Fiction
40 Capítulo 39 Part - 2
Estava sentado próximo ao batente de lavagem da sala clínica. Já estava a mais de sete horas naquela sala e ao menos o paciente havia sido estabilizado dentro daquela merda, mesmo que com improviso. Queria muito ver Eren, e saber que o mesmo estava preocupado e aterrorizado em algum lugar fazia com que uma sensação desgostosa dentro de mim crescesse. Não poderíamos conversar mais pela linha telefônica, pois a mesma foi cortada para evitar contato entre os rebeldes idiotas. Meus olhos estavam cansados e ninguém dentro do centro cirúrgico estava armado, o que era bem ruim caso as malditas portas metálicas se abrissem.
As malditas luzes vermelhas se apagaram e todos dentro do local se calaram até que as malditas luzes de led ascenderam trazendo alívio para muitos ali dentro, alguns minutos depois os militares abriram a porta e rapidamente o paciente foi levado à uma sala _ ao qual eu fui junto _ para fazer os o pós-operatório e exames para determinar o bom andamento do procedimento. Assim que fui liberado fui levado até onde poderia encontrar-me com Eren.
Assim que avistei a cabeleira castanha meu peito deu um solavanco tranquilo. Minha vontade era correr e abraçá-lo, mas junto do mais novo estava a comandante e outras pessoas de patentes altas. Após dar um relatório do estado do paciente nos encaminharam cada um para um sala onde seriam assinados os contratos que tinham como função silenciar nossas bocas sobre todo o ocorrido. Assinei desgostoso e esperei Eren voltar para sermos levado ao hangar de embarque para voltarmos a Trost, mas antes Eren foi chamado pela maldita de cabelos negros que lhe sussurrou algo e sorrindo se afastou dando um aceno para mim. Adentramos no helicóptero e durante a viagem inteira não trocamos nenhuma palavra ou olhar e aquilo me incomodava bastante.
Chegamos ao hospital e Erwin nos esperava no terraço. Eren assim que desceu pegou o elevador me deixando com obrigação de falar com o maldito loiro, mesmo que eu só quisesse correr atrás do mais novo e confortá-lo pelo susto.
— Vocês demoraram muito _Smith falou casualmente enquanto descíamos de elevador e eu suspirei.
—A operação demorou mais do que eu esperava.
—E essa é a resposta do contrato que lhes empurraram.
— Infelizmente, é a única que posso falar. _ dei um sorriso de lado para o mesmo que me encarou surpreso e pareceu ficar desconfortável. Ficamos ali em silêncio até Erwin apertar o botão de parada do elevador e se virar em minha direção.
—Me desculpe, Levi.
— Pelo que exatamente?
— Tudo, eu jamais deveria ter batido em você. Não no meu melhor amigo.
— Não é como se vez ou outra eu também não tivesse vontade de socar esse seu rostinho perfeito, Erwin. _ Falei sorrindo e o mesmo riu _Mas não é para mim que tem que falar tudo isso meu amigo, seu problema é com um Rivaille diferente, ou melhor, com uma Smith.
—Eu vou falar com ela. Não posso deixar as coisas acabarem por minha causa. Eu amo muito a sua irmã, Levi.
— Não duvido.
Saímos do elevador e após organizar tudo e ser avisado que o doutor Jaeger já havia saído há muito tempo, peguei o meu carro e comecei a dirigir pelas ruas não tão movimentadas da cidade. Estava cansado, e mesmo que tudo tivesse dado certo tinha uma parte sua incomodada com tudo ainda. Finalmente seu melhor amigo estava voltando à razão e ele sabia que não seria fácil ter o perdão de Zoe por tudo. Sabia que teria que batalhar bastante, mas ele a amava o bastante para brigar pela aceitação da morena desmiolada e Hanji...
Bem, Hanji amava Erwin o bastante para deixá-lo ir. Eles se preocupavam um com outro, mas as mágoas haviam falado mais alto nos corações de cada um antes de razão. Como bobos apaixonados que precisavam se confortar e ainda havia Nina que era um reflexo do amor dos dois que mesmo a trancos e barrancos permaneciam juntos...
...
—Merda! _ bati o punho contra o volante e peguei a primeira estrada de volta _O quão idiota eu sou?!
No que eu e Eren nos diferenciamos? Precisava do conforto dos olhos do mais novo para tirar o peso do coração, necessitava do som de sua voz e risada para preencher o vazio que havia criado dentro de mim. Lian e Eren eram as respostas para minha amargura e só precisava vê-los, abraçá-los e sentir o carinho da preocupação do mais novo novamente.
Como não havia notado antes? O que eu era? Um idiota?
Estava completamente apaixonado pelo pirralho de olhos verdes.
