Fiction

18 Sorvetes, elfos e sangue.


Notas iniciais
Heeey sei que querem me matar, não é? Explicações? Sim tenho muitas: Primeiro eu fui assaltada no começo do ano e não estava realmente bem para escrever nada, pois logo depois disso eu fiquei meio deprimida e minhas crises de ansiedades voltaram. E então começaram as aulas e me vi atarefada, minha Beta acabou tendo um problema no computador e não deu para nenhuma de nós trabalhar no capítulo e quando e então eu perdi o meu pendrive com todas as minhas histórias. Desde as minhas bem antigas, até as mais recentes y.y E agora estou mega atarefada com simulados e formatura. E novamente sou representante e com um cargo novo na comissão estudantil, como presidente desta joça. Sobre o capítulo, tenho certeza que a Moon vai me matar, pois este não é o capítulo que mandei para ela, eu mudei ele totalmente por não gostar dele, achei esse aqui necessário. Espero que gostem um pouco dele e não queiram matar o Marco minha gente. Dei uma arrumada no Word, mas não li ele para betar. Estou as pressas e se fosse deixar para fazer isto, só iria postar no próximo final de semana, então perdoem-me.

Eu tenho um baú.

De doces memórias nossas.

Ou apenas de ilusões que eu criei,

Como uma criança rebelde.

Respirei fundo, enquanto tentava inutilmente fazer meus batimentos desacelerarem, conseguia sentir o frio agradável da tarde mais quente, e me concentrava ao máximo que conseguia para não ser encontrado e acabar com os meus planos.

Abaixei-me encostado na arvore, enquanto olhava para trás, encontrando tudo quieto demais, isso só poderia significar algo: os inimigos estavam próximos.

Avistei as luvas azuis por debaixo do arbusto e sorri convincente, enquanto apertava com força a minha arma de ataque. Comecei a caminhar por entre os arbustos de forma mais silenciosa o possível, não querendo ser descoberto, já que tinha conhecimento da mira extremamente alarmante que o jovem moreno possuía.

Okay, estávamos apenas um metro de distância um do outro e eu já conseguia ouvir as risadinhas dele. Lambi os lábios levemente rachados por conta do frio e então corri para cima do arbusto tacando a minha bola de neve que bateu em uma pedra. Não havia ninguém ali.

Mais como?

__Peguei o papa! _ouvi a voz doce falar atrás de mim e logo recebi uma bola fria e úmida de neve no meio do peito do pequeno garotinho de cabelos negros despenteados e olhos brilhosos _Eu sou o rei da casa!

__Você trapaceou! _falei pegando as luvas azuis escondidas articuladamente entre os ramos e olhando para o Jaeger mais novo que ria e corria em minha direção com as bochechas pintadas de vermelho, contrastando com a pele branca.

__Não mesmo! Eu fui mais esperto! _ele falou inflando as bochechas e cruzando os braços _Agora eu quero o meu prêmio!

__Certo, desta vez eu concordo, você foi mais esperto _Falei me pondo de joelho na frente do mais novo que tinha um sorriso convencido nos lábios, um sorriso semelhante demais aos Rivaille’s_ Agora ponha as suas luvas senhor, não queremos ninguém doente por conta de uma brincadeira, não?

__Certo! _ele sorriu docemente enquanto me permitia colocar as luvinhas azuis celestes e arrumar o pequeno casaco verde em seu corpo _E o meu prêmio papa?

Olhei para Lian que possuía uma sobrancelha arqueada de forma sínica, de uma forma que só uma criança conseguia fazer sem jamais perder o charme doce da puerícia. Peguei-o no colo e suspirei, enquanto o mesmo balançava os pés.

__Mas, se você adoecer não será minha culpa mocinho! _falei e o mesmo comemorou, enquanto atravessávamos da frente do prédio, para uma sorveteria do outro lado da rua. Lian ficava encarando-me com aqueles grandes olhos verdes contentes e curiosos durante a travessia, um pouco complicada pela movimentação agitada da rua.

__Não vou eu prometo _ele falou cruzando o dedinho enfrente aos lábios rosados e beijando eles, enquanto eu dava uma gargalhada.

_Certo, agora, que sabor você quer?

~*~

[...]

Você não quer me machucar,

Mas veja quão profundo as balas jazem.

Ignorante de que eu estou te partindo em pedaços.

Há relâmpagos em nossos corações.

