Fiction
22 Escollhas
Notas iniciais
Lábios doces.
Como a maçã que levou Adão a perdição.
Olhos azuis de menino,
Que te enlouquecem assim que as luzes das boates são ligadas.
Respirei fundo pela décima vez naquele espaço apertado e abafado. O copo em minhas mãos já estava vazio como o anterior, mas eu não estava com nenhuma intenção de parar de beber. Não agora que eu sentia aquele maldito peso de tantos anos livre e o coração despedaçado.
Eu sempre soube que não seria correspondido, mas ainda assim aquelas palavras. Confundir? Como ele poderia achar que eu estava confuso? Eu o amava com todo o meu ser e ainda assim eu era o único tolo na história.
Pouco me importava as 20 ligações perdidas dele para saber onde o meu eu queridinho e todo certinho estava. Por favor, eu não era nenhuma criança, claro que havia saído para tentar chamar atenção, sabia que era ainda mais miserável fugir para que ele se desesperasse pelo meu sumiço, mas o que eu faria?
Não sou nenhum santo pela puta que me colocou no mundo!
Eu sou um ser humano humilhado que apenas queria vim para uma balada com pessoas da minha idade, beber, transar em uma cabine e torcer para não estar com nenhuma doença amanhã. Gay... Não eram isso que pensavam de nós desde sempre?
Homens putos que se deitam com qualquer um. Que apenas pensam em serem fodidos loucamente sem sentimento algum. Que droga eu estou em uma balada, com um bando de macacos suados pulando e bebendo uma droga de batida com frutas e ninguém está encarando a minha bunda.
Malditos filmes...
Se bem que eu estou sentado nee?
Como eles olhariam?
Plano falho Armin. Suspirei esperando o maldito garçom voltar. Já estavam com mais de 30 minutos que pedi uma bebida e o desgraçado gostoso dentro de uma roupa social foi e não voltou. E pelas calças coladas deles eu diria que tinha um bom argumento.
Meu celular voltou a vibrar sobre a mesa e o nome Jean aparecia novamente. Sentia o meu peito apertar e os olhos arderem. Eu era lindo, delicado e posso dizer que sou bom de cama, então por quê?
São seios?
Uma vagina?
...
Vagina é uma palavra tão feia, bom para mim era uma região muito estranha. Já havia transado com mulheres, por favor, não me descobri ser gay apenas olhando os meninos trocarem de roupa, já havia dado uns amasso em umas colegas. Mas o primeiro garoto...
Bom demais...
Peguei o maldito telefone e coloquei no bolso. Levantei-me sem me importar muito com os poucos olhares que chamava pela calça colada vermelha e o salto alto vinho, além da camisa preta e uma xadrez azul por cima, e fui em direção ao balcão do andar de cima onde eu estava local das mesas e lá embaixo era a pista e o primeiro balcão. Estava cheio já que alguns vinham lá debaixo pedir aqui.
Na ponta mais afastada me sentei nos banquinhos, enquanto esperava o homem de cabelo raspado servir os suados. Estava olhando para as inúmeras bebidas na parede pensando em atender o desgraçado que já me ligava de novo quando uma pessoa sentou do meu lado e fez um gesto para o barman e foi ignorado.
Saudações, Himeros
Deus do desejo sexual
Filho de Afrodite
Deite e festeje
Enquanto esse áudio te guia
Através para as novas e excitantes posições
__Não é nada pessoal, ele só vai atender eles primeiro _eu falei ainda olhando para frente enquanto sentia o celular parar de vibrar.
__Espero então que ele demore um pouco mais _uma voz extremamente roupa e próxima de mim falou de forma arrastada, fazendo todos os pelos da minha nuca se arrepiar. Olhei pela primeira vez para o homem ao meu lado e prendi a respiração.
Era um homem de porte alto, cabelos castanhos escuros e olhos brilhantes e felinos de mesma cor. Um sorriso ladino adornava os lábios médios, combinando com a pele amorenada e o penteado do cabelo meio bagunçado e arrumado para trás que harmonizava com a barba rala no rosto.
Engoli em seco admirando aquele deus grego em minha frente que sentado ainda era bem maior que eu, maior até que Eren, que me encarava divertido. Os olhos intensos miravam-me divertidos e meu rosto esquentou.
__N-Não é contraditório você o chamar e querer que ele demore? _perguntei tirando os meus olhos do corpo alheio com certa relutância.
