Filha da Eternidade - Parte III
15 Capítulo 15
Notas iniciais
Irriel
Todos olhavam para cima quando viram as centenas de anjos voando por Sheol. Eu estava perto de Saraí, ela segurava a alma com todo o cuidado. Os demônios não esperaram um ataque não repentino. Anjos matavam os demônios sem piedade. E percebi que muitos caídos também estavam lutando. O plano de Sara havia mesmo dado certo. Um demônio vinha correndo em nossa direção, eu o reconhecia. Era o noivo que arrumaram para Sara. Preparei-me para ataca-lo, mas Sara me impediu.
— Não — ela falou — Ele não é perigoso.
Assenti. E dei passagem para ele, que correu para pegar a alma.
—Obrigado — o demônio disse e Sara parecia surpresa.
—De nada, Magnus — ela sorriu para ele, como se os dois tivessem um segredo. Aquilo me tirou do sério.
— Vamos sair daqui — eu falei para os dois.
Mais demônios chegavam para a luta. Eu conseguia ver muitas mortes. Anjos, demônios e caídos mortos, aquilo me assustou, ver um caído morto era assustador demais para mim. Saraí, Magnus e eu corremos para longe. No entanto, Sara parou de repente e olhou para trás, onde a guerra acontecia.
—Eu preciso lutar — ela disse — Esse é meu destino.
— Não —intervi —Você já fez todo o possível. Vamos sair daqui agora — falei em um tom mandão.
Não adiantou. Ela correu para onde os demônios estavam me deixando falar sozinho. Corri atrás dela e logo fui atacado por um demônio magro. Eu estava desarmado, mas vi uma espada caída no chão, agarrei-a e cortei a cabeça do demônio em um só golpe. Sara não estava no meu campo de visão. Corri para encontra-la, mas fui impedido quando vi Magnus lutando para defender a alma em sua mão. Eu não poderia larga-lo sem ajuda.
— Eu não vou entrega-la, Crod — ele gritou para o demônio que o espreitava.
Corri e joguei Crod no chão. Magnus colocou a alma em um local seguro e veio me ajudar. O demônio era forte e logo conseguiu me desarmar. Crod me deu um soco e me prendeu no chão. Mas Magnus pegou a espada e enfiou no peito do demônio sem pensar duas vezes. Crod gritou, mas logo estava caído sobre mim, morto.
—Obrigado, irmão — falei a Magnus.
Ele assentiu e pegou a alma, indo para o bosque negro. Mas antes de desaparecer gritou.
—Você tem que encontrar Saraí.
Depois disso sumiu entre as árvores negras e sem vida.
Os anjos estavam chegando aos montes. Mas muitos estavam mortos também. Passei os olhos em cada canto e não encontrei Sara imediatamente. Contudo, a vi sendo arrastada por um demônio. Fui em direção a eles. Sara estava se defendendo. Conseguiu queimar o rosto do demônio, mas ele era forte o suficiente para não cair com o ataque. Então ela deu uma rasteira nele e ele caiu de costas no chão. Percebi que sangue escorria da perna de Sara, alguém a feriu. Cheguei perto deles e agarrei uma pedra grande que estava no chão. O demônio conseguiu jogar Sara no chão e eles batiam um ao outro. Levantei a pedra e deferi um golpe na cabeça do demônio, que parou de se mexer na hora. Sara se surpreendeu quando viu que eu estava lá.
— Tenho que encontrar Crod — ela falou ao se levantar —Marshel já está morto. Falta Crod e Úrsula.
— Crod está morto — falei, primeiro ela pareceu confusa, mas depois sorriu — Magnus o matou. Você vai matar os líderes deles?
—Sim — ela me disse — Só assim acabamos com isso.
— Eu cuido de Úrsula — falei. Não queria que Sara sujasse suas mãos com a morte.
— Não — Saraí disse decidida —Eu cuido dela. Você vai procurar algum anjo e dizer que Magnus é de confiança.
Eu não queria fazer aquilo, só que não podia mais interferir no destino de Saraí. Agora só ela poderia dar um fim a guerra. Fui até ela e a beijei com todo meu amor. Fazia parte do amor confiar ao outro a sua felicidade. Eu deixaria Sara seguir seu destino e meu único desejo era que ela voltasse para mim.
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