Fiction
13 I love the way you lie
Eu nunca havia parado para pensar, mas eu nunca fui honesto comigo mesmo...
Tenho tanto para falar, mas tantas palavras me fogem quando penso em você.
Escondi-me atrás de uma fachada, sorrindo e brincando de viver, mas não era a verdade, pois você quebrou uma parte minha que jamais terá concerto.
Estou tão cansado de mentir;
Cansado de fingir;
Cansado de... Viver...
Neste cabo de guerra, você sempre vai ganhar.
Mesmo quando eu estou certo
Porque você me alimenta com fábulas de sua mão
Com palavras violentas e ameaças vazias
E é doentio que todas essas batalhas
É o que me mantém satisfeito
Eu não havia entendido antes, mas é uma condição que não podemos mais controlar, pois quanto mais eu luto, mas preso você me mantem, não que você saiba de algo, mas aqui dentro, você é o rei de um castelo doentio ditando as regras que me controlam e queimam meu ser.
“... Mas tudo bem porque eu gosto do jeito que dói.”
Seus lábios sedentos sobre os meus, consumiam cada recanto da minha alma atormentada, e um desejo tão repulsivo, quanto instintivo impulsionava-me. Eu queria tanto, cada pressão, cada puxão e suspiro, tudo tão detalhadamente errado.
Sem sabor...
Era assim que nossos lábios deslizavam um pelo outro, com tantas coisas contidas, com tantos sabores escondidos, com tantos sentimentos sufocados, que apenas podíamos descobrir com a quebra daquela barreira que nós mesmos impusemos, mas que naquele momento havia rachado.
“A possível causa da queda daquelas muralhas...”.
Meu corpo subia lentamente com movimentos um tanto indecentes, dos nossos corpos esfregando-se um ao outro. Minha perna esquerda ligeiramente sobre a sua direita, enquanto suas mãos tão indecisas apertavam cada parte da minha pele com força.
“... Então, talvez eu seja um masoquista;”
“Eu tento correr, mas eu não quero nunca ir...”.
As respirações pesadas mesclavam-se naquele ósculo tão deliciosamente segredado. Meus dedos tão sem eixos puxavam a gola daquela camisa azul com cheiro de remédio e morte, enquanto com a outra eu explorava os fios negros tão sedosos que chegava a ser estranho para um homem, mas nada importava naquele momento...
Sentia o meu peito bater e roçar contra o seu, e não era uma mentira fantasiosa em que um se encaixava no outro e que com a experiência saberíamos como nos agradar, mas a verdade é que eu não estava totalmente relaxado, o seu relógio puxava os fios da minha nuca e isso machucava.
E eu sabia que minhas unhas grandes não cortadas há algum tempo por desleixo também estavam deixando marcas que não seriam tão bem vindas. Não era um encaixe perfeito, não nos movíamos em um sincronismo corpóreo vindo a nós por eras e eras e nem por sermos almas gêmeas, mas era totalmente perfeito por isso...
“Porque somos completamente imperfeitos...”.
Nossas línguas, estas sim pareciam tão confusas e conectadas. Hora brigando, hora bailando fora ou dentro dos lábios calorosos e carentes por contato. E mesmo assim não havia nada além...
Nada daquele peso em meu peito que tanto me sufocava e nem mesmo das malditas lágrimas que eu tanto segurei por longínquos anos. Dor, medo, desespero, satisfação, orgulho, traição... Tudo tão estupidamente atrapalhado e amontoado.
E logo nossos rostos estavam encostados frente a frente, e ali nos respirávamos ofegantes, antes de recomeçar tudo de novo. Sem nenhum olhar, sem nenhuma palavra, apenas instintos e vontades reprimidas pelo que pareciam gerações.
Mais um beijo, mas um suspiro, mas um segredo que guardaríamos dentro de nós, antes de tudo voltasse e lembrássemos que nos odiávamos. A sensação de tocar tão intimamente naquela pele pálida excitava-me, enquanto meus dedos delineavam os músculos escondidos.
