Fifth Magic War
10 Epílogo: Isso é um ciclo vicioso.
Notas iniciais
SEIS ANOS DEPOIS
Sete de Outubro de 2021, quatro horas da tarde.
Londres, Inglaterra.
Pavel e Jake estavam namorando há um ano. Isso poderia soar esquisito para qualquer um que os vissem tão amigos e tão inocentes há alguns anos atrás, e não acreditariam que Irene estava certa sobre eles. O loiro fazia faculdade de polícia, enquanto Pavel fazia faculdade de artes cênicas, no RADA. Por mais que tenham mudado fisicamente, eles continuavam os mesmos, por mais que tenham amadurecido depois de tanto caos que sofreram antes de ficarem juntos. Além do mais, namoro ou romance a distância são difíceis de durarem.
Jake fez cafuné na cabeça de Pavel, enquanto o mesmo via alegremente um álbum da família e dos amigos. Só de olhar as fotos e verem como o tempo passou tão rápido depois daquela guerra, o mesmo ficava bem feliz, de certo modo.
As escolhidas ainda andavam juntas. Irene e Ranmaru tinham se casado há dois anos e tiveram um filho em novembro de 2020, e até hoje ninguém se acostumou em falar Irene Kirino. Era realmente necessário? O nome do filho deles é Russel, e ele é uma cópia masculina de Irene quando era pequena.
Eles não foram os únicos que tiveram filhos na família Morozov. Yuri e Arthur, ou Rubbit, se casaram e adotaram uma garotinha que se chama Zora. Aparentemente, a sua mãe a abandonou com semanas de vida na frente do hospital. Não podemos esquecer também de Sebastian, o último filho que Violetta teve, e o mesmo é um pirralho psicopata. A dica para sobreviver a ele é o deixar lendo e desenhando no seu canto, ou vai acordar com cabeças de bonecas pela a casa ou com um garfo em sua mão.
Ivan também adotou, devido a sua mulher não poder ter filhos. O nome do garoto é Victor, e tanto ele quanto Zora tem a mesma idade de Sebastian. Ele se lembra até hoje que Victor é o mais normal do trio, e o único que tem paciência quando o Russel chora porque Sebastian o fez algo.
Samantha e Ibuki se casaram um mês antes de Irene e Kirino, e também tiveram um filho: Alexander. Não temos nada a dizer sobre esse garoto, apenas que Sebastian quase o afogou na piscina quando os Morozov foram passar o Ano Novo na Austrália. Jake se lembra desse dia porque pagou o maior mico de todos ao fazer serenata para o Pavel, e o de cabelos brancos ter quase cavado um buraco de vergonha.
Dois casais que se casaram juntos foram Hikari e Goenji, e Luana e Nagumo. No final o garoto ficou junto à loira, por mais que Hasuike realmente queria isso e não fez nada contra. O sorriso de Nagumo parecia ser a coisa que ela mais se importava. Hikari e Goenji não tiveram filhos ainda, mas Luana e Nagumo estão esperando o primeiro. Deram o nome de Alan, se for homem, ou Sakura, se for mulher. E Hasuike? Aparentemente, a última vez que o casal ou a família viu foi quando ela partiu para a Argentina com Suzuno. Depois disso, nunca mais se ouviu falar dela.
Yuuna e Tenma se casaram recentemente e, assim como Luana e Nagumo, estão à espera do primeiro filho, que descobriram há dois dias. Ela estava grávida de duas semanas. Irene disse que o casal tinha que colocar o nome dela, mas Yuuna retrucou dizendo que uma Irene já incomodava demais.
Não podemos se esquecer de Scarlett, a irmã mais velha de Jake. Ela, além de ter os gêmeos Asher e Kayla há seis anos, agora teve o terceiro filho: James. O garoto é uma versão australiana e menos maligna de Sebastian, e é impressionante como o menino se dava bem com o de cabelos brancos.
Além dos casais juntos, o Conselho mudou. Scarlett entrou no Conselho como representante dos White, enquanto Ygor decidiu dar a posse de seu cargo de representante dos Morozov para Yuri, depois de Ivan decidir que ser médico e trabalhar no conselho é algo complicado.
Jake se desviou dos pensamentos ao sentir um leve beijo na bochecha de Pavel, e o mesmo comear um leve cafuné, deixando o álbum de fotos de lado. O loiro deu um beijo de leve nos lábios do namorado e o abraçou.
