Fiction

38 Capítulo 38


Notas iniciais
Sorry pelo atraso galera, mas eu ando fodida demais com a faculdade. Literalmente porque tem gente querendo me foder mesmo, aqueeeela kkkkkk Beijos no coração e sorry. Obs: eu não notei que aqui estava atrasado um capítulo. Sinto muito

Dia clichê. Um belo sábado ensolarado e com cheiro de flores. Não que eu estivesse desejando chuva, de maneira alguma, mas era engraçado em como o mundo parecia conspirar para que meus encontros com Levi sempre dessem certo. O restante da semana tinha passado de maneira pacífica mesmo com a tensão evidente entre o neurologista e o traumatologista. Nanaba também estava bem chateada com o loiro, mas ela sempre falava que era mágoa de grávida que exagerava com hormônios à flor da pele.

Lian estava bem arrumado com uma bermuda bege e uma camisa preta com estampa infantil e um boné de Pokémon que tinha ganhado de Armin um dia atrás e não o tirava mais da cabeça. O moreninho mais novo andava cantarolando uma canção infantil enquanto segurava a minha mão direita. Ficaríamos próximo dos brinquedos infantis por conta das duas crianças e era para lá que andávamos entre as pessoas do parque já movimentado.

— Papa. — o mais novo me puxou e eu o encarei.

— O que foi meu amor? Quer alguma coisa? — ele abriu um sorriso negando com a cabeça e apontando para frente e confuso eu procurei com os olhos o que o mesmo tentava me mostrar e avistei uma Nina andando de Patinete com um sorriso no rosto.

Lian deu um pulo animado e eu dei uma risadinha prosseguindo para o local e vendo a loirinha dar voltas curtas no auditório. Tinha alguns pais sentados olhando suas crianças enquanto algumas pessoas andavam em patins e até mesmo em bicicletas. Procurei com os olhos Hanji ou Levi até ouvir uma risadinha de Lian — que tinha soltado a minha mão — e vê-lo sendo jogado para o alto e aparado por Levi.

— Eren! — ouvi a voz animada da irmã do mais velho que sorriu para mim e encarei a mesma. — Ainda bem que já chegaram estou morrendo de fome.

— Tão educada Zoe. — Levi falou revirando os olhos por trás de seus óculos escuros e virou a face em minha direção. — Está atrasado.

— Eu vim de metro. — bufei e o mesmo abriu ainda mais o sorriso. — E quer fazer o favor de colocar meu filho no chão?! — Levi ergueu uma sobrancelha e jogou mais uma vez Lian para o alto me fazendo levantar as mãos, mas o mesmo pegou o pequeno novamente que ria divertido com a situação. — Levi!

— De novo!

— Nem pensar! — exclamei segurando o braço de Lian que fez um biquinho emburrado e ouvi uma risadinha de Levi.

—... ó, se não é tradicional família asiática. — encarei Hanji que sorria para nós e senti o meu rosto arder. — Que gracinha Eren.

— Hanji cala a boca. — Levi falou e pôs Lian no chão. — Certo, vamos logo arrumar um lugar para por as coisas. Acho bom encontrarmos uma mesa, pois me recuso a comer no chão.

Fresco. — eu e a irmã de Levi falamos juntos e rimos enquanto batíamos as mãos.

Levi chamou a sobrinha e então caminhamos em direção de onde ficaríamos e para nossa sorte arranjamos uma mesa e colocamos as coisas sobre a mesma. Hanji logo pegou Lian e Nina e os levou para o parquinho, fugindo da responsabilidade de organizar a mesa, e Levi? Bem ele bufou enquanto chamava a mesma de irresponsável.

— Achei que iria trazer seus amigos. — Levi falou enquanto limpava os bancos e eu separava os depósitos com alimentos sobre a mesa.

— Armin saiu com um amigo dele. — dei uma risada ao lembrar a animação do loiro ao saber que o chefe tinha voltado e o chamado para sair naquele dia. — E Jean tinha um trabalho ou algo do tipo para fazer com uns colegas e saiu cedo.

— Entendo.

— É incrível como você consegue cortar a conversa, Levi. — falei para o mesmo dando uma gargalhada enquanto o mais velho me encarava sorrindo. — Vai ficar de óculos escuros até quando?

— Quer tanto assim ver meus olhos?

— Ó, claro! Estou loucamente gritando por dentro para que você os tire. — sentei no banco largo de madeira e o mais velho fez uma careta rindo.

— Não é uma boa ideia.

— O que foi? Está com o olho irritado? — encarei o outro que rodeou a mesa e ficou em minha frente. Levi olhou em volta e eu engoli em seco um tanto incomodado com a proximidade, até que o mesmo se abaixou.

— Eu não quero que as crianças vejam. — Levi tirou os óculos escuros e eu abri a boca surpreso ao notar um hematoma meia-lua próximo aos olhos do médico. Engoli em seco e involuntariamente levei minhas mãos até o machucado alisando a pele.

Como...? O que aconteceu? E não vem com papo de cai de cara da maçaneta da porta. — o outro deu uma risadinha negando e me encarou.

— Erwin e eu discutimos mais uma vez, mas como não tinha ninguém para acalmar os ânimos acabamos nos engajando.

— E você levou a pior, não é? — perguntei sério tirando a mão do rosto do mesmo. — Ele não estava com nenhum machucado ontem.

— Eu não briguei Eren. Erwin não aguentou o que eu falei e me socou. — o moreno desviou o olhar e passou a encarar algumas pessoas andando sobre a grama e eu sorri internamente ao notar um leve bico em seus lábios muito parecido com os de alguém que eu conhecia.

— Eu realmente não quero me aprofundar em relação ao assunto, mas como Hanji está com tudo isso? — perguntei engolindo em seco e o mesmo voltou a me encarar.

— Péssima. Ela acha que vai acabar se separando dele. — abri a boca surpreso e o moreno suspirou — Eu me sinto péssimo por isso.

— Não é como se você tivesse culpa nos assuntos deles Levi. — comentei e o mesmo encarou o chão negando com a cabeça.

— Não é bem assim. Eu tenho certa parcela de culpa em tudo isso. Hanji vem me protegendo e acaba por estragar o casamento dela por isso. No final Erwin apenas cansou de ser deixado no escuro. — Levi colocou os óculos escuros e voltou a encarar as pessoas que andavam na grama bem mais distante de nós. Olhei para o moreno confuso e curioso, por fim eu não era o único a tentar manter as coisas em segredo.

Levi... — toquei o seu ombro. — Seja lá o que vocês “escondem” no final nada dessa situação é sua culpa. Talvez os dois só estejam complicando as coisas por medo e por orgulho. É muito difícil dar o braço a torcer, mesmo nos melhores relacionamentos. Não acho que eles cheguem a tanto.

— Você nem sabe sobre o que...

Eu não preciso saber. Eu sei reconhecer pessoas que se amam, mas complicam demais as coisas por medo. Hanji talvez não quisesse explicar as coisas a Erwin por razão ‘x’ e para ele seja como se a mulher que ele ama não confiasse mais nele. Acredito que ele pode estar até mesmo arrependido por tudo.

— Então eles precisam de terapia de casal? — Levi perguntou se levantando com um sorriso nos lábios.

— Todo mundo precisa de terapia uma vez na vida. E por falar nisso eu não dou conselho de graça. — comentei rindo e o mesmo acompanhou de maneira mais reclusa. Inspirei profundamente e olhei por cima dos ombros procurando a irmã do outro com as crianças, mas não conseguia encontrá-los.

— Aqui tem um lago, não é? — ouvi a voz do moreno a minha frente que olhava um panfleto que eu não sei de onde diabo surgiu. Concordei e não pude deixar de lembrar certo advogado e sorri torto.

— Sim. Tem um píer lá também.

— Ó! — o moreno mais velho continuou encarando o papel em suas mãos e riu. — Eles alugam pedalinhos.

— Eu não acredito. — dei uma gargalhada alta e o outro me encarou confuso o que só me fez rir mais alto. — Você quer andar nos pedalinhos de cisnes Levi?

— Eu estou comentando. — Levi bufou negando com a cabeça e voltando os olhos para o papel. — E se eu quiser andar o problema é meu.

— O problema vai ser se permitirem sua entrada com essa sua altura, vai que não alcança os pedais. — Dei uma risada e o médico chutou minhas pernas me fazendo grunhi e esfregar as mesmas enquanto ria debochado.

Encostei minha cabeça e as costas na parede fria enquanto ouvia o movimento da rua com os olhos fechados. Tinha acordado com dor de cabeça, mas nem isto me impediu de sair de casa para vim encontrar meu querido chefe, que agora pagava o nosso almoço dentro do restaurante e que havia pedido para esperá-lo. Não podia evitar ficar um tanto nervoso, pois não tínhamos algum tipo de plano para depois da refeição e desde que nos vimos na ultima vez era até normal pensar besteira.

— Prontinho. — ouvi a voz rouca e encarei Berth que sorria gentil para mim. — Vamos?

— Para onde? — engoli em seco tentando não demonstrar um pouco do meu nervosismo para o mais alto. Berth franziu o cenho e pareceu pensar um pouco enquanto sorria.

— Cinema? Deve ter algum filme interessante em cartaz.

— Claro. — sorri um tanto aliviado e comecei a caminhar ao lado do mesmo. — Como foi a sua viagem?

— Cansativa, mas produtiva. Estou com esperança de uma nova parceria que poderia nos fazer construir uma sede em outro país.

— Uau, isso é realmente incrível.

— Sim. Se tudo der certo eu provavelmente terei que viajar mais algumas vezes.

— Entendo. — mirei a rua em nossa frente e acabei desviando de uma garota que andava distraída com o celular em mãos esbarrando em Berth que segurou em minhas mãos rindo. — Não fiz de propósito.

— Eu sei. E como foram os seus dias desde que eu fui?

— Normais. — comentei soltando a sua mão e ajeitando o chapéu em minha cabeça que deslizava.

— Você é ótimo para dar segmentos a conversas Armin.

— Eu sei. — comentei rindo e o encarando por cima dos meus óculos. — Não fiz muitas coisas emocionantes além de fofocar com os meus dois melhores amigos e fazermos maratonas. Como três adolescentes. — ri lembrando-me da pequena e ridícula guerra de travesseiros que fizemos em um desses dias.

Três? — Berth perguntou e eu concordei.

— Jean voltou para casa algum tempo atrás. O filho do meu melhor amigo foi quem mais agradeceu. — ri para o mesmo encarando Berth, mas notando suas sobrancelhas arqueadas em uma expressão não muito boa. — O que foi?

Jean, o cara que você gosta?

Sim...? — concordei incomodado e parando de andar. O moreno mais alto fechou a expressão.

— Depois de tudo o que esse cara te fez você ainda o deixa voltar a morar com você?! — Bertholdt exclamou com sarcasmo foi a minha vez de ficar irritado.

— Primeiro que o apartamento é meu e dele. Compramos juntos, então a minha casa é tão dele quanto minha. E segundo o que isso tem haver?

— Você realmente gosta de ser feito de idiota não é Armin. O que foi? Você é daquele tipo que adora sofrer? — Berth jogou com sarcasmo e eu o encarei surpreso o empurrando com força.

— Quem você acha que é para palpitar na minha vida?!

— Talvez o cara que enxugou as suas lágrimas?!

— Cala a merda da sua boca Berth. Não é porque você me ajudou em um período difícil que pode jogar alguma coisa em minha cara. Se eu sou agradecido pelo que fez? Claro, mas não venha achar que pode controlar a minha vida. Você e ninguém mais tem esse direito. — O empurrei novamente e Berth arregalou os olhos. — Seu idiota. Pode ir para a merda do seu cinema sozinho.

Virei-me na direção oposta andando rápido enquanto ouvia os gritos do outro. E naquele momento eu só queria voltar para debaixo das minhas cobertas de onde não deveria ter saído.

Encarei as costas do Pirralho que falava no telefone com o cenho franzido. Estávamos comendo quando o celular de Eren tocou e ele atendeu e isso já tinha quase uns 15 minutos. Lian estava sentado em minha perna direita comendo meio sanduíche natural rindo de Hanji que fazia gracinhas para os dois menores. Batuquei os meus dedos sobre a mesa e Eren desligou o seu telefone voltando com uma feição preocupada.

— O que aconteceu? — perguntei ao mais novo que me encarou um tanto surpreso e negou com a cabeça lentamente.

— Depois. Lian você não quer deixar o Levi comer?

— Mas ele pode comer papa — Lian falou depois de tomar um bom gole de suco e então levantou sua cabeça me encarando — Tô te atrapaiando zangado—san?

— Não Lian. Pode comer. — sorri para o moreno que se voltou para os lanches. Eren sentou ao meu lado e suspirou pesadamente.

— Acabei! — Nina comentou sorrindo e esticando os braços.

— Nina não precisa se afobar. Vocês têm o dia inteiro para brincar meu amor — Hanji falou limpando a boca da loirinha que fez um bico.

— Mas eu não quero mais...

Nina...

— Assim que Lian acabar vocês podem voltar a brincar, flor. — Eren comentou e Lian fez uma dancinha com os ombros ao qual eu dei uma risadinha — Mas pode comer devagar mocinho.

Lian concordou com a cabeça enquanto mastigava o que estava em sua boca. Hanji encarou-me e fez um gesto com a cabeça bem sutil ao qual eu concordei. Eren não estava normal, algo havia acontecido e isso me deixava preocupado. O mais novo não demorou a terminar de comer e tomar seu suco, logo corria com Nina atrás de uma bola que Hanji tinha trazido.

— O que aconteceu querido? — Hanji perguntou e Eren suspirou pesaroso.

— Um problema com um amigo. Preciso ir mais cedo do que o previsto. — Eren comentou olhando as crianças. — Mas sei que Lian irá ficar bem chateado.

— Se quiser eu posso ir deixá-lo em sua casa depois. — comentei e os olhos verdes se viraram em minha direção. — Ou então podemos todos ir embora.

— Você nem andou nos seus pedalinhos. — Eren comentou rindo e Hanji deu uma risada ao qual eu bufei em resposta. — Eles estão se divertindo aqui, acho que não seria justo.

— Levi pode levar o Lian para você Eren. Temos até cadeirinha.

— Não vai incomodar? — o outro perguntou incerto e eu o encarei negando.

— Vai ficar tudo bem. É algo muito sério?

— Não, quer dizer sim. É complicado, mas é meu melhor amigo e não posso deixa-lo na mão.

— Tudo bem. Se quiser eu posso até leva-lo.

— Não precisa Okay? Obrigado Levi.

Eren se levantou e andou até Lian e após uma rápida conversa se despediu, o mais novo saiu andando rapidamente pelo parque até o perdemos de vista. Suspirei encarando o meu prato e ouvi a risadinha da minha irmã.

— Está tão apaixonado assim para soltar suspiros?

— Cala a boca.

— Tão orgulhoso Levi. — Zoe riu e eu arqueei minhas sobrancelhas.

— Você parece ter gosto por homens assim. — a morena me olhou surpresa e o sorriso em seus lábios sumiu. — Por que não contou a ele Hanji? Eu disse que não tinha problema.

— Eu não preciso da sua aprovação para isso Levi. — ela respondeu irritada e eu neguei com a cabeça. — Se Erwin fosse menos cabeça dura...

— Você também é. Quer me proteger sem necessidades Hanji, por algo que está no passado e não temos culpa.

Você não teve. — Ela respondeu azeda e eu estalei a língua.

— Nenhum de nós dois! Droga Zoe você acha que a mamãe ficaria contente com essa situação? Você sabe muito bem que eu não sou o melhor nesse assunto, mas eu tenho certeza de que você era apenas uma criança e que nada disso foi sua culpa.

— Isso não é verdade Levi. Eu já te contei e...

— E o que? Você acha que só porque pediu para mamãe ir me buscar é sua culpa? Não foi por sua causa que o carro bateu Hanji.

— Se eu não tivesse enchido tanto o saco dela ela não estaria...

— Você não sabe. Mamãe estava tão desesperada quanto eu e você naquela situação. Se alguém tem culpa nessa história é aquele homem por tudo o que causou. Nem eu e você. — Hanji engoliu em seco e cruzou os braços. Eu podia ver seus olhos marejados e a dor se apossando dela e inspirei profundamente. — Conte ao Erwin Zoe.

— Não Levi!

— Ele é seu marido Zoe. Como você se sentiria se ele escondesse um segredo de anos e que não pudesse contar a você?

— Eu entenderia! Eu tentaria ser compreensiva...

— Uma merda que seria. Você uma hora ou outra ficaria magoada quando seu marido tivesse que passar pelo que passamos todo ano e não soubesse o que fazer para alegrá-lo ou tentar minimizar a situação. Você brigaria e se ofenderia e no final se sentiria como se ele jamais houvesse confiado em você.

Levi... — Hanji mordeu os lábios tentando abafar um soluço. — Eu não posso... O que ele diria? Eu não posso...

— Erwin entenderia e por fim colocaria na sua cabeça que nada disso é sua culpa, ou mesmo minha. Como é jogado na nossa cara todo ano. Nada disso é sua culpa Zoe. — engoli em seco suspirando e segurando as mãos dela. — Não estrague seu casamento por minha causa.

— Você diz que não é culpa de nenhum de nós, mas quem continua sendo acusado de tudo é você. Papai...

— Você sabe muito bem o porquê. Hanji se eu tivesse que escolher entre passar por isso e deixar que tudo recaísse sobre você permaneceria nessa situação.

— Eu sou a mais velha! Eu deveria te proteger e...

— Eu já sou grandinho Zoe. — Sorri para a mesma que ainda chorava. — Vamos lá, pare de chorar antes que sua filha veja e por Deus limpe esse nariz. Que nojo.

Hanji gargalhou enquanto limpava as suas lágrimas e eu suspirei em alívio. Eren podia nem saber o quanto suas palavras algumas horas atrás tinham sido de grande importância, mas não podia deixar de pensar que uma vez mais o pirralho tinha as palavras certas para me ajudar e me tirar da escuridão.

Rodei a chave na porta e suspirei aliviado. Estava terrivelmente quente e eu tinha a sensação térmica de estar derretendo em meio à calçada, mas chegar em casa e com o termostato já ligado era uma benção que quase me arrancava um gemido. Retirei a touca de minha cabeça sentindo os fios castanhos de um quase loiro molhar a palma da minha mão e suspirei louco por um banho. Armin e Eren não estavam e eu sabia muito bem disso, mesmo que não gostasse tanto de estar só era preferível naquele momento tão... Conturbado.

Caminhei até a sala jogando a minha mochila e após beber um bom copo d’água fui em direção aos corredores. E qual não foi a minha surpresa ao passar enfrente ao quarto de Armin e escutar um fungado? Encarei a porta e um tanto receoso e a abri e avistando o loiro sentado com as pernas cruzadas sobre a cama de costas para a porta.

— Armin? — chamei o mesmo que deu um salto e me encarou por sobre o ombro mostrando os olhos marejados e o nariz vermelho. Senti um aperto no estomago e me aproximei ficando em sua frente. — O que foi loiro? O que aconteceu? Está se sentindo mal?

Armin encarou-me surpreso por um par de minutos e se jogou contra o meu corpo. Os braços me rondeavam com força enquanto ele escondia seu rosto em meu peito suado e chorava baixinho. Engoli em seco surpreso e preocupado, pois era o meu melhor amigo chorando daquele jeito e eu jamais poderia deixa-lo de tal forma. Estava com medo e nervoso de saber que algo ruim poderia ter acontecido e se houvesse sabia que moveria Deus e o mundo para concertar.

— Hey Min o que aconteceu? Alguém te fez algo? Machucaram-te? — passei minhas mãos em seus cabelos e o mesmo concordou, engoli em seco sentindo um pouco de raiva aflorar. — Fisicamente? — Armin negou e eu o apertei mais contra mim. — Eu estou todo suado Min. Vamos pare de chorar e brigue comigo por estar sujo e fedendo.

Ouvi um soluço e engoli em expirei profundamente sentindo os meus olhos arderem, mas não podia chorar. Era estranho como tudo o que o atingia parecia acertar bem dentro do meu âmago e naquele momento ele precisava de um ombro amigo que o consolasse e lhe acalmasse.

— Vamos assistir algo? Está tão quente... — Armin negou com a cabeça e eu sorri. — Quer ficar aqui? — o loiro assentiu e eu o empurrei com os ombros nos separando e deitando em sua cama para puxá-lo. — Certo, pode ficar aí. Chore o quanto quiser Min. Eu vou estar aqui com você.

Armin concordou e continuou chorando, passamos algum tempo ali naquele casulo e eu já até acreditava que o loiro estivesse dormindo, mas quando Eren chegou preocupado e nervoso Armin correu da cama e se jogou contra ele. Os olhos verdes do outro me miraram preocupados e suplicantes, mas eu expirei profundamente, negando com a cabeça qualquer uma das perguntas dele e saí do cômodo dando privacidade para os dois.

Se aquilo me machucava um pouco? Sim, mas os dois eram meus melhores amigos e eu não seria um idiota egoísta como sempre e exigiria as coisas. Naquele momento Armin necessitava de nós dois e se Eren poderia fazê-lo parar de chorar eu jamais me negaria a deixa-lo ajudar.

Já era bem tarde e eu estava exausto. Armin me contara sobre a briga com Berth e em como era difícil para ele saber que brigava com quem tanto lhe ajudou por conta de Jean, mas ao mesmo tempo entendia o lado do mesmo. Armin sempre nos defenderia, assim como nós faríamos o mesmo _ ainda que eu soubesse que Jean não evitaria partir para agressão se fosse algo relacionado ao loiro. Eu não podia deixar de pensar em como tudo era tão complicado. Jean o abandonara para dar-lhe tempo. Berth chegara e sentira-se inseguro. Jean cuidava e cuidaria para sempre de Armin, não importando quem se metesse no meio da história. Eu não culpava o meu amigo castanho pelo que tinha acontecido, o cavalo sabia muito bem o quanto tudo tinha sido bombástico e preocupante para o mesmo durante sua ausência. Jean era alguém ligado demais àquelas pessoas que considerava importantes e ele também tinha se machucado e amadurecido com todo o ocorrido. Suspirei com os meus olhos ardendo enquanto vagava em direção a minha porta onde a campainha tocava.

Levi tinha me ligado e avisado que já estava vindo com o menor e o meu amigo loiro me pedira um tempo para pensar só, e eu o acatara seguindo para o meu apartamento depois de confirmar com Jean que Armin estava melhor. Cheguei ao corredor escutando as risadas de Lian e não pude evitar que um sorriso se abrisse em meu rosto. Lian estava no colo de Levi rindo e com o boné ao contrário, suas bochechas meladas de chocolate e as mãozinhas apertando um ursinho em forma de golfinho com força enquanto gargalhava. Levi sorria encarando o menor em seus braços e ainda usava os óculos escuros.

— Vocês vão incomodar os vizinhos com essa barulheira toda. — briguei com os dois que me encararam e sorriram juntos me fazendo engolir em seco com a semelhança do ato.

— Desculpe Eren. — Levi comentou ainda sorrindo.

— Papai foi tão legal! — Lian se empurrou dos braços do menor e foi para o chão agarrando firme a sua pelúcia.

— Percebi. Vá lavar o rosto meu amor. — beijei a testa do pequeno que concordou e saiu correndo enquanto voltava a minha atenção para o mais velho. — Você o encheu de açúcar senhor Rivaille?

— Em minha defesa a Hanji que deu enquanto eu estava comprando as pelúcias. — Ele falou ainda sorrindo e passando a mão nos cabelos.

— Sei. Como está o seu rosto?

— Vi no carro e está menos inchado, mas provavelmente ficarei com um bom hematoma pelo resto da semana. — Levi suspirou e eu sorri.

— Nanaba vai adorar. Eu tenho uma pomada se quiser. — apontei com o dedo para dentro de casa e o mesmo olhou por cima dos meus ombros e sorriu.

— Quer tanto assim que entre na sua casa?

— Cala a boca antes que eu deixe seu outro olho roxo também. — comentei com um bico e negando com a cabeça o mais velho entrou no apartamento. Levi caminhou até a sala e se sentou com uma reverência desnecessária, andei até o meu quarto pegando o kit médico e dando uma olhada em Lian que ao invés de lavar o rosto estava brincando no chão. — Amor você não quer ficar na sala com o papai?

— Eu tô brincando papa. — Lian me encarou e eu sorri. — Posso ficar?

— Certo, mas depois venha se despedi do tio Levi.

Ooookay.

Voltei para o cômodo em que o médico se encontrava e vi Levi sem os óculos de olhos fechados e a cabeça jogada no encosto do sofá. Senti uma estranha ansiedade e me aproximei do mesmo ficando atrás dele e tocando o seu rosto com cuidado.

— Ele fez um belo estrago mesmo.

— Está tão ruim assim? — Levi comentou ainda de olhos fechados e aproveitando o contato com as minhas mãos assim como Lian fazia e sorri involuntariamente acariciando seu rosto.

— Terrível. Acho que vai precisar de cirurgia plástica. — o mais velho abriu um sorriso e eu me afastei sentando ao seu lado e puxando o seu rosto enquanto começava a passar a pomada. — Você não passou nada no seu rosto, não é?

— Um pouco de base.

— Que tipo de médico é você? — Comentei rindo e o mesmo fez uma careta.

— Neurologista. Prazer.

Prazer doutor.

— Levi Rivaille, mas pode me chamar só de Levi. — ele comentou ainda de olhos fechados e suspirou — Eu não tive tempo para cuidar. Não queria que Hanji ou Nina vissem por tanto tempo o meu resto “deformado”. E não se preocupe, Erwin vai pagar por cada centímetro de pele machucada.

— Que cruel você. — comentei retirando os fios de seus cabelos da frente e os colocando atrás da orelha. — Você e Lian estranhamente tem o mesmo sorriso.

— Eu já acho o contrário. — ele abriu os olhos me fitando diretamente. — Ele tem muito mais de você do que de mim.

— Claro. Tanto que é a minha cópia cuspida. — debochei do mesmo que sorriu. — Estou falando sério Levi. Acho até que o seu toque foi passado geneticamente para ele.

Levi deu uma gargalhada alta e voltou a fechar os olhos enquanto eu cuidava do seu rosto. Era estranho notar o quanto o meu relacionamento com o mais velhos saíra da água para o vinho. Um bom tempo atrás eu desejava que o mesmo desaparecesse de minha cabeça e que qualquer informação ou possível contato com ele fosse minado, mas hoje Levi me deixava tocar o seu rosto e procurava pelo contato de minhas mãos tal como uma criança em busca de carinho.

Eren...

— Sim? — perguntei baixinho não mais passando a pomada, mas agora acariciando o seu rosto. Levi abriu os olhos fitando-me com intensidade e sorri. — O que foi?

— Eu sinto muito. Por tudo. — engoli em seco e desviei o olhar e foi à vez do mais velho tocar o meu rosto e obriga-me a encará-lo. — Obrigado por me deixar entrar na vida de vocês mesmo estando tão magoado comigo.

— Vai ser algo difícil de esquecer e não posso dizer que não sinto algum ressentimento, mas Lian vai precisar de nós dois. Eu também fui egoísta e cheio de preceitos que julguei estarem certos, mas no fim era apenas minha raiva falando. Fui um tolo magoado e não quero que o nosso filho cresça no meio disso tudo. — o fitava nos olhos de maneira séria, Levi parecia vasculhar o meu rosto e ler-me como um bom livro.

— Você era um garoto novo Eren. Eu te magoei no fim, não se chame de tolo.

— Mas é o que eu fui Levi. — o mais velho fitou-me por alguns segundos e eu engoli em seco enquanto lambia os lábios, seus olhos fitaram os mesmos por um par de segundos. Senti a palma de minhas mãos suarem e um estranho aperto e formigamento na boca do estômago surgir. — Só vamos esquecer tudo e sermos bons pais daqui para frente.

— Certo — Levi continuou a fitar os meus lábios até que Lian veio correndo pelo corredor e nós nos separamos rapidamente enquanto o moreninho se aproximava.

— Papa eu quero tomar banho! — Lian comentou sorrindo.

— Eu-eu... Certo, vamos lá. — engoli em seco me levantando e pegando Lian no colo.

— Acho melhor eu ir embora. — Levi comentou e se aproximou de Lian beijando sua testa e com um menear de cabeça, sumindo pelo corredor.

— O que aconteceu com o tio Zangado papai? — Lian me encarou curioso e eu sorri nervoso.

Nem eu mesmo sabia o que estava acontecendo. Tanto comigo quanto com Levi.