Fiction

1 Um amor sem respostas


Ajik nan neol ijji mot hago

Modeungeol da midji mot hago

Ireohke neol bonaeji mot hago, oneuldo

Eu ainda não consigo te esquecer

Eu ainda não consigo confiar em nada

Até hoje, não consigo te deixar ir

Sabe aqueles sonhos de crianças? Aqueles mesmo em que você desejava ser bombeiro ou o astronauta? Ou então se casar com a menina mais linda que já viu?

Eu sempre eles, mesmo sendo um jovem já crescido. O que eu quero contar não tem nada haver com contos fadas, com comédias românticas, ou aquelas historinhas em que duas pessoas se amam, mas tem medo de contar.

Minha história muito mais complicada, meu amor é muito mais difícil.

O que você faria se amasse a única pessoa que o mundo inteiro poderia desejar? O que você diria se você o amasse, mas mesmo assim nunca conseguisse nem se aproximar dele.

Saber tantas coisas, conhecer cada detalhe, mas saber que ele nunca saberá nada sobre você, ou conhecerá você como você o conhece. Sei que existem muitas pessoas com historias assim, pessoas que desistiram, ou foram obrigadas a desistir.

Bem... No meu caso eu tive que fazer uma grande escolha...

Ou eu continuava a ser uma sombra em sua felicidade, ou iria embora e teria ainda assim parte dele comigo. Ser um garoto e saber amar é algo complicado, ainda mais quando você ama alguém mais velho, ou melhor, quando você ama alguém do mesmo sexo que você e de mundos tão opostos.

Mas e se você um garoto diferente?

De onde eu deveria começar?

Talvez do dia em que cheguei a um colégio interno, totalmente oposto do que já havia visto. Meu pai havia morrido há muito tempo atrás, e minha mãe trabalha duro para criar a mim e a minha irmã adotiva, Mikasa.

Mas um amigo de meu pai havia conseguido uma vaga para mim e Mikasa no colégio Saint Rose, o melhor colégio do Japão, ou melhor, uma prisão para jovens _assim era como eu o encarava.
Assim que cheguei não havia gostado muito, eram todos riquinhos esnobes, aquilo me dava nojo, mesmo eu não sendo tão pobre, preferia mil vezes ficar com pessoas humildes do que esses estúpidos metidos com fraudas de ouro e seda.

Foi assim que encarei aquele lugar durante um mês, até conhecer dois garotos. Armin Arlet, um loiro de olhos azuis e Jean Kirschtein, dois jovens de família de classe alta, mas que eram humildes.

Logo me tornei amigo deles, mesmo que Jean e eu vivêssemos em pé de guerra, eu sabia que poderia contar com eles. E assim os dias iam passando, eu já estava mais normalizado com tudo até eu vê-lo no corredor...

Oh! Lembro-me que foi em um dia chuvoso, mas assim que o enxerguei foi como se o sol nascesse em minha frente. Meu coração havia disparado de uma forma que eu ainda não compreendia, e então fiquei a admirá-lo.

Um garoto de cabelos raspados na nuca e com o cabelo negro caindo por cima. Um corte muito belo e que contrastava com o rosto dele de feições finas e leves. Lábios finos e nariz da mesma forma, e a pele branca.

Ele era um pouco menor do que, e podia se ver pela sua postura e forma de andar como ele deveria ter anos de prática em etiqueta. Ele olhava para frente como se nada houvesse ao seu redor, os olhos azulados e cinzentos eram enigmáticos e quando dei por mim já havia me apaixonado.

Foi estranho o tempo que se passou durante este tempo, sei que é errado um garoto se apaixonar e ainda mais por outro, mas o amor acontece, é simples.

Logo descobri que ele era o capitão do time de basquete, um astro em qualquer tipo de esporte, seu reinado era realmente ali. O melhor aluno da classe e ainda por cima o chefe dos monitores e presidente de classe. E ainda por cima estava no último ano do ensino médio.

Eu ficava sempre a tentar acha-lo, começava a estudar sua rotina, mas sem nunca me aproximar dele. O mesmo sempre se levantava as 06h00min e iria tomar seu precioso café puro em uma mesa afastada. Depois iria fazer seu trabalho como presidente, e logo entrava em sua sala de aula, onde se encontrava com sua irmã mais velha e adotiva Hanji Zoe.

