Notas iniciais
Olá! Eu não demorei tanto dessa vez, como vocês podem perceber. Me esforcei muito nesse capítulo e espero que vocês gostem dele, tanto quanto eu gostei de escreve-lo :)

— Meu nome é Helena. Você sabe sobre nós? – Fui direto ao ponto, até por que eu estava curiosa.

— N-nós? E-eu não sei de nada... Uma mulher esquisita e má estava tentando me matar...

— Eu sei, Halley. Mas tudo está bem agora. – Menti.

— Porque estou aqui? – Ela me perguntou depois de um pausa.

— Por que você nos achou, nos achou por que não é igual a nenhuma outra criança.

— O que eu sou, então? – Ela piscou.

— Não sei se você já ouviu falar, mas você e outras crianças e adolescentes aqui, são todos semideuses. Antes, você achava que era completamente humana, certo? – Ela assentiu – Pois não é. É filha de um deus também. Eles existem, são os deuses gregos.

— Quer dizer, Poseidon, Zeus, Atena e até Hades?

Ri de sua perplexidade.

— Sim, e todos os outros. Você vai entender muito mais daqui para frente. Halley, você é filha de algum deus grego, nos vamos acha-lo ou ele a achará.

— Você é filha de quem, Helena? – Ela me perguntou com aqueles olhinhos completamente negros.

— Eu sou filha de dois deuses, Afrodite e Eros. – Parei um pouco para pensar. – Isso me torna uma deusa também.

— Então você sabe quem é meu pai? – Ela se inclinou para frente.

— Eu não sei. Eu não vivo com eles, no Olimpo. Vou ser treinada para usar o que eu tenho e ser denominada deusa de tal causa.

“Será que eu tinha sido muito formal?”

— Eu acho que entendi. Aqui é tipo uma escola?

“Deuses, NÃO!”

— Acho que posso dizer que você vai aprender coisas aqui, sim. Mas não as que você aprende na escola.

— Minha mãe disse que eu vinha para um lugar muito bom, assim como ela, mas que era um jeito diferente de bom. – Halley olhou para cima, tentando lembrar do que sua mae dissera. – Ela devia estar falando disso.

— Halley, quando foi a última vez que viu sua mãe?

— Quando aquela mulher estranha me achou. Mamãe disse que ela a feriu, e depois me mandou correr para o norte. Eu não sabia onde ficava o norte, mas um velhinho me ajudou me dizendo.

A lucidez me fez entender o que ela tinha dito desde o inicio. Meus olhos se encheram de lágrimas, mas não chorei na frente dela, ela não entendia. Olhei para o lado e sequei os olhos.

— Você... Me deu exemplos de alguns deuses, como sabia sobre eles?

— Mamãe me disse tudo sobre eles! – Ela se inclinou para cima de mim, com um sorriso no rosto. – Mamãe me educava em casa e ela queria que eu soubesse “tuuuuudo” sobre a Grécia!

— Isso é ótimo, Halley! – Forcei um sorriso atrasado.

Ela sorriu com mais entusiasmo ainda.

— Eu vou ficar aqui com você, Helena? – Ela se inclinou para mim.

— E-eu não sei...

— Que casinhas bonitinhas, vou ficar nelas?

— Como você conhece os semideuses, vai me entender. Você é uma semideusa, e ficará na casa de seu pai deus, assim como Perseu ficaria no chalé de Poseidon, entendeu? Essa casinha, é o chalé de Afrodite... Você conheceu seu pai?

— Não... Mamãe disse que ele amava muito a gente, mas teve que ir para não se tornar algo que não podia acontecer...

Certamente seu familiar divino, era seu pai.

— Você vai ter que ficar no chalé de Hermes, o deus dos viajantes... E outros mais... – Não queria dizer que ele era deus dos ladrões, também. – Você ficara com uma amiga minha, ela é irmã do meu... Do meu...

As lágrimas tomaram lugar das palavras. Eu já estava em prantos, não conseguia olhar para Halley. Ela até me lembrava dele! O sorriso constante, os olhos carismáticos. Mas de certo jeito, ela também se distanciava dele, meu namorado era totalmente hiperativo, mais do que sorridente, impulsivo, excitante e era um ladrão de verdade! Nunca machucou ninguém, mas roubou, bom... Meu coração. Eu sei, ridículo e piegas, mas verdade!

Halley levantou meu rosto com sua mãozinha, secou minhas lágrimas e me olhou com algo que eu não entendia...