__Não se foi um pretexto para me sentar aqui neste banco e falar com você... _ele falou novamente próximo ao meu ouvido e eu o encarei surpreso. Ele usava um terno que caia perfeitamente em seu corpo com uma camisa de seda vinho com os dois primeiros botões abertos e uma gravata folgada. _Você olhando-me assim sinto até vergonha.
__Eu-eu não! Quer dizer-
__Brincadeira _ele sorriu e sentou-se de frente para o balcão. Eu sorri e ele voltou o rosto para mim _Finalmente um sorriso...
__Hein?
__Desde que cheguei você está sozinho olhando para o celular apenas bebendo sério. É um contraste e tanto para um lugar como este... _ele falou arrastado com aquela voz rouca que se eu fosse mulher já estaria grávida.
__Está me observando? _eu falei e ele lambeu os lábios.
__Do lugar que eu venho, nós somos acostumados a orlarmos as pequenas coisas _ele falou virando-se novamente para mim, seus olhos agora percorriam o meu corpo e eu podia ver o brilho luxurioso que os castanhos possuíam e me deixam quentes _Principalmente quando são tão agradáveis aos olhos.
Eu sorri de lado e cruzei as pernas e seus olhos capturaram os meus. Ele emanava perigo e sedução e apenas naquele momento eu não lembrava o meu coração quebrado ou do celular que vibrava. Naquele olhar predatório eu mal lembrava o meu nome.
__O senhor vai querer algo? _o barman apareceu como mágica atrás do balcão e o moreno o olhou sério.
__Um whisky escocês mais velhos que você possuir, com gelo _ele falou voltando os olhos para mim e uma belíssima margarita blue para o meu companheiro.
O homem concordou e os olhos castanhos esverdeados voltaram para mim.
__Espero que não se incomode com a minha escolha _Ele falou encostando o rosto contra o punho sobre o balcão.
__Não, você realizou um dos meus desejos de hoje _eu falei e o mesmo focou os olhos em meus saltos e sorriu olhando para mim de forma maliciosa.
__Espero realizar mais alguns.
__Eu também...
__Es tan hermoso que me siento mi cuerpo ebullición con estos ojos celestes _ele falou rouco e eu senti as palavras em outra língua chegarem com um erotismo sem igual.
__Oh então eu estava certo, você não é daqui _Falei enquanto o barman colocava as bebidas sobre o balcão negro. _De onde eres?
O moreno deu uma risada e pegou o whisky e eu nunca tinha visto uma pessoa mais bela ao levar um copo aos lábios. Sentia inveja do vidro contra a boca daquele homem pecaminoso que me olhava como uma obra de arte.
__Sou de muitos lugares il mio piccolo
__Isso não responde muitas coisas senhor misterioso _Falei levando a bebida azulada aos lábios enquanto ele me encarava fascinado.
__De onde acha que sou? Ou melhor, quem pensa que sou?
__Alto e de bom porte. Terno feito sobe medida, sapatos caros e relógio Rolex, poliglota, mas não se vangloria. Não gosta de quanto o assunto de vira para o seu lado, seus ombros retesados mostram isto _ele sorriu ainda mais _Não usa aliança, e nem tirou alguma já que não há marca. Olhos cansados, mas ainda assim espertos. Jeito afiado e levemente... Bem eu poderia dizer alemão, mas você não tem a frieza que Hitler procurava. Latino provavelmente...?
__Espanhol _ele falou levando o copo novamente contra os lábios _pareço um livro sendo devorado por você.
__Eu...
__Mas é a melhor sensação que existe _ele voltou a me encarar _encontrar alguém que vê além do que o bolso mostra.
__Oh então é um empresário?
__Sim e você eu deveria dizer que é um jovem promissor na área de engenharia... _eu engoli em seco e ele sorriu _Não sou um perseguidor, afinal nem sei o seu primeiro nome senhor Arlet.
__Acho que não soube disto apenas me olhando de longe.
__Não, você está certo, mas de onde será...? _ele falou e logo bebia novamente do copo.
Ele sorriu e olhou para baixo onde mais uma música animada começava. Aquele homem instigante fazia um reboliço em meu estomago, levei o copo aos lábios novamente quando um homem loiro alto e musculo, veio na direção do moreno e lhe deu um beijo nos lábios.