Subi minha mão, sentindo o colar antes escondido, levei minhas mãos para puxá-lo, mas um movimento de um tabefe em minha mão a afastou e pude ver o sorriso descarado que ele continha, enquanto uma vez mais enroscávamos nossas línguas.
Sorri para o mesmo, e puxei o colar com força o trazendo para mais perto de mim, entrelaçando mais e mais nossas línguas que se tocavam tão avidamente. Os músculos ásperos tocavam um ao outro, enquanto seus dentes puxavam os meus lábios.
Levei minha segunda mão ao seu pescoço, puxando os fios negros e arranhando deleitosamente a nuca pálida. Uma de suas mãos puxou com força a minha coxa e logo eu estava sentado em seu colo enquanto era imprensado contra a fria parede.
Podia sentir o cuidado e a certeza de suas mãos adentrando a minha camisa e arranhando a minha pele. Meu sangue fervia com cada toque, e minha mente enevoada transbordava pensamentos cada vez menos puros.
Minhas mãos agora enteavam em seu rosto, enquanto movíamos como ondas, um impulsionando o outro naquele roçar de corpos depravado. Baixei o jaleco branco que deslizou tão elegantemente ao chão, enquanto minha camisa estava sendo levantada.
“Quieto querido, fale baixinho, me diga que está arrependido.”
“Por ter me empurrado na mesa de centro ontem à noite.”
“Então eu posso empurrar você de mim...”.
“Tente me tocar para que eu possa gritar para que você não me toque...”.
“... Querida, sem você, não sou nada, estou tão perdido, me abrace...”.
Segurei com força novamente o colar, enquanto ele puxava a gola da minha camisa e minha nuca. Movíamos em direções opostas que se completavam imperfeitamente bem. Os sorrisos lascivos em seu rosto traziam uma luz a muito fechada para mim, e quanto mais àquela luminosidade consumia o meu corpo, mas eu queria sentir dela.
Meu peito ardia com a falta de ar, mas ardia muito mais sem aquele contato. Separamo-nos um pouco mais para puxar ar, enquanto o menor mordiscava meu lábio inferior, olhando dentro dos meus olhos com seus azuis metálicos afiados.
“... Nosso amor é louco, nós somos loucos, me recuso a buscar ajuda!”
Nada mais importava quanto mais eu olhava para aquele mar morto e tortuoso que eram aqueles olhos, mas eu sabia que tudo iria machucar, mas era uma dor que eu poderia suportar.
__Eu...
Um som cortou meus pensamentos e nossos olhos desceram para o jaleco jogado ao chão. Uma luz piscava de um dos bolsos e então o moreno suspirou voltando a olhar para frente, onde ficava o meu abdômen.
Seus lábios calorosos tocaram a minha pele em um contato intimo. Senti meu corpo inteiro de arrepiar, enquanto ele lambia as cicatrizes deixadas pela operação do Lian. Mordi o lábio involuntariamente, segurando um gemido e então voltei a encará-lo, vendo seu olhar libidinoso.
O barulho voltou a cortar o ambiente tão apertado e quente. Puxei os seus fios negros e seus olhos pousaram sobre os meus, entendo as palavras mudas que transmiti. Ele respirou fundo e então em pôs no chão.
__Precisam de você...
__Não me importo _ele falou me encarando intensamente.
__Pois deveria, seu paciente pode não estar vivo quando for, mas quando voltar eu vou... _sorri cinicamente e o mesmo me acompanhou.
__Essa conversa era para terminar assim?
__E como deveria terminar? _perguntei desviando meus olhos e senti seu toque em meu rosto.
__Com você nu naquela mesa...
O bip novamente cortou o momento tão estúpido e divertido. Ele pegou o jaleco e caminhou em direção à porta, eu sabia que não deveria parar ali, eu não queria que acabasse assim.
__Vamos conversar senpai... Com palavras de verdade desta vez _falei olhando para o teto e respirando fundo.
__Se você diz, mas eu prefiro muito mais com ações, agora preciso ir para uma operação _eu o encarei o mesmo se arrumava da melhor forma que conseguia, seus olhos voltaram-se para mim intensos, arrepiando o meu corpo por inteiro _Eu vou acreditar o que me disser...