— Ele foi para o mesmo lugar que mamãe, né?

Ela me pegou nessa. Não esperava.

— Sim. Para um lugar melhor.

— Eles estão em um lugar com... Pôneis, algodão doce, pirulitos e muitas flores!

Eu ri.

— Você vai ficar bem no chalé de Hermes, minha amiga Martie vai cuidar muito bem de você!

Contei para ela sobre todos meus amigos: Nissa, Carol, Ricardo, Steve, Will, Narceu, Nat, Daniel, Derek, Erik e até sobre Mark eu falei um pouquinho.

...

Dei a mão para Halley quando Nissa nos colocava na fila. Ela nos organizava por ordem de chegada, mas me colocou na frente de todos e atrás dela, ela abriu a porta e todos saímos do chalé em direção ao pavilhão.

Eu tinha vestido Halley com um vestido realmente branco, com alguns babados no decote. Também achei um arco prateado e sapatilhas cor de creme. Coloquei um vestido creme, curto e levemente rodado, ele tinha alças grossas, mas não tinha mangas, era liso e com um decote quadrado e raso. Coloquei sapatilhas da mesma cor do vestido e prendi o cabelo em um rabo de cavalo alto. Eu não vestia nada claro a um longo tempo, mas o cabelo que Mark tanto gostava, eu não iria ousar mostrar. Só deixei de fora a franja, que caia nos olhos.

Halley tinha me dito que tinha cinco anos, e todo o chalé estava disposto a ir falar com Dionísio e Quíron, eu esperava que o chalé de Hermes também se sentisse assim.

Segurei a mão de Halley forte e sorri para ela. Caminhamos atrás do chalé 9, até o pavilhão. É verdade que muitos campistas olhavam para ela. Os filhos de Atena sorriam, pois sabiam o que tinha acontecido.

Steve e Will sorriram ao longe e acenaram, mas vi uma ruga de interrogação no rosto deles ao verem Halley. Pensei terem os visto calculando os meses que eu e Mark passamos juntos.

Entramos no pavilhão e puxei Halley para perto de mim, ela quase desaparecia atrás da saia do meu vestido. Quase. Ela ainda chamava atenção com sua pele pálida e cabelos negros por cima do vestido branco.

Nissa nos conduziu até nossa mesa e nós nos sentamos.

Halley parecia faminta, mas tivemos que esperar Sr. D se levantar e começar um pequeno discurso.

— Boa noite, boa noite... – Ele disse sem paciência – Hoje vou ser breve. – Ele se apoiou de mau jeito na mesa.

— Chegou mais uma peste... Criança, digo. Halley, indeterminada. Esta sobre posse da filha de Afrodite e Eros, Helena. Que a deve conceder aos filhos de Hermes, sim, senhorita?

Franzi as sobrancelhas.

— É só isso, boa noite e só pra lembrar... Caça a bandeira amanha.

Semideuses comemoraram e se remexeram em seus assentos.

Suspirei e desejei ter um prato de massa com molho branco com nozes. Para acompanhar, imaginei uma bebida cor de rosa. Mais do que rápido, o prato estava na minha frente. Sorri sem mostrar os dentes.

Halley ficou encantada.

— Tente.

Ela fechou os olhos fortemente e um prato cheio de batata frita e nuggets. Ri, ao lado de seu prato, pedi um prato de salada em forma de coelho, com olhos feitos de tomate bem pequenos. Pensei que Halley iria torcer o nariz, mas ela sorriu para o coelho. A mesa toda parecia ofuscada pelo brilho de fofura de Halley.

— Temos que dar um pouco da nossa comida aos deuses. Peça ao seu pai que te reclame.

— Certo!

Nos levantamos e queimamos nossa comida. Pedi para os meus pais descobrirem quem era o pai de Halley.

Ela fez o mesmo que eu e voltamos a sentar. Jantamos bem, em companhia de meus irmãos. Queria que Halley fosse um deles, mas ela não parecia ligar para nada desse universo. Se bem que eu também não ligava, mas de certo modo, sabia que era filha de Afrodite.

Depois do jantar, fomos para a fogueira. Halley estava muito animada e contava coisas para todos os meus irmãos.

Olhei para Martie e ela para mim. Apontei a floresta com o olhar e ela pareceu entender. Levantamos e nos encontramos lá.

Martie não esperou eu falar, me abraçou e me confortou. Eu a abracei também e pude entender sua dor.

— Desculpe por isso. – Martie me soltou.