Vivia cercado por garotas a todo o momento, e logo que saia da sala ia para os treinos do seu clube, onde ele saia e logo se encaminhava para a biblioteca, e ficava por horas lendo vários livros, que eu fiz o favor de emprestar e ler depois.

Ele era o senpai em que todos se inspiravam, todos queriam ser como ele e o admiravam, e foi assim que um dia descobri que por acaso ele tinha uma namorada chamada Petra. Uma linda garota de cabelos ruivos e sorriso gentil.

Eu não a odiava, afinal compartilhávamos do mesmo sentimento por ele: amor. Mas o meu peito doía de saber isso, sempre soube que não seria correspondido, mas mesmo assim poderia deixar-me sonhar.

Sempre ficava na arquibancada do campo de futebol quando ele iria participar das modalidades de corrida do clube de atletismo. Eu ficava lá a observá-lo ganhar de todos, e o estudava, cada passo, todos os movimentos do seu corpo.

Por céus, eu era um verdadeiro stalker. E logo pôs-me a começar a praticar corrida. Estudava como um louco cada estratégia, histórias e os fundamentos daquele desporto. E assim consegui entrar para o time de corrida do colégio como o mais novo e rápido corredor.

Como eu havia ficado feliz, assim pelo menos quem sabe ele não saberia o meu nome? E me visse assim como um rival, já faria muito bem a mim. Mesmo assim eu ainda ficava a olhá-lo, a observá-lo e estuda-lo.

Eu o amava mais do que imaginava, e quando soube que um jogo entre membros do nosso time e o time de basquete ocorreriam, eu me senti mal. Não queria realmente competir com ele, mas era este o nosso destino, pelo menos corrermos juntos em uma quadra.

E no final do outono eu o vi usando aquela roupa de Educação física, seu olhar era irritado e olhava a todos e incluindo a mim como insignificante. Eu havia engolido em seco e tentado controlar a dor do meu coração por saber que ele me considerava um nada.

Logo começamos a correr e não deu outra, mesmo que eu fosse mais rápido do que os outros, eu vi as suas costas a minha frente. Perdi para o meu senpai e sentia-me ainda mais mal.

Eu não queria competir, mas estava arrasado. Como eu pude pensar que o alcançaria? Mesmo que eu houvesse chegado em segundo lugar, houve uma diferença de 20 metros em nós dois.
Eu nunca alcançaria a pessoa que eu amo. Esse era um fato que me fazia querer chorar ali.

Todos estavam ofegantes e vi a sua namorada pular nele o felicitando, apertei a mão no peito e segurei as malditas lágrimas. Ele era algo que eu nunca conseguia alcançar, eu nunca seria nem mesmo um desafio em sua vida.

E com esse pensamento eu entrei nos vestiários. Fiquei sentado lá, esperando todos tomarem seus banhos e se vestirem com uma toalha sobre minha cabeça. Ouvi os meus senpais falando que era normal eu ficar frustrado, mas que não deveria desistir.

Mas não era sobre isso que me fuzilava a cabeça, e sim o fato de que ele era algo intocável para alguém de família de classe média e humilde, como eu. Levantei-me e dei um soco em meu armário _ou o armário que guardava minhas coisas _e senti as lágrimas grossas e dolorosas vindo em minha face.

“O que acha que está fazendo pirralho?”

Lembro-me de sua voz grossa e irritada e quando eu o olhei fiquei tão feliz. Eu poderia chegar perto dele ali, não havia nada...

Eu fiquei parado em sua frente ainda surpreso e tentando acalmar o meu coração, ele me olhava daquele jeito irritado, mas não havia nada de insignificante para comigo em seu olhar. Isso me tranquiliza, mas ainda assim a dor era grande de mais.

“Você não deveria está aqui há esta hora” foi o que ele falou em minha direção, cortando o clima tenso sobre nós “Pirralhos devem está na cama a este horário, sorte sua que não estou com vontade alguma de lhe levar para a minha sala e lhe dar uma advertência”.