Ele pegou o envelope e eu sorri cinicamente, enquanto recebia um sorriso devasso. Não era tão simples assim, ele iria abrir o envelope e mesmo que eu mentisse, ele saberia a verdade, mesmo que metade dela...
Mas está tudo bem, pois eu amo o jeito que você mente.
Oh, eu amo o jeito que você mente.
~*~
Respirei fundo mais uma vez, enquanto esfregava as minhas têmporas. Porque mesmo eu havia escolhido arquitetura?!
Fechei o livro sobre sistemas estruturais e ouvi uma risadinha atrás de mim. Olhei para a criança que estava deitada no sofá de pernas para cima, olhando-me com seus enormes olhos verdes divertidos.
__O tio Jean é engraçado bravo...
__Não enche anão... _vi uma ruga nascer entre suas sobrancelhas e sorri.
O tempo parecia estar passando à contra gosto, como se a cada segundo eu pudesse contar os milésimos e o resto que vinha envolvido que nunca prestei atenção, mas que Armin sabia me explicar pacientemente bem.
Armin...
Havia um tempo em que havia percebido aqueles lindos olhos safira nublados e tristes, sempre foram fáceis para eu ler como Armin se sentia por conta de seus olhos, mas ultimamente andava tão complicado ficar perto dele, que não sabia nem se ainda amava os documentários chatos do Discovery Channel.
Era estranho conhecer tão bem uma pessoa e ao mesmo tempo não, pois o loiro sempre foi reservado em certos pontos, que eu jamais me importei. Quando Armin saia, nunca me dizia com quem era ou se iria voltar, era sempre: Mas tarde eu volto.
E ele não saia com frequência, talvez o meu melhor amigo fosse um grande mafioso e eu não soubesse. Bem, seria até estranho o tímido e fraco Armin como o chefão de uma gangue de assassinos, ladrões e sabe-se lá o que.
Se bem que... Armin não parecia ser tão fraco quanto era no colegial. Estava sempre resolvendo problemas com uma expressão séria que me arrepiava, principalmente quanto ele colocava os seus óculos e ficava a ler algum documento.
Gostava de vê-lo trabalhar, pois me fascinava ver como ele conseguia se transformar e ainda assim manter aquela pose elegante e bem vista na frente dos outros, mas também apreciava vê-lo jogado no chão a fazer cálculos e a resmungar com os cabelos presos e desalinhados e a rir vendo alguma comédia boba na televisão.
__Tio...?
__Sim?
__O papai vai demorar pra voltar hoje?
Engoli em seco ao me lembrar de Eren e a forma como ele atravessou a porta, com uma falsa determinação, esperando convencer a mim e a Armin. Respirei fundo, lembrando-me de como aquele maldito sempre queria dar uma de forte.
Igual ao Armin...
Sinceramente esses dois se mereciam, acham que enganam qualquer um com um sorriso bonitinho e expressão séria, mas quando se olha para aqueles olhos tão exuberantes que os dois possuíam, podia se ver que não era bem assim.
O problema do meu amigo de olhos turquesa eu sabia exatamente o qual era, e não podia fazer nada para resolver, agora do de Armin era o que me atormentava. Toda vez que ele suspirava alto, ou desviava os olhos dos meus sentia uma imensa raiva por não saber o que se passa com ele.
E quando ele fazia aquele biquinho infantil para mim, sentia uma vontade tão grande de passar a mão na cara dele e morder aquelas malditas bochechas que quando criança eram gordinhas.
__Espero que não, mas sabe como os trens acabam dando algum atraso é melhor nem contar _falei olhando para o pequeno que se levantou e veio andando até mim.
Sempre achei incrível como uma criança tão pequena e nova podia ser tão inteligente. Lian era sem duvidas brincalhão e infantil quando Eren não estava por perto, e mostrava sempre seu lado criança fazendo certas pegadinhas comigo que o pai dele nem desconfia e que eu dava todo apoio.