[...] Diga-me, nós dois importamos, não importamos?

Ergui uma vez mais o meu punho contra o vidro duro do aquário vazio no meio da minha sala, sentindo pela terceira vez seguida os cortes em meu punho arder com mais veemência. Chutei novamente o sofá já estraçalhado, combinando com o chão coberto de vidro e partes de objetos partidos, assim como aquela maldita caixa jogada de qualquer jeito.

Levei as mãos rubras aos cabelos, bagunçando e arrumando os fios negros agora manchados de escarlate. Enquanto segurava de forma teimosa, as pesadas, e se não porque humilhantes lágrimas.

“Homem não chora Levi, e um Rivaille jamais abaixa a cabeça, aprenda logo isto e deixe de ser criança”.

Tantas e tantas batalhas vazias travadas em minha cabeça, prometendo me manter longe de tudo o que viesse a me transformar em um ser como ele, e agora era isto que eu havia me tornado. Caindo miseravelmente nas teias do destino infeliz e desconhecido do mundo.

“Ele não é seu filho!”

“Quem é a mãe...?”

Tolo...

[...] Vamos, amor, vamos, vamos, querida.

Deixe-me roubar este momento de você agora [...].

__Não! _gritei empurrando o aquário vazio e sem uso de cima do balcão, enquanto sentia a carne reabrir uma vez mais.

Caminhei para longe do estrago até encostar-se às enormes janelas de vidro que deixavam a luz fraca do dia frio entrar, escorregando pouco a pouco apenas para observar o estrago. Como um telespectador, um personagem que assiste a tudo e não pode fazer nada.

Vivendo sua vida fadada a seguir o ciclo, vicioso e monstruoso que a vida poderia se transformar. Olhei para minha mão, onde cortes superficiais se encontravam e depois para a maldita caixa cheia de papeis e gargalhei.

“Experimento 123, paciente gestante: Eren Jaeger apresenta uma complicação para a gestação por conta de seu corpo incapaz de aguentar o feto”.

“45º hemograma para verificar se as vitaminas estavam ajudando o paciente a sobreviver da debilitação que seu corpo se encontra”.

E se eu apenas pudesse

Fazer um trato com Deus

E o fazer trocar os nossos lugares

Correndo estrada a fora

__Quem é o louco agora Levi? _falei baixinho para mim mesmo, sentindo aquelas palavras embaralharem em minha cabeça, enquanto o peso parecia recair mais e mais sobre as minhas costas _Seguindo os mesmos passos do papai, não é?

Perguntei ao vazio, enquanto gargalhava com a mão machucada sobre os lábios. Ali estava eu me transformando no mesmo monstro que nunca quis, por ceticismo, por desconfiança, enquanto havia uma parte de mim por ai, que nem imaginava o quão ferrado eu era.

“Lian...”

Olhei para o lado de fora dando um sorriso distorcido, lembrando-se da aparência e personalidade tão familiar que o garotinho possuía; — Meu filho, hein?

~*~

Ergui-me de uma vez da cadeira giratória sentindo aquela maldita pontada em minhas costas crescer novamente. Estava tão cansado de ler planilhas, desenhar e redesenhar apenas para ver se meus cálculos encaixavam-se.

Suspirei exasperado, enquanto tamborilava os meus dedos sobre o tampo da mesa impaciente. Sabia o que tinha que fazer como fazer, mas toda vez que chegava sobrea folha, meus pensamentos todos se esvaiam e sentia aquele peso em branco e raiva.

__Droga...

Estava sozinho em casa, todo o meu trabalho nas obras estava parcialmente feito, faltando apenas estes simples levantes e esboços para o ultimo pavilhão de casas, mas nada chegava e isto me chateava, já que no meio da noite estava completamente inspirado.

O som estava ligado e tocava uma batida de rock clássico que sempre me estimulava, mas já que não estava conseguindo nada minha maior vontade era destroçar o pequeno rádio.

... Se acalme Armin.

As coisas não têm culpa pela sua falta de inspiração...

Os que antes andavam tão conturbados, agora estavam calmos e até entediantes. Eren estava quase terminando a sua mudança, que se concluiria no próximo final de semana, e apenas se fazia quatro semanas desde que encontrei Eren olhando a janela fria do apartamento deles, após a partida do pai de Lian.

