Filha De Hécate
2 Irmãos semi-depressivos e líder de torcida canibal
Notas iniciais
Vasculhei minha cabeça em busca de algo sobre Hécate, mas não tive sucesso. Todos me olhavam como se estivessem mentalmente me expulsando, eu já conhecia essa sensação. Em todas as escolas, eu era excluída, e por isso meu pai sempre me transferia de seis em seis meses para que eu fizesse amigos, não funcionava. Depois de um longo silencio Quíron disse:
– Bem, tenho que levá-la ao seu chalé. Vamos conhecer seus irmãos. O resto, dispensados. – E começou a, (como se diz isso para um cavalo?), “andar” em direção as casas. Eu o segui.
– Quíron, eu... – Perdi a voz, não sabia o que dizer.
– Muitas informações em um dia só, não é? – Eu assenti, queria conversar mais com ele. Queria que ele me explicasse essas coisas. Ele pegou uma flor branca que crescia no chão e me entregou. – Amanhã vamos conversar tudo bem? Vou te mostrar os chalés e as atividades. Mas por hoje eu quero que descanse, vai gostar de seus irmãos.
– Quantos são? Sabe, eu sou... Era filha única até essa manhã, então... – Quíron riu.
– Eles são quatro.
– Quatro?!?!
– Chegamos. – Paramos em frente a um chalé feito de rochas com um tom de roxo-escuro e inscrições. Em cima da porta negra existiam três símbolos: Uma chave, um chicote e um punhal. Abrindo a porta Quíron disse. – Claire, Jonas, Lou e Judith. Conheçam sua nova irmã: Hérmia.
– Quíron, temos um probleminha no bosque. Será que pode vir dar uma olhada? – Algum garoto gritou do lado de fora, mas pelo jeito o “probleminha” não era tão pequeno assim. Antes de sair Quíron deu um recado. – Cuidem dela, sejam legais. – Falando isso saiu a galope, e me deixou com quatro adolescente semi-depressivos. Fiquei na porta observando.
O chalé era uma mistura de quarto com laboratório de química. Era escuro por causa das rochas, mas era decorado com vários pisca-piscas coloridos que serpenteavam no ao redor dos beliches encostados na parede de um lado só, do outro uma mesa com caldeiras, líquidos em frascos e ervas em potes. Uma caixa de areia. Alguns armários. Tinham algumas coisas jogadas aqui e ali. O teto era de vidro.
– Oi – Disse um garoto vindo até a porta, ele tinha cabelos escuros cortados no estilo militar e olhos bicolores um verde e outro azul. – Sou Lou Ellen o conselheiro-chefe e seu meio irmão. Entre. – Ele tinha dezesseis anos, me levou até os beliches.
No beliche de cima uma garota de cabelos pretos longos e os olhos dourados fazia um pequeno pedregulho mudar de forma várias vezes, ela se apresentou como Judith, mas disse que eu podia chamá-la de Ju ela tinha quinze anos. A do beliche inferior tinha treze anos e brincava com um gato preto, ela se chamava Claire, cabelos escuros só que estes com mexas verdes e um corte chanel, olhos bicolores um dourado e o outro azul, me disse que o gato era domesticado e tinha o nome de Whip, significa chicote que é um dos símbolos de nossa mãe. Whip também tinha os olhos bicolores. Então chamaram Jonas que estava fazendo uma poção. Ele disse que a poção era para fazer o gato ter asas, todos riram, ele tinha a mesma idade que eu cabelos negros com um corte irregular e olhos alaranjados. Todos eram altos. Meus cabelos não eram tão escuros quanto o deles. Mas dava para perceber nossas semelhanças.
Depois disso, escolhi dormir no beliche ao lado do beliche das meninas, deixei minha bolsa na cama de baixo e me deitei na de cima. Eu adormeci imediatamente. Mas os sonhos foram tão reais.
Primeiro me vi em um bosque escuro com lençóis roxos pendurados nas árvores que balançavam à medida que o vento batia. Uma mulher veio em minha direção, ela usava um vestido grego antigo roxo e com manchas negras, eu não conseguia ver seu rosto por causa das sombras, ela falou com uma voz gélida e calma:
– Bem vinda Hérmia, minha preferida. Seus irmãos têm um ou outro dos meus poderes, mas você herdou todos. Aprenda a usá-los, e assim salvará um...
Meu sonho mudou. Agora eu estava no refeitório vazio de uma escola, sentado junto a uma líder de torcida estava meu irmão, na verdade ele era meu primo, mas nós nos tratávamos como irmãos. Seu nome era Matthew, porém eu nunca o chamava assim, chamava de Tedd por causa de um ursinho com o qual ele dormia abraçado até os doze anos. Era alto, não muito magro, tinha cabelo loiro escuro rebelde e olhos verdes que às vezes ficavam azuis.
De repente outro garoto veio correndo com muletas, ele tinha uma touca e calças largas demais para ele, vinha gritando ao encontro de Tedd, mas esse olhava a garota como se estivesse encantado pelos cabelos loiros dela presos em um rabo de cavalo, meu primo virou e percebeu que seu amigo vinha, ele se levantou enquanto a garota segurava sua mão querendo que ele ficasse.
O garoto chegou e disse. – Ei Matthew, que tal a gente ir pra aula tipo, agora ou o senhor Swon vai nos mandar pra detenção de novo. – ele falava com tom de urgência, e olhava para a garota como se ela tivesse uma doença contagiosa.
– Beleza Pogg, então depois a gente se vê Monica. – Deu um beijo nela e saiu. Pogg de vez em quando olhava para trás. A garota ficou sozinha no refeitório.
– Ótimo. Logo, logo vou ter o meu jantar. – falando isso ela mudou de forma, continuava uma garota, mas agora tinha dentes pontudos, os cabelos estavam em chamas, suas unhas eram garras e quando se levantou uma de suas pernas era feita de metal e a outra era de um animal, de um burro. – Que pena, – disse enquanto saia do refeitório. – O Matt é tão lindo, vou ter um belo manjar de semideus.
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