__Tio o que é isso? _ele falou apontando para um de meus projetos que estava desenhando no computador. Respirei fundo e o sentei em meu colo na cadeira, fazendo o mesmo ficar de pernas cruzadas.
__Isso é um dos meus trabalhos, mas estou com dificuldade...
__Essa casinha é tão bonitinha! O que são esses pontinhos?
__O tamanho de cada espaço na régua...
__Eu posso desenhar também? _os enormes olhos se viraram para mim em expectativa e eu sorri pegando o seu nariz.
__Não...
__O tio Armin deixa! _ele inflou as bochechas rosadas e fez um biquinho.
Ele era definitivamente fofo...
__Eu tenho cara de tio Armin?
__Não, tem cara de cavalo... _Lian falo fazendo bico e se virando para frente.
Maldito Eren com sua mania de me chamar por esse apelido estúpido, agora tinha esse projeto de gente me chamando também. Mesmo que eu não me ofendesse, odiava ver uma coisinha tão fofa assim me chamando de cavalo, perdia todo o encanto de ser mais velho.
__Pelo menos eu alcanço os botões da televisão... _resmunguei rindo e voltando a mexer no desenho.
__Eu não tenho culpa se eles ficam tão no alto! _ele falou virando seu rosto para mim vermelho.
__Ninguém mandou ser baixinho...
__Eu vou ser alto! Vou ser mais alto que você e o papai junto, e ai vou pegar vocês e carregar do chão e te chamar de anão! _Lian falava tudo com certa animação nos olhos.
__Ai vai ser um monstro gigante...
__Mas vou ser alto! _ele falou apertando suas mãozinhas.
__E vai entrar como?
__Pela porta ué...
Acabei dando uma gargalhada e o mesmo me olhou confuso. Ouvi o som de chaves e virei à cadeira giratória, vendo um loiro entrar em casa com planos debaixo do braço. Lian pulou do meu colo para o chão e correu até as pernas do loiro que se assustou e então afagou os cabelos negros.
__Tio Armin! Chegou cedo! _Lian falava rindo e o loiro o pegou no colo.
__Terminamos hoje um dos meus blocos, então estou de folga pelo resto do dia... _ele direcionou seus olhos até os meus e eu sorri.
Amava olhar para Armin sorrindo, era sempre cheio de luz e vida. Gostava de vê-lo jogar os cabelos para trás e ouvir o som de sua voz uniforme e gentil. E talvez por isso odiasse tanto vê-lo esconder-me coisas.
__O que você está fazendo aqui e casa há essa hora Jean? _ele perguntou sorrindo, enquanto o menor pousava no chão e saia correndo com a bolsa de Armin em direção ao quarto do loiro.
__Greve...
__Estou vendo o seu descontentamento _o loiro ironizou, enquanto abria o casaco e mostrava o corpo esguio e delicado, mas atraente que o mesmo tinha.
__Seu avô ligou _Falei me virando para o computador e colocando o mesmo para hibernar.
__O que ele queria? _o loiro falou indo para a cozinha em busca de um copo de água e eu o segui.
__Saber quando nós vamos lá...
__Hum... Esse final de semana eu posso ir, deveríamos levar o Lian, meu avô iria adorar conhecê-lo _o loiro falou me encarando.
Olhando agora para o loiro, lembrei-me da noite passada, ou melhor, daquele momento em que estivemos tão próximos que eu podia ouvir os ruídos do seu coração tão acelerado, e pude me deslumbrar de mais perto da beleza que seus olhos possuíam.
Nunca havia encontrado outra pessoa com olhos tão belos como o dele. Tão limpos e vivos, resplandecentes e encantadores. Já havia sim, saído com incontáveis garotas com olhos azuis, mas nenhuma tinha aquela majestosa cor, nem outras continham a mesma cor de seus cabelos dourados.
Nem mesmo sua prima, que praticamente era sua irmã gêmea tinha esse mesmo esplendor tão natural. Armin era um garoto muito bonito, mesmo que muitos dissessem que ele tinha aspectos muito femininos, sempre achei que essas características lhe davam um ar somente seu.