Eren havia marcado, ou melhor, Dr. Marco havia exigido um encontro apenas ele e Eren para falarem mais sobre o “caso” do Sr. Jaeger. Jean parecia um pombo correio e aos meus olhos não devia ter a menor certeza do que estava acontecendo.

... Maldito cavalo estúpido.

Nunca entende nada...

__Cheguei! _ouvi um grito e vi o moreno mais alto da casa entrando com uma caixa de Donuts em mãos _Hey Armin, cadê o meu bem vindo?

__Não morre tão cedo, credo _falei voltando a olhar maldita folha que parecia gozar da minha cara.

“Hahaha você jamais vai conseguir terminar a tempo”

__Nossa que bicho te mordeu? _ouvi a voz levemente abafada e suspirei.

__O bicho da ignorância, ele que me mordeu e esta maldita folha está...

__Ainda não terminou? _Jean estava parado do meu lado, mastigando e mesmo que ele estivesse fazendo tudo certo, não pude controlar a raiva que se abateu sobre mim rapidamente.

__O que parece?

__Nossa...

Bufei ainda mais irritado, ele se afastou voltando para a cozinha e eu me debrucei sobre a mesa, tentando uma vez mais elaborar os meus esboços e medições, mas nada saia além de lixo borrado e marca de lápis desgastado.

Peguei a folha e joguei sobre o monte no lixo, fazendo par com umas três jogadas próxima a ele. Minha franja estava caindo sobre os meus olhos para piorar, tinha que tirar o lixo da casa e hoje ainda era o meu dia de fazer o jantar.

Argh! A dor nas costas...

Tentei remexer o meu corpo, quando duas mãos quentes pousaram sobre o meu ombro e apertaram de forma carinhosa e experiente o exato lugar que sentia a maldita dor. Suspirei surpreso e aliviado, enquanto levantava a cabeça, vendo Jean sorrindo para mim.

Estamos conversando à toa

Eu não sei o que dizer

Direi de qualquer maneira

Hoje é outro dia para encontrar você

Fugindo da timidez

Estarei vindo pelo seu amor, ok? [...]

__Um passo de cada vez loiro. Cheguei mais cedo e posso te ajudar se quiser.

__Você faz arquitetura... _Falei fechando os olhos e chegando mais para trás para receber mais contado da maravilhosa massagem que Jean estava fazendo.

__Oh! Senti uma pontada forte no coração agora...

__Não quis ofender, mas eu estou na parte de calculo e...

__Você sempre foi mais nerd Armin, mas não sei se lembra de que eu cursei um ano de engenharia para te acompanhar, e meu pai tem uma empresa no ramo. E eu já te ajudei com outros trabalhos seus antes.

__Me desculpe Jean _abri os olhos para ele, que permanecia sereno olhando para mim _Não quis ofender, mas eu estou com tanta raiva e...

__Sim, eu sei que desconta em tudo e principalmente na sua “maldita mesa” Armin, não me ofendeu. Conheço você melhor que você mesmo loiro, sou quase como seu esposo, então chega pra lá que vou pegar apenas o meu material e vou te ajudar.

O moreno sorriu coquete e então foi para a cozinha pegar sua bolsa. Engoli em seco, massageando minha nunca, percebendo o quão relaxado Jean havia me deixado.

~*~

Lian tomava afoitamente o seu sorvete de flocos com cobertura de chocolate, melando os dedinhos, já sem as luvas, e a boquinha melada pela cobertura. Sorri contente para o jovenzinho enquanto limpava o canto de seus lábios.

__Papa amanhã nós podemos ir vê a vovó?! _o menor perguntou alegre, enquanto balançava os pezinhos no banco da sorveteria.

__Sua vó chega à segunda Lian _falei e o mesmo fez um biquinho.

__Mais papai...

__Você irá vê-la meu amor, mas primeiro você tem que esperar os dias passarem normalmente _falei coçando a minha nuca.

__E quantos dias faltam papa? _ele me olhou confuso.

__Hoje é sábado, por isso o papa está aqui com você, não? _sorri de lado e ele concordou sorrindo de forma infantil. _ E se hoje é sábado, e a vovó chega segunda, que dia é amanhã?

Lian abaixou a cabeça pensativa e olhou para os dedinhos grudentos, fazendo uma caretinha fofa. O mesmo mostrou a mão esquerda, a mais melecada, para mim e eu peguei um guardanapo limpando os pequeninos dedos.

