Notas iniciais
Olá, estou sentindo saudades de vocês, apareçam! hahaha Estou ansiosa para finalizar essa fic!

Saraí

— Tirem-na daí! — uma mulher gritou impaciente embaixo de mim — O que eu disse sobre mata-la? Falei que era só para se divertirem! Seus imbecis...

Ainda estava dentro da gaiola. Eu já nem sentia meus braços direito, mas em compensação meu corpo estava praticamente curado, apenas as unhas ainda não haviam se recuperado. Em minhas contas mentais eu havia passado um dia presa no caixão da tortura. Lembro quando em algum momento um corvo veio bicar minha barriga e, por um milagre, eu consegui queimar suas penas com meus olhos, não sei onde consegui forças.

— Ela não colaborou — Magnus falou. Agora ele parecia uma criança recebendo sermão da mãe.

— Você foi bem avisado, Magnus — a mulher estava bem irritada — Se essa garota estiver morta, vou te mandar para lhe fazer companhia!

Eles começaram a descer à gaiola. Eu estava em alerta, a dona da voz com certeza era muito importante entre os demônios. Colocaram-me no chão e abriram a porta. Senti um alívio ao poder respirar de verdade. Quando tiraram meu corpo do pequeno espaço, eu me sentia uma sardinha que acabara de sair da lata. Os demônios me arrastaram e me colocaram ajoelhada aos pés da mulher.

— Ela está curada — um demônio falou.

—Úrsula, eu... — Magnus queria dizer algo, mas foi devidamente interrompido.

—Ela é imortal — Úrsula disse calma — E vocês sequer perceberam!

Levantei os olhos para observar Úrsula. Cabelos pretos e longos, suas roupas me lembravam da família Adams. Os demônios me colocaram de pé. Úrsula esfregou seus dedos em meu rosto e percebeu que não havia marca alguma.

— Levem-na para o segundo andar — ela ordenou — Não quero uma reclamação sobre isso!

Os demônios me guiaram para o segundo andar. Agora eles não me arrastavam, pareciam que estavam até me tratando bem. Eu ainda estava algemada. Subimos as escadas e paramos em um corredor negro, com muitas portas. A atmosfera era de um lugar macabro, mas para os demônios aquele lugar era bem organizado. Me levaram até uma porta vermelha, bateram e esperaram até uma mulher abrir.

— Úrsula mandou-a — um deles disse.

A mulher sorriu e segurou meu braço, me colocando para dentro. A sala era um tipo de banheiro e closet. Pelo visto iriam cuidar de mim, isso me deixou bem desconfiada. Fiquei parada no meio da sala, ninguém para me segurar. Eu até poderia fugir se quisesse.

— Meu nome é Mag — ela disse secamente e jogou uma toalha para mim — Ali tem um chuveiro, se eu fosse você nem tentaria fugir.

Fui em direção ao box. E abri a água fria. Foi um choque quando a água bateu em meu corpo. O sangue seco escorria por toda a parte, me esfreguei bastante, mesmo com as mão presas, o que era bem complicado.

Eu não fugiria. Até porque esse não era o plano. Mas confesso que tinha medo do que poderia me acontecer. As torturas foram aterrorizantes e só de lembrar sentia mais medo. Contudo, algo me dizia que Úrsula não iria me machucar, ela sabia que esse método não funcionaria comigo. Terminei o banho e me enrolei na toalha. Mag me esperava do lado de fora com um vestido preto nas mãos.

— Coloque isso — ela mandou sem olhar para mim.

Peguei o vestido longo e tentei vestir, mas a algema me impedia. Mag então me libertou para que eu me trocasse.

Depois ela não disse nada, apenas ficou sentada em um banquinho. Parecia que o trabalho dela era vestir as pessoas. Eu também não queria conversar, até porque ela era bem apática. Uma batida na porta fez com que ela levantasse.

—É você Marshel — Mag disse com desprezo —Ela está aqui.

Marshel segurou meu braço e me levou para fora. Seu ar petulante era o mesmo. Ele ainda se achava o advogado do diabo, talvez até fosse. Andamos por alguns corredores escuros e desertos. Alguns faziam barulhos estranhos.

— Até que esse vestido te deixou bonita — ele disse achando que estava me elogiando — Podia ter dito que era imortal.

Ignorei seu papo e continuei andando com ele. Marshel olhava pra mim com estranheza, um arrepio tomou meu corpo quando percebi que ele poderia ter segundas intenções ao meu respeito. Sua mão estava apoiada na minha lombar e ele parecia me devorar com os olhos. Paramos em um corredor e ele me prensou contra a parede, eu estava certa!

— Olhe para mim, Saraí — ele sussurrou e segurou meu rosto para que eu olhasse em seus olhos — Tão atraente...

Ele beijou meu pescoço. Minhas mãos estavam livres, mas ele era tão maior que eu, que era muito difícil eu me afastar. Ele me apertava contra a parede, assim eu não me soltava. Suas mãos prendiam meu rosto para que ele beijasse meus lábios, eu resisti as suas investidas.

— Me solte — falei o chutando entre as pernas. Ele gritou e eu saí correndo pelo corredor que eu nem sabia aonde dava. Marshel veio atrás de mim berrando o meu nome. Olhava para trás para saber onde ele estava quando derrubei e caí em alguém.

—Que merda é essa? — eu havia caído em Magnus. Que sorte a minha!

—Oh... — não sabia o que fazer. Marshel já havia me alcançado. Ele me puxou do chão e apertou meu braço com tanta força que eu gemi de dor.

— Não tente fugir de novo — Marshel esbravejou.

— Não tente me agarrar de novo — o respondi.

Magnus estava olhando para nós dois, com cara de quem estava perdido no assunto, o que era estranho, ele não parecia do tipo que se importava com o que estivesse acontecendo além de suas torturas.

—Deixe-a comigo —Magnus falou —Nós dois sabemos dos seus métodos, não é Marshel? Acho que Úrsula não vai gostar de saber quais eram suas intenções com a garota.

Marshel me jogou para Magnus e nós dois quase caímos no chão novamente. Depois se virou e foi embora. Olhei para Magnus, o homem que me torturava no dia anterior.

— Obrigada — falei ainda apoiada nele.

—Não me agradeça — ele disse na mesma hora em que começou a andar e me levar para algum lugar.

Notas finais
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