O moreno ao meu lado sorriu e olhou para mim lambendo os passos.
__Reiner questo qui è il mio compagno di banco , purtroppo non dice il tuo nome _os dois olharam para mim e o loiro sorriu.
[Reiner este é o meu companheiro de balcão, mas infelizmente ele não me diz seu primeiro nome]
__Già ho notato che questo bene accompagnato il mio amico.
[Já notei que está bem acompanhado meu amigo]
Os homens belos falavam em outra língua com os olhos em mim, e o pouco que reconhecia havia algo com o meu nome no mesmo. O moreno deu uma gargalhada e olhou para mim.
__Reiner quer saber o seu primeiro nome senhor Arlet, até eu mesmo gostaria de saber _ele falou examinando o meu rosto.
__Acho que não seria apropriado, ainda, mas enfrente ao seu companheiro este olhar senhor desconhecido _Falei ácido. Ele poderia ser belo, mas eu jamais viraria ao ridículo de ser um homem entre um romance.
Eu conhecia a dor... Ou pelo menos eu acho que conheço.
O loiro alto deu uma gargalhada e o moreno e o olhou de forma mordz _Non è il mio fidanzato. O loiro pronunciou em minha direção e eu estreitei os olhos _Bem, o que eu quero dizer é, ele não é meu namorado.
Surpreso pelo loiro falar em minha língua. Estalei a língua e o mesmo fez um gesto para o barman.
__Reiner Braun _o loiro deu-me a mão e logo estava apertando a minha _Perdão pelo comportamento, mas às vezes prefiro falar em meu idioma natal, o italiano.
__Sem problemas senhor Braun. Pelo menos o senhor tem a educação de falar sem nome antes de perguntar o dos outros _eu falei venenoso e o moreno olhou-me surpreso e com um sorriso nos lábios.
__Que falta de educação a do meu amigo _o loiro falou pegando um Martine que havia sido deixado para ele.
__Reiner porque você não volta para suas amiguinhas na pista? _o moreno falou estreitando os olhos e eu sorri.
__Non voglio rubare da te
[Não irei roubá-lo de você]
__Ande...
__Estou indo, foi um prazer pequeno _o loiro falou e logo descia as escadas.
Eu olhei para o moreno que voltou os olhos para mim sérios, ou melhor, curioso. Nunca me arrependi tanto de ter preso parte do meu cabelo, já que minha franja mal escondia o meu rosto.
__É um costume italiano familiar que ele possui _o moreno falou.
__O-oque?
__O beijo _ele se inclinou para mim e sussurrou roucamente _Uma forma de comprimento que adoraria explorar com você.
Eu olhei em seus olhos sinceros que continham um brilho tão diferente. Jamais havia visto um castanho tão vivo e belo, o hálito quente batia contra o meu rosto enquanto seus lábios encostavam contra a minha orelha e mordia o lóbulo da mesma.
__Peço perdão pela minha falta de etiqueta _ele sorriu olhando para mim ainda próximo _Sou Bertholdt Hoover, o homem que lhe fará companhia a partir de agora.
E depois daquilo apenas senti mãos levarem-me para pista e meu corpo ser conduzido pelo homem em minha frente.
Não preciso estar no topo
Para saber que sou desejado
Porque sou forte o suficiente para saber a verdade
Eu só quero que isso seja quente
Porque sou melhor quando estou apaixonado
~*~
Respirei fundo e joguei o celular contra o sofá exasperado. Armin não atendia a droga do celular e Jean já havia entrado desesperado aqui atrás de noticias do loiro. O castanho estava no chão olhando para a janela e com o celular enfrente a ele.
__Ele me odeia.
__Com motivos seu idiota! _ele me olhou magoado.
__Armin... Como ele pôde?
__Não se manda no coração Jean, não fale como se fosse culpa dele ou algum erro _Falei puxando os fios de meu cabelo com força.
__Não, você não entendeu... _Jean voltou a olhar a janela _Como ele pode amar-me?
__Nem mesmo eu entendo cavalo.
Ele sorriu e eu me sentei ao seu lado. Já haviam se passado uma semana desde a confissão de Armin e o clima entre os dois não era o dois melhores. Por vezes o loiro chegava tarde a casa e dormia no meu sofá espaçoso. Jean chegava pela manhã e perguntava como ele estava e depois de saber sorria e ia embora para a faculdade.