__Amanhã é... Sexta?

__Não, foi ontem _sorri para o mesmo que fez um biquinho _Uma dica?

__Não! _ele ficou emburrado e pensou mais um pouco _Amanhã é...

__É?

__Domingo! _ele falou sorrindo confiante e eu concordei dando uma risada, vendo o mesmo ficar orgulhoso de seu feito.

[...]

Se eu emito um som que você acha bom

A gente faz um dueto fora do tom

De todos os loucos do mundo eu quis você

Porque eu estava cansada de ser louca assim sozinha

__Acertou, mas nada de prêmio meu rapaz _eu falei e o mesmo fez um biquinho fofo.

__Okay papa, mas nós vamos ver a vovó mesmo?

__Sim Lian, sabe que sua avó não suporta ficar longe dessa coisa chata que ela chama de neto _falei revirando os olhos e dando um sorriso, enquanto o mesmo negava avidamente com a cabeça.

__Não, não. A vovó me chama de príncipe, porque eu sou o neto favorito dela. E eu não sou chato! _Ele falou voltando a tomar o resto de seu sorvete.

__Pelo que eu sei sua avó só tem você de neto _falei sorrindo e o mesmo sorriu.

Mamãe amava Lian, havia sido um estranho caso de avó babona a primeira vista. Infelizmente, já fazia uns seis meses que não via minha mãe, desde que a mesma teria vindo para cá e estava trabalhando em uma cidade remota próxima de Trost, mas com a residência aqui.

No início ela insistia para que fossemos morar com ela, mas eu não queria causar desconforto a minha mãe, que já se matava tanto de trabalhar desde que meu pai faleceu.

Lian logo acabou de tomar o seu sorvete e depois de limpá-lo da melhor forma que pude, saímos da sorveteria quase vazia pela estação fria em que nos encontrávamos. Caminhamos lentamente até a faixa de pedestre, com Lian pulando e falando sobre os chocolates que iria comer com a avó.

O sinal abriu e atravessamos andando calmamente. Assim que chegamos enfrente ao prédio, vi um Peugeot 307 na cor prateada parando enfrente a portaria. Peguei Lian no colo, que continuava falando, de forma intencional, e então Marco desceu do carro sorrindo.

Senti um alivio no peito ao ver o moreno bronzeado, e não certo baixinho de cabelos negros. Levi não dava as caras há alguns dias, mas isto não queria dizer que ele não apareceria, não é?

__Ai está quem eu queria ver _Marco falou daquele jeito leve e rouco, retirando os óculos escuros do rosto. Ele estava novamente muito bem vestido, com uma calça skinny preta e uma camisa branca de botões de algodão, com um casaco aberto azul, também preto aberto. Nos pés um par de coturnos sociais.

__Não sabia que minha companhia era tão agradável assim _acabei sorrindo, enquanto andava alguns passos, com Lian quieto em meu colo.

__Você não faz a mínima ideia Eren _Marco sorriu de lado.

__Papa quem é esse moço? _Lian sussurrou com as duas mãozinhas fazendo uma conchinha para mim.

__Oh é mesmo, Lian este aqui é o Marco, amigo do seu tio Jean _Falei e Lian olhou para o mesmo desconfiado, enquanto Marco sorria de forma gentil para o meu pequeno _E Marco, esse aqui é o amor da minha vida.

Lian sorriu convencido para o moreno que ergueu uma sobrancelha. Marco estendeu a mão e pegou na do Lian de forma formal, já que o pequeno fazia questão de cumprimentar pessoas novas como um verdadeiro adulto.

__Prazer Lian, ouvir falar muito de você _Marco guardou as chaves do carro no bolso.

__Então Marco não acha que veio aqui somente pela minha grandiosa companhia.

__Talvez tenha sido somente por isso _ele falou piscando e eu engoli em seco.

__Papai, vamos para casa! _Lian puxou o meu casaco e eu o encarei.

__Nós já vamos meu amor _coloquei Lian no chão que fez uma careta _Por que não brinca um pouco, só não vá para a rua, Okay?

O moreninho foi emburrado para o canteiro de flores, brincar com a neve mais acumulada ali, enquanto eu me virava para o moreno que dava tchau para Lian.

__Ele tem os seus olhos _Marco falou e eu suspirei.

__Eu sei disto _Falei convencido e o mesmo sorriu _ Se eu lembro bem, o nosso encontro havia sido marcado para daqui uma semana.