— Tudo bem. Foi bom. – Disse sem graça.

— Pode falar, Ell. – Martie botou as mãos nos quadris.

— Preciso que faça um favor para mim.

— O que você quiser.

— Então tá! Preciso que fique com Hall. Cuide dela. Halley só tem 5 anos, ela perdeu a mãe e... No inicio pensei que ela não tivesse ideia do que isso significava, mas percebo que ela sabe mais do que parece. Ela é uma criança encantadora e não vai dar trabalho algum, juro!

— Eu não sei, Ell. – Martie coçou a cabeça. – Uma criança... É muita responsabilidade.

— Eu vou cuidar dela quando puder, mas enquanto estiver indeterminada, preciso que você fique com ela. Tem muitos no seu chalé.

— Tudo bem... Só porque é você! – Ela apontou para mim.

Sorri e a abracei. Ela riu da minha reação.

— E quanto ao Mark, você tem que superar essa. Ele não gostaria de ver você mau, sabe. Se você quiser, eu tenho um amigo para te apresentar... Ou se você gostou do nosso tipo de sangue... Um irmão.

— Isso soou um tanto quanto... Vampiresco. – Cocei a cabeça. – Não estou pronta para outro relacionamento. Ainda espero Mark.

— “O melhor jeito de esquecer um amor, é tendo outro”. Não é isso que Afrodite diria?

Acho que ela diria algo do tipo “O amor é paciente” ou “O tempo ira cura-la”. Não sei por que, mas acho que ela nunca diria tal coisa como Martie acha.

— Irei pensar nisso. – Disse de qualquer jeito.

Sorri. Voltamos a fogueira sentei Halley nas minhas pernas.

— Hall, essa é Martie. Ela irá tomar conta de você quando eu não puder. Você vai ter que fazer tudo o que ela mandar, entendeu?

Halley assentiu com a cabeça. Sorri com compaixão.

— O chalé de Hermes é um bom lugar para se fazer amizades. – Martie disse.

— Tudo bem. – Hall disse.

Martie sorriu encantada.

— Já estamos indo para o chalé, você quer vir?

— Por favor.

Carreguei Halley no colo e segui Martie até o chalé. Halley já caia de sono. Segurei sua cabeça junto ao meu ombro e Martie abriu a porta pra mim.

— Onde posso coloca-la?

— Aqui. – Martie apontou uma beliche mais distante das outras.

Coloquei Halley na cama debaixo e sentei ao seu lado.

— A cama de cima é minha, vou ficar de olho nela a noite. – Martie disse e sentou ao meu lado na cama.

Olhei para a cama de cima e percebi algumas fitas laranja e fotos penduradas na parede. Tinha uma bolsa também, uma bolsa da Tommy Hilfiger. Era linda, mas estava toda suja e estragada. Parecia que Martie tinha tentado limpa-la, mas não tinha dado muito certo. Senti pena da bolsa, e de Martie.

— Obrigada por deixa-la ficar aqui.

— É meu dever como monitora daqui.

— Não por isso. Mas por a deixar ficar nessa cama...

— Ah... Por nada.

O chalé tinha um foco de luz em cada beliche, essas foram se apagando devagar, uma por uma, até sobrar algumas apenas.

— Acho que já vou.

— Pode ficar o quanto precisar.

Martie levantou e entrou na porta onde ficava o banheiro. Olhei por alguns minutos para Halley e passei a mão em seu cabelo. Beijei sua testa e levantei de sua cama.

Fui até o interruptor na parede e diminui a luz que iluminava sua beliche.

Passei a mão no vestido e abri a porta do chalé. Fechei-a com cuidado e passei a mão na minha franja.

Um instinto quase me fez tirar o elástico, mas o mantive.

— Por pouco. – Uma voz disse das sombras, um pouco alto.

Me assustei e escorreguei dos degraus. Me segurei nos degraus para não cair e enquanto isso a sombra que falava comigo pulou da árvore e correu até mim.

— Você está bem? – Erik perguntou em meio ao riso.

Olhei zangada para ele.

— Você me assustou!

Ele me ajudou a me equilibrar e tirei a franja dos olhos.

— Por pouco... – Erik me olhava com a boca torcida.

— O que que é?!

— Você quase soltou o cabelo agora. – Erik disse enquanto olhava para os pés, ria e botava as mãos nos bolsos.

— É, faz um tempinho... – Passei a mão na franja.

— Faz um tempão! – Erik olhou pra mim.