Armin passava as noites no trabalho, mas como era final de semana resolveu sair e não atendia o celular. Provavelmente saiu porque Jean tentou falar com o loiro que mal deu ouvido e partiu porta afora.
__Você realmente não sente nada? _eu o olhei e o mesmo sorriu.
__Não sei... Talvez não, ou talvez sim.
__Você com certeza é um otário. Se não sabe o deixe ir atrás de outro Jean. Não há nada como um coração partido...
Ele me encarou sério e logo olhava para a janela novamente, perdendo-se em pensamento.
__Eu... Estou o machucando da mesma forma que você ficou?
__Mágoas não são iguais, mas eu entendo a dor de amar alguém e não ter isto correspondido _Falei suspirando e tentando tirar o rosto de Levi de meus pensamentos.
Jean ficou calado por um tempo e eu já estava desesperado com o sumiço do loiro e agora tinha o moreno perdido em pensamentos que me deixava com impressão de algo extremamente ruim estava se passando em sua cabeça.
__Jean...
__Eu vou para casa. É o melhor a se fazer _ele me olhou _Tanto para mim quanto para ele.
__Sim, vá e descanse. Ele sabe se cuidar...
__Ele sabe muito bem _ele encostou a testa na minha e sorriu de forma leve _Obrigado seu babaca.
Ele se levantou e saiu batendo a porta. Eu voltei os meus olhos para a janela e olhei para o meu celular pensando em ligar novamente para o loiro quando o som de um copo sendo colocado ao meu lado me chamou atenção.
__Eles são grandinhos meu amor, não se preocupe _ouvi a voz melodiosa de minha mãe que sorria para mim e peguei o copo de chá que ela me oferecia.
__Eles me ajudam tanto mamãe, queria fazer o mesmo. Eu sabia que seria assim, Jean não reparou nos sentimentos de Armin, mas jamais vai perder esse temor e vontade de protegê-lo.
__Eles irão se resolver. Caminhos tortuosos viram para todos, mas as pessoas no fim se acertam, mesmo que não seja do jeito que queriam _ele falou sentando-se do meu lado e eu encostei minha cabeça em seu ombro.
__Senti tanta a sua falta.
__Lógico quem não sente falta da minha presença? _ele falou olhando as unhas e eu sorri _Você precisa dormir, já com o olhar cansado daquele velho.
__Aposto que papai adora a forma como você o chama de lá de onde ele está _Falei divertido.
__Pois ele que se conforme. Maldito que resolveu me deixar com dois problemáticos para cuidar. Logo eu, uma mulher tão bela e solteira neste mundo... _ela falou e eu dei uma risada.
Mamãe e papai sempre tinham um relacionamento de piadas e romance. Como dois adolescentes e quando ele se foi ela chorou por três dias seguidos e no dia do seu enterro apareceu sorrindo, mesmo com lágrimas derramando sobre o seu rosto.
“Aquele velho não me perdoaria se eu fizesse uma careta tão feia quando viesse o ver.”
__E você meu amor? Como pretende se resolver? _a morena falou acariciando o dorso de minha mão.
__Ah... Eu não sei. Temo pelo que Lian poderia passar.
__Não foi você que disse que ele mudou?
__E ele mudou, mas ainda assim...
__Vou te contar uma coisa que eu nunca contei para vocês _mamãe suspirou _Seu pai uma vez me traiu...
__O que? _eu me desencostei e a encarei.
__Calma, foi antes de Mikasa nascer. Estávamos sempre brigando, mesmo que nos amassemos muito as dores no casamento vão se acumulando até explodirem. Eu fugi e ele dormiu com outra, eu voltei e ele se humilhou pedindo perdão Eren.
__Mamãe...
__Eu decidi confiar que ele continuaria me amando. E quando Mikasa nasceu ele chorou muito, mesmo já tendo se passado anos do acontecido. Ele jamais se perdoou, mesmo que eu tenha o perdoado. Não fomos um casal perfeito, não existe isso, mas nos amávamos.
Engoli em seco.
__Surpreendente não é? Mas não o amo menos, eu já quase dormi com outro também. Não somos perfeitos, mas depois que vocês nasceram nós paramos de nos preocupar com coisas poucos e apenas olhar as bênçãos que possuíamos.
