Fiction City

5 The Lost Guardian


─Urgh... Ah... ─ resmungava o bandido ao seu lado.

─Ah... Cala essa boca!

Damon o olhava de esguelha, já fazia vinte minutos que havia chamado uma ambulância. Aparentemente não poderiam chegar até eles por conta de um acumulo de neve no caminho. Embora agora não caísse floco algum e já pudesse sentir uma leve mudança nos ares. Com certeza o resto da noite seria mais quente.

─Estranho isso... Parece até que alguém está brincando com o clima... ─ e o bandido continuava a resmungar ─ Quem sabe assim, seu retardado, a sua ambulância chegue mais rápido?

─Ora... Era só o que me faltava... Urgh... Um moleque que mal saiu das fraldas... Ahh!Que droga!Afinal o que foi aquilo, infeliz?!Eu... Eu... Estava com você na mira, urgh... Não tinha como errar... Daquela distância...

─Sei lá.

─Parece coisa dos X-men... Igual aquele cara, o com ferro na mão, ou aquela que faz as coisas voarem... ─ dizia o bandido fantasioso ─ Ah... Ah...!Talvez minha bala ainda esteja no seu cérebro!

─A sua bala nem me acertou!

─Como assim, guri?! E esses cacos que voaram pra as minhas costas, por acaso eles foram sozinhos?! Dá um tempo!Argh...

─Sabe. Acho que gosto mais de você inconsciente.

─Há!Há! Essa foi boa...! Quem sabe você vendeu sua alma para um demônio. Existe de tudo nessa cidade mesmo...

─Por que você não se comporta como um bom bandido e fica quieto?!Eu não sei, caramba! Não sei como os cacos te acertaram e nem como eu desviei!Só... Só aconteceu!

Eu sei.

Respondeu uma voz feminina vindo da entrada. Ambos, ele e o ladrão derrotado encararam a garota que adentrava a joalheria pela mesma porta que os bandidos, pisava no chão manchado de sangue como se não fosse nada, seus olhos fixos no garoto a sua frente.

Damon a viu se ajoelhar na sua frente, assim como antigos cavaleiros, sem o velho tom servil, não abaixando a cabeça em momento nenhum.

─ É um prazer conhecê-lo. Meu nome é Etzel, e eu sou uma das guardiãs da cidade.

Fiction City — The Lost Guardian

─Lucy... ─ dizia o rapaz loiro, sentado de forma desleixada num banco de praça, balançava as duas pernas num ritmo próprio, enquanto brincava com o cabelo da garota sentada ao seu lado. Parecia tão entretido em tocar a ponta da mecha ruiva em suas mãos, que pouco aparentava se incomodar em esperar alguns minutos até respondê-lo.

─Sim? ─ Lucy respondia, mantendo seu olhar fixo num ponto invisível a sua frente.

─Sabe, provavelmente ela vai atrás dele, não é?

─ Sim, já que ela é a ultima guardiã da cidade.

─Sei... ─ e deslizou as mãos até a raiz dos longos cabelos ─ Mas ela vai contar aquela velha história sem graça. Isso é tão chato, Lucy!

─O que você quer Fuji? ─ pela primeira vez na noite, olhava-o nos olhos.

Fuji podia senti-la fitando seu interior. Ao mesmo tempo em que sentia ser desnecessário dizer o que estava pensando, embora ela esperasse que o fizesse. Soltou um meio sorriso alegre e travesso.

─Faz sete anos que não brinco com o Damon, só acho que seria divertido contar a história legal para ele... Isso...

... Se você não vir problema numa pequena reunião familiar...

─Você é mal, Fuji. Ela jamais vai te perdoar.

─Nem a você ─ disse isso selando um beijo na ponta dos fios vermelhos.

Se quiser saber, venha.

Agora andavam na avenida e Damon ainda não sabia dizer se a garota ao seu lado era confiável. Aparentava ser no máximo dois anos mais velha que ele, um porte rígido que quase não permitia qualquer movimento dos cabelos longos.

A rua escura ocultava suas feições, de modo que não conseguiam prever os pensamentos um do outro.

Olhavam-se com cuidado, tendo certeza que também eram estudados com a mesma atenção, senão maior, seja pela sensibilidade que adquiriu há poucas horas ou movido pela simples curiosidade. O garoto sentia sua visão cada vez mais clara conforme a forçava.

Já conseguia distinguir grande parte dos seus traços, a pele clara, o cabelo avermelhado. Uma expressão tão rígida quanto o seu andar... Levou um susto ao ver que o encarava nos olhos.

─Pelo visto não acredita em mim ─ dizia a garota com a voz firme, mantendo o contato visual ─ Isso, ou... Está confuso demais para ter certeza sobre qualquer coisa.

─Bom ─ se concentrou nos passos molhados, em meio à neve quase derretida ─ Não dá pra levar alguém a sério que se apresenta como a “guardiã da cidade”. Metade das coisas que aconteceram hoje eu estou torcendo para que não existam mais pela manhã. ─ dizia, completando a frase com um sorriso seco.

Quem sabe eu estou...?

─Acha que é um sonho? ─ Etzel franzia levemente as sobrancelhas.

A garota franziu levemente as sobrancelhas.

O olhar que o garoto lançou a fez parar. Não, é claro que ele não sabia de nada.

─Sabe, posso te fazer uma pergunta? ─ disse isso sem esperar resposta alguma, embora ainda o olhasse nos olhos ─ Que você acha que veio primeiro, a cidade ou os humanos? ─ novamente não esperou que pudesse respondê-la ─ Foram os humanos. Eles nasceram e começaram a criá-la aos poucos. Ela os abraçava como uma mãe oferecia teto como uma casa e com o tempo também começou a guardar sentimentos que nunca foram dela.

A cidade.

─A cidade está viva e respira, garoto. Você a sentiu hoje, não é?

Uma voz vinda à sua mente sem ser convidada. Algo se movendo logo abaixo dos seus pés.

─Ela é mãe e algoz ao mesmo tempo, ama e odeia ao mesmo tempo, decide e se confunde. Sempre tudo ao mesmo tempo. Feita de pensamentos, de vontades. É a entidade que eu protejo: A cidade.

Notas finais
Estava olhando uns rascunhos velhos da história e fui pega de surpresa... Eu nem lembrava disso... Mas da primeira vez que escrevi o Damon se chamava Hugo e era uma história de época(era um menino super formal e educado) ah! E a Tia Marta além de baixinha era gorda e solteirona... Deuses!

Ainda bem que existe a tecla delete o/

Seja por bem ou mal o garoto agora sabe falar alguns palavrões u.u