__Sou um homem de palavra senhor Jaeger, e se disse que iria conhecê-lo melhor, eu irei. O nosso encontro de negócios ainda ocorrerá. Não duvide de mim.

__Não estou duvidando _Falei andando até os bancos limpos enfrente ao prédio, onde eu poderia ter uma vista perfeita do pequeno que amontoava um pouco de neve.

__Então Eren, o que pode me falar de forma totalmente amigável sobre a sua situação? _Marco sentou-se ao meu lado e eu pude sentir aquele cheiro másculo de loção de barba e cigarro que despregava daquele homem.

__Hum... Você fuma?

__Infelizmente é um dos meus vícios da adolescência. Um dos erros que cometi jovem demais e que não consigo viver sem, mas não se preocupe normalmente só fumo quando estou precisando relaxar _ele falou sorrindo.

__Erros da adolescência você diz _eu sorri esfregando uma mão na outra _Todos tem a sua cota de erros desta época. Uns mais pesados que os outros.

__Entendo. Lian é um fruto deste seu erro?

__Lian jamais seria um erro. Ele foi apenas à consequência de um garoto extremamente inocente e apaixonado _falei sorrindo _Já me arrependi demais Dr. Marco.

__Onde está a mãe de Lian? _Ele perguntou sério.

__E se eu dissesse na sua frente? _perguntei sorrindo e o mesmo me seguiu compreensivo.

__Você se tornou o pai e mãe. Entendo, ela não o quis, não é?

__Mais ou menos isto. Na verdade eu não sei ainda se “ela”, a pessoa que me ajudou a ter o meu pequeno anjo, o quer _Falei engolindo em seco ao me lembrar de Levi saindo daqui com aquela caixa.

__Como assim?

__É complicado _Falei o encarando e o mesmo sorriu de lado e aproximou o seu rosto do meu.

__Eu gosto de coisas complicadas _ele falou sussurrando e eu encarei os seus olhos.

__Talvez seja complicado demais para você.

__Ou talvez você esteja complicando demais para mim _ele falou olhando para os meus lábios.

Eu podia sentir a respiração quente de Marco sobre o meu rosto e a temperatura elevada que emanava do seu corpo. Ele era um homem charmoso, não mentiria dizendo que o mesmo me causava certa inquietação em mim.

Já fazia alguns meses que não me envolvia com ninguém. Nunca passava de apenas uma noite em meio a algumas bebidas exageradas, mas o bastante para não me tornar um virgem novamente. Mulheres e às vezes alguns homens, mas eu poderia contar nos dedos todos nestes cinco anos. Levi fazia parte de uma cicatriz em meu peito que não havia cura e que eu necessariamente não vinha querendo reparar.

__Papai! _Lian gritou e então senti a neve fria e úmida bater contra o meu abdome. Olhei para Lian que fazia uma carinha de falsa culpa e suspirei.

__Hey amigão, eu acho que o seu pai não quer brincar agora _Marco falou sorrindo para Lian que apenas fez mais uma bola de neve e tacou em mim _Acho que ele está pedindo por uma guerra.

Marco parecia divertido e não está compreendendo a verdadeira situação. Olhei do moreno que se levantava para fazer algumas bolas de neve e desviei para Lian que parecia emburrado olhando para nós dois.

__Lian... _falei baixo e ele largou a bola de neve e correu para a portaria do prédio.

Suspirei pesadamente e vi Marco olhar sem entender para o pequeno que subiu para o apartamento irritado e enciumado.

~*~

Já estava a alguns minutos vendo Armin terminar o seu trabalho de forma concentrada. Era engraçada a forma como ele juntava as sobrancelhas e parecia viajar para um mundo apenas dele e seus cálculos enormes.

Ouvi uma batida leve na porta e me levantei, fazendo um aceno para o loiro que já ia se levantar. Caminhei lentamente para o corredor de entrada, já sentindo a diferença de temperatura entre o lado de fora e o meu aquecido local no sofá.

A porta bateu de novo, não com muita força e eu abri vendo um pirralho com os braços cruzados e emburrado correr por entre minhas pernas para o lado de dentro, sem falar nada. Ergui uma sobrancelha, fechando a porta e indo atrás do pequeno que deixou seus sapatos jogados e havia corrido para o quarto.