— Ei, você se lembra de que teríamos que ajudar a alguém? — Jake parou e pensou um pouco, não se lembrando. — Arthur... Meu deus, depois eu sou o esquecido.
— Olha como fala com o seu namorado! Segundo a Irene, eu sou o seme. Respeita-me! — Pavel soltou uma gargalhada. — O que foi?
— Depois eu sou o inocente, você nem deve saber o que é seme! — Pavel implicou.
— Eu sei. Agora, você sabe?
O garoto se encolheu um pouco, ficando meio envergonhado. Jake se afastou de leve e olhou Pavel com as bochechas avermelhadas, e caiu na gargalhada. O de cabelos brancos deu um tapa de leve na cara do namorado e fez bico.
—Idiota! — Jake continuou rindo mesmo com o Pavel fingindo irritação. — Mas sério Jake! Você não se lembra?
Jake olhou para o nada, tentando se lembrar de algo. Até que uma pequena cena de Arthur comentando sobre o que Pavel perguntou veio em sua mente.
— Arthur, podemos lhe fazer uma pergunta? Nós achamos duas fotos das nossas famílias quando descobrimos quem era você. Porque você as tem?
Arthur arqueou a sobrancelha e pensou num modo de explicar. Cruzou os braços.
— No futuro vocês vão saber, mas como ainda não chegamos nele... — Arthur se agachou até os dois. — Vai ter algum dia da vida de vocês que certo alguém vai precisar de ambos, e o que fizerem será o destino de muitas pessoas. Claro, vão ter ajuda de muitas pessoas, mas cabem a vocês a salvar uma pessoa. Posso contar que, mesmo sabendo agora, vocês irão ajudar essa pessoa quando a hora chegar?
— Me lembrei. Foi quando a guerra acabou, certo? — Pavel assentiu.
— O que você acha que vai acontecer? — Jake olhou Pavel, que se levantava para guardar o álbum de fotos na prateleira. — Quem será que vamos ajudar?
Jake nem teve tempo de pensar, porque logo viu a cena do namorado sendo acertado por algo que entrou voando pela a janela da casa. O garoto viu um papel cair de uma das malas e pegou:
“Sabe quando eu falei que irão ajudar uma pessoa? Então, essa pessoa sou eu. Desculpe o transtorno pela as bonecas, pombinhos.
— Querido Tio Arthur/Rubbit.”
****
Sete de Outubro de 2021, quatro e dez.
Londres, Inglaterra.
Nikolai e seus três amigos conversavam enquanto via “A Família Addams” pela a milésima vez. O garoto era russo, e fazia intercâmbio da faculdade de jornalismo junto com Shin, um japonês de cabelos loiros tingidos que morava em Moscou desde seus dez anos. Moravam numa casa de amigos dos pais do russo, junto com Elizabeth e Armin Edwards. O estranho era como todos eram magos, mas somente Nikolai sabia disso, ninguém tinha coragem de falar isso em público.
Pelo o que percebeu, Armin tinha poder de cura e Elizabeth o de Destruição Mental. Shin, por sua vez, tinha a magia materialista, que o fazia criar o que bem quisesse. O garoto adorava os poderes deles, enquanto Nikolai tinha a magia de flora. Desde que teve o caso da maga traidora da quarta guerra mágica, Ran, essa magia é meio desprezada. O que diria se dissessem que sua tia-avó era Ran? Ou melhor, Robin Sokolov.
De olhos claros como o oceano e cabelos pretos, Nikolai acabou de tomar o chocolate quente que Elizabeth tinha feito e não prestava atenção no filme e nem na conversa dos amigos. Falavam sobre a faculdade, talvez.
— Niko! — o garoto olhou o loiro, que parecia ser a quarta vez que o gritava. — O que você acha da Elizabeth pintar o cabelo de preto?
— Eu gosto do cabelo dela loiro. — a garota sorriu com o elogio, com os olhos brilhando. O mesmo olhou Shin novamente. — E eu gosto de pessoas com cabelos em cores peculiares.
— Como aquele russo que você gostava, mas ele apenas gostava de você como amigo? — Nikolai deu um soco no braço de Shin. Ninguém sabia que Nikolai era bissexual além do mesmo, e o menino da Rússia.