__Jean? _o loiro me chamou e pude perceber a coloração rosada sobre suas bochechas, algo que sempre achei fofo no mesmo.
__Sim?
__Porque está me olhando assim?
__Estava pensando em uma coisa?
__Em que?
__Que você é lindo...
__Tio Armin tá vermelho tio!!! _me assustei com a voz atrás de mim e vi o pequeno de olhos jades apontando para o loiro que corou ainda mais e eu sorri.
~*~
Respirei fundo mais uma vez, enquanto checava os exames da criança que havia operado horas com apraxia. Mike havia conversado comigo que aquela criança era a única que ainda não havia examinado, por conta de uma cirurgia de ultima hora que teve.
Estava no quarto da criança que dormia tranquilamente, enquanto seus pais choravam e resmungavam como haviam sido patéticos no papel de protetores do filho. Um deles, ou melhor, a mãe chorava descontroladamente e o marido lhe dava apoio.
Um filho requer carinho e cuidado...
Eu ao menos sei fazer ou dar alguma destas coisas?
Suspirei saindo do cômodo e me direcionando para a mesa de recepção enfrente ao quarto, onde havia alguns internos conversando e discutindo sobre uma grande cirurgia que estava acontecendo no centro de traumas, mas que haviam perdido pelo chamado de outros médicos.
Olhei novamente para o garotinho de cabelos castanhos e pele bronzeada que dormia tranquilamente no leito. Já havia trabalhado com crianças, e visto muitos pais desesperados após descobrir que seus filhos haviam morrido antes mesmo de viverem, nunca havia achado isto uma cena muito traumatizante, afinal pessoas morriam e não seriam poupadas por idade ou crenças.
Poucas mortes nos meus anos de residente haviam realmente deixado algum trauma em mim, deveria levar em conta isto por causa de meus anos no exercito, onde havia visto coisas tão cruéis e horripilantes que fazia o sangue de qualquer um gelar.
Corpos mutilados, torturas explosões, conhecidos aos pedaços ao seu lado a gritar de dor. Não que eu haja me fechado para as emoções, mas depois de ver tantas coisas deste tipo, você acaba aprendendo a ficar calmo ou a enlouquecer de vez.
Um hospital comparado a uma guerra era um parque de diversão.
Só que olhando para aqueles pais jovens, com uma criança com tantos motivos para viver, não podia não pensar no peso que minhas escolhas de mais cedo causariam. Senti o meu bolso pesar mais que nunca apenas em pensar que aquela criança poderia ser meu filho, e eu acabasse passando por algo do tipo.
Deve ser uma sensação horrível...
Já havia visto Hanji em meio às lágrimas por conta das vezes que Nina adoecera e acabou internada na ala infantil. Poucas coisas acabavam com o sorriso da minha irmã, e ver sua filha internada era uma delas. Sempre achei estranho como Hanji conseguia forças para continuar de pé ao lado de Nina enquanto Erwin estava fora cuidando do hospital.
Mesmo que eles se amassem e fossem grandes pais, sabia que o fato de Erwin sempre acabar prestando muito mais atenção aos problemas do hospital, machucavam Hanji, ainda mais quando a filha deles adoecia e muitas vezes por raiva o Smith acabava por culpar a quatro olhos que sempre lhe respondia a altura.
E mesmo com tantas brigas dos dois e diferenças, eles sempre acabavam abraçados e pedindo desculpas um ao outro. Nunca haviam tido brigas desta forma comigo e Petra, estávamos sempre em um silencio sepulcral juntos a não ser em pequenos momentos em que uma conversa forçada se era iniciada.
A ruiva não havia brigado comigo nem mesmo depois de ver todas as marcas de batons em minha roupa e ligações que recebia de incontáveis mulheres. E com o pirralho, como seria?
Na minha briga com o aquele idiota, o mesmo não havia se calado ou menos abaixado à cabeça, estava sempre me respondendo e não ficava em silencio com minhas palavras tão sordidamente impensadas. Desde que havia chegado jamais se portou medrosamente em minha frente e sempre me desafiou.
