Fields Of Hope
1 Capítulo único
Notas iniciais
Fields of Hope
Com o entardecer, a grama verde ficava amarela, o céu azul queimava em chamas e trazia junto ao vento as cinzas das cidades destruídas, dos corpos queimados, o sangue ia escurecendo, tudo ficando com uma aparência triste.
As bandeiras estraçalhadas, as armas banhadas em sangue, pedaços de armaduras, partes humanas, tudo estava espalhado pelo lugar que um dia fora um lindo campo de lírios.
Mas com o final da guerra, era apenas parte de algo histórico, parte de algo que os Japoneses deveriam ter orgulho, pois sua nação estava salva, salva de um tirano, de alguém que não seguia com um “Japão feliz”.
Mas o que é felicidade?
Andando com cuidado e respeitando até a menor criatura, uma jovem andava segurando um buquê de rosas brancas e espalhando pelos montes de terra, onde corpos haviam sido enterrados.
Depois de espalhar 20 rosas, ela caminhou e abraçou um monte de rosas cor de azul e começou a espalhar por outros pequenos montes de terra. E essa era a nova paisagem. Sobre os túmulos de diferentes tamanhos, havia vários tipos de rosas, aquela menina se encarregara daquela árdua missão desde que o sol nascera.
Arrastando sua arma pela terra e não se importando em deixar uma trilha, um jovem guerreiro caminhava com alguns machucados ainda não cicatrizados, seu elmo há muito tempo perdido, ele não se importava com o cabelo loiro desalinhado que voava bem sobre seus olhos.
No entanto isso não o impediu de avistar uma linda garota de cabelos castanhos, com um vestido corderosa, ela andava delicadamente, e se ajoelhava naquela terra manchada de sangue e não se importava com inimigos ou aliados, ela simplesmente fazia uma prece a todos.
Já com a visão entorpecida pelo cansaço da caminhada, o sol forte na cabeça todo esse tempo e a dor no abdômen, ele caiu no chão, vendo a linda menina virar o rosto em sua direção ao perceber a aproximação de um desconhecido, principalmente de um guerreiro.
Ela viu um jovem com uma armadura azul cair bem em cima do monte de flores brancas que ela estava designando aos mortos.
-Kami-Sama!
Ela correu rapidamente, parando ao lado do corpo do homem, ela o virou com delicadeza e então apoiou o rosto marcado pela guerra em seu colo, enquanto afastava os fios loiros que estavam grudados na testa.
Ele não demorou a abrir os olhos, com uma expressão com um misto de dor e sono, ele tentou acostumar a visão à claridade e então o brilho do sol que estava se pondo fora tampado pelo rosto fino, branco e gracioso da jovem.
-V-você...
-Por favor, não se esforce jovem guerreiro.
Ela acariciou seu rosto delicadamente, o fazendo fechar os olhos e respirar fundo, no entanto isso o levou afazer uma careta de dor enquanto elevava as mãos ao abdômen o pressionando.
-Está machucado?
-Não é nada...
Ele murmurou ainda com uma expressão desagradável. Ela fez um bico nada convencida e se inclinou sobre ele, afastando as mãos dele e desamarrou a camada protetora, a veste estava rasgada e tudo em volta estava manchado de sangue.
-Kami-Sama...
Ela murmurou elevando as mãos à boca e o fitando com os olhos arregalados e marejados. Ele abriu os olhos lentamente com uma expressão serena.
-Não tenha pena de mim, eu já fiz a minha parte pelo Japão... Já está na minha hora.
-Mas... Mas você...
-Eu estou cansado, dormir é só o que desejo...
Ele fechou os olhos novamente, um grito sufocado o fez abrir os olhos com certa curiosidade, vendo o rosto daquele pequeno anjo, marejado e agora deixando que as lágrimas caíssem livremente, batendo em seu rosto suado.
-Você está chorando por mim...?
Questionou com a voz fraca e um tanto incrédulo.
-Sim... você defendeu essas pessoas, lutou por elas, chegou até aqui e agora....
Ela não terminou o que dizia, apenas fechou os olhos e continuou a chorar baixinho, ele sorriu ligeiramente e estendeu a mão trêmula até o rosto macio daquela menina.
-E agora eu estou diante de um anjo... eu não mereço mais do que isso... meus pecados serão redimidos.
-Mas... eu não quero...
-Eu também não quero morrer... mas... eu estou sentindo isso, como se aos poucos cada pedaço de mim fosse ficando mais leve, como se estivesse sumindo..
-Eu finalmente encontrei alguém para conversar...
-Você é como um anjo, a esperança desse campo de tristezas... Por isso, eu estou muito feliz que consegui chegar até aqui... que pude... vê-la, falar com você...
-Oichi!
Ela segurou a mão dele carinhosamente.
-Nagamasa... Azai..
Murmurou já fechando os olhos e aos poucos aquele tom de azul ia clareando, perdendo seu brilho.
-Nagamasa-Sama!
-Ichi... Obrigado...
E por fim seus olhos se fecharam, enquanto ele mantinha um sorriso nos lábios. Oichi arregalou os olhos e o sacudiu ligeiramente.
-Nagamasa-Sama! Nagamasa-Sama!
Não houve nenhuma resposta, e ela sabia que ele não iria abrir os olhos, que aquele silêncio iria permanecer, e que aquele lindo campo de tristezas, tinha uma nova flor.
Deitado sobre as várias flores, Oichi se ergueu e tirou o lírio que usava preso na orelha e o colocou embaixo da mão de Nagamasa.
-Obrigada.
Mas com o final da guerra, era apenas parte de algo histórico, parte de algo que os Japoneses deveriam ter orgulho, pois sua nação estava salva, salva de um tirano, de alguém que não seguia com um “Japão feliz”, salva por um jovem guerreiro que queria viver, que teria muito o que viver.
Então... O que é felicidade?
-Eu queria ter tido a oportunidade de conhecê-lo, Nagamasa-Sama...
Talvez o sonho, a idéia, o pensamento, a lembrança, a memória, um momento, uma lágrima, um sorriso, talvez fosse a união de tudo que pode ser considerado pelo coração como um sentimento, como parte de um.
Tudo que a fizesse se lembrar dele.
Owari.
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