E naquela maldita hora era como se todos os semáforos da cidade houvesse decidido acenderem o vermelho para lhe manter longe, mas simplesmente não podia evitar. Queria ver Eren e Lian e era o que faria. Avistou o prédio de seu pirralho e sorrindo procurou uma vaga, mas infelizmente só havia do outro lado da maldita avenida movimentada e após estacionar de qualquer jeito e correr foi que seu corpo paralisou com a visão que tinha. Seu pirralho. Seu Eren, abraçado com outro homem em frente ao prédio enquanto tinha seus lábios selados.
E naquele momento tinha tido a certeza de que o coração do mais novo já não lhe pertencia mais, mas o seu. Ó, o seu era apenas do garoto de olhos verdes e sorriso brilhante.
Talvez aquela seja sua punição por amá-lo tarde demais.
♛
Apertou com força mais uma vez o maldito botão do elevador. Seu coração estava disparado, suas pernas e mãos tremiam e havia aquele maldito bolo em sua garganta que queria fazê-lo chorar. Merda! Como poderia ser tão burro? Desde que Levi desligará passei todas àquelas horas infernais preocupado com o maldito neurologista que com toda certeza não sentirá o mesmo por mim. Não queria me sentir tão idiota, mas a sensação de trair a mim mesmo e de finalmente conseguir visualizar as coisas com clareza me deixava nauseado.
Amava o maldito Rivaille.
Ou melhor. Ainda o amava depois de tudo. De toda a dor e cicatrizes. No final seu estúpido coração ainda guardava o amor juvenil do passado apenas para o mais velho, e isso lhe irritava por saber que não era correspondido como sempre. As portas se abriram no saguão e correu praticamente para fora do mesmo a procura de um táxi. Queria meu filho, minha cama e meus amigos para aplacar o sentimento de inutilidade em que me afundava. Não demorou muito para chegar, graças ao trânsito tranquilo daquela noite, e assim que paguei o homem que lhe trouxesse subiu os lances de escada desesperado.
Só queria chegar.
Andei vacilante até o apartamento de meus amigos e assim que a porta se abriu me prendi ao corpo de algum deles, embrenhando-me em um abraço necessitado e sofrido. Braços fortes circundaram meu corpo _ Eren o que aconteceu?_ a voz rouca de Marco bateu contra o meu pescoço e meu corpo convulsionou iniciando um maldito choro.
Odiava-me!
Ele não me ama!
Então... Por quê?... Por quê?
—Hey Eren o que aconteceu? Você está machucado?
Não conseguia responder o moreno. Aquele maldito bolo finalmente parecia desgrudar de minha garganta e não me deixaria formular qualquer palavra coerente. Ouvi as risadas de Lian e me afastei minimamente do outro. Lian não podia me ver assim. Não. Não mesmo. O que ele pensaria? Um homem grande chorando como um garotinho pelo amor de adolescência.
Patético.
—V-vamos... Sair... Daqui... Por favor. _ Marco se afastou e me puxou para fora do corredor. Meus olhos estavam completamente nublados e nem sabia para onde o outro me levava, apenas me enroscava em seu corpo e chorava. Chorava e chorava.
Idiota! Burro!
Como podia?
Como ainda podia?
Senti uma brisa fria bater contra mim e notei que saímos do prédio. Marco caminhou até o seu carro estacionado na frente e logo se sentou no capô me puxando para um abraço acolhedor. Não estava em posição de negar, não mesmo, mas sabia que aquilo era cruel com aquele maravilhoso homem que estava fodidamente preocupado e apaixonado pelo idiota aqui.
— Eren fale comigo, por favor. _ Marco sussurrou e juntando toda a minhas forças engoli em seco a tristeza e me afastei o encarando.
— Me perdoa Marco. Perdoa-me.
—Hey, você não me deve desculpas por nada. O que está acontecendo? Alguém te machucou?
Neguei com a cabeça e engoli um soluço esfregando minhas mãos em meus braços e trocando o peso de uma perna para a outra. _ Você gosta tanto de mim Marco. Eu queria... Merda como eu queria, mas essa porcaria que eu chamo de coração não colabora... Por quê? Eu já não sofri o bastante?!
Gritei a ultima parte e Marco me abraçou rapidamente. Voltei a chorar como um tolo.
Como sempre fui.
— Eren... Fale comigo hum, por favor, antes de tudo eu sou seu amigo.
—Eu não po-posso. Você... _ engoli em seco e Marco me encarou secando minhas lágrimas.
—Shiii, eu não vou te julgar.
— Você jura? _ perguntei com um fio de voz encarando seus olhos que me passavam carinho e confiança. Por que eu não podia me apaixonar por você, Marco?
— Juro.
