Notas iniciais
HHHHH, nem acredito que consegui terminar isso aqui. Foram, tipo, um dia e meio apenas, porque deixei tudo pra última hora :v De qualquer forma, é a primeira coisa que posto aqui no site (sem ser co-autoria)! Confesso que gostaria de ter começado à escrever antes, porque tinha planos maiores pra ela... Mas, enfim, é o que uma preguiçosa ganha pela fadiga, kkkkkk. Boa leitura! Che ne dici = que tal? em italiano.

"I know you're not expecting to go on second guessing, but I think it's for the best

Eu sei que você não estava esperando pensar duas vezes, mas eu acho que é o melhor."

Se Gabriela pudesse, não atenderia mais um telefonema sequer de Beatriz. A apagaria de sua vida de uma vez por todas, como se nunca tivessem se envolvido, e então a outra não seria nada mais que uma lembrança distante. Uma memória longínqua que não a faria chorar antes de dormir, nem a preocuparia ao longo do dia.

Mas não, não conseguia fazê-lo. Porque justo quando estava mais decidida sobre o término daquela relação, Beatriz voltava inexplicavelmente de suas viagens pelo mundo. E dizer não àqueles olhos castanhos, frente a frente, era impossível...

— Eu volto logo. Juro. — a voz de Beatriz era doce e calma, porém não muito convincente. Ao menos não depois de Gabriela ter ouvido as mesmas palavras, pronunciadas pelos mesmos lábios, vezes sem fim.

Na verdade, o que machucava mesmo não era a distância. Era não saber o que Beatriz estaria fazendo do outro lado do mundo, naquelas viagens que duravam dias, semanas, meses... Se continuava fiel ou se nunca se importou realmente com o relacionamento das duas.

Para Gabriela, o céu ganhara outro significado depois que a conheceu. Era como se tudo se resumisse ao estrangeiro, à onde Beatriz estaria naquele momento. Dublin? Florença? Berlim? Qual seria a primeira parada daquele espírito livre?

A de Gabriela, eternamente presa à esta terra, continuaria sendo aqui.

"I don't want you coming here. No way, no way.

Eu não quero você vindo aqui. De jeito nenhum, de jeito nenhum."

À todo momento, sentia-se confusa. Ao mesmo tempo em que gostaria muito de ter a namorada ao seu lado, também pensava em colocar um fim na relação. Sabia que não estava certa em continuar com estas preocupações exageradas, mas a sua baixa auto estima sempre batia à porta.

E se fosse apenas uma diversão idiota no Brasil? Será que a outra realmente se importava consigo? Era tudo um emaranhado na sua cabeça, de sentimentos, de razões e de distâncias... E às vezes a solução mais fácil parecia ser o término.

Já haviam conversado, na tentativa de organizar os pensamentos. Beatriz não deixaria de viajar, segundo a fotografia, sua profissão, à requeria. E mesmo que o fizesse, seria tirar-lhe não só o emprego, como a vida. Era uma mulher de mudanças, de novidades...

Mas Gabriela era a mesma mulher de cinco anos atrás. A mesma universitária confusa, que um dia sonhou em tornar-se pintora, porém que acabou como engenheira. Uma mulher de conformação, de praticidade...

E o fato é que em todas as vezes, prometia ser a última. Jurava que diria um basta a todo aquele relacionamento a distância, desapegaria de súbito. Tentava forçar-se a acreditar que as coisas deveriam acabar, de uma forma ou de outra.

"I'm so confused by you. I don't know what to do.

Eu estou tão confusa por você. Eu não sei o que fazer."

Indo contra toda a sua resistência, Gabriela se encontrava agora no aeroporto, esperando exatamente como das últimas vezes. Algo dentro de si martelava o pensamento de que não deveria estar ali, como se sair correndo fosse a melhor opção. Outra parte de seu ser aguardava ansiosamente para avistar o lindo sorriso de Beatriz...

E não demorou muito para que os cabelos morenos da outra se destacassem na multidão, fazendo palpitar seu coração. Agora não dava mais para fingir não ter vindo ou ligar falando que um compromisso surgiu inesperadamente. Não tinha mais volta, porque a bela figura aproximava-se de si, com o seu andar hipnótico.

E talvez fosse algo no ambiente monótono ou no barulho irritante dos carrinhos de bagagem, mas a mulher parecia ser a única coisa realmente importante ali. Não aquele avião que chegara há algum tempo, nem os sentimentos confusos de Gabriela. Apenas Beatriz.

"But when you're with me, darling, I don't believe in anyone else.

Mas quando você está comigo, querida, eu não acredito em mais ninguém."

Era de madrugada e fazia calor. A janela do quarto estava aberta, as cobertas jogadas para fora da cama. A única iluminação vinha da cidade lá fora, com seus postes de luz e edifícios que nunca dormem.

— Acho que "golubushka" é algum apelido carinhoso na Rússia... — Gabriela dizia, deitada de barriga para cima. Encarava o teto escuro, a namorada apoiada em seu peito, abraçando-a.

Exatamente como nos últimos tempos, as coisas pareciam ter voltado ao normal. Estar perto e estar longe alternavam-se num ciclo infinito, nesta roda da fortuna confusa.

— Ou você pode estar dizendo alguma coisa muito estranha em russo e nós nunca saberemos. — Beatriz riu, seus ombros chacoalhando com o gesto.

O quarto estava um pouco escuro, porém ainda distinguia-se a madeira do teto. Havia várias marcas nela, traços, curvas, desenhos. Era quase como admirar as nuvens, só que dentro de casa.

— Por que você não vem comigo da próxima vez? — a pergunta fora abrupta demais, palavras faladas tão rapidamente que quase tornaram-se inteligíveis.

— Como? — por mais veloz a fala, Gabriela tinha entendido. Só não conseguia acreditar na veracidade daquilo.

Alguns segundos de silêncio se passaram antes que a morena continuasse.

— Acho que a minha próxima parada será a Itália... — Beatriz sorriu, embora seu maravilhoso sorriso não pudesse ser visto no escuro — Che ne dici?

"Everytime I see your eyes I want to walk with you in moonlight.

Toda vez que vejo seus olhos, quero caminhar contigo ao lugar."

Em todas as outras vezes, Beatriz teria de jurar que estaria de volta em breve. Passariam um longo período separadas, repleto de confusões e sentimentos controversos, que no final acabaria em mais uma noite de amor. Naquela hora, porém, a promessa fora outra.

— Nós vamos logo. Juro.

Notas finais
Yey! xD
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!