Ele me tratava como criança, e eu e sentia ridículo por pensar que não era insignificante. Eu era uma completa criança em frente aquele garoto de três anos mais velhos que eu.

“Desculpe senpai, eu só...”.

“Estava a lamentar-se de sua perda. Realmente é um estúpido, me estudou por tanto tempo e achou que apenas com isso e força de vontade me venceria? Cresça moleque, se quer tanto assim me derrotar, se dedique mais!”.

Eu havia ficado surpreso e então sorri, claro que ele havia me percebido, apenas um cego _ou até mesmo um veria _que eu estava a observá-lo.

“Você tem tanto ódio assim de mim? Então o use para tentar me vencer, caso o contrário nunca o fará...”;

Ele falou e eu o encarei sério. Como eu poderia...? Como ele podia pensar algo assim?!

“Eu não te odeio senpai”

“Então por que ficou tão mal por ter perdido para mim? Inveja? Poupe-me” ele riu sarcasticamente.

Aquele era o primeiro sorriso que via em seu rosto, e realmente era algo que eu desejei por tanto tempo que fez o meu coração bater forte. Fechei os olhos e apertei os punhos.

“Meus sentimentos para com o senpai são bem mais puros do que estes que me acusa. Eu não tenho inveja do senpai, eu o admiro muito por ser assim como é. Não mudaria nada em sua personalidade, por que assim o torna alguém ainda mais admirável!” falei respirando fundo e senti as lágrimas rolarem. Era assim, aquele era o momento? Não importava, apenas meus impulsos estúpidos haviam falado naquele momento “Meus sentimentos para com o senpai são o contrario de inveja e ódio...”

“Então diga-me pirralho! Não tenho tempo de...”

“Dasuki senpai” eu falei ainda de olhos fechados e punhos cerrados.

Eu estava comigo, aquele era o momento de acabar com todas as minhas esperanças. Eu sabia que nunca seria correspondido, afinal ele tinha uma namorada.

“Dasuki... eu nunca o odiaria, não conseguiria! Eu realmente... Eu só entrei para o time de corrida para um dia poder correr ao lado do senpai, mas, mas...”.

Foi então que senti meu corpo ser arremessado contra a parede fria de azulejo. Abri os olhos e vi o senpai próximo a mim. Aquele foi um momento que sempre lembrarei como mágico e assustador.

Ele me beijou e começou a me tocar, e ali naquele banheiro frio eu me deixei entregar aquele garoto irritado. Mesmo ele tendo sido bruto em cada movimento seu, eu ainda estava feliz, mas não havia carinho _pelo menos por uma das partes.

Quando acabou ele saiu de cima de mim praguejando coisas ao vento. Lembro-me dele falar sobre como havia sido estúpido, que não deveria ter me dado esperanças. E logo ele entrou em um mundo onde brigava consigo mesmo, enquanto andava de um lado para o outro.

Eu já chorava rios de lágrimas. Havia me declarado e depois havia sido usado. Me levantei com o resto de dignidade que aquele amor inteiramente platônico e deplorável me deixou e me vesti. Ele nem ao menos havia percebido que eu o fazia e isso me deixava ainda mais triste.

“Eu nem sei o nome do miúdo e o usei desta forma apenas para o meu apetite sexual!” ele gritou isso com raiva e eu fui andando para a porta que havia sido trancada.

Eu a abri fazendo um barulho e ouvi o mesmo parar de falar e continuei a encarar a porta. Cobria o meu rosto com o cabelo, tentando na falha esperança de que minhas lágrimas não fossem percebidas.

“Onde achas que vai?” ouvi sua voz atrás de mim e me virei ainda escondendo meus olhos por baixo da franja.

“Desculpe senpai por trazê-lo tantos problemas” sorri amargamente com o que estava fazendo “Eu não irei mais perturbá-lo com essas tolices, obrigado por este momento que compartilhou um pouco comigo”

Falei me virando e saindo a passos largos dali com as lágrimas já escorrendo desenfreadamente.

“Qual o seu nome pirralho!”