— O nome dele é Pavel Morozov. E sim, tipo ele. — Niko suspirou fundo.
Fazia um tempo que levou o fora de um de seus melhores amigos, Pavel Morozov. Além de melhor amigo, ele era o único que o entendia sobre seu pavor de hospícios e ter medo de multidões e precisar de alguém segurando a sua mão para passar por ela.
— Não iremos falar dele. — o moreno disse, voltando a olhar a TV.
E foi quando quatro malas entraram na casa pela a janela, quebrando o vidro. Todos deram um pulo, e logo quando se acalmaram, perceberam o que eram e se entreolharam.
— Vocês são magos? — falaram juntos, enquanto Nikolai revirava os olhos.
— Eu já sabia, mas queria ver quando vocês iam falar. — Nikolai comentou, passando a mão na cabeça. Ele mexeu na mala. — Maletas de Rubbit.
Ele pegou a que estava com seu nome, colocando-a na mesa de centro. Os outros estavam raciocinando o que tinham acontecido e pegaram as malas, também colocando na mesa. Entreolharam-se.
— No três, e nós abrimos e ligamos para o tal Pavel Morozov. — Armin olhou Niko, enquanto Elizabeth mordia o lábio.
— Um... — Nikolai começou. — Queria um motivo para falar com ele direito.
— Dois... — Elizabeth continuou. — Eu quero conhecer esse tal de Pavel Morozov, como ele o rejeitou, Nikolai?
— Ele tinha um australiano loiro. — Shin disse a mesma. — Três!
E eles abriram, vendo as bonecas dentro da maleta.
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Sete de Outubro de 2021, quatro e meia.
Londres, Inglaterra.
Yuri entrou depois de buscar Zora na escola. Ele morava dentro do Big Ben, junto ao seu marido e as seis bonecas. A garota pulou de seus braços e correu para achar Silver, que a mesma amava brincar. Yuri olhou a casa e se assustou de nenhuma das bonecas ter falado algo ao ver a Zora ou estarem implicando com Silver.
Viu Arthur apoiado numa mesa que ficavam as malas das bonecas, olhando a vista de Londres. Ele podia ver todos, mas ninguém podia o ver. O garoto percebeu que as malas não estavam lá, mas abraçou o namorado.
— O que foi Arthur R. Morozov? — Arthur se virou ao mesmo, mostrando que estava com a máscara de coelho que usava quando aparecia em público como Rubbit. — Porque está usando a máscara?
— Acabei de perceber que eu vivo para amá-lo, e proteger as pessoas. — Yuri deu um beijo na mão do mesmo. — Mesmo que eu tente evitar usar essa máscara, eu estou destinado a sempre a colocar novamente.
— O que você está falando, Arthur? — Yuri perguntou.
— Papais! — a voz pequena de Zora pode ser escutada, e a imagem da ruiva apareceu na frente deles. — Porque o Papai Arthur está usando uma máscara de coelho? E cadê as meninas?
Yuri o olhou assustado. Arthur abaixou a cabeça, parecia chorar. O de cabelos brancos pediu para a ruiva ir tomar banho, que tinha que falar com o pai delas.
— Maletas sumidas. Agora eu entendo o porquê delas disseram a mim um “Até Breve” quando sai de casa. — Yuri retirou a máscara do rosto do mesmo, vendo que ele não chorava. — Agora entendo sobre estar sempre destinado a usar a máscara.
Arthur o olhou, com os olhos calmos e serenos. Yuri sorriu e colocou a máscara novamente em Rubbit.
— Tenho que preparar a minha casa em Seul. — O mesmo falou, dando um abraço no namorado.
— Eu tenho que avisar aos meus pais que a Zora vai os visitar. — Yuri se soltou do abraço. — Você é incrível, Arthur. Nunca se esqueça disso.
— Pena que as outras pessoas temem que eu apareça. — Arthur sorriu, e começou a desaparecer. — Talvez porque significa que esse ciclo vicioso está recomeçando.
****
“Algumas guerras, nem passando cem anos, nunca acabam. Outras terminam em uma desconfortável e insuportável trégua.
Tem aquelas guerras resultam em completa e total vitória, trazendo alegria. Tem as guerras terminam com uma oferta de paz. E também guerras acabam em esperança.
Mas todas essas guerras não são nada comparadas com a guerra mais assustadora de todas: Aquela que você ainda tem de lutar.”
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