Abri a porta do meu apartamento e depois de um longo dia de trabalho, senti um enorme alívio. O dia havia sido extremamente cheio, todos os alunos resolveram chegar quase ao mesmo tempo, cogitei até a hipótese de contratar alguém para me ajudar com os requisitos, uma secretária talvez. Entrei em meu apartamento, deixando minha mochila sobre a pequena poltrona instalada em minha mini biblioteca e dirigi-me diretamente para o banheiro. Durante o banho, tudo que vinha a minha cabeça era a imagem dela. Aria conseguia fazer com que meus pequenos problemas desaparecessem completamente, preenchendo cada espaço da minha mente. A última coisa que pensei encontrar em Rosewood é justamente uma das primeiras que encontrei. O que deveria fazer em relação a isso? Quais eram suas intenções? Ela estaria mesmo disposta? Perguntas vagavam em minha mente quando me dei conta de que havia ficado demais em baixo do chuveiro. Pela primeira vez desde que me mudei para Rosewood, parei para escolher uma roupa para vestir. Optei por uma camisa regata preta e jeans azul claro. Corri para a minha pequena cozinha e revirei os armários à procura de algo para preparar um jantar decente, esforço que foi totalmente em vão, percebi que não havia feito compras desde que cheguei. Mais do que depressa, peguei o catálogo telefônico e liguei para um restaurante Japonês, e, ao fim da minha ligação, ouvi a campainha tocar. Um enorme sorriso brotou em meus lábios e não demorei a atender.

– Oi... – Eu disse ao abrir a porta e ver a (minha) linda garota bem ali, parada em minha frente. Olhei-a de cima a baixo, reparando em cada detalhe. Ela usava um vestido escuro, com estampa amarela, salto alto e um fino e curto casaco com as mangas compridas.

– Estava me esperando? – Aria perguntou com um sorriso (quase tão enorme quanto o meu) preenchendo seus lindos lábios.

– Temos um compromisso agora. – Abri passagem para que ela entrasse, e apontei para meu guarda-roupa, fazendo-a rir.

– Acho que temos. – Ela se virou para mim, com o olhar fixo ao meu e por segundos eu me perdi naqueles olhos.

– Você está linda. – As palavras saíram naturalmente, e só depois me dei conta de que eu nunca havia a elogiado. Pude vê-la corar.

– Obrigada. Você não está nada mal, treinador Tyler. – Disse em tom zombeteiro e não pude não rir.

– Talvez você queira umas aulas de defesa pessoal. – Eu disse me aproximando dela, colocando as mãos sobre sua cintura.

– Será mesmo que preciso? – Ela me olhou diretamente nos olhos, com um sorriso malicioso e colocou suas mãos sobre meus ombros.

– Para se prevenir de aproveitadores... – Retribui o mesmo sorriso malicioso e deixei minhas mãos passearem brevemente por seu corpo.

– Aproveitadores? – Ela se inclinou para frente, deixando seu rosto rente ao meu. – Talvez eu não queira me livrar deles. – Ela mordeu o lábio inferior e pressionou os dedos contra minha nuca.

– Talvez não. – Concordei e imediatamente colei meus lábios aos dela, encaixando-os perfeitamente.

Aria deixou seus braços ao redor da minha nuca, enquanto mantive minhas mãos fixas às laterais do seu corpo. O beijo se intensificava e não podia conter a vontade que sentia daquela garota. Tê-la em meus braços me fazia sentir satisfeito e estranhamente completo. Sua boca tinha um gosto doce, o meu novo gosto preferido. Dessa vez pude senti-la realmente, focando em cada detalhe daquele momento. Coloquei a mão por debaixo de seu casaco, subindo até a parte nua de suas costas, onde o vestido não cobria. Senti Aria estremecer em meus braços e percebi que ela sentia o mesmo que eu. Nossos lábios se moviam com perfeição, num ritmo único e entorpecedor. Sem me dar conta, ouvi a campainha tocar e relutante, afastei nossos lábios, fazendo careta ao olhar para a porta.

– Malditos entregadores. – Sacudi a cabeça e não contive a risada.

Abri a porta e recebi minha encomenda, pagando devidamente o entregador, deixando-lhe uma gorjeta antes que ele me solicitasse uma. Voltei para dentro do apartamento e coloquei o combo com iguarias japonesas sobre a pequena mesa de centro da minha biblioteca improvisada.

– Espero que goste de comida japonesa. – Franzi a testa me dirigindo novamente à Aria.

– Não gosto. – Ela me olhou com cara de desaprovação e eu fiquei gélido. – Brincadeira. – Ela riu e eu me aliviei.

– Por favor, acomode-se. Vou pegar algo para bebermos. – Eu sorri e fui atrás da minha velha garrafa de vinho italiano.

– Não quer me embebedar, quer? – Ela usou um tom irônico.

– Pode apostar. – Retruquei e servi o velho vinho em duas taças.

– Não pense que é fácil. – Ela mordeu o lábio e por um momento esqueci de todo o resto.

– Não faça isso. – Me sentei sobre o chão, em frente à mesa, do lado oposto da senhorita morde-lábios.

– O que? – Ela soltou a taça sobre a mesa novamente, paralisando.