__O que aconteceu Jean? _Armin perguntou confuso para mim e eu dei de ombros andando até o quarto de Eren, que estava com a porta fechada. Bati algumas vezes e então abri a porta, vendo a luz do banheiro acessa.

__Lian? _chamei o mesmo já me encaminhando para dentro do quarto e ouvindo os passos de Armin atrás de mim.

__Onde está Eren? _Armin perguntou baixinho para mim.

__Eu não sei, porque não prepara um chocolate quente para ele? Eu vou conversar com ele e saber o que aconteceu _o loiro concordou e saiu do quarto.

Bati na porta do banheiro e suspirei entrando. Lian havia tirado suas roupas e estava dentro da banheira com água morna. O mesmo parecia realmente irritado com algo, e eu poderia dizer exatamente que aquelas feições não eram apenas de Levi, mas havia mais de Eren do que ele conseguia enxergar no garoto.

__Você nem colocou espuma, como isto pode ser um banho gostoso de sábado sem espuma? _perguntei brincalhão e o mesmo apenas fez um bico e continuou olhando a água _Sério? Não vai me mandar sair? Ou me chamar de tio cavalo?

Lian negou com a cabeça e afundou o rostinho até os lábios estarem submersos. Aproximei-me até ele, sentando na beirada da banheira e acariciei os cabelos negros molhados.

__O que aconteceu amigão?

__Tio Jean... _Lian olhou para mim com os olhinhos brilhosos _Aquele moço lá embaixo é meu outro papai?

__Que moço Lian? _perguntei já meio atônito e nervoso. Não poderia ser que Levi estivesse lá embaixo com Eren, não é? Será que ele veio buscar o... Não! Não...

__Um moço bronzeado e com umas manchinhas do rosto _ele falou com o dedinho cutucando a bochechas várias vezes dos dois lados _Não lembro o nome titio.

__Manchinhas? Ele era mais baixo que o seu pai?

__Não, era um pouco mais alto. Por quê? _ Lian me olhou curioso.

__Ah, Marco _falei e o moreno concordou _Era este o nome não era?

__Sim, foi o que o papa falou. Ele é o meu outro papai?

__Não _falei sorrindo e o mesmo voltou a abaixar a cabeça na banheira _Ele está lá embaixo com o seu pai?

__Sim, ele estava olhando o papai de um jeito estranho _Lian falou e eu ergui uma sobrancelha.

__Como assim?

__Titio, se ele não é meu pai, ele ainda está com o papai Noel? _Lian ignorou a minha pergunta e me olhou confuso.

__B-bem sim...

__Mais não é mais natal...

__Mas ele tem que trabalhar e ajudar o velhote. Não se empacota tantos presentes em um só dia _Falei sorrindo amarelo.

__O papai Noel não pode mandar ele um diazinho?

__Ele precisa muito dele. Seu pai é o rei dos elfos. Por isso trabalha tanto _Falei rindo e o mesmo me olhou surpreso.

__O que um rei dos elfos faz?

__Ele manda em todos os caras inferiores. Ajuda a destruir anéis maléficos e procura Hobbits perdidos...

__O que é um Hobbit? _Lian perguntou e eu dei uma risada.

__Um dia eu te mostro o que é um Hobbit.

__Mais o meu papai é um herói?

__É... Ele controla os elfos da floresta...

__Que floresta?

__Aquela perto da ilha do papai Noel _eu ouvi uma risada e vi Armin na porta _Olha o tio Armin fez chocolate quente.

__Para mim? _Lian perguntou já mais animado.

__Sim _Armin falou tirando a franja do rosto. O loiro estava com os cabelos presos em um rabo de cavalo curto, mas com as franjas soltas.

Lian começou a tomar banho de verdade e após eu ajuda-lo a terminar o mesmo se vestiu sozinho e foi para a cozinha tomar o chocolate quente com seis marshmallows. Armin conversava com Lian sobre qualquer outra coisa, o distraindo da pequena mentira que eu tinha contado no banheiro.

Ouvi a porta abrir e vi Eren entrar com uma expressão preocupada e levemente irritada. Ele ia abrir a boca e eu pedi para que ele ficasse em silêncio, enquanto a risada de Lian e Armin chegava até nós. Eren engoliu em seco e suspirou.

__Como ele está?

__Agora está como sempre. O que aconteceu?

__Lian ficou com ciúmes de Marco. Ele falou algo?

__Ele perguntou de Marco era o papai dele _falei baixo e Eren arregalou os olhos surpresos e então vez uma expressão culpada.

