Fight Song
1 House in Fire
Bem, começando a explicar o que eu sou. Na verdade, não sei a definição para uma filha de dois deuses, que devia ser imortal, que morre. Vamos falar assim: Sou uma deusa mortal!
Meu nome é Bella Florence, tenho 16 anos, moro em uma aldeia de semideuses e pessoas como eu. Todos somos filhos de um ou dois deuses, por exemplo, meu amigo John,é filho de Hécate com um mortal. Já eu, sou filha de Hades e Perséfone! É eu sou, praticamente, a princesa do submundo!
Bem, tenho cabelos negros como a noite com mechas vermelhas, meus olhos mudam de cor conforme as estações, no inverno, azuis feito o gelo e o céu, no outono, castanho, no verão, amarelos ou laranjas, e na primavera, que seria o ápice do ano para filhos de Perséfone, meus olhos ficam verdes, tão verdes que podem ser considerados feitos de plantas!
A vila é um local fechado, com uma barreira mágica em volta, o que não permite a entrada de mundanos e monstros, os deuses tem passe livre para entrar. Aqui, nós temos escola primária, secundária e o ensino médio. Depois, nos dedicamos ao heroísmo, todos recebemos missões, algumas até profetizadas, perigosas, mas eu, particularmente, gosto do perigo!
- Bella? — John estava entrando no meu quarto, olhei para ele e pulei no seu colo o abraçando
- John! Como foi a missão? — Olhei para ver se ele estava bem, passei a mão em seu rosto — Me conte tudo…
Enquanto ele me contava, eu escutava a história, boquiaberta, e imaginava todas as cenas na minha cabeça. Os monstros, os lugares, as pessoas, tudo! Devia ser legal estar em uma missão!
- Bella, preciso ir falar com o Sr. D, a primeira pessoa com que falei foi você, eu estava com saudades — Ele me puxou para um quente e apertado abraço e eu retribui fazendo carinho na sua cabeça
- Ok, vai lá! Vou fazer um bolo de chocolate com morango, o seu preferido! — Ele sorriu e saiu do quarto
Eu levantei da cama e coloquei um chinelo, sai do quarto, fui até a cozinha e peguei tudo o que precisa para o bolo. Comecei a fazer a massa, quando, de repente, escutei um grito, vindo do lado de fora. Larguei tudo e sai de casa, eu conhecia aquele grito, eram as ninfas, havia perigo.
Eu corri, até que, eu vi a casa de John, pegando fogo. Eu fiquei parada em frente a casa, eu estava paralisada. Corri para dentro da casa.
- JOHN, CADÊ VOCÊ? — Eu estava procurando pelos cômodos.
O calor era muito, mas eu não iria desistir, tinha que achar ele! Fui até o quarto e vi ele, com um isqueiro na mão e um galão de gasolina na outra. Ele estava enfeitiçado!
- John, sou eu Bella… Me escuta, vem comigo, vamos para casa terminar o bolo. — Eu peguei o galão e o isqueiro e joguei no chão
- Hã? O que eu… — Ele olhou em volta com cara de choro.
Eu só puxei ele para fora da casa e corri segurando sua mão. Ele parou e olhou para trás, observando a casa se reduzindo a cinzas. Eu fui até ele, abracei ele pela cintura e fiquei observando sua lágrimas caírem no chão e ficando pretas quando se misturavam com as cinzas.
Os filhos de Poseidon começaram a jogar água na casa. Logo, as chamas não existiam mais. E estávamos sentados, no chão, abraçados.
- John, eu sinto muito… — Coloquei minha cabeça no ombro dele e ele colocou a cabeça dele na minha
- Não sinta, a culpa não foi sua! Sr. D não gosta de mim, todos sabem disso. Ele que fez isso em mim. Usou os poderes de alucinação, eu achei que tinha monstros na casa! Por isso coloquei fogo.
- Nossa John… — Eu olhei para ele, bem a tempo de ver uma lágrima escorrendo do seu olho. Já estava anoitecendo, a Lua já brilhava no alto e iluminava os destroços da casa.
- Acho melhor você ir Bella, sabe que eu mudo quando anoitece! — Eu fiz que sim com a cabeça e me levantei, dei um beijo demorado na sua testa e voltei para casa
Voltei a fazer o bolo, pensando em como ele estava abalado. Sr. D não podia fazer isso, quer dizer, ele era um Deus, podia fazer qualquer coisa. Mas ele não pode fazer isso com um dos aldeões. Eu precisava falar com a única pessoa maior que ele. Zeus!
Depois que tirei o bolo do forno, coloquei ele em cima da mesa e fui até o palco de oferendas. Dei um pedaço do meu bolo e clamei por Zeus.
Logo, pude ouvir um trovão ensurdecedor e logo depois passos atrás de mim. Olhei para trás e vi, um homem, de cabelos e barbas grisalhos, olhos azuis e prateados e uma roupa branca e azul.
- Por que me chamas, filha do submundo?
- Preciso de sua ajuda, oh, Deus dos deuses — Me curvei diante dele e levantei novamente — Seu filho, Dionísio, está usando seus poderes em um de seus aldeões. Preciso que fale com ele!
- Dionísio é teimoso, vou tentar falar com ele. Mas, saiba que, se ele souber que você me chamou, ele vai te odiar eternamente.
- Já estou acostumada, não muitos amigos! — Olhei em seus olhos eletrizantes, o tempo havia fechado, nuvens cinzas e pesadas haviam cobrido o brilho da lua.
Ele me olhou, não de um jeito duro e severo, como ele sempre faz com os humanos, mas com carinho e compaixão, padecia sentir pena de mim. Ele me deu, então, um colar com um pingente de raio.
- Sempre que precisar da minha ajuda, balance o raio algumas vezes. — Ele sorriu e apontou para trás com a cabeça, me virei e vi Dionísio cantarolando enquanto caminhava.
Olhei para trás, mas Zeus havia sumido. Resolvi voltar para casa. Me joguei na cama e suspirei. Estava cansada e com sono. Mas não conseguia dormir. Não agora, sabendo que um deus me tinha como inimiga. Mas, sei que não preciso me preocupar, tenho a força de Zeus ao meu lado. Duvido que ele mexa comigo.
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