__Minha infância foi uma mentira _falei e ela deu uma risada.
__Eu ainda o amo e tenho certeza que vamos nos encontrar. Não me arrependo de cada minuto que passei ao lado daquele velho, mesmo com os altos e baixos meu querido. Você pode confiar ou não, mas suas escolhas irão refletir em Lian.
Como eu poderia viver sozinho
Sabendo que eu deixei nosso amor passar (amor passar)
E ooh, quando eu tiver uma chance
Eu só tenho de deixar você saber
Eu sei que o que eu fiz não foi inteligente
Mas eu e você fomos destinados a durar pra sempre
Então deixe-me (me deixe entrar)
me dê outra chance (outra oportunidade)
Para realmente ser seu homem
~*~
Cheguei a casa tentando ao máximo não fazer barulho. Não iria atormentar Eren agora, sabia que ele iria acordar e me dar um sermão, infelizmente não tenho culpa se um homem extremamente charmoso resolveu conversar comigo mais algumas horas e então vir deixar-me em casa, sem segundas intenções.
Frustrante... Nem um mísero beijo.
Deixei os meus saltos na janela e logo sentia aquele aperto no meu peito voltar, lembrando que o homem que eu tanto amava estava tão perto, mas tão longe ao mesmo tempo. Respirei fundo e resolvi beber um copo de água quando avistei a secretaria eletrônica piscando e fui em sua direção a colocando para tocar.
Hey aqui é Jean e o Armin,[ não estamos em casa eu falei esta parte], ou apenas não queremos te atender se for o Eren [Jean]. Cala a boca Jean, pode nos ligar Eren, enfim deixei o seu recado após o bip.
Que clichê viu [Jean]
Bip.
Armin...?
Você já chegou?
Bem eu espero que já, sei que você pode estar morrendo de sono, mas sempre ouvirá a secretária antes de se deitar, e como não me atende, ou, olha em meu rosto eu resolvi ser um covarde e falar por aqui.
Eu fui para casa...
Sim, você do que eu estou falando. Eu vou dar o espaço que você precisa talvez esse seja o certo, eu deixar você seguir adiante, encontrar alguém que mereça o seu sorriso e você por inteiro.
Tenho medo de sair agora de casa e você me esquecer, não irei mentir, mas se isto te fará feliz eu ficarei também. Você é a minha estrela...
Você é tão brilhante e acabou se apaixonando por um cara como eu, sinto-me péssimo por falar às coisas que falei ou fugir. Você é o meu melhor amigo, merda eu sei que vai chorar quando ouvir isto e estou me esforçando para não voltar.
Talvez eu descubra o que é essa confusão em mim e você me esqueça. Ou talvez...
Talvez não seja o bastante para você e eu sou um cretino que só pode pensar em talvez. Eu amo você meu amigo, mas até onde? Ou quanto? Eu não sei...
Eu sou sim um idiota, mas não vá atrás de mim Okay? Deixei o carro para você e um remédio para ressaca e uma cerveja na geladeira. Acho que isto é um adeus...
Engoli em seco e corri para o quarto de Jean, encontrando tudo vazio. Meus olhos como ele adivinhara transbordavam.
Ele havia ido embora
Ele estava confuso?
Ele estava me dando espaço?
Não sabia se o odiava, mas ele era um grande filho da puta. Eu queria deixar de amá-lo, deixar de sentir estas coisas e ele uma vez mais me mostrava como mexer com os meus sentimentos. Nem mesmo o desejo de ser notado das horas anteriores aplacava a dor que sentia agora.
Jean havia ido embora por minha culpa e chorava enquanto gravava aquela mensagem.
Eu também sei quando você está chorando...
E nós nunca estaremos em mundos distintos
Talvez em revistas, mas você ainda será minha estrela.
[...]
Disse-te que estaria aqui para sempre
Disse que sempre seria seu amigo
E o que eu jurei eu vou cumprir até o fim
Agora que está chovendo mais do que nunca
Saiba que ainda teremos um ao outro
~*~
Respirei fundo, afinal o propósito maior de tal viagem não era este? Claro que estava com saudades do filho e do meu querido neto, mas também compreendia que estar ali era necessário.
Odiava ter que concordar com o seu amado e falecido marido, ela era extremamente ansiosa e por tal encarava a mulher na recepção que insistia em dizer que o tal doutor estava ocupado.
Tsc... Como se ela não soubesse de algo do tipo.