Uma prova disto era o arranhão em meu pescoço causado pelo puxão de meu cordão. Sorri minimamente ao me lembrar das caricias tão intimas que trocamos e a forma como ele me olhava atravessado e confiante, me desafiando a ir mais longe e provar que ele não era melhor do que eu, ou que eu lhe comandava.
Seus lábios eram como veneno puro e doce, excitantes e exóticos. Sua pele tão quente e seus sons tão surpreendentes eram viciantes e não podia negar que o fato dele praticamente ter falando que eu poderia voltar havia me excitado, mas não podia acabar ali.
Não era segredo para nenhum de nós que a incerteza e as mentiras guardadas deveriam ser expostas neste momento, e mesmo que eu tivesse com aquele envelope aqui comigo, sentia um desconforto enorme em ao menos tentar abri-lo, como se todo o encanto que havia descoberto hoje pudesse sumir.
As perguntas presas em mim pareciam rasgar cada um de meus nervos. Queria entender como aquela criança poderia ser meu filho e como ela havia ido parar com Eren. Porque ela tinha seus olhos e sorriso tão doces se não era seu filho biológico, e principalmente saber quem era a mãe dele.
Coloquei a mão dentro do bolso do jaleco e puxei o envelope azul dobrado ao meio. Meus olhos transcorreram as palavras na frente, com o meu nome digitado perfeitamente no papel. Engoli em seco olhando a borda e então a puxei de uma vez.
__Doutor Levi? _uma voz chamou-me a atenção e vi o pai da criança em minha frente e voltei a guardar o envelope. Merda.
__Sim?
__O senhor pode me dizer se ele vai demorar a acordar? Ou... Ou se ele ainda estará igual a... _o homem fechou os olhos com força e eu respirei fundo.
__Não posso lhe dar cem por cento de certeza, mas posso lhe dizer que a cirurgia transcorreu normalmente e não houve nenhum problema. Só saberemos demais quando ele acordar...
__Entendo... _o homem respirou fundo olhando para o quarto e vendo sua mulher segurando a mão da criança enquanto cantarolava algo que não poderíamos escutar _O senhor é pai?
Olhei para o homem que continuava com os olhos sem sua família. Sinceramente nunca pensei que essa pergunta seria tão difícil de responder, e que melhor, eu tinha a resposta em mãos, mas não queria abri-la.
__Por quê?
__É que se o senhor fosse pai saberia o quanto esta resposta vaga mata uma pessoa... _o homem se virou sorrindo para mim e eu o encarei _Não estou dizendo que o senhor é incompetente ou nada do tipo, mas é difícil saber se o seu filho vai poder voltar a brincar e a sorri como antes...
__Não estou ofendido senhor, sem que ninguém goste de ouvir nossas respostas, mas se não falarmos a verdade, será apenas uma falsa esperança...
__Entendo... Mas acho que uma falsa esperança é melhor que nenhuma, doutor _o homem sorriu _Obrigado por conversar comigo, mas tenho que ir comprar algo para ela beber, antes que desidrate por tanto chorar...
O homem sorriu e saiu andando, fiquei o encarando por alguns minutos, enquanto suas palavras ecoavam em minha cabeça. Peguei novamente o papel, observando os detalhes adornando o papel técnico do laboratório. Uma falsa esperança é melhor que nenhuma...
Puxei as folhas, onde residiam o meu nome e o da criança e engoli em seco, seguindo para o final da folha, onde havia uma marcação amarela que chamava a atenção no papel branco.
Senti todo o ar que estava em meus pulmões sumir. Meus olhos vaguearam novamente por entre as letras e então meu corpo inteiro estremeceu ao lembrar o garotinho de sorriso doce com cabelos negros e enormes olhos verdes.
__Maldito mentiroso...
Resultado: O suposto pai tem no mínimo 99,99% de chance de ser o pai biológico do filho.
Só vai ficar aí e me ver queimar
Mas tudo bem porque eu gosto do jeito que dói
Só vai ficar aí e me ouvir chorar
Mas está tudo bem, pois eu amo o jeito que você mente.
Eu amo o jeito que você mente...
Oh, eu amo o jeito que você mente...
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