– Morder o lábio. Não faça. – Meu tom era sério e um tanto intimidador.

– Por que você não gosta ou por que você gosta? – Ela tornou a morder o lábio e eu me retraí onde estava.

– Porque eu quero mordê-lo. – Curvei os lábios num sorriso.

– Talvez você possa fazer isso. – Ela tomou um bom gole do vinho. – Depois disso. – Apontou para a taça em sua mão e eu ri.

– Coma. – Apontei para a barca de sushi sobre a mesa.

– Isso é uma ordem? – Ela me olhou boquiaberta.

– Talvez. – Peguei o par de hashis sobre a mesa, devorando o salmão fatiado, sem tirar os olhos dela.

Durante o jantar, Aria me contou um pouco mais sobre sua família. Seus pais estão divorciados a mais ou menos um ano, por conta de uma traição dele. Sua mãe por sua vez, namora um homem mais novo que ela, e pretende passar uma temporada na Irlanda com ele. Ela praticamente cuida de seu irmão como se fosse um filho. Apesar de ser um bom garoto, Mike tem enfrentado problemas desconhecidos para toda a família, possivelmente drogas. Talvez eu pudesse ajuda-lo de alguma forma, eu realmente estava interessado em me aproximar desse garoto. Talvez eu pudesse salva-lo do que quer que fosse como não pude fazer com Tommy.

– Tyler?! – Aria estava sobre meu colo, segurando minha taça e me olhando com os olhos arregalados.

– Me desculpe. – Sacudi a cabeça na tentativa de esvair-me de todos aqueles pensamentos.

– Está tudo bem? – Aria me olhou preocupada.

– Está sim. – Lancei um sorriso tranquilizador e ela relaxou.

– Acho que já bebi demais. – Ela soltou a taça sobre a mesa, rindo baixo.

– Eu também acho.

Segurei seu rosto em minhas mãos e a beijei de novo, de forma ainda mais intensa do que a primeira vez. Meus lábios se moviam com os dela ferozmente. Ela me segurava como se eu fosse fugir para algum lugar, pressionava seus dedos sobre minha pele e retribuía o beijo à altura. Perguntei-me por um momento se era efeito da bebida, mas percebi quão sã ela estava enquanto delineava minhas costas com dos dedos, arranhando parte dela com as unhas. Minhas mãos num rápido gesto foram parar sobre suas coxas descobertas, apertei-as com força, pressionando-as contra minha cintura. Ela gemeu baixo em minha boca e roçou seu corpo sobre o meu.

– Tyler... – Ela gemeu meu nome e meu corpo estremeceu completamente.

– Eu sei. – Mordi seu lábio inferior sem receio algum, puxando-os entre os dentes.

– Está tarde. – Ela sorriu envergonhada e se esquivou, saltando do meu colo com uma rapidez desconhecida.

– Não. Ainda é cedo. – Neguei sem ao menos saber que horas eram.

– Não vá com sede ao pote. – Ela sussurrou com os lábios colados em minha bochecha.

– A sede é cruel. – Sacudi a cabeça rindo.

– Eu sei. – Ela fez beicinho e eu me derreti completamente.

– Te levo pra casa. – Me levantei e estendi a mão para ela.

– Com medo de que eu me perca por aí, Sr. Hawks? – Seu humor era claro.

– Certamente. Ainda não teve as aulas de defesa pessoal. – Retruquei.

– Mal posso esperar para começar. – Ela sorriu e me estendeu a mão.

O caminho para a casa de Aria era curto, infelizmente. Reduzi a velocidade do carro o mínimo possível para aproveitar o tempo que nos restava da noite. Ela se agarrou em meu braço enquanto eu cortava as ruas de Rosewood. Ao parar em frente a sua casa, notei as luzes apagadas, exceto a da varanda, como de costume.

– Alguém em casa? – Perguntei analisando o local.

– Mike, provavelmente. – Ela pareceu frustrada. – Pelo menos, deveria. – Aria se recostou sobre o banco do carro.

– Algum problema com ele? – Perguntei curioso.

– É a pergunta que me faço todos os dias. – Ela fitava o vazio. – Falta às aulas, volta tarde para a casa, é agressivo... Bom, é algo que ele não costumava ser. – Ela ficou cabisbaixa.

– Pegue. – Me estiquei sobre ela e abri o porta-luvas do carro, entregando-lhe alguns papéis. – É uma autorização e uma requisição de exames médicos. Entregue a ele e diga que o espero na semana que vem na academia. – Disse com firmeza.

– Você acha uma boa ideia? – Ela tinha o olhar preocupado.

– Confie em mim. – Eu sorri e ela relaxou novamente.

– Obrigada. – Ela se inclinou em minha direção, selando meus lábios brevemente. – Por isso. Pela noite. – Ela acariciou meu rosto.

– Eu adorei. – Sorri para ela. – Não quero que seja apenas uma noite. – Segurei sua mão em meu rosto e beijei seus dedos.

– Interesses em comum. – Ela tocou meu lábio com o indicador, contornando o sorriso que ali havia se formado.

– Boa noite, Aria. – Soltei sua mão por fim e ela saltou do carro, atravessando o jardim rapidamente até entrar em sua casa.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.