O lugar sem dúvidas fazia jus ao renome. Bem estruturado e organizado, no nível de organização que um hospital poderia chegar. Comparado com a clínica em que trabalhava tanto na cidade quanto nas ocasiões em que ia auxiliar no interior.
Não tinha culpa por andar tanto em sua posição. Aprendera amar aquele mundo caótico, assim como Grisha o amava. Era uma maneira de honrar a memória do homem que amou quando o viu entrar na pequena taberna em que entrava pela primeira vez.
Poderia sentir o rosto ardendo apenas de lembrar-se daquele maldito lhe olhando admirado, e das palavras inovadoras e radicais livres que trazia como mantra.
Um maldito hippie
Ele tinha um sorriso brilhante e aqueles olhos tão belos. Amoroso e compenetrado no que fazia: Tentando salvar o mundo um pouquinho de cada vez.
Eren tinha aquele sorriso levemente trouxa do marido. Um sorriso que ela adoraria visualizar uma vez mais...
Mas assim como Grisha, Eren era um complexo em relações sentimentais, era covarde neste quesito e por tal depositava sempre pouca fé nos sentimentos alheios. Achava que por conta do seu primeiro amor ter dado errado tudo seguinte o seria. Extremamente frustrante...
Por tal motivo estava ali. O outro lado estava tentando se aproximar dos seus meninos, e ela deveria averiguar se isto seria bom. Não suportaria ver o filho sofrendo novamente pelo homem que no momento atendia alguém, e por isto ficaria ali azucrinando aquela mulher de sorriso fácil e maquiagem extravagante.
Pelo amor ela parecia o Bozo.
__Jane, eu preciso que chame os malditos residentes para mim. A senhora do leito 117 tem que iniciar os procedimentos para a operação de mais tarde.
Um jovem de estatura baixa vinha andando em direção à recepção falando com a mulher que assustada começou a trabalhar concordando como um cachorrinho. Não consegui conter a surpresa na sua frente, não havia como negar que aquele homem era pai de Lian.
O homem pegou um tablet e começou a organizar algumas coisas. Eu olhei para a mulher que terminava de fazer o que o rapaz lhe pedia e o informava. Estava esperando ela falar de mim, mas a palhaça se voltou para a cadeira dela.
Escondendo as celulites, droga.
O homem com a cara do meu neto já estava caminhando quando eu me levantei e ouvindo os protestos do Bozo segurei no ombro do rapaz que me olhou surpreso.
__Você é Levi Rivaille, estou certa? Claro que estou é só olhar para você...
__Senhora...
__Não sou tão velha. Vim aqui falar com você sobre o meu filho.
__Se a senhora, ou melhor, você é mãe de um dos meus pacientes saiba que...
__Não. Parece que diferente de você não, eu não sou tão parecida com o meu filho _o rapaz arregalou os olhos_ Sou Carla Jaeger doutor. Acho que pode me atender não é mesmo?
~*~
Três dias que Jean havia ido embora, três dias que Eren havia me dado um sermão. Três dias que dormia no quarto daquele maldito por sentir falta dele. Como havia decaído, chegando ao ponto de precisar do cheiro dele para dormir.
Parabéns Armin, nem parece aquele loiro que decidiu esquecer ele da sua vida.
E nestes três dias não havia parado para pensar naquele espanhol bonito que me deixou em casa. E hoje era o maldito dia da apresentação de um projeto em que estava trabalhando para uma grande empresa de construção.
Estava organizando minha parte junto aos outros, deveria agora esquecer toda aquela dor e me concentrar no importante. Um aviso de que os acionistas estavam chegando foi dado e logo tudo estava ligado e os papeis estavam distribuídos sobre a mesa oval.
Tão concentrado na apresentação no computador eu me apresentava que não reparei nas pessoas que entravam. Elif, uma jovem de cabelos platinados tocou em meu ombro e eu concordei para a menina baixinha e de sorriso doce.
Respirei fundo e me virei para as pessoas, me deparando com olhos castanhos esverdeados brilhosos e divertidos, além de muito familiares me encarando na ponta da mesa. Senti minhas pernas ficarem moles, enquanto um sorriso ladino aparecia nos lábios do homem a minha frente.
__Armin este é o senhor Bertholdt Hoover, dono na empresa Mercúrio _Elif falou e o moreno concordou sorrindo divertido.
__É um prazer senhor Arlet.
__O prazer é meu...
E naquele momento a minha dor parecia ínfima.
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