__O que vocês falaram?

__Eu disse que não... O que Marco veio fazer aqui?

__Veio falar comigo para ganhar confiança _Eren falou coçando a nuca _Ele ficou triste quando soube que não era?

__Na verdade ele não fez nenhuma expressão. Pareceu meio triste quando falei que o pai dele estava com o Noel ainda _Eren sorriu abatido e eu andei até ele _Eu quase pensei que Levi tinha dado as caras.

__Ele... Não, ainda não _Eren sorriu _Graças.

__Eren, Lian quer saber quem é o pai dele, eu percebi isto e você também sabe _Eren olhou para o chão.

__Mas Levi não...

__Levi ainda não falou nada _Falei colocando a mão nos bolsos.

__Não falou?! Tudo o que ele jogou na minha cara ainda foi pouco para você?! _Eren falou já irritado.

__Estou falando depois de ele ter descoberto a verdade.

__Para que? Chamar o meu filho de aberração e a mim também?! Não obrigado, eu prefiro evitar que Lian acabe magoado se você não entende.

__Eren pare de tentar colocar palavras em minha boca. Estou apenas dizendo que...

__Eu ouvi Jean, mas sinceramente prefiro nem ouvir mais _Eren passou por mim irritado e foi para o quarto. Suspirei passando a mão nos cabelos de forma enfezada.

Eren conseguia ser mais criança que o próprio filho às vezes.

Voltei para onde as risadas eram altas e alegres.

~*~

Peguei mais uma muda de roupas e coloquei na pequena mala que possuía. Olhei ao redor, para ver se não estava esquecendo nada, quando Hanji chegou à porta suspirando.

__Levi você não pode viajar assim de uma hora para a outra até Londres. Você tem paciente que...

__Estarei aqui amanhã Hanji. Existem outros neurocirurgiões que conseguem operar além de mim. Até porque estou com a mão machucada...

__Grande ideia essa sua de quebrar o aquário que iria dar de presenta para a sua sobrinha, com as mãos nuas _Hanji falou olhando para as minhas mãos agora enfaixadas.

Ouvimos passos rápidos e logo Nina estava dentro do quarto sorrindo. Olhei para a pequena, a pegando no colo, enquanto puxava com a outra mão a mala pequena para uma viagem de urgência.

__Eu quero presentes titio! _Nina falou beijando o meu rosto.

__Só se você for uma boa menina e me prometer manter segredo _eu falei beijando a sua bochecha e a coloquei no chão, olhando para Hanji _Assim como você.

__Não irei abrir a boca Levi, sou sua irmã e estou tão surpresa quanto você.

__Hanji...

__Amanhã ainda é um domingo importante, então sabe que o velho vai estar no hospital para a reunião mensal, não é?

__Sabe que não ligo para a opinião dele.

__Você pode ser despedido Levi _Hanji falou pegando Nina no colo _eu não...

__Hanji nós estamos falando de uma criança. Eu não me importo com trabalho, eu apenas quero saber todos os detalhes para tomar uma iniciativa. Ele é meu filho, disto eu não tenho duvidas...

__Levi, não faça uma besteira.

__Mais do que eu já fiz? Eu prometi a nossa... _Hanji mordeu os lábios e eu me aproximei dela, depositando um beijo em sua bochecha _Se cuide louca, não irei demorar.

__Cuidado Levi...

Concordei saindo de casa em direção ao táxi. Nada mais importava, eu faria Pixis falar, de um jeito ou outro.

Isso não me machuca

Você quer sentir como é?

Você quer saber, saber que isso não me machuca?

Você quer escutar sobre o trato que eu estou fazendo?

[...]

Mas veja quão profundo as balas jazem.

Ignorante de que eu estou te partindo em pedaços.

Digamos-me, nós dois importamos, não importamos?

Notas finais
Músicas no capítulo: Take on Me do A-Ha *~* Runnign up that hill do placebo De todos os loucos do mundo da Clárice Falcão* Okay não tem muito haver ela no capítulo, mas eu gosto demais dessa música. Por algum motivo estranho. Obrigada aos comentários da Nana-chan, Asami-chan e Tay-chan kkk esse capítulo dedico a vocês e a todos que leem. Não é necessário comentar, mas também não desagrada. Beijos