Não o respondi, só fiz correr o mais rápido que pude com o corpo dolorido pelos atos cometidos antes. E assim que entrei em meu quarto e meus amigos estavam ali a me olhar preocupados, desabei.

Realmente acho que aquele foi o momento mais doloroso em minha vida, saber que a pessoa que eu amava nem ao menos conhecia o meu nome.

E assim os dias se passaram, eu não chegava mais perto do clube de corrida, ou de clube algum. Saia da sala de aula para o quarto e visse versa, apenas parando para comer às vezes. Armin muitas vezes me disse que o time de basquete estava procurando o garoto que havia corrido contra o senpai, mas isso durou apenas um mês.

Comecei a sentir naquele tempo fortes tonteiras, aonde chegava até a perder o foco da visão por demasiadas vezes. E depois comecei a enjoar e vivia vomitando a todo instante. Meu cabelo havia mudado, e eu escondia-me com roupas grandes e de capuz para não ser reconhecido.

Por sorte eu era do primeiro ano e nunca nos encontramo-nos mesmos prédios, e quando havia eventos para todo o colégio, eu dava um jeito de me esconder.

Minha situação começou a piorar até um dia chegar a desmaiar no colo de minha irmã. Lembro-me de acordar em um hospital e lá ver médicos a me olhar surpresos, como se algo incrível estivesse acontecendo.

Naquele momento eu descobri o maior segredo da minha mãe, eu era uma criança que havia nascido com os dois sexos e por isso mesmo que com uma operação eu tivesse o corpo masculino, eu continha útero.

Sim, eu havia engravidado naquele dia. Para não haverem escanda-los, minha mãe me mandou para a casa que tínhamos em outro país, herança do meu avô. Mudei-me para lá junto com Mikasa.

[...]

__Papa, mas então como é o nome do meu outro pai? _ouvi a voz do garotinho de cabelos negros e olhos verdes me perguntar, interrompendo minhas lembranças dolorosas.

Eu sorri para ele e afaguei os seus cabelos. E o ajeitei em meu colo, enquanto o avião sobrevoava a cidade de Trost. Eu estava voltando para aquele lugar onde havia tido o meu primeiro amor.

Olhei o furto de uma noite mágica e dolorosa e suspirei firme, fazendo caricias em seus cabelos negros sobre o meu colo.

__Lian o nome do seu pai é Eren, afinal eu sou o seu pai... _falei sorrindo para o garoto de cinco anos.

Eu protegeria aquele ser onde eu havia depositado todo o amor ressentido que tive sobre seu pai, e suspirei. Não o deixaria tirar o sorriso do rosto do meu filho como fez comigo, eu nunca mais me deixaria ser desiludido daquele jeito.

Ainda lembro-me de olhar uma ultima vez antes de sair pelos portões daquele colégio e vê-lo em frente à porta por onde eu passaria.
Ele me olhou surpreso e eu sorri passando por ele, não antes sem dizê-lo.

“Chamo-me Eren Jaeger, Rivaille-senpai, e realmente te amo”

E assim sai daquele colégio, entrando no carro preto. Naquelas ultimas palavras havia deixado todo o meu passado para trás, agora meu amor por aquele ser baixinho e irritado não existiria mais.

{...}

Crianças sempre deixam de ser crianças quando enfrentam a verdadeira dor, e somente assim eu podemos perceber que nada na vida é feito por acaso.

Naquele amor platônico de um garoto por outro brotou uma vida, uma vida que faria a diferença em todos a sua volta, afinal...

Dashi mandeureo bolge uri iyagi

Kkeut naji anhge aju ginagin

Sal gacheul pago seumyeo deuneun

Sangshil gameun jamshi mudeo dulge

Saero sseo naeryeo ga shi jigeun

Haengbok hage utgo itneun neowa na, niga nal

Tteonaji mot hage bae gyeongeun chulgu ga eobtneun jobeun bangan

Eu vou reescrever tudo de novo,

Nossa história não vai acabar

Vou enterrar o fato de que a realidade está se infiltrando em minha pele agora

Vou reescrever tudo de novo,

Começar com você e eu sorrindo felizes

Mas se você me deixar,

O cenário será um quarto pequeno sem saída