— Hum... Você percebeu.

— É claro. Você fica na minha cola.

— Como é que é?! – Falei surpresa.

— Impossivel não perceber, mas o Mark já foi. Eu já assumi isso, você precisa também. Aquela garotinha é uma boa para isso.

— Não te apresentei a ela! Precisa conhecê-la! É um amor!

Erik sorriu.

— Eu já falei de você para ela! Halley acha que é muito legal esse negócio de sumir nas sombras...

Erik sorriu. Um sorriso que eu nunca tinha visto antes. Fiquei meio sem graça, acho que ele percebeu, porque riu.

— Acho que é efeito de tanto tempo fugindo.

O sorriso de Erik sumiu e uma carranca tomou conta.

— Awn, estava tão bonito. Por que parou?

Erik ficou vermelho e abaixou a cabeça.

— Quem estava bonito? O sorriso ou...

— Vou dormir! – Comemorei.

Nunca fiquei tão feliz por chegar ao chalé. Eu sabia a pergunta, mas não sabia o que responder. Não porque tinha medo de responder o errado, mas porque estava em duvida, e não era só nisso que eu tinha duvida.

Subi os degraus do chalé olhando para trás.

— Eu... Sabe, preciso dormir... Tá tarde...

Tropecei de novo e Erik se inclinou para me ajudar, mas me segurei no corrimão.

— Você está bem desastrada hoje. – Ele disse meio preocupado.

— Um pouquinho. Boa noite, Erik.

Abri a porta do chalé e não esperei um “boa noite” de volta, fechei.

Deitei na cama do jeito que estava. No chalé de Afrodite, também tinham essas lâmpadas que focalizavam as camas, mas ali tudo parecia mais... Como uma sala de bronzeamento.

— O que foi? – Nissa sentou na cama dela.

— Estou esgotada.

Nissa sorriu. Ela sentou na borda da minha cama e tirou meus sapatos, pegou meu pijama e me levou até o banheiro, onde troquei de roupa e escovei os dentes. Ela me deitou na cama e sentou na dela.

— Você tem ideia de quem Hall é filha?

Cobri os olhos com o braço.

— Nenhuma. – Respondi.

— Nem eu. – Ela deitou na cama ao meu lado.

As nossas luzes eram as únicas acesas.

— Bom, boa noite, Nissa.

— Boa noite, Ell.

Ela apagou a luz em cima de mim e a dela.

...

Não lembro de ter sonhado nada.

Acordei muito bem. Me arrumei e sai do chalé, que alias estava vazio. Percebi que não tinha muita gente andando pelo acampamento, mas todas iam a um foco. Fiquei curiosa e as segui, pedi licença enquanto empurrava as pessoas. Tinha alguém no meio, era um garoto, quase um homem. Ele estava de costas para mim, mas tinha um cabelo de um comprimento bom, era alto, em forma e usava uma camisa do acampamento surrada. Meu coração batia forte, meu corpo suava, minhas pernas demoravam a chegar perto dele.

Botei minha mao em seu ombro, e ele virou para mim. Usando o sorriso mais lindo do mundo e o mais esperado, mas fiquei confusa quando vi esse sorriso, mas ignorei. Eu pulei em seus braços, e chorava, ele falava alguma coisa para mim, mas eu não entendia muito bem, acho que era a emoção.

— Eu não acredito que é você! – Disse.

— Eu senti tanta a sua falta! – Disse Mark.

E que palavras lindas ele disse.

Eu o puxei para dentro da floresta, ignorando as pessoas que o puxavam. Ele também as ignorava. Empurrei Mark para uma árvore e me joguei em sues braços, beijando-o com emoção e de repente, parecia que não tinha mais nada a minha volta. Abri os olhos no meio do beijo. Realmente, não tinha mais nada a minha volta. Tudo era negro. Me separei de Mark, arfando de terror. Mas quando o olhei, só existia paz em seu olhar e o medo não tinha lugar ali. Ele também sorria e aquele sorriso, não me parecia mais como era. Ou será que sempre fora assim? Eu não sabia.

Mark tirou os braços de mim e meus olhos se abriram. Dessa vez, de verdade. Fora tudo um sonho. Um sonho que começou lindo, mas acabou de modo cruel. Será que eu tinha dito amaldiçoar os deuses? Pois tudo o que acontecia a mim, parecia praga.

Notas finais
Gostaram da Halley?
Deixei um comentário, por favor.
Amore