chamei – pai! – chamei novamente, sem obter resposta. Teria ele saído? Se tivesse, teria deixado um recado, não? Ido dormir, eu tinha certeza que não. Nunca iria dormir antes deu chegar.
Joguei minha bolsa no sofá, reparando que havia outra jazida lá. Aquela não era a bolsa da minha mãe?
Juntei as peças: silencio, bolsa da minha mãe, só podia ser uma coisa. Fui até o quarto do meu pai, que estava com a porta fechada (ele sempre a deixa entreaberta quando vai dormir) e a empurrei lento e silenciosamente.
Meu medo foi comprovado. Lá estavam meu pai e minha mãe juntos na cama, dormindo. Tão silenciosa quanto antes, puxei a porta.
Não chorei. Eu quase nunca chorava. Mas um nervosismo agudo tomou todo meu corpo. Tremia descontroladamente, o calor desapareceu, os olhos arregalaram-se.
Isto pode parecer extremamente estranho, mas eu não queria meus pais juntos. Jay e Nicki não mereciam isso! Ter os pais juntos novamente deve ser o sonho de muitas garotas com os pais separados, mas não era o meu, talvez por já conhecê-los separados. E eu tenho um nojo descomunal de traições.
Eu estava a ponto de ter um colapso nervoso, eu precisava me acalmar. Fui a bolsa da minha mãe e peguei um calmante que ela tomava, acalmava instantaneamente. Peguei também um copo d’água. Tomei um, dois, três comprimidos. Escorei-me no balcão.
É, o nervosismo passou. Mas no lugar dele, uma tontura intensa me tomou.
Lembrei-me do livro A marca de uma lágrima (Pedro Bandeira) quando a personagem Isabel toma dois calmantes, desmaia e quase é morta durante o coma, se não fosse seu amado para salvá-la... Oh, onde está o meu amado?
Ah sim, ele não existe.
Os saltos dos meus sapatos pareciam mais duas pernas de pau, estava impossível de equilibrar-me sobre eles.
O contato com minhas pernas foi cancelado e me vi caindo. Tentei segurar em algo, mas consegui apenas derrubar um vaso no chão, fazendo um estrondo. Como eu sou idiota! Por que fui tomar três comprimidos? Poderia se considerado tentativa de suicídio.
Caí abruptamente, batendo a cabeça. Não senti for, por estar anestesiada pelo calmante, mas pus a mão na cabeça e quando olhei, estava ensangüentada. Minha visão foi estorvando-se, não conseguia me mexer, não conseguia gritar por socorro.
A ultima coisa que vi foi um par de pernas, do meu pai e da minha mãe.
Depois tudo ficou escuro. Meu cérebro desligou-se.
Notas finais
Pooxa eing, quanta coisa!
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Bjoo rarah
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