—Eu há muitos anos atrás _ funguei desviando o olhar do mesmo _... Apaixonei-me por um senpai da minha escola. Ele era deslumbrante e tão, mas tão lindo. Um dia... Eu simplesmente me declarei para ele _ mordi os meus lábios apertando as mãos de Marco em meu rosto sem o encarar ainda _ Nós transamos no maldito... Merda. E depois de tudo ele só falou que estava me usando, aquilo me destroçou. Eu era tão jovem e depois... Depois veio Lian como consequência de tudo. Eu tentei superá-lo, mas... Mas eu tenho que vê-lo todo dia. Tenho que ver como ele mudou e se tornou uma pessoa tão estranhamente boa. Lian o ama... E eu? Eu não consigo odiá-lo! Por quê?! Hoje ele podia ter morrido e eu só sentia que se algo tivesse acontecido com ele eu morreria junto. Por que eu ainda o amo? Eu não quero mais sentir isso Marco... Não, não, não...
— Eren...
— Não, eu...
Marco me segurou com força e colou nossos lábios. Arregalei os meus olhos e o mesmo segurou a minha nuca invadindo minha boca com sua língua e mesmo que eu quisesse esquecer tudo os meus últimos beijos trocados com Levi vieram em minha mente. Tão desesperados. Tão Bons...
O que você havia feito comigo Levi Rivaille?!
Empurrei Marco delicadamente e o mesmo secou minhas lágrimas.
— Desculpe, mas foi o único meio que encontrei para fazê-lo parar de chorar.
— Idiota. _ o soquei no peito e o mesmo sorriu me arrancando um sorriso _ Obrigado.
— Não há problemas Eren. E você não precisa se desculpar por gostar de alguém Eren e bem mesmo que me doa dizer isso, mas não podemos escolher por quem nos apaixonamos.
— Você seria um bom psicólogo. _ sorri secando minhas lágrimas e ele acabou sorrindo.
—O melhor.
— Acho que isso corta os seus planos de querer sair comigo, não é? _ o mesmo respirou fundo segurando o meu rosto e o acariciando.
—Claro que não. Seria tolo da minha parte não querer dizer que eu quero fazer você se apaixonar por mim, mas sei que não estamos em um filme. Quero sair com você ainda assim até que eu quebre a cara, não só por me atrair por você, mas porque quero ser seu amigo.
—... Eu... Obrigado de verdade, Marco.
— Não tem problema. Eu preciso ir, Okay? Falamo-nos depois, volte para cima e vá ver seu filho e comer a comida ruim de Jean.
— Pode deixar.
Esperei Marco sair com o carro e entrei novamente no prédio com o coração mais leve. Andei abraçado ao meu próprio corpo em busca de algum conforto e meus olhos ardiam por conta de todas as lágrimas, sem contar as minhas pernas doloridas pelo esforço de subir as escadas. Eu com toda certeza merecia o prêmio do século como idiota, mas no momento eu só queria realmente dormir abraçado a Lian, até que toda angústia se esvaísse e não passasse de uma lembrança ruim.
Apertei o botão do elevador e espirrei. A maldita caixa ainda estava no 5º andar e eu só não queria ter que subir com ninguém inconveniente.
— Eren! _ ouvi o meu nome soar alto e olhei para a entrada do prédio vendo Levi andando em minha direção. Senti minhas pernas fraquejarem ainda mais e o meu coração palpitar e o maldito bolo parecia crescer rapidamente como um balão. O que ele estava fazendo ali?
—L-Levi? O que voc-
Não consegui pronunciar nada até ter o meu corpo puxado com força contra o do menor e meus lábios pressionados contra os seus. Arregalei os meus olhos durante o atos e senti a mão de Levi em minha nuca, enroscando sua mão em meus cabelos e fazendo um sutil carinho. Fechei os meus olhos e podia sentir a maciez dos lábios do mais velho, assim como toda aquela aura dura e confiante em sua volta. Afastei-me do neurologista confuso e antes que pudesse lhe encarar e perguntar o que ele achava que estava fazendo o mesmo me abraçou enterrando sua cabeça em meu peito.
O moreno me apertava com força, mas sem nunca machucar, não consegui evitar um estremecimento e muito menos as batidas agora desesperadas do meu coração. Minhas mãos voltaram a tremer levemente e em meu estômago parecia haver um enorme vazio, mas ao mesmo tempo preenchido de coisas que me deixava enjoado.
—... Eren, por favor. Por favor... _ ouvir os sussurros de Levi que agarrou com força o pano de minha camisa nas costas e me prensou contra a parede entre os elevadores.
—L-Levi?
—Eu amo você!
...
O quê?
Se possível arregalei ainda mais os meus olhos sentido os mesmos começarem a marejar. O que estava acontecendo ali? Eu havia desmaiado na portaria? Por que Levi estava ali dizendo que me amava? Aquilo só poderia ser um sonho meu. Consequência de toda a choradeira desnecessária e idiota.
—O que você está dizendo? _ murmurei desacreditado.
Segurei seus pulsos com força encarei Levi confuso e seu olhar estava repleto de sentimento, arfei notando a clara veracidade de suas palavras e o mesmo abriu um pequeno sorriso.
—Eu... Eu amo você, Eren Jaeger. Você pode acreditar